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terça-feira, 24 de março de 2026

Guardem dinheiro: um pai sustenta 5 filhos, mas 5 filhos não sustentam um pai

Brasil envelhece rápido e terá menos contribuintes; sem poupança própria, depender da Previdência ou dos filhos será cada vez mais incerto

Brasil envelhece rapidamente e terá menos contribuintes para sustentar mais aposentados. Entenda por que guardar dinheiro se tornou essencial diante da pressão sobre a Previdência. Imagem: Adobe Stock)
Brasil envelhece rapidamente e terá menos contribuintes para sustentar mais aposentados. Entenda por que guardar dinheiro se tornou essencial diante da pressão sobre a Previdência. Imagem: Adobe Stock)

O Brasil envelhece em silêncio. Vive mais, tem menos filhos e reduz a base de contribuintes. O Estado e as famílias ainda operam como se a lógica do passado fosse suficiente: que os filhos sustentem os pais, que a aposentadoria seja garantida sem planejamento, que a Previdência suporte tudo sozinha. A realidade é dura: um pai sustenta cinco filhos, mas cinco filhos dificilmente sustentarão um pai.

E não é só aritmética. É comportamento. Quando o pai envelhece, a responsabilidade quase sempre é fragmentada. Um filho acha que outro vai cuidar, outro ignora, muitos se afastam. O resultado é abandono, negligência ou dependência parcial de um sistema que já está sobrecarregado. A frase do título não é exagero: a lógica familiar se inverte e o cuidado que antes era único se dispersa.

Em 2024, havia 34,1 milhões de idosos, número que dobrou nas últimas duas décadas. A proporção de pessoas com 60 anos ou mais passou de 8,7% em 2000 para 15,6% em 2023 e chegará a 37,8% em 2070, cerca de 75,3 milhões de pessoas. Ao mesmo tempo, a taxa de fecundidade caiu de 110% do nível de reposição em 2000 para 75% em 2023, e deve recuar ainda mais, chegando a 69% em 2041. Menos filhos, mais idosos. Menos contribuintes, mais beneficiários. O descompasso é estrutural, não conjuntural.

O sistema previdenciário já opera no limite. A Previdência social consome mais de 12,3% do PIB e ultrapassa R$ 1 trilhão anuais, enquanto cada aumento de R$ 1 no salário mínimo adiciona R$ 420 milhões de despesa. Com menos contribuintes ativos sustentando mais beneficiários, a conta não fecha. Quem não guarda dinheiro vai depender de um sistema que não terá como pagar a fatura.

As pessoas vivem mais e dependem mais de recursos. Ao mesmo tempo, os filhos, quando existem, têm responsabilidades próprias. Cada década que passa aumenta a pressão sobre quem contribui hoje. A previdência não foi projetada para essa realidade. E quem ignora isso está se preparando para depender de outros que não terão como sustentar.

O problema é invisível para a maioria. O debate público continua centrado em promessas e discursos. Mas o fato é que o Brasil envelhece antes de enriquecer, e essa combinação é explosiva. A base de contribuintes não cresce no ritmo necessário, e cada ano adicional de expectativa de vida adiciona pressão sobre o sistema. E os dados mostram que a situação só tende a piorar.

Guardar dinheiro deixou de ser conselho e passou a ser necessidade prática. Planejamento financeiro não é luxo. É segurança. Quem acredita que pode contar com filhos ou com o Estado descobrirá que a geração seguinte não terá como sustentar a anterior. O pai sustenta os filhos hoje. Mas, amanhã, a responsabilidade será jogada de um para outro, e muitos acabarão descobrindo que não há ninguém para arcar com a conta.

O país pode adiar reformas, suavizar a retórica ou prometer mudanças futuras. Mas a equação é inexorável: menos filhos, mais idosos, mais dependência do Estado, menos capacidade de sustento familiar. E, quando essa conta finalmente chegar, cada indivíduo estará onde sempre esteve: responsável pela própria margem de segurança.

Fonte! Chasque (post) de Fabrízio Gueratto, publicado no dia 26 de fevereiro de 2026 no portal E-Investidor (Estadão)https://einvestidor.estadao.com.br/colunas/fabrizio-gueratto/guardem-dinheiro-envelhecimento-previdencia-planejamento-financeiro/ 

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Guardem dinheiro: em breve, o brasileiro vai precisar se aposentar com 75 anos

Previdência Social já consome mais de 12,3% do PIB e deve ultrapassar a barreira de R$ 1 trilhão anuais

A matemática do envelhecimento, somada ao peso crescente do salário mínimo sobre os benefícios, empurra o País para outra reforma, inevitável e mais dura, com aposentadorias mais tardias, benefícios menores e critérios mais rígidos. (Imagem: HuePhoto em Adobe Stock)
A matemática do envelhecimento, somada ao peso crescente do salário mínimo sobre os benefícios, empurra o País para outra reforma, inevitável e mais dura, com aposentadorias mais tardias, benefícios menores e critérios mais rígidos. (Imagem: HuePhoto em Adobe Stock)

A revisão do Produto Interno Bruto (PIB) para 1,6% reacende um problema que o País tenta evitar há anos, porque o crescimento fraco não derruba apenas expectativas econômicas, ele pressiona um sistema que já opera no limite.

Enquanto o debate político continua distraído por disputas imediatas, o Brasil envelhece em silêncio, vive mais, tem menos filhos, reduz a base de contribuintes e amplia a de beneficiários, enquanto o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) permanece preso a um desenho que pertence a outra época, quando havia jovens suficientes para sustentar quem já tinha saído do mercado de trabalho.

O País envelhece antes de enriquecer e essa combinação é explosiva porque a conta não fecha para nenhum modelo previdenciário que depende do fluxo atual para pagar o benefício futuro. O número de pessoas que entra no mercado formal não cresce no ritmo necessário para sustentar quem está saindo, enquanto cada ano adicional de expectativa de vida adiciona uma pressão que não aparece nos discursos públicos, mas que se acumula nos cálculos técnicos e nas projeções internas do governo.

É esse descompasso que explica por que a Previdência Social já consome mais de 12,3% do PIB e deve ultrapassar, em ciclo contínuo, a barreira de R$ 1 trilhão anuais. E ainda existe um dado que desmonta a ilusão de que o problema se resolve com gestão: cada aumento de R$ 1 no salário mínimo cria R$ 420 milhões adicionais de despesa previdenciária. Não há eficiência administrativa capaz de neutralizar uma aritmética desse tamanho. Com uma população que vive mais e contribui menos, o gasto cresce automaticamente, mesmo quando a economia não cresce junto.

Salário mínimo e indexação: a despesa automática que ninguém quer discutir

A discussão pública tenta suavizar esse cenário como se fosse apenas um impasse fiscal ou conjuntural, mas não é. As despesas obrigatórias sobem porque há mais aposentados, porque eles vivem mais tempo, porque a base de contribuintes diminui e porque as regras ainda seguem uma lógica de país jovem. O dilema é matemático, não ideológico: menos contribuintes sustentando mais beneficiários. Nenhum discurso eleitoral corrige isso, porque o problema está na estrutura, não na narrativa.

O juro alto, repetidamente tratado como vilão, reflete essa engrenagem. Com um Estado amarrado a gastos que crescem sozinhos e um PIB que não acompanha, o risco sobe, o financiamento fica mais caro e a política monetária se torna o único instrumento capaz de evitar que a inflação escape. A Selic elevada não é um acidente, mas uma compensação. Enquanto a política fiscal não encara a realidade demográfica, o Banco Central (BC) continua pagando a conta com juros altos.

A última reforma da Previdência adiou o colapso, mas não o eliminou. Criou fôlego, não sustentabilidade. E esse fôlego tem prazo.

A matemática do envelhecimento, somada ao peso crescente do salário mínimo sobre os benefícios, empurra o País para outra reforma, inevitável e mais dura, com aposentadorias mais tardias, benefícios menores e critérios mais rígidos. Não por vontade política, mas porque a aritmética não oferece alternativa. E, diante do ritmo atual de envelhecimento, já existe quem projete a idade mínima avançando muito além do que parece razoável hoje.

Por que a aposentadoria aos 75 anos não é provocação gratuita

Mulher de idade posando para foto.
As regras de transição estão previstas na Reforma da Previdência. (Foto: Adobe Stock)

Se nada mudar, o Brasil pode caminhar para uma realidade em que se aposentar aos 75 anos deixe de ser provocação e passe a ser necessidade fiscal. Não porque alguém queira, mas porque a conta simplesmente não fecha com o volume de idosos que o País terá nas próximas décadas.

A experiência internacional confirma a direção. Países ricos, com produtividade alta e renda elevada, precisaram revisar seus sistemas múltiplas vezes. Itália, França, Alemanha e Espanha enfrentam há anos protestos justamente porque não conseguiram escapar da mesma equação: mais idosos, menos jovens, pressão crescente. A diferença é que esses países ficaram velhos depois de enriquecer. O Brasil faz o contrário, o que torna o ajuste mais pesado, mais urgente e mais difícil de administrar sem dor social.

Por isso, depender apenas do INSS deixou de ser planejamento e passou a ser risco. A Previdência não está colapsada, mas está pressionada por forças que não mudam com discursos, decretos ou promessas. A demografia não negocia e a conta não espera. Guardar dinheiro, nesse contexto, deixa de ser conselho financeiro e se torna necessidade prática.

O País caminha para aposentadorias mais tardias, mais tempo de contribuição e menor garantia de benefício integral. E, se a idade mínima continuar avançando na velocidade que o envelhecimento impõe, quem tem 30 ou 40 anos hoje pode, de fato, enfrentar uma aposentadoria que chega perto dos 75 anos.

O Brasil pode empurrar a discussão, suavizar a retórica, adiar a decisão e colocar remendos temporários, mas não pode escapar da equação que estrutura o problema. E, quando ela finalmente estourar, cada indivíduo estará onde sempre esteve: responsável pela própria margem de segurança.

Fonte! Chasque (Post) publicado no blog E-Investidor, por Fabrício Gueratto, em 22 de janeiro de 2026https://einvestidor.estadao.com.br/colunas/fabrizio-gueratto/aposentadoria-aos-75-anos-previdencia-reforma-envelhecimento-brasil/ 

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Como garantir renda vitalícia na aposentadoria: 4 estratégias que funcionam

Estratégias para gerar uma renda estável e duradoura após a aposentadoria

Distribuir as economias em três partes – para agora, para em breve e para o futuro – se mostra uma estratégia eficaz para assegurar uma confortável renda na aposentadoria. (Imagem: pic for you em Adobe Stock)
Distribuir as economias em três partes – para agora, para em breve e para o futuro – se mostra uma estratégia eficaz para assegurar uma confortável renda na aposentadoria. (Imagem: pic for you em Adobe Stock)

A transição para depender da renda na aposentadoria marca uma mudança crucial na sua vida financeira. Nesta nova fase você para de gastar tanto com ternos novos e longos trajetos até o trabalho. No entanto, esse é o momento em que você passa de receber um salário fixo para depender dos seus investimentos como fonte de renda. Embora essa troca pareça simples em teoria, colocá-la em prática pode ser bem mais desafiador ao elaborar um plano de aposentadoria.

