terça-feira, 4 de maio de 2010

Busca por R$ 1 milhão toma tempo e disciplina

Quem não tem vontade de acumular R$ 1 milhão? A quantia alimenta os sonhos de muita gente e não é impossível, contanto que o poupador seja extremamente disciplinado e esteja disposto a esperar boa quantidade de anos para alcançar a meta.

Hoje, sem contar a possibilidade de catástrofes econômicas no País, a melhor maneira de acumular a quantia é aplicando parcelas mensais na caderneta de poupança e aguardar, ao menos 20 anos, para chegar ao R$ 1 milhão. "Chegar na semana que vem ao R$ 1 milhão é impossível", afirma um dos vice-presidentes da Ordem dos Economistas do Brasil, José Dutra Vieira Sobrinho.

Especialista em matemática financeira e professor do Insper, Dutra Sobrinho explica que a caderneta de poupança é mecanismo de renda fixa, com retorno médio de 0,5% ao mês. Portanto, quando se investe nesta modalidade, não existe chance de redução do capital, que é a quantia aplicada pelo poupador, sem contar os rendimentos.

É preciso considerar que quanto menor o rendimento mensal, maior deverá ser o investimento de capital. Segundo Dutra Sobrinho, se o poupador aplicar R$ 2.164,31, por mês na poupança, em 20 anos terá R$ 1 milhão.

Segundo a progressão de rendimento, durante 20 anos, para atingir a quantia em instrumento com rentabilidade de 1% ao mês, o consumidor deverá destinar parcelas mensais de R$ 1.010,86. Mas será necessário investir em renda variável para alcançar esse retorno.

Conforme a BM&FBovespa (Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo), o Ibovespa, principal indicador da valorização das ações mais negociadas na Bolsa, apresentou rentabilidade de 1,3% ao mês nos últimos dez anos terminados em dezembro.

Como a apuração do indicador começou em 1992, o rendimento mensal acumulado em 15 anos terminados em dezembro foi de 1,5%. E sendo variável, o mercado de ações não garante o retorno do capital para o investidor, pois tudo depende da vontade do mercado por determinadas ações, dos investimentos e resultados das empresas listadas na Bolsa e da economia nacional e mundial.

Considerando 20 anos de investimentos fixos mensais, seria necessário R$ 174,08 em retorno de 2%, R$ 24,92 em 3% ao mês, R$ 3,27 para 4%, calcula Dutra Sobrinho. Ele destaca que em caso de emprestar para agiotas durante 20 anos, que pagam 5% ao mês, o indivíduo desembolsaria R$ 0,41 por mês. O matemático ressalta que também é preciso descontar a inflação, pois R$ 1 milhão de hoje não terá o mesmo poder de compra daqui a 20 anos.

Fonte! Chasque publicado no dia 2 de maio de 2010, no sítio do Diário do Grande ABC - http://www.dgabc.com.br/, na seção Economia, de Pedro Souza.