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segunda-feira, 30 de setembro de 2024

5 principais erros ao planejar sua aposentadoria e como evitá-los

“O principal fator do investimento não é a rentabilidade, como muita gente gosta de acreditar, é o tempo", diz Ricardo Moura, COO da W1 Consultoria

Confira pontos importantes para planejar sua aposentadoria. Foto: Pixabay

Planejar a aposentadoria pode ser um desafio. Pensar no planejamento de longo prazo, abrir mão hoje de usar um dinheiro que só será utilizado daqui a décadas, saber onde investir e manter a consistência nos aportes são tarefas difíceis. Segundo Ricardo Moura, COO da W1 Consultoria, erros comuns nesse processo podem comprometer a tão sonhada tranquilidade financeira na velhice. A falta de diversificação de investimentos e a ausência de um planejamento claro estão entre as armadilhas mais frequentes. Confira quais são os principais erros e como evitá-los.

1. Não se planejar

O primeiro e mais comum erro é não se planejar ou começar a pensar na aposentadoria tarde demais, quando a data desejada já está próxima. “Um dos pontos principais é não entender a importância de começar cedo. Quanto mais cedo você começa, menor será o esforço necessário para poupar”, afirma Moura.

+ Você está poupando pouco para a aposentadoria aos 26 anos, 40 anos ou 55 anos? Descubra

    “O principal fator do investimento não é a rentabilidade, como muita gente gosta de acreditar, é o tempo. Era melhor que a pessoa colocasse um dinheiro desde os 20 anos na poupança, que não é a melhor opção para isso, mas que colocasse todo mês, do que ela começar a investir em ações ou em alguma coisa mais arrojada aos 40 anos”.

    Como evitar: Começar a planejar a aposentadoria o quanto antes é a melhor forma de evitar surpresas no futuro. Mesmo pequenas contribuições ao longo do tempo podem ter um impacto positivo significativo, graças aos juros compostos. Quanto mais cedo você começar, menos esforço será necessário para atingir suas metas.

    2. Não entender o produto antes de contratá-lo

    A previdência privada é um dos instrumentos mais utilizados com o objetivo de aposentadoria, e traz vantagens na hora de economizar para o longo prazo. O problema, segundo Moura, é que muitas pessoas contratam o produto, mas não entendem suas características. “O VGBL pode ser muito adequado para alguns e completamente inadequado para outros. É a mesma coisa para o PGBL”, diz ele. “A tabela de imposto, progressiva ou regressiva, também faz muita diferença e a maioria das pessoas não se atenta a isso”.

    Uma mudança recente na regulação passou a permitir a mudança de tabela de imposto na hora do primeiro resgate, então vale ficar atento.

      Como evitar: Entender a diferença entre VGBL e PGBL é essencial. O PGBL permite dedução do imposto de renda para quem faz a declaração completa, mas no momento do resgate, o imposto incidirá sobre o valor total, enquanto o VGBL tributa apenas os rendimentos. Também é importante verificar qual tabela de imposto (progressiva ou regressiva) é mais vantajosa de acordo com seu horizonte de tempo.

      3. Não ter uma reserva de emergência

      Os planos de previdência privada trazem benefícios fiscais no longo prazo, mas não são bons instrumentos se você precisa do dinheiro no curto prazo. Por isso, outro erro ao planejar a aposentadoria é não ter uma reserva de emergência. Isso porque sem esse colchão para absorver os gastos inesperados, muitas vezes as pessoas precisam fazer resgates no plano de previdência no curto prazo. Nesse caso, o investidor pode ter de pagar uma alíquota alta de imposto e pode prejudicar seu planejamento de longo prazo.

      “Para planejar a aposentadoria, é preciso ter o foco de que aquilo realmente é do longo prazo, separar isso numa caixinha e não encostar nela, a não ser que eu realmente não tenha outra alternativa”, diz.