“Se isso não for feito com cuidado, os aposentados podem consumir suas economias rapidamente, especialmente se viverem mais do que o esperado, o que pode levá-los a ficar sem dinheiro antes de ficarem sem vida”, diz Anthony Saccaro, presidente da Providence Financial & Insurance Services.

Então, como criar uma espécie de “salário” na aposentadoria que dure tanto quanto você?

Renda na aposentadoria com a abordagem do balde

Uma das estratégias mais recomendadas por especialistas é a “bucket strategy” ou “abordagem dos baldes“. A ideia consiste em distribuir suas economias em três baldes: um para agora, um para em breve e outro para o futuro.

“O balde do agora guarda o dinheiro que você precisa para pagar suas contas mensais e cobrir grandes despesas que planeja fazer nos próximos dois anos, como comprar um carro novo ou reformar a cozinha”, explica James Comblo, presidente e CEO da FSC Wealth Advisors LLC. “Esse dinheiro deve ficar guardado em um local seguro, como um banco, confiável e líquido.”

Segundo Chris Boyd, vice-presidente sênior e consultor financeiro da Wealth Enhancement Group, esse balde deve ter fundos líquidos suficientes para cobrir três anos de despesas, levando em conta outras fontes de renda, como a Previdência Social ou pagamentos de anuidades.

Por exemplo, se você gasta US$ 100 mil por ano e recebe US$ 50 mil da Previdência Social, deve ter três vezes US$ 50 mil — ou US$ 150 mil — no seu “balde do agora”.

“Isso deve ser suficiente para suportar a maioria das tempestades financeiras antes de precisar recorrer a outros ativos, que são mais propensos a oscilações de preço”, afirma Boyd.

O “balde do em breve” serve para o dinheiro que você vai precisar nos próximos dois a dez anos. Esse balde deve ser investido de forma conservadora, com o objetivo de render mais que uma aplicação bancária, mas minimizando a exposição a ativos voláteis. Pense principalmente em títulos de renda fixa, com pouca ou nenhuma exposição a ações.

Por fim, o “balde do futuro” é voltado para investimentos de longo prazo. Como a aposentadoria pode durar mais de 30 anos, o investidor precisa incluir componentes de crescimento nas suas economias.

“Com esses fundos, esperamos flutuações no valor, mas dentro do nosso limite de tolerância ao risco”, diz Boyd. “Desse balde, esperamos mais valorização de capital do que dos outros.”

Com o tempo, você vai reabastecer o balde do agora com o do em breve e o do em breve com o do futuro. Manter os três em equilíbrio ajuda a garantir que suas necessidades de renda sejam atendidas hoje, amanhã e nas próximas décadas.

Ações e títulos que pagam dividendos

Para uma renda confiável na aposentadoria, conte com investimentos que geram receita, como ações e títulos que pagam dividendos.

“Juros e dividendos são recursos renováveis que podem oferecer uma renda estável sem o risco de esgotar o principal”, explica Saccaro.

Viver de dividendos e juros evita que você precise vender ações para gerar renda, “o que reduz significativamente o risco de ficar sem dinheiro”. Isso pode ser feito por meio da compra de ações e títulos individuais ou por meio de fundos de renda para aposentadoria.

A segunda opção tem a vantagem da diversificação: uma empresa pode reduzir ou cortar seus dividendos a qualquer momento, mas, ao investir em um fundo com várias ações que pagam dividendos, você reduz o risco de que o corte de uma única empresa afete sua renda.

Se optar por ações individuais, Boyd alerta contra a busca por altos rendimentos. As empresas que pagam os maiores dividendos — ou os títulos com juros mais altos — costumam ser as mais arriscadas em relação ao pagamento. É melhor buscar rendimentos moderados e consistentes.

Fontes de renda diversificadas e impostos

O impacto dos impostos na aposentadoria — tanto federais quanto estaduais e locais — muitas vezes não recebe a devida atenção, diz Comblo.

“Acreditamos que as alíquotas de impostos podem dobrar nos próximos dez anos”, alerta.

Por isso, é fundamental adotar estratégias para administrar os impostos sobre sua renda na aposentadoria. A melhor forma de fazer isso vem das opções. Nem todas as fontes de renda são tributadas da mesma maneira.

Quanto mais diversificadas forem suas fontes de renda, mais flexibilidade você terá para administrar sua carga tributária ao longo da aposentadoria.

Trabalho de meio período

Pode não ser a resposta que você esperava, mas às vezes a melhor maneira de gerar uma renda confiável na aposentadoria é trabalhando. Quase 20% dos americanos com 65 anos ou mais estavam empregados em 2023, segundo o Pew Research Center — quase o dobro do que há 35 anos.

Um trabalho de meio período ou um bico pode fornecer a renda extra que você procura. Além disso, pode evitar que você retire dinheiro demais do seu portfólio de investimentos logo no início da aposentadoria — algo conhecido como “risco de sequência de retornos”, que pode dificultar a recuperação financeira e aumentar o risco de ficar sem recursos no futuro.

Como bônus, um trabalho de meio período pode oferecer plano de saúde, o que é especialmente útil para aposentados.

