segunda-feira, 3 de maio de 2010

Poupar por conta própria para o futuro

Especialistas dão opções para quem quer se aposentar sem depender da previdência social

A modalidade de previdência privada têm crescido exponencialmente no Brasil. Mas, segundo especialistas em finanças pessoais, não é a única forma de planejar a aposentadoria. Há alternativas que permitem ao investidor gerir o próprio dinheiro. Alguns cálculos revelam que essas opções podem até resultar em rendimentos maiores que os da previdência

A liberdade de movimentar o dinheiro, o que possibilita ao investidor aproveitar as bonanças do mercado no decorrer do tempo, é o grande diferencial entre a elaboração de uma carteira para a aposentadoria e a tradicional previdência. Além disso, com a alternativa para o planejamento, o cliente fica livre de taxas de administração, de carregamento e de saída cobradas pelos bancos.

“São muitas taxas num plano de previdência. Esses custos, a longo prazo, reduzem o rendimento”, diz Otto Nogami, professor de finanças do Insper (ex-Ibmec).

Carteiras que mesclam renda fixa com variável são a alternativa mais recomendada por especialistas. Para Rodrigo Menon, da Beta Advisor, “a regra é diversificar”. Ele recomenda a um investidor com, no mínimo, 15 anos para se aposentar aplicar: 25% em ações; 20% em títulos atrelados à inflação; 20% em títulos prefixados e 25% em DI (que segue as taxas de juros pós-fixadas).

Os mais velhos, próximos da aposentadoria, devem manter 15% em ações e adicionar 10% em DI, segundo o especialista. “Essas são recomendações a investidores padrão, ou seja, com perfil moderado”, observa Menon.

Décio Pecequilo, operador sênior da TOV Corretora, é mais arrojado e diz que jovens podem ter 80% ou até 100% em ações. “Eu, por exemplo, acumulei patrimônio somente com investimentos nesses papéis”, diz.

Para o professor do Insper, porém, independentemente da idade, quem planeja a aposentadoria deve manter 50% dos investimentos em títulos públicos ou CDB. Nas contas dele, 30% ficariam em bolsa e os 20% restantes, na poupança ou em fundos DI. A ideia, diz ele, é que o investidor desloque os recursos caso haja uma boa oportunidade no mercado.

“Mas, atenção, em todos os quesitos, sobretudo na bolsa, o investidor precisa conhecer bem o produto”, aconselha o professor.

Os especialistas frisam que planejar a aposentadoria fora da previdência é só para quem é disciplinado com o orçamento. “Caso contrário, é melhor manter o dinheiro no piloto automático da previdência”, diz Menon. “Investir em ações precisa de acompanhamento e atenção”, completa Pecequilo.

Comprar imóveis para locar pode ser outra alternativa. “Aluguéis servem como complemento de renda”, diz Menon. Os mais indicados são os imóveis comerciais, com maior potencial de retorno.

Segundo Nogami, do Insper, o investidor que optar o caminho próprio não terá os benefícios fiscais concedidos nos planos de previdência. Roberta Scrivano

DICAS

1Quanto antes começar a poupar, melhor
2 Não ter um portfólio 100% conservador ou totalmente arriscado
3Montar carteira mesclando renda variável com renda fixa. Porcentuais variam conforme idade e perfil do investidor
4As blue chips (ações mais importantes da Bovespa) são bastante recomendadas para investimentos de longo prazo
5Jovens podem arriscar mais, ou seja, aportar 80% ou mais da carteira em ações, Os outros 20% podem ser mantidos na poupança
6Para os mais velhos, que estão mais próximos da aposentadoria, o ideal é manter uma carteira mais conservadora, com 20% em ações e 80% em renda fixa
 
Fonte! Chasque publicado no dia 26 de abril de 2010 sítio (blog) Economia do Cotidiano - http://mainichiokane.blogspot.com/, que teve como fonte o Jornal da Tarde.