sexta-feira, 21 de maio de 2010

FGTS: quem aplicou em ações teve lucro de 901%

Mesmo volátil, aplicação em ações pode dar bons lucros para trabalhador

Fernando Bortolin
Agência BOM DIA

O trabalhador que aplicou parte do FGTS em ações da Petrobras - em 17 de agosto de 2000 - e da Vale do Rio Doce - em 27 de março de 2002 - registram ganhos de 420,76%, no caso da Petrobras, e de 901,09%, no caso da Vale.

Para exemplificar, se a aplicação foi de R$ 10 mil à época, hoje o trabalhador teria em conta R$ 52.076,00 em lucros com ações da Petrobras, e R$ 100.109,00 em lucros com ações da Vale.

“Esse é um exemplo de sucesso da entrada de investidores iniciantes e sem experiência na Bolsa de Valores”, afirma o analista de mercado da YouTrade, Marcelo Coutinho. “Mas, infelizmente, não houve mais iniciativas do gênero, uma vez que o governo precisa do dinheiro do FGTS para equilibrar as contas públicas e também para uso no financiamento da casa própria.”

Para quem é iniciante e olha a Bolsa de Valores como alternativa de investimento, há algumas alternativas: os fundos de investimentos em ações, os clubes de investimento e a operação direta, de compra e venda através dos home brokers, sistema que todas as corretoras e bancos brasileiros possuem hoje.

Mas quando é o momento de entrar no mercado de ações? Para Coutinho, a Bolsa é uma boa opção sempre, independentemente do momento atual, onde o mercado sofre as agruras da crise na Europa.

“A primeira coisa é educação. O brasileiro precisa ter a cultura de poupar e investir bem o seu dinheiro”, aponta o analista, ao dizer que 70% dos norte-americanos aplicam dinheiro em ações, o equivalente a 212,1 milhões de pessoas, ante o Brasil, que conta com 557 mil investidores pessoa física.

“A meta da BM&FBovespa é chegar a 5 milhões de aplicadores pessoas físicas, mesmo assim, ainda é pouco”, relata. Coutinho alerta que é preciso entender o mercado primeiro, para depois aplicar. “A experiência do FGTS passou, mas a Bolsa permite que o aplicador tenha bons ganhos.”

Aprender como funciona o mercado é regra básica

A principal dica do analista de mercado da YouTrade, Marcelo Coutinho, é a necessidade de treinamento antes de acessar o universo dos pregões em bolsa de valores.

“O novato em ações precisa entender como funciona o mercado, como é comprar e vender ações e depois de um período de treino, técnico e prático, ai sim pode montar sua carteira de investimentos e obter ganhos expressivos ao aplicar nesse mercado”, diz.

A YouTrade, por exemplo, ministra cursos pagos para investidores iniciantes. Um pacote de quatro cursos, feitos num espaço de tempo de seis meses, custa R$ 3 mil.

“O que eu percebo é que muitas vezes a pessoa acha caro pagar por cursos de formação, prefere pegar o dinheiro, criar uma conta num home broker e, passados seis meses, perde tudo o que tinha. Isso é muito ruim para o mercado de ações, porque a pessoa se afasta e nunca mais volta”, diz.

Bolsa tem 557 mil aplicadores

O mercado de ações conta hoje com a participação de 557.538 investidores pessoas físicas, dos quais, 421.123 homens e 136.415 mulheres, que mantêm R$ 103,3 bilhões aplicados em ações negociadas na BM&FBovespa (Bolsa de Valores de São Paulo).

No geral, a pessoa física é a terceira maior força dos pregões diárias da Bolsa paulista, com 26,1% dos negócios. Perde apenas para os investidores institucionais (fundos de pensão), com 35% de participação e para os investidores estrangeiros, que transacionam volume equivalente a 28,6% do giro de negócios.

Em 2002, apenas 85.249 pessoas físicas operavam na bolsa, ante as atuais 557.538.

Retorno se dá no longo prazo

Apesar das sucessivas quedas sofridas pelas bolsas hoje, corretoras fazem bons prognósticos para algumas ações. A Corretora Concórdia, por exemplo, aponta, em relatório do dia 13 de maio, um potencial de valorização de 36,17% para as ações preferenciais da Vale (VALE5).

Em valores ajustados, de acordo com o fechamento do pregão de ontem da bolsa paulista, quando as ações da Vale caíram 1,83%, ao preço de R$ 39,27, o potencial de lucro ajustado passou a 53,96%. Para a corretora, o preço justo dos papéis da Vale é de R$ 60,46.

“Esse exemplo é importante”, diz o analista Marcelo Coutinho. “É comum o investidor comprar hoje e achar que lucrará rapidamente. Não é assim. A aplicação deve ser feita visando o longo prazo. No curto prazo é comum acontecer isso e a pessoa se desespera. Busque sempre o longo”, afirma.
 
Fonte! Chasque publicado no dia 20 de maio de 2010, no sítio da Rede Bom Dia, na seção Economia - http://www.redebomdia.com.br/.