Esta história foi originalmente apresentada em Fortune.com e foi traduzido com o auxílio de ferramentas de inteligência artificial e revisado por nossa equipe editorial. Saiba mais em nossa Política de IA.

Fonte! Chasque (post) de Coryanne Hicks, Fortune, publicado no sítio E|Investidor, no dia 09 de novembro de 2025: https://einvestidor.estadao.com.br/educacao-financeira/como-garantir-renda-na-aposentadoria/ 

 

sexta-feira, 4 de outubro de 2024

Receita Federal envia 500 mil cartas a contribuintes com pendências no Imposto de Renda

Ação visa estimular regularização voluntária e evitar multas pesadas. Projeto Cartas 2024 segue até outubro e facilita consulta de pendências online.

 A Receita Federal deu início, no último dia 26 de setembro, ao envio de 500 mil cartas destinadas a contribuintes que tiveram suas declarações do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF 2024) retidas na malha fina. O objetivo principal da ação é estimular a regularização espontânea por parte dos contribuintes, evitando que sejam penalizados com pesadas multas. O envio das correspondências será realizado em lotes semanais até o dia 28 de outubro, como parte do "Projeto Cartas 2024", uma iniciativa anual voltada para o incentivo à conformidade fiscal.

Projeto Cartas 2024 busca incentivar regularização voluntária

O "Projeto Cartas 2024" faz parte de uma ação institucional contínua da Receita Federal, que visa facilitar a regularização de pendências tributárias de pessoas físicas. A intenção é que os contribuintes possam corrigir possíveis erros ou omissões em suas declarações de forma ágil e sem a necessidade de esperar uma intimação oficial do órgão. Aqueles que regularizarem suas situações antes de serem notificados poderão evitar multas que variam entre 75% e 150% sobre o valor do imposto devido.

Como verificar pendências na declaração de IRPF

Os contribuintes que desejam verificar se suas declarações foram retidas na malha fina podem fazê-lo de forma simples e sem precisar comparecer a uma unidade de atendimento da Receita. A consulta pode ser realizada diretamente pelo portal e-CAC (Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte) no serviço “Meu Imposto de Renda”, ou pelo aplicativo da Receita Federal, disponível tanto para dispositivos Android quanto iOS.

Para acessar essas plataformas, é necessário utilizar uma conta no portal gov.br, com nível de segurança prata ou ouro, ou um certificado digital. Após o login, a declaração retida apresentará a mensagem “Com Pendência”. Ao clicar nesse aviso, o contribuinte poderá verificar qual o motivo da retenção e seguir as orientações fornecidas para corrigir as informações, caso necessário.

Procedimentos para corrigir a declaração

A Receita Federal destaca a importância de os contribuintes conferirem se todos os valores informados na declaração estão corretos e se possuem a devida documentação comprobatória. Caso algum erro seja identificado, como omissão de rendimentos ou valores incorretos, basta enviar uma declaração retificadora por meio do próprio portal e-CAC ou pelo aplicativo.

A regularização pode ser feita sem a necessidade de comparecer a uma unidade da Receita Federal, o que torna o processo mais prático e acessível para os contribuintes. A retificação espontânea também evita o risco de multas significativas, que podem ser aplicadas caso o erro seja detectado após a notificação oficial do órgão.

Erros comuns que levam à malha fina

Entre os erros mais frequentes que resultam na retenção das declarações na malha fina, destacam-se:

  1. Omissão de rendimentos recebidos de forma esporádica ao longo do ano-calendário;
  2. Falta de inclusão dos rendimentos obtidos por dependentes;
  3. Não declarar integralmente os rendimentos de aposentadoria, especialmente quando o titular ou dependente recebe de mais de uma fonte pagadora;
  4. Erros ao informar o ano de realização de despesas médicas;
  5. Declaração incorreta do valor pago em despesas médicas;
  6. Inclusão de despesas médicas que não são legalmente dedutíveis;
  7. Informar contribuições para VGBL (Vida Gerador de Benefícios Livres) como dedutíveis, quando esse tipo de plano não é considerado previdência privada e, portanto, não tem previsão legal para dedução.

Orientações para consulta e regularização

Os contribuintes podem consultar as informações sobre a declaração retida de forma rápida e prática:

  • Aplicativo da Receita Federal: disponível para download em dispositivos móveis Android e iOS, oferece uma maneira ágil de acessar o status da declaração e corrigir pendências.
  • Portal e-CAC: acessível pelo site oficial da Receita Federal, permite que o contribuinte visualize todas as informações da sua declaração ao utilizar uma conta gov.br com selo prata ou ouro, ou um certificado digital.

A iniciativa da Receita Federal visa evitar que erros comuns, muitas vezes cometidos por desatenção ou falta de conhecimento, resultem em penalidades que poderiam ser evitadas com uma simples revisão da declaração de IRPF. A regularização preventiva, além de evitar multas, garante maior tranquilidade aos contribuintes, permitindo que mantenham suas obrigações fiscais em dia.

Aproveitar essa oportunidade para corrigir eventuais falhas é crucial, pois, uma vez intimado ou notificado pela Receita Federal, o contribuinte estará sujeito a multas substanciais, além de complicações futuras em sua situação fiscal.

