sábado, 20 de março de 2010

Rentabilidade dos fundos de pensão volta a subir em 2009

SÃO PAULO - Os principais fundos de pensão brasileiros mostraram recuperação em 2009 após forte queda da rentabilidade no ano anterior. A volta da rentabilidade vem em linha com a aposta dos fundos no mercado acionário. No ano de 2009 os fundos de pensão atingiram a expressiva rentabilidade de 21,5% no consolidado das carteiras, de acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp).

A Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ) alcançou resultados positivos nos dois principais planos que administra. O Plano 1 obteve rentabilidade de 28,25% e o Plano Previ Futuro alcançou 27,16%.

Em ambos os casos, foi superada a meta atuarial de 10,10% - Índice Nacional de Preço ao Consumidor (INPC + 5,75%). Esta rentabilidade supera também a média dos Fundos de Pensão divulgada pela Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), que foi de 21%, incluindo a Previ.

A Eletros, que administra os fundos de pensão dos empregados da Eletrobrás, do Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel), do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), da própria Eletros e, desde novembro do ano passado, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), encerrou 2009 com rentabilidade total dos fundos de 15,4%, contra um resultado de 1,39% em 2008.

Segundo documento da Eletros, a administradora espera para 2010 um cenário mais difícil e desafiador que o encontrado em 2009. "Esperamos um 2010 mais difícil do que 2009 e, por isso, nossas metas de rentabilidade para o patrimônio total dos planos são inferiores às do ano passado", afirma o relatório da Eletros.

Com isso, a alocação dos recursos vai aguardar o mercado apresentar uma correção de preços, que traria o Ibovespa, principal indicado da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BM&F Bovespa) para o patamar de 60 mil pontos. A partir de então, a proposta consistiria em elevar a exposição em renda variável para o patamar de 25%. "É importante lembrar que os planos CD, ONS e CD Puro oferecerão perfis de investimentos em 2010, fato que será levado em consideração nas estratégias aqui mencionadas", explica o documento da Eletros.

Este crescimento da participação em renda variável já havia sido citado pelo novo presidente da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP) Sidney Chameh. "Nós esperamos um crescimento acelerado, porque a base de largada é muito baixa. A gente sabe que o Brasil tem uma base 10 vezes menor de percentual relativo de alocação de fundos de pensão que as economias mais desenvolvidas, e o Brasil está no caminho de ser uma economia desenvolvida", afirma o presidente da entidade.

Hoje, estima-se que os fundos de pensão brasileiros aloquem menos de 2% do patrimônio total nesta classe de ativos, enquanto a média internacional se situa entre 8% e 10%. Chameh acredita que o interesse dos fundos de pensão será grande em 2010. O patrimônio dos fundos gira em torno de R$ 500 bilhões.

O balanço da Previc aponta que o patrimônio das 370 entidades fechadas de previdência complementar do país subiu 14,1%, para R$ 501,68 bilhões no ano passado, ante R$ 439,64 bilhões em 2008. Os investimentos somaram R$ 480,79 bilhões, registrando alta de 9,4%. As contribuições dos 2,53 milhões de participantes da indústria de fundos de pensão somaram R$ 16,66 bilhões, retração de 36% sobre os R$ 26,04 bilhões do ano anterior. E os benefícios pagos foram no valor de R$ 31,46 bilhões, também com queda de 3,2% sobre 2008.

Já os dados da Abrapp mostram a concentração das aplicações na renda fixa em 2009, por conta das incertezas sobre o mercado, mas a melhor rentabilidade veio da renda variável. A renda fixa, com 59,3% dos ativos, proporcionou retorno de 11,9% e a renda variável, que fechou o ano com alocação de 33,3 % dos recursos, rentabilizou 45,5%. A rentabilidade alcançada representa cerca de 207% da necessidade atuarial medida pelo INPC+6% (10,36%).

De acordo com a Abrapp, o maior volume alocado pelos fundos de pensão foram nos Fundos de Investimentos com R$ 190 bilhões, seguido pelos Títulos Públicos com R$ 86,7 bilhões e Ações com R$ 82,8 bilhões.

Fonte! Chasque publicado no galpão virtual do DCI (Diário da Indústria, Comércio e Serviços), no dia 16 de março de 2010 - http://www.dci.com.br/.