segunda-feira, 10 de abril de 2017

Baixo rendimento da poupança e inflação incentivam Tesouro Direto

Baixíssimo risco é o maior atrativo do investimento,
destaca Fernando Baggio, diretor da L&S Capital
HENRIQUE KELLER/Divulgação/JC 
Quem olhar isoladamente o número de investidores cadastrados no Tesouro Direto no início deste ano não terá a dimensão exata do crescimento desta opção por parte dos brasileiros na hora de fazer seu dinheiro render. Em fevereiro (dado mais atual disponível) havia 1,2 milhão de cadastrados no sistema que permite aplicar recursos em títulos do Tesouro Nacional. Um ano antes, era próximo de 675 mil. A alta, em 12 meses, é de aproximadamente 80%.

"O investidor em geral está melhor informado e até se especializando no assunto mesmo sem ser profissional. Ele passou a questionar o retorno do que é oferecido pelo banco com o qual trabalha e viu que pode obter mais. E acabou indo para o Tesouro Direto, que tem baixíssimo risco", avalia Fernando Baggio, diretor da L&S Capital.

Outra dado que aponta para a linha de pensamento de Baggio e registrada nas estatísticas do Tesouro Direito, é o de crescimento da participação do jovens no cadastro. O percentual de quem tem entre 16 e 25 anos e está apto a aplicar recursos no Tesouro passou de 6,5% do total, em fevereiro de 2016, para 10,4% em fevereiro deste ano. Para o executivo da L&S, isso também é fruto da busca maior por conhecimento - característica dessa faixa etária.

Para Vitor Hernandes, educador financeiro e sócio-proprietário do site Jornada do Dinheiro, a melhora no portal do Tesouro promovida há cerca de dois anos também ampliou o interesse dos brasileiros pelo produto. As ações mais educativas e claras no portal, mais facilidade para efetuar o cadastro (que precisa ser intermediado por corretoras e bancos) e menos burocracia também têm um grande aliado na procura: o valor mínimo para aplicação. "Com apenas R$ 30,00 é possível fazer um investimento no Tesouro Direito. Isso é um estímulo e tanto", diz Hernandes.

O educador financeiro também informa que a inflação de 2015 acima dos 10% e a poupança rendendo cerca de 8% acelerou a busca por melhores opções de investimento. Naquele período, os títulos do Tesouro ficaram acima de 12%. Assim, acabou seduzindo boa parte de quem saiu da "zona de conforto" da poupança. "Muita gente imagina que apenas por não ter que pagar imposto de renda a poupança vale a pena. Mas o Tesouro Direto, mesmo com taxas entre 15% e 22,5%, conforme o tempo de aplicação, tem dado ganhos atrativos", assegura Hernandes, que aplica no Tesouro Nacional desde 2014.

Saiba mais sobre o sistema

Como se tornar um investidor?

É preciso se cadastrar no Tesouro Direto por meio de uma instituição financeira, que pode ser uma corretora de valores, banco Comercial, Múltiplo ou de Investimento e Distribuidora de Valores. Após o cadastro, você receberá uma senha, via correio eletrônico, que permite o acesso à área exclusiva do investidor do Tesouro Direto. A partir desse momento, você estará apto (a) a investir nos títulos que desejar.

Como é feito a aplicação?

O pagamento dos investimentos realizados no Tesouro Direto é feito por meio de recursos disponíveis na sua conta na sua instituição financeira. Caso você tenha autorizado sua instituição financeira a adquirir títulos em seu nome, você deve efetuar o pagamento para a mesma, conforme acordo entre as partes. O Tesouro opera inteiramente via internet, não havendo a necessidade de você se deslocar a um local físico para realizar suas aplicações (como um banco ou um caixa eletrônico). Basta que os recursos estejam disponíveis na conta da instituição financeira que o pagamento dos investimentos será efetuado.

Quais são as principais opções de aplicação?

LTN - Paga uma taxa pré-fixada

LTN -B - Remunera pela inflação oficial (IPCA) + um taxa pré-fixada. Hoje, essa taxa varia, em média, entre 5% e 5,5%.

