sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Idosos estão adiando cada vez mais saída do mercado de trabalho

São 7,5 milhões integrando a força de trabalho do país


Ao longo dos últimos anos, a participação de pessoas com idade superior aos 60 anos vem aumentando na força de trabalho do país. Além do envelhecimento da população, os idosos estão adiando a saída do mercado. E para protegê-los, o Estatuto do Idoso, que completou 15 anos no dia 1º de outubro, também trata de direitos relativos a trabalho e renda. Entretanto, alguns ainda não saíram do papel.

De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apesar de os idosos serem o grupo com menor participação no mercado, este percentual vem aumentando, passando de 5,9% em 2012 para 7,2% este ano. São 7,5 milhões de idosos na força de trabalho.

Em seu Capítulo 6, o estatuto garante ao idoso o exercício da atividade profissional, respeitadas suas condições físicas, intelectuais e psíquicas, sendo proibida a discriminação e a fixação de limite máximo de idade, exceto quando o cargo exigir. Para a técnica de planejamento e pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Ana Amélia Camarano, apesar do preconceito, a aceitação aos idosos está aumentando, já que a população de maneira geral também está envelhecendo.

Crises e chefes de família
 

Além disso, segundo ela, as dificuldades financeiras das famílias é um dos motivos para os idosos continuarem no mercado ou voltarem ao trabalho. “Até pela crise, tem uma maior procura de trabalho pelos idosos, mesmo aposentados, dada a necessidade de aumentar a renda familiar”, explicou.

Os dados da Pnad Contínua apontam que, do segundo trimestre de 2017 ao primeiro trimestre deste ano, 46% dos trabalhadores ocupados com mais de 60 anos de idade moravam no Sudeste, 56% eram mulheres e 63% se declararam como chefes de família.
Idosos na região central de Brasília.
Com crise, idosos adiam saída do mercado de trabalho
 - Marcelo Camargo/Agência Brasil


Apenas 27% estavam no mercado formal, enquanto 45% atuavam por conta própria. Dentre os setores da economia, o comércio absorveu 17% desses trabalhadores, 15% estavam na agricultura e 10% atuavam no setor de serviços relacionados a educação e saúde. Do contingente de trabalhadores com mais de 60 anos, 67% têm apenas o ensino fundamental incompleto e 25% têm escolaridade média ou superior.

De acordo com o IBGE, os idosos devem representar 25,5% da população até 2060.

Assim, a participação dos idosos no mercado de trabalho avança, enquanto cai a da população mais jovem. Conforme a Pnad Contínua, nos últimos 5 anos, o contingente dos trabalhadores ocupados com idade entre 18 a 24 anos recuou de 14,9% para 12,5%, enquanto daqueles com mais de 60 anos passou de 6,3% para 7,9%.

Para Ana Amélia Camarano, o mais preocupante é a redução da força de trabalho, com a diminuição da população jovem e em idade ativa. “Teremos muitos idosos vivendo muito e poucas pessoas em idade de trabalhar. Isso vai terum impacto na redução das receitas e nos gastos previdenciários, nos gastos com a saúde e outros impactos, como a diminuição da força de trabalho”, disse.

A técnica disse que é fundamental capacitar a população mais velha para reduzir sua saída do mercado e aumentar o intervalo do que se considera a população em idade ativa. “É preciso garantir a empregabilidade desse trabalhador mais velho. E, para isso, é preciso capacitação, por exemplo, melhoria das condições de saúde e de mobilidade urbana, redução do preconceito e melhores condições de trabalho”, afirmou.

Fonte! Chasque de Andreia Verdélio, publicado no sítio oficial da Agência Brasil, no dia 02 de outubro de 2018. Abra as porteiras clicando em: http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2018-10/idosos-estao-adiando-cada-vez-mais-saida-do-mercado-de-trabalho

Em 15 anos, número de idosos cresce 59% no Rio Grande do Sul


Estudo deve orientar políticas específicas a médio e longo prazos
Problemas motores são comuns em pessoas acima
de 60 anos MARCELO G. RIBEIRO
A população gaúcha está envelhecendo, e o aumento no número de idosos exigirá ações específicas para essa faixa etária em vários setores - em especial, no acesso à saúde. Em termos gerais, essa é a leitura que surge do Diagnóstico da População Idosa no Rio Grande do Sul, apresentado ontem pela Secretaria de Desenvolvimento Social, Trabalho, Justiça e Direitos Humanos do Estado. No período de 2001 a 2015, houve aumento de 59% na população acima dos 60 anos - muito acima da média geral, que ficou em 8,5%. Hoje, essa faixa equivale a cerca de 16% da população gaúcha - o maior percentual entre todos os estados.