      Como evitar: Antes de investir em previdência, crie uma reserva de emergência equivalente a seis meses ou mais do seu custo de vida. Esse valor deve estar em um investimento de alta liquidez, como CDBs de liquidez diária ou fundos DI, que permitam acesso rápido sem penalidades.

      4. Escolher mal os fundos onde investir a aposentadoria

      Além de decidir entre PGBL e VGBL e qual tabela de imposto usar, é essencial selecionar bem o fundo onde o dinheiro será investido. Isso inclui buscar uma rentabilidade acima do CDI e taxas de administração e performance condizentes com a estratégia e desempenho do fundo.

      “Uma taxa alta não necessariamente é um problema. O ponto principal realmente é entender a relação entre performance e taxa. As pessoas muitas vezes escolhem fundos que têm taxas altas mas rentabilidades baixas e estratégias pouco sofisticadas. Uma taxa de administração alta ou a taxa de performance se justificam quando há uma estratégia sofisticada que tem o objetivo de trazer rentabilidades mais arrojadas”, diz Moura.

      Nos últimos anos, aumentou a diversidade de fundos de investimentos disponíveis na previdência. “Hoje, temos desde previdência privada extremamente conservadoras, com baixíssima volatilidade, até fundos de previdência privada que têm criptomoedas na carteira”, diz Moura. O importante aqui é escolher um que se adeque ao perfil de risco do investidor.

      Como evitar: Escolha fundos que estejam alinhados ao seu perfil de risco e objetivos. Avalie não apenas a taxa de administração, mas também o desempenho e a estratégia do fundo. Uma taxa alta pode ser justificada se o fundo entregar uma performance que compense esse custo.

      5. Não se informar sobre as formas de resgatar o dinheiro

      Após anos acumulando recursos, chega o momento de decidir como resgatar o dinheiro. A previdência oferece duas opções: sacar o montante total ou contratar uma renda mensal vitalícia com a seguradora.

        “As duas opções têm suas vantagens e desvantagens. O maior erro é não compreender quais são elas”, afirma Moura. Contratar uma renda mensal pode ser vantajoso para garantir uma fonte de receita estável, mas tem o inconveniente de que o patrimônio passa a pertencer à seguradora, e não ao investidor, o que pode ser menos interessante em termos de sucessão.

        Por outro lado, resgatar o valor total permite manter o patrimônio sob seu controle, mas exige que o investidor saiba gerir o dinheiro sozinho, o que pode ser arriscado. “Nesse momento, o conservadorismo é fundamental. O objetivo deve ser liquidez, geração de renda e segurança, já que você dependerá desse dinheiro para o resto da vida”, conclui.

        Como evitar: Avalie qual das opções se alinha melhor aos seus objetivos e necessidades. Se você optar pelo saque total, busque investimentos conservadores que ofereçam liquidez e segurança. Se contratar uma renda vitalícia, certifique-se de que o valor mensal será suficiente para cobrir suas despesas.

        Para conhecer mais sobre finanças pessoais e investimentos, confira os conteúdos gratuitos na Plataforma de Cursos da B3. Se já é investidor e quer analisar todos os seus investimentos, gratuitamente, em um só lugar, acesse a Área do Investidor.

        Fonte! Chasque (Post) publicado no dia 30 de setembro de 2024, por Daniela Frabasile, no sítio B3 Bora Investirhttps://borainvestir.b3.com.br/objetivos-financeiros/investir-melhor/5-principais-erros-ao-planejar-sua-aposentadoria-e-como-evita-los/

        sábado, 28 de setembro de 2024

        5 dicas para ter independência financeira: veja o que recomendam os especialistas

        Ter independência financeira é um processo que requer paciência e dedicação

        A busca para saber como ter independência financeira movimenta pessoas de todas as idades. Ter condições de custear seus gastos fixos sem depender de outras fontes de renda é um dos grandes objetivos financeiros, trazendo liberdade e autonomia. Mas o que fazer para chegar lá?

        Marlon Glaciano, planejador financeiro e especialista em finanças, e Simone Carvalho Santos, planejadora CