domingo, 31 de janeiro de 2010

Bolsa em queda: analistas recomendam calma e até novas compras

Apesar das quedas expressivas registradas pela Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) nos últimos dias, não é hora de deixar de investir em ações. Ao contrário: o momento é de contra-ataque, dizem analistas.

Os tombos sofridos nos últimos dias pela Bolsa estão ligados a fatores externos. Entre eles, o destaque é o aumento no depósito compulsório implementado pela China na terça-feira (26). A medida é equivalente a um aumento de juros no país asiático, o que poderia indicar um desaquecimento da economia chinesa e, com isso, frear a recuperação da economia mundial.

Outro fator que preocupa investidores é o plano para uma maior regulamentação do setor bancário americano, anunciado pelo presidente Barack Obama na semana passada. O objetivo é fazer com que nenhum banco use depósitos garantidos pelo governo para financiar operações especulativas ou de risco no mercado.

“Aliados ao fato de haver aversão mundial ao risco, [esses indicadores] provocaram uma corrida por ativos de menor risco”, diz George Sanders, analista de renda variável da Infinity Asset Management. Segundo ele, isso fez com que os investidores estrangeiros saíssem da Bovespa nos últimos dias, provocando a queda expressiva do índice.

Recheando a carteira

A perspectiva, porém, é positiva. “Aos 65 mil pontos, ainda é difícil dizer se [a baixa] é realização de lucros [venda de ações para embolsar lucros recentes] ou tendência de queda”, diz Sanders. E recomenda: “Quem está dentro é para ficar”. Apesar da semana em baixa, a corretora reafirma a expectativa de que a Bolsa feche 2010 com um ganho de 25%, já contabilizadas as perdas recentes. Ele lembra a reviravolta sofrida pela Bovespa desde o agravemento da crise mundial, que fez com que a Bolsa fechasse 2009 com ganhos de 82%.

MAIS ECONOMIA

A recomendação dos especialistas, então, é se manter otimista. "É claro que depende da carteira de ações, mas o investidor tem que suportar esses movimetnos de ajuste", afirma Pedro Galdi, analista da corretora SLW.

Além de preservar os investimentos, a dica de Galdi é sair às compras. "As pechinchas estão começando a aparecer", diz ele, que não alterou a perspectiva de que a Bolsa encerre 2010 entre 80 mil e 85 mil pontos.

A expectativa positiva em relação à economia brasileira, que deve encerrar este ano com crescimento em torno de 5%, é o que mantém a boa perspectiva dos analistas. Segundo Galdi, se o país vai bem, é hora de olhar para as empresas com foco no Brasil, que poderão ter seus resultados atrelados à atividade industrial forte e ao aumento do consumo. "As ações recomendadas, as 'queridinhas', são as ligadas ao consumo", indica.

Mas as commodities não devem ficar de fora da carteira de investimentos. Entre elas, o analista destaca o desempenho da Vale (VALE5), "porque vai faltar minério de ferro neste ano", e da Gerdau (GGBR4). "Porque a expansão da economia brasileira levará a um aumento na demanda por aço. Além disso, Barack Obama deve lançar um pacote de combate ao desemprego com foco em infraestrutura, o que pode ajudar a Gerdau."

Entre as boas compras para este período, Galdi destaca também os papéis dos varejistas Pão de Açúcar (PCAR5), Natura (NATU3) e Renner (LREN3). Entre as pechinchas estão as ações da Klabin (KLBN4), que registram queda de 8,29% nos últimos cinco dias.

Opções

Outra maneira de operar o mercado em momentos de grande instabilidade como o atual é lançar mão de opções. Com estratégias corretas, o investidor consegue maximizar ganhos ao mesmo tempo em que limita o tamanho de suas perdas.

Para o sócio da consultoria InvestCerto, Luiz Rogé, uma boa oportunidade surge com as ações da Petrobras. Segundo ele, uma estratégia nesse momento é fazer uma venda coberta. O investidor compra o papel à vista e vende uma opção de compra, no caso a PETRB34. Com isso, ele consegue baratear a operação.

Dólar

Para quem tem viagem planejada ao exterior e só vê o dólar subir, a recomendação é comprar a moeda aos poucos, mesmo havendo flutuações. A estratégia é mais recomendada do que ficar à espera de uma queda repentina, que pode não ocorrer.

(Com informações de AFP, Reuters e Valor Online)
 
Fonte! Chasque publicado no dia 31/01/2010, no galpão virtual Estratégia e Mercado - http://www.estrategiaemercado.blogspot.com/, por Andressa Rovani