LTF - Remunera acompanhando a Taxa Selic, hoje em 12,5% (mas há tendência de baixa na Taxa, para cerca de 9%). 

Fontes: Site do Tesouro Direto e Fernando Baggio, diretor da L&S Capital. 
Nós buscamos este chasque (publicação), do Thiago Copetti, nas páginas do Jornal do Comércio de Porto Alegre - RS, edição impressa do dia 10 de abril de 2017.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Churrasco vira moda na China

Em Pequim, 25 restaurantes divulgam a gastronomia brasileira

Não é só a carne brasileira que está em alta na China - pelo menos estava até o escândalo da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, levar as autoridades a suspender as importações do produto brasileiro. O churrasco entrou na moda e ajudou a espalhar a boa fama da carne e do estilo de vida do brasileiro. Proliferam as churrascarias por todo o país. Só na capital, há 25; das quais, duas apenas com churrasqueiros brasileiros. 

Curiosamente, os fornecedores desses estabelecimentos não trabalham com carne brasileira. Mas são obrigados a oferecer a tradicional picanha, um corte que só os chineses muito iniciados saberão dizer o que é. Os outros não têm ideia do que se trata. "Tivemos de ensinar como é que se faz para tirar a bola da picanha da peça inteira", conta Ceará, o churrasqueiro do restaurante Latina, que vive há 17 anos em Pequim.

A primeira churrascaria chinesa abriu as portas na capital em 1994, mas já não existe mais. A Beijing Brazil fechou antes da Olimpíada de Pequim, em 2008, para dar lugar a mais uma via na larga avenida que passa pela Praça da Paz Celestial. Ceará, que fala chinês como um local, afirma que a clientela gosta de ver os pratos cheios. A carne sempre foi item de luxo na China. Até bem pouco tempo atrás, era usada como tempero, e não prato principal.

Foi ascensão de tantos milhões à classe média que popularizou o consumo da carne. "Eles ficam alucinados com aquelas peças que a gente serve no rodízio", conta Ceará, no intervalo entre o almoço, que é servido das 11h às 14h, e o jantar, pouco antes da sua sesta, um hábito bastante chinês que incorporou à rotina.

A Carnaval é uma churrascaria comandada por locais e até lembra as antigas churrascarias brasileiras. Um estabelecimento com características chinesas. Tem o rodízio, o que muitas não costumam usar (deixam as carnes servidas em um bufê) e oferecem acompanhamentos muito mais da culinária chinesa do que outra coisa. À noite fazem show de música, com dançarinas com poucas roupas e chineses cuspidores de fogo.

O mercado de carnes da China é uma conquista recente. Os produtores consideram o ano de 2016 como um divisor de águas. Foi quando o Brasil deixou os australianos para trás pela primeira vez, tornando-se o principal fornecedor de carnes bovinas. De 2012 a 2015, a carne brasileira não entrava na China. Estava embargada por causa de casos de doença da vaca louca. As exportações de carne suína - a preferida do consumidor local - passaram de 123 mil toneladas, em 2015, para 232 mil toneladas no ano passado. Um salto importante de 82% em um país que produz a maior parte de carne de porco que consome.

Fonte! Chasque (matéria) publicano nas páginas do caderno Empresas & Negócios, do Jornal do Comércio de Porto Alegre - RS, na edição do dia 03 de abril de 2017.  


Não é só a carne brasileira que está em alta na China - pelo menos estava até o escândalo da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, levar as autoridades a suspender as importações do produto brasileiro. O churrasco entrou na moda e ajudou a espalhar a boa fama da carne e do estilo de vida do brasileiro. Proliferam as churrascarias por todo o país. Só na capital, há 25; das quais, duas apenas com churrasqueiros brasileiros. Curiosamente, os fornecedores desses estabelecimentos não trabalham com carne brasileira. Mas são obrigados a oferecer a tradicional picanha, um corte que só os chineses muito iniciados saberão dizer o que é. Os outros não têm ideia do que se trata. "Tivemos de ensinar como é que se faz para tirar a bola da picanha da peça inteira", conta Ceará, o churrasqueiro do restaurante Latina, que vive há 17 anos em Pequim. - Jornal do Comércio (http://jcrs.uol.com.br/_conteudo/2017/03/cadernos/empresas_e_negocios/554163-churrasco-vira-moda-na-china.html)

Venda fiada registra queda no Rio Grande do Sul


Soares limitou número de clientes com direito a essa
modalidade. CLAITON DORNELLES/JC

O famoso "compro agora pago depois", modalidade de crédito informal muito usado pelos brasileiros cresceu na carona da crise financeira. Enquanto no País a venda fiada aumentou, no Rio Grande do Sul caiu: em 2015, o Estado registrava 17% das vendas ligadas ao orçamento familiar diretamente na caderneta dos mercados, em 2016 o número foi 1% menor. Enquanto isso, o Brasil registrou alta de 1%, ao subir de 26% para 27%. O movimento pode ser explicado pelo mesmo fenômeno que levou a ampliação no Brasil, a crise, já que alguns comerciantes optaram por tornar as regras mais rígidas pela inadimplência no Estado, enquanto os mercadistas das demais regiões optaram por conceder crédito.

 "Temos mais demanda, mas cada vez menos estamos liberando para novos clientes", comenta Marcelo Soares, proprietário do mercado Soares, na avenida João Pessoa, na Capital. A justificativa do comerciante para a diminuição da oferta é que "não se fazem mais bons pagadores como antigamente". Ele acredita que a crise tem dificultado a organização do orçamento familiar, o que impacta o seu negócio - especialmente a caderneta. Em uma conta rápida, ele calcula que de cada 10 cadernetas, seis não estão sendo pagas em dia.

Isso levou o empresário a tomar uma série de precauções. Soares costuma ter um controle rígido sobre as cadernetas que abre, por isso, para funcionários das empresas que estão situadas na região do seu mercado, por exemplo, o comerciante exige que o chefe do setor, geralmente um funcionário com mais tempo de casa e já conhecido, ateste o vínculo para que o crédito seja liberado.

O melhor cliente do mercado compra no fiado com ele há 12 anos. Soares conta que suas dívidas no final do mês chegam a quatro dígitos que são pagas pontualmente. "A maioria dos clientes desse tipo já morreram", lamenta. A média de valores das demais cadernetas é de R$ 200,00 a R$ 300,00. O comerciante explica que quando ele abriu seu negócio, em 2005, os tempos eram outros: não havia tanta demanda pela caderneta, mas quem pedia quitava as dívidas sem maiores problemas ou necessidade de constrangimento.

A pesquisa realizada pela Kantar ainda aponta que 14,1 milhões de famílias usaram ao menos uma vez a caderneta para ir às compras no ano passado dada a recessão econômica, ante 13,5 milhões em 2015. A estimativa é de que meio milhão de família fizeram do método o usual para itens básicos. A consultoria responsável pelo levantamento visita mensalmente 11,3 mil domicílios do território nacional, portanto, a amostra retrata os hábitos de consumo de 52 milhões de famílias no País.

A modalidade de pagamento caía em média 6% ao ano, por estar diretamente ligada ao desemprego. A virada se deu pelo desequilíbrio na equação entre emprego, inflação e consumo.

A pesquisa da Kantar ainda aponta que a caderneta é o quarto meio de pagamento escolhido pelo brasileiro nas compras de produtos básicos, perdendo para o dinheiro, o cartão de crédito e o cartão de débito, mas ainda à frente do cheque e do tíquete alimentação. 

Fonte! Chasque de Carolina Hickmann, publicado nas páginas do Jornal do Comércio de Porto Alegre - RS, edição do dia 03 de abril de 2017.

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Observação!