A apresentação dos números ocorreu no Dia Internacional da Pessoa Idosa, em evento promovido pela Corregedoria-Geral de Justiça do Estado. O documento será base para a definição de metas do futuro Plano Decenal dos Direitos Humanos de Pessoas Idosas, que deve ser encaminhado nos próximos meses à Assembleia Legislativa. "Ainda há certa fragilidade na estruturação de rede de proteção e garantia desses direitos. Esse diagnóstico é a primeira iniciativa nesse sentido", diz Luiziane Brusa da Costa, coordenadora de Políticas para a Pessoa Idosa da secretaria e responsável pela apresentação dos números.

A estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é de que, até 2030, o Estado tenha cerca de 1 milhão de idosos a mais do que na atualidade. Isso significa que a população acima de 60 anos pode chegar a 24% do total em pouco mais de uma década.

Nesse sentido, o adoecimento de idosos ganha importância. O estudo aponta aumento na distribuição de medicamentos a pessoas dessa faixa etária, além de indicar que 23,8% apresenta, pelo menos, um tipo de deficiência auditiva, motora, visual ou intelectual. Os óbitos entre pessoas de maior idade aumentaram 37% nos últimos 15 anos, passando de 43.079 falecimentos, em 2000, para 58.838 em 2015. É maior também o número de casos de suicídio, que se tornaram 31% mais frequentes no período.

De acordo com a corregedora-geral do Estado, Denise Oliveira Cezar, é preciso pensar em políticas de inclusão voltadas, especificamente, à população idosa. "Sabemos que uma das maiores dificuldades da sociedade é a inclusão, e não só para idosos. Mas as dificuldades na inclusão dessas pessoas são muito severas. O sentimento de inutilidade se agudiza, e isso gera empobrecimento emocional, isolamento e sensação de abandono", descreve.

Boa parte dos idosos gaúchos segue na ativa. Cerca da metade das pessoas de 60 a 64 anos continua trabalhando, percentual que fica perto dos 40% entre 65 e 69 anos e cai para 25% na faixa dos 70 a 74 anos. A maioria (aproximadamente 60%) trabalha por conta própria ou produz para o próprio consumo, enquanto o percentual de empregados no setor formal fica em 18,3%. Pelos dados mais recentes, de três anos atrás, 17,8% dos idosos do Estado moram sozinhos, e o percentual de residentes na área urbana, embora majoritário (80%), é inferior ao da média dos gaúchos (85%).

Em termos de segurança, os crimes mais comuns são ameaças e furtos, que somam em torno de 50% dos registros tanto em 2015 quanto em 2016. Os dados demonstram um aumento crescente nas notificações de violência contra idosos, com aumento nas situações de sofrimento psicológico ou moral, que somam 38,8%.

A ideia é que o texto final do plano decenal seja concluído em novembro, indo em seguida para avaliação do Conselho Estadual da Pessoa Idosa, formado por integrantes da sociedade civil. A partir disso, passa a tramitar na Assembleia, sem data para votação.

"A gente tem que fazer muita coisa", reforça Luiziane. O que, na visão dela, vai muito além de melhorar o atendimento às necessidades do presente. "Precisamos pensar o envelhecimento como algo que faz parte da nossa vida, como algo que se vai construindo desde a infância. A gente não chega aos 60 e diz, bom, agora somos idosos. Nunca tivemos uma cultura de priorizar o envelhecimento e a pessoa idosa em nossas políticas públicas, e já estamos chegando meio tarde.