Fonte! Chasque (Post) de Juliana Moratto, publicado no sítio Contábeis, no dia 02 de outubro de 2024: https://www.contabeis.com.br/noticias/67350/receita-envia-500-mil-cartas-a-contribuintes-com-pendencias-no-ir/ 

segunda-feira, 30 de setembro de 2024

5 principais erros ao planejar sua aposentadoria e como evitá-los

“O principal fator do investimento não é a rentabilidade, como muita gente gosta de acreditar, é o tempo", diz Ricardo Moura, COO da W1 Consultoria

Confira pontos importantes para planejar sua aposentadoria. Foto: Pixabay

Planejar a aposentadoria pode ser um desafio. Pensar no planejamento de longo prazo, abrir mão hoje de usar um dinheiro que só será utilizado daqui a décadas, saber onde investir e manter a consistência nos aportes são tarefas difíceis. Segundo Ricardo Moura, COO da W1 Consultoria, erros comuns nesse processo podem comprometer a tão sonhada tranquilidade financeira na velhice. A falta de diversificação de investimentos e a ausência de um planejamento claro estão entre as armadilhas mais frequentes. Confira quais são os principais erros e como evitá-los.

1. Não se planejar

O primeiro e mais comum erro é não se planejar ou começar a pensar na aposentadoria tarde demais, quando a data desejada já está próxima. “Um dos pontos principais é não entender a importância de começar cedo. Quanto mais cedo você começa, menor será o esforço necessário para poupar”, afirma Moura.

+ Você está poupando pouco para a aposentadoria aos 26 anos, 40 anos ou 55 anos? Descubra

    “O principal fator do investimento não é a rentabilidade, como muita gente gosta de acreditar, é o tempo. Era melhor que a pessoa colocasse um dinheiro desde os 20 anos na poupança, que não é a melhor opção para isso, mas que colocasse todo mês, do que ela começar a investir em ações ou em alguma coisa mais arrojada aos 40 anos”.

    Como evitar: Começar a planejar a aposentadoria o quanto antes é a melhor forma de evitar surpresas no futuro. Mesmo pequenas contribuições ao longo do tempo podem ter um impacto positivo significativo, graças aos juros compostos. Quanto mais cedo você começar, menos esforço será necessário para atingir suas metas.

    2. Não entender o produto antes de contratá-lo

    A previdência privada é um dos instrumentos mais utilizados com o objetivo de aposentadoria, e traz vantagens na hora de economizar para o longo prazo. O problema, segundo Moura, é que muitas pessoas contratam o produto, mas não entendem suas características. “O VGBL pode ser muito adequado para alguns e completamente inadequado para outros. É a mesma coisa para o PGBL”, diz ele. “A tabela de imposto, progressiva ou regressiva, também faz muita diferença e a maioria das pessoas não se atenta a isso”.

    Uma mudança recente na regulação passou a permitir a mudança de tabela de imposto na hora do primeiro resgate, então vale ficar atento.

      Como evitar: Entender a diferença entre VGBL e PGBL é essencial. O PGBL permite dedução do imposto de renda para quem faz a declaração completa, mas no momento do resgate, o imposto incidirá sobre o valor total, enquanto o VGBL tributa apenas os rendimentos. Também é importante verificar qual tabela de imposto (progressiva ou regressiva) é mais vantajosa de acordo com seu horizonte de tempo.

      3. Não ter uma reserva de emergência

      Os planos de previdência privada trazem benefícios fiscais no longo prazo, mas não são bons instrumentos se você precisa do dinheiro no curto prazo. Por isso, outro erro ao planejar a aposentadoria é não ter uma reserva de emergência. Isso porque sem esse colchão para absorver os gastos inesperados, muitas vezes as pessoas precisam fazer resgates no plano de previdência no curto prazo. Nesse caso, o investidor pode ter de pagar uma alíquota alta de imposto e pode prejudicar seu planejamento de longo prazo.

      “Para planejar a aposentadoria, é preciso ter o foco de que aquilo realmente é do longo prazo, separar isso numa caixinha e não encostar nela, a não ser que eu realmente não tenha outra alternativa”, diz.

      Como evitar: Antes de investir em previdência, crie uma reserva de emergência equivalente a seis meses ou mais do seu custo de vida. Esse valor deve estar em um investimento de alta liquidez, como CDBs de liquidez diária ou fundos DI, que permitam acesso rápido sem penalidades.

      4. Escolher mal os fundos onde investir a aposentadoria

      Além de decidir entre PGBL e VGBL e qual tabela de imposto usar, é essencial selecionar bem o fundo onde o dinheiro será investido. Isso inclui buscar uma rentabilidade acima do CDI e taxas de administração e performance condizentes com a estratégia e desempenho do fundo.

      “Uma taxa alta não necessariamente é um problema. O ponto principal realmente é entender a relação entre performance e taxa. As pessoas muitas vezes escolhem fundos que têm taxas altas mas rentabilidades baixas e estratégias pouco sofisticadas. Uma taxa de administração alta ou a taxa de performance se justificam quando há uma estratégia sofisticada que tem o objetivo de trazer rentabilidades mais arrojadas”, diz Moura.

      Nos últimos anos, aumentou a diversidade de fundos de investimentos disponíveis na previdência. “Hoje, temos desde previdência privada extremamente conservadoras, com baixíssima volatilidade, até fundos de previdência privada que têm criptomoedas na carteira”, diz Moura. O importante aqui é escolher um que se adeque ao perfil de risco do investidor.

      Como evitar: Escolha fundos que estejam alinhados ao seu perfil de risco e objetivos. Avalie não apenas a taxa de administração, mas também o desempenho e a estratégia do fundo. Uma taxa alta pode ser justificada se o fundo entregar uma performance que compense esse custo.

      5. Não se informar sobre as formas de resgatar o dinheiro

      Após anos acumulando recursos, chega o momento de decidir como resgatar o dinheiro. A previdência oferece duas opções: sacar o montante total ou contratar uma renda mensal vitalícia com a seguradora.

        “As duas opções têm suas vantagens e desvantagens. O maior erro é não compreender quais são elas”, afirma Moura. Contratar uma renda mensal pode ser vantajoso para garantir uma fonte de receita estável, mas tem o inconveniente de que o patrimônio passa a pertencer à seguradora, e não ao investidor, o que pode ser menos interessante em termos de sucessão.

        Por outro lado, resgatar o valor total permite manter o patrimônio sob seu controle, mas exige que o investidor saiba gerir o dinheiro sozinho, o que pode ser arriscado. “Nesse momento, o conservadorismo é fundamental. O objetivo deve ser liquidez, geração de renda e segurança, já que você dependerá desse dinheiro para o resto da vida”, conclui.

        Como evitar: Avalie qual das opções se alinha melhor aos seus objetivos e necessidades. Se você optar pelo saque total, busque investimentos conservadores que ofereçam liquidez e segurança. Se contratar uma renda vitalícia, certifique-se de que o valor mensal será suficiente para cobrir suas despesas.

        Para conhecer mais sobre finanças pessoais e investimentos, confira os conteúdos gratuitos na Plataforma de Cursos da B3. Se já é investidor e quer analisar todos os seus investimentos, gratuitamente, em um só lugar, acesse a Área do Investidor.

        Fonte! Chasque (Post) publicado no dia 30 de setembro de 2024, por Daniela Frabasile, no sítio B3 Bora Investirhttps://borainvestir.b3.com.br/objetivos-financeiros/investir-melhor/5-principais-erros-ao-planejar-sua-aposentadoria-e-como-evita-los/

        domingo, 27 de dezembro de 2020

        Educação financeira: tudo o que você precisa saber para organizar suas finanças


        Ter uma boa relação com o dinheiro está longe de ser realidade para a maioria dos brasileiros. Além de a maior parte da população trabalhar muito e ganhar pouco, a educação financeira não faz parte da cultura do nosso país. O estímulo ao consumo é grande, mas pouco se fala em poupar e investir.

        Porém, nunca é tarde para mudar um cenário desfavorável. Com um mínimo de educação financeira, todos podem atingir o bem-estar financeiro, não importa o tamanho do salário ou a classe social.

        Não se trata apenas de economizar, cortar gastos e acumular patrimônio: saúde financeira significa buscar qualidade de vida, com segurança para aproveitar a vida com menos preocupações.

        Pensando nisso, reunimos neste post tudo o que você precisa saber sobre educação financeira: do conceito às melhores dicas para organizar as suas finanças pessoais. Confira o que apresentaremos ao longo do artigo:

        • O que é educação financeira;
        • A importância da educação financeira;
        • A educação financeira no Brasil;
        • 9 dicas para você organizar suas finanças.

        Se interessou? Continue conosco e aprenda como buscar a sua independência financeira!

        O que é educação financeira?

        Educação financeira é o processo de conscientização em relação às melhores formas de administrar e aplicar o próprio dinheiro. Com informação, formação e orientação adequados, uma pessoa se torna capaz de fazer escolhas conhecendo a fundo as oportunidades e os riscos, caminhando em direção a uma vida financeira saudável.

        Em outras palavras, trata-se da arte de dominar o dinheiro e usá-lo a seu favor. Pense: você controla o dinheiro ou ele te controla? Costuma sobrar uma parte do seu salário ou você trabalha só para pagar contas? Você sempre fecha o mês no vermelho? 

        Se você respondeu sim para essas perguntas, isso significa que precisa melhorar a sua educação financeira. Porém, não se desespere: essa é a realidade da maioria das pessoas no Brasil. A boa notícia é que você pode começar a melhorar a sua situação hoje, não importa o tamanho do seu salário.

        Ao contrário do que muitos pensam, educação financeira não tem a ver com quanto você tem na conta, mas com o uso que você faz do que tem. Com a mentalidade e os hábitos certos, aos poucos você poderá organizar seu orçamento e começar a construir sua segurança financeira.

        A importância da educação financeira

        Sem educação financeira é muito difícil conquistar a independência financeira. Apesar de haver exceções, são pouquíssimas as pessoas que conseguiram ficar ricas por acaso. Normalmente, construir um patrimônio consistente depende de dois fatores: trabalho, para acumular recursos; e conhecimento, para multiplicá-los com eficiência.

        Pessoas com educação financeira são mais conscientes em relação ao orçamento pessoal. Por isso, jamais gastam 100% do que ganham e sabem da importância de uma reserva de emergência. Isso faz com que seja possível lidar com o dinheiro sem ser controlado por ele, como acontece em muitos casos.

        Essa mentalidade ajuda a alcançar todo tipo de objetivo, dos mais básicos aos mais complexos. Fica mais fácil, por exemplo, honrar compromissos em dia, como o pagamento do aluguel, telefone, água, gás e supermercado. Também dá para pensar em sonhos maiores, como um carro novo ou a casa própria.

        O grande benefício da educação financeira é a qualidade de vida que ela traz. A vida já é cheia de preocupações, e o dinheiro não precisa ser uma delas. Ter as finanças controladas melhora o dia a dia no trabalho, o humor, o bem-estar e os relacionamentos pessoais, pois a rotina fica muito mais leve.

        A educação financeira no Brasil

        No Brasil, raramente é ensinado em casa ou na escola como lidar com o dinheiro. A maioria das pessoas pensa que investir é para poucos, e que o melhor a se fazer é guardar o dinheiro na poupança, pois é mais seguro. Apenas poucas pessoas muito interessadas têm acesso ao básico sobre organização financeira pessoal.

        Para piorar, o Brasil é um país movido pelo consumo. A soma dessa cultura com uma educação financeira pobre é altamente nociva para a população. 

        As pessoas são estimuladas a comprar a todo o momento, mas nem sempre contam com os recursos necessários. Movidas pelo desejo de ter, acabam caindo em empréstimos e parcelamentos que se transformam e dívidas intermináveis.

        Segundo uma pesquisa da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA), apenas 8% dos brasileiros conseguiram guardar algum dinheiro em 2018. Porém, no início do ano, 56% dos entrevistados disseram que tinham interesse em poupar. Ou seja, o brasileiro quer fazer uma reserva financeira, mas ainda não consegue fazer isso.

        Outra questão importante é a falta de conhecimento sobre aplicações financeiras. Quando questionados se pretendiam realizar algum investimento, 25% dos participantes disseram que sim. Porém, 17% relataram aportes em bens duráveis, como carros e imóveis, o que na verdade não consiste em investimentos.

        O planejamento do futuro também está longe de ser o ideal no Brasil. Segundo dados da Mercer, em países desenvolvidos 89% das pessoas contribuem com algum plano de previdência privada. No Brasil, a taxa é de só 15%.

        Mudanças no cenário

        Apesar de o Brasil ainda estar engatinhando na educação financeira, aos poucos o cenário está mudando. Nos últimos anos, muitos canais online começaram a abordar o tema, e o interesse vem sendo cada vez maior.

        Além disso, as organizações começaram a estimular seus funcionários a cuidarem melhor das finanças. De acordo com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), há 20% de aumento anual na procura de empresas por serviços de educação financeira pessoal, com o intuito de oferecer mais conhecimento aos colaboradores.

        Esses serviços incluem palestras, workshops, conteúdo para internet, cartilhas, e-books e projetos de intranet com foco em gerar a cultura de planejamento financeiro a longo prazo.

        Em 2017, a educação financeira foi incluída pelo Ministério da Educação na Base Nacional Comum Curricular. Isso significa que o assunto pode e deve ser abordado além das aulas de matemática. A medida ainda precisa ser melhor trabalhada, mas pode ser um bom começo para o ensino de cuidados financeiros nas escolas.

        Há, ainda, o aumento da presença de órgãos voltados para a educação financeira na sociedade. Globalmente, temos a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que vem ampliando sua atuação no Brasil. Por aqui, temos a Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF), que se dedica exclusivamente a iniciativas sobre o assunto.

        9 dicas para você organizar suas finanças

        Agora que você já entendeu o que é educação financeira e qual é a sua importância, é hora de aprender a colocá-la em prática. Confira a seguir 9 dicas valiosas para você assumir de vez o controle do seu dinheiro!

        1. Estude sobre o assunto

        O primeiro passo rumo a uma vida financeira saudável é estudar sobre educação financeira. Você não precisa de um diploma em Economia, mas deve aprender os fundamentos básicos das finanças pessoais antes de colocar a mão na massa.

        Mas onde buscar esse conhecimento? Há alguns anos, isso poderia ser um pouco mais difícil, mas hoje temos a internet ao nosso lado! Procurando bem, é possível encontrar materiais muito ricos sobre o tema sem precisar pagar nada por ele. Diversos sites, blogs e canais no YouTube oferecem conteúdos de qualidade 100% grátis.

        No entanto, sempre pesquise sobre a fonte antes de consumir qualquer conteúdo. Com a popularização do assunto, muitos gurus por aí vendem sonhos impossíveis e resultados inalcançáveis, se aproveitando do desejo das pessoas de mudar de vida. 

        Para se aprofundar ainda mais, procure livros, palestras e cursos com grandes nomes do mercado. Quem deseja investir na bolsa de valores, por exemplo, jamais deve começar sem estudar muito antes. Quanto mais conhecimento você adquirir, melhores serão os seus resultados.

        2. Quite suas dívidas

        Antes de pensar em fazer investimentos, é preciso colocar a casa em ordem. Tem dívidas? Deixou as contas da casa acumularem? Resolva a situação o quanto antes. Os juros, sobretudo os do cartão de crédito e do cheque especial, são altíssimos e podem comprometer qualquer planejamento financeiro.

        É possível negociar suas dívidas em uma forma de pagamento que caiba no seu bolso. Faça isso e planeje seu futuro respeitando seus ganhos e sua possibilidade de poupar. Não hesite em revisar esse plano de ação de tempos em tempos, a fim de acelerar a quitação dos seus débitos.

        3. Prepare-se para imprevistos

        Depois de colocar as dívidas em dia, o próximo passo é construir uma reserva de emergência. Especialistas em finanças pessoas dizem que essa reserva deve ser o equivalente a seis meses do seu custo de vida atual. Então, se você tem despesas de R$ 4 mil por mês, deve ter ao menos R$ 24 mil reservados para imprevistos.

        Use esse dinheiro somente para situações impossíveis de planejar, como gastos médicos ou problemas com o carro. Do contrário, ele deve permanecer intacto em uma aplicação de renda fixa, para que o montante continue crescendo dia após dia.

        4. Tenha um orçamento pessoal

        Você já teve a impressão que o seu salário desapareceu sem que você percebesse? Pois é. A maioria das pessoas sabe exatamente quanto ganha, mas nem todo mundo tem noção de quanto gasta no mês.

        Para evitar isso, um dos princípios básicos da educação financeira é montar um orçamento pessoal. Mas como fazer isso?

        Comece agrupando suas despesas em categorias: moradia, transporte, alimentação, educação, bem-estar, investimentos, etc. Depois, com base na sua receita mensal, determine um limite de gastos para cada uma delas.

        Ao longo do mês, anote diariamente cada gasto realizado e qual o meio de pagamento utilizado. Este é um excelente método para visualizar com clareza para onde está indo o seu dinheiro, fazendo cortes e adaptações sempre que for necessário. 

        Lembre-se sempre: as despesas nunca podem ser maiores que os seus ganhos.

        5. Utilize ferramentas de gestão financeira

        Para montar o orçamento pessoal, você pode utilizar uma ferramenta de gestão financeira. Existem diversas planilhas e aplicativos que ajudam no controle de despesas. Basta avaliar as opções e escolher a que mais combina com o seu estilo de organização.

        Muita gente também prefere o bom e velho caderninho, que também é uma alternativa válida. O importante é adotar o método com o qual você se sente mais confortável para organizar, categorizar e visualizar os seus gastos mensais.

        6. Corte gastos supérfluos

        Algumas atitudes podem significar reduções relevantes de despesas, como adiar a troca do carro, deixar de comprar o último lançamento de celular e comparar preços de bens e serviços para conseguir o melhor custo-benefício.

        No entanto, cortar gastos pequenos pode fazer uma enorme diferença no fim do mês. Sabe aquele bombom diário depois do almoço? Aquele cafezinho com pão de queijo à tarde? Acumulados, eles se tornam grandes vilões do seu orçamento.

        As compras por impulso vão pelo mesmo caminho. Muita gente compra algo que não precisa só porque estava na promoção, por exemplo. Ou então, gasta o que não pode só para compensar um dia estressante no trabalho. Trabalhe o seu autocontrole para não cometer esses erros.

        7. Estabeleça objetivos

        Poupar não significa que você precisa deixar de fazer as coisas que gosta ou ter o que quer. Apenas quer dizer que você realizará esses gastos de maneira planejada e responsável.

        Faça uma lista com todos os seus objetivos de curto, médio e longo prazo. Depois, pesquise preços e planeje seu dinheiro para cada uma dessas metas. Pode ser uma viagem no próximo ano, trocar de carro em três anos ou quitar a dívida do cartão em seis meses.

        Repare que todos os exemplos citados contém prazos. Eles são essenciais para transformar o seu desejo em um objetivo concreto. Caso contrário, tudo ficará no campo dos planos, correndo o risco de jamais sair do papel.

        8. Faça investimentos inteligentes

        Pessoas com boa educação financeira sabem com clareza o que são ativos e passivos. Isso é importantíssimo na hora de diferenciar o que é um investimento e o que é um gasto.

        Passivos são produtos que não geram nenhum rendimento financeiro ou até desvalorizam, como um automóvel. Já os ativos são produtos de investimento, que geram juros e multiplicam o patrimônio do proprietário.

        Portanto, para investir de forma inteligente, você deve adquirir ativos. Mas quais? Isso vai depender do seu conhecimento em finanças e de quanto dinheiro você tem disponível.

        A dica número um é: jamais deixe seu dinheiro na poupança. Ela rende muito pouco, às vezes até menos que a inflação. A maior parte do seu patrimônio deve ser investida em fundos de renda fixa, como os CDBs, ou no Tesouro Direto. Essas opções são tão seguras quanto a poupança e oferecem rendimentos maiores.

        Outro segredo importante é não ter pressa. Quanto mais tempo você deixar seu dinheiro investido, mais juros você vai acumular.

        Com mais estudo e mais patrimônio disponível, você pode começar a pensar em aplicações mais arriscadas, como debêntures e ações. Os ganhos são maiores, mas qualquer erro pode representar um grande prejuízo. Por isso, pesquise muito e invista apenas uma pequena porcentagem do seu dinheiro nesses fundos.

        9. Prepare a sua aposentadoria

        Para ter uma vida tranquila depois de parar de trabalhar, é preciso ter uma reserva financeira para complementar a aposentadoria. Esse é um dos papéis mais importantes da educação financeira: abrir a mente das pessoa para que elas se planejem a longo prazo.

        Portanto, comece a planejar sua aposentadoria agora mesmo. Calcule quanto você precisará mensalmente para viver quanto não estiver mais na ativa, considerando os gastos médicos. Com base nisso, é possível ter uma ideia de quanto você precisa ter acumulado e planejar a melhor forma de chegar a esse valor.

        Planos de previdência privada podem ser uma boa alternativa, bem como investimentos longos no Tesouro Direto. Estude qual é a melhor opção para você e mãos à obra!

        Como vimos ao longo do post, a educação financeira é essencial para uma ter uma vida mais tranquila. E o melhor de tudo: é para todo mundo. Não espere ganhar o salário dos sonhos para começar a pensar na sua independência financeira. Você pode fazer isso agora, com o que tem hoje. Busque conhecimento e tenha ótimos resultados!

        Fonte! Chasque (post) publicado no Blog do Xerpay. Abra as porteiras clicando em https://www.xerpa.com.br/blog/educacao-financeira/amp/?fbclid=IwAR1sw5MyAQnYCT0kfMCsm02hTeW6nypMDI5t0gjGft4hfrvySCVcRcDfHgs 

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