Já vi uma penca de bolicheiros (pequenos comerciantes) quebrar por não ter limites no crédito (fiado) via caderninho. Se não levar na rédia curta, o comerciante poderá ser ver em maus lençóis, tendo dificuldades para receber os cobres (dinheiro) referente às vendas no prazo (informal) e ainda ver o seu empreendimento ir à bancarrota (falir)....

Baita abraço

Valdemar Engroff - o gaúcho taura! 

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Cooperativas tentam reverter cobrança de IOF


Para Seefeld, fim da isenção não retira a
competitividade do setor. FREDY VIEIRA/JC
Ainda sem ter a noção exata do impacto da cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre as operações de crédito realizadas pelos cooperativados, as cooperativas de crédito devem começar hoje a fazer essa cobrança ao mesmo tempo em que tentam reverter a decisão. Pega de surpresa com a inclusão da cobrança entre as medidas de ajuste fiscal da União, na quarta-feira, a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) afirma que sequer o sistema bancário do setor está preparado para fazer esse cálculo automaticamente, já que era isenta da cobrança e tenta negociar a reversão das medida ou ações compensatórias e mais prazo com o Ministério da Fazenda e a Casa Civil. 

A entidade defende que a medida de elevação do IOF nos empréstimos e operações financeiras entre as cooperativas de crédito e seus associados é contrária aos movimentos do governo de gerar renda, inclusão social e financeira a pessoas não bancarizadas e ao discurso de não elevação de impostos. A OCB reclama que, além de não terem sido chamadas para conversar, as cooperativas não tiveram tempo de se preparar para a mudança. 

"Ainda não temos uma dimensão do impacto financeiro. Nem mesmo nosso sistema está preparado para podermos saber como isso afeta, tanto diretamente o cooperativado quanto as cooperativas. A decisão não leva em conta nem mesmo a concentração bancária que isso favorece. Em 564 municípios brasileiros, o nosso serviço é o único serviço bancário existente", critica a gerente técnica da OCB, Clara Maffia. 

A entidade também coloca na mesa de negociações o fato de as cooperativas não terem fins lucrativos, permitindo que a população acesse serviços bancários a preços mais justos e que os cooperativados são donos da própria instituição financeira cooperativa, que lhes devolve as sobras das operações realizadas, retendo recursos financeiros nos lugares ondem moram, beneficiando a economia local. 

"A própria Constituição Federal, em seu art. 174, §2º, determina que a lei apoiará e estimulará o cooperativismo e outras formas de associativismo. É exatamente isso que não conseguimos visualizar na medida anunciada", afirma Clara. 

O fim da isenção tributária nessas contratações de crédito, porém, não chega a retirar competitividade do setor, avalia Gerson Seefeld, diretor executivo do Sicredi Central Sul, que abrange 640 agências de 42 cooperativas no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A relação com o cooperativado, alega Seefeld, vai muito além da cobrança ou não desse tributo no uso de serviços de crédito como financiamento e limite do cheque especial. 

"Nós temos distribuição de lucros no final de cada exercício anual, além de uma intensa participação nas comunidades. Somos nós que investimos na igreja, no time de futebol local, nas festas comunitárias e nos grupos de canto coral, por exemplo", avalia o executivo da Sicredi Central Sul, que planeja para 2018 o ingresso no sistema de crédito cooperativado com abertura das primeiras agências em Minas Gerais. 

Fonte! Chasque (matéria) de Thiago Copetti, publicado nas páginas do Jornal do Comércio de Porto Alegre, na edição do dia 03 de abril de 2017.  

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Observação!

A maior preocupação, no nosso entender é com as pequenas e médias cooperativas de crédito mútuo, que agregam associados os funcionários de empresas e/ou de categorias profissionais, como no nosso caso específico, a CRESAL - Cooperativa de Crédito Mútuo dos Servidores da Ascar Emater/RS, que vão ter que se adequar a um custo que não se sabe quanto, para poder reter estes impostos e repassá-los ao tesouro nacional.

Estamos na torcida pelo êxito dos pleitos da OCB, pela continuidade da isenção de IOF no sistema cooperativo de crédito.

Valdemar Engroff