Fonte! Chasque (reportagem) de Igor Natusch, publiciado na edição impressa do Jornal do Comércio de Porto Alegre, do dia 02 de outubro de 2018.

sábado, 20 de outubro de 2018

Educação financeira de cooperativa invade escolas de Farroupilha - RS

Alunos aprendem a lidar com o dinheiro e a poupar por
meio do jogo Trilhas dos Sonhos LUIZA PRADO/JC

O pequeno Nicolas Zamboni Xavier, nove anos, escolhe uma carta do jogo Trilhas dos Sonhos que diz: "Pense, quem guarda sempre tem dinheiro". Não foi à toa que o menino, estudante de terceira série do Ensino Fundamental da Escola Municipal Presidente Dutra, selecionou essa reflexão. Nicolas e os colegas, orientados pela professora Merlim Zanandréa, estão aprendendo desde cedo regrinhas básicas para gerir o dinheiro e planejar gastos, da mesada até o orçamento da família. Na sala de aula, o grupo tem, uma vez por semana, atividades com o jogo, que insere, de forma lúdica, lições para encarar momentos em que pode ser mais prudente guardar para literalmente realizar os sonhos.

"Eu quero ir para o Japão", "eu, para os Estados Unidos", "meu sonho é ser jogador de futebol" e "eu quero ir a Paris", listam, em sequência, Manuela Spuldaro Capovilla, Gabrieli Pavoni Picollo, Sara Motele e Erik Maciel Giotti. Nicolas emenda que poupar garante dinheiro para quando "acontecer algo de bom ou ruim". "E vale para a gente e para todo tipo de pessoa", previne o menino, citando que sua mãe costuma gastar em itens desnecessários para cuidados com o cabelo. "Ela inventa umas modas que não precisa. O cabelo dela já é bonito", conta. O recado final do garoto é que, se a mãe economizar, sobra mais até para a família viajar.

Esse clima em sala de aula mostra os resultados de um programa que uniu a Secretaria da Educação do município de Farroupilha e a Sicredi Serrana, com sede em Carlos Barbosa. Desde 2017, o projeto Atitude Cidadã, que já existia em 22 escolas da rede municipal somando mais de 6 mil alunos, ganhou o aporte do programa de Educação Financeira da cooperativa de crédito, que inclui a formação dos professores na metodologia chamada de Diagnosticar, Sonhar, Orçar e Poupar (DSOP). O jogo Trilhas do Sonhos foi criado pela equipe da Sicredi e torna muito mais divertido assimilar o que deve ser uma cultura para o futuro.

Merlim lembra que as crianças aprendem desde sistema monetário, primeiros passos na educação e a economizar o dinheiro "para ter uma vida melhor e alcançar seus desejos e sonhos". O jogo, que lembra o Banco Imobiliário, presente na infância de muita gente, desenvolve o raciocínio lógico e insere temas como sustentabilidade. "Quando questiono se ganharam mesada dos pais e economizaram, a resposta é sempre positiva, e ainda trazem relatos de como fizeram e o que planejam com o dinheirinho. Muitos guardam para comprar um livro. O resultado está aparecendo."

O assessor de programas sociais da cooperativa, Gabriel Munchen, explica que a iniciativa se encaixa em um processo de gerar ações para fora da operação e estrutura da Sicredi, alcançando públicos como escolas, além da comunidade. O pacote inclui primeiro capacitar os professores para terem o subsídio da educação financeira "para depois transcender com o aluno". "Primeiro, o professor, e, depois, o aluno", define Munchen. Cátia Maria Tonin atua na orientação e apoio dos professores e reforça que antes eles precisam entender a importância da organização financeira pessoal. Os alunos são o alvo depois disso. "Se o professor consegue se organizar, isso reflete no bem-estar, pois fica mais tranquilo fazer a gestão de suas finanças", justifica Cátia.

A secretária de Educação do município, Elaine Giuliato, diz que o programa quer tornar as crianças e os adolescentes mais aptos para a vida. Por isso, a Sicredi entrou com tudo na parceria. Desde 2015, a cooperativa aciona ações voltadas a funcionários, associados e comunidade aplicando o conceito do DSOP. "É um projeto que dá muito prazer. O Brasil não é um país endividado? Quem sabe trabalhando desde cedo teremos outro país no futuro", acredita Elaine. 

Fonte! Chasque (matéria) de Patrícia Comunello, veiculada nas páginas do caderno "Jornal Cidades", do Jornal do Comércio de Porto Alegre - RS, na edição do dia 19 de outubro de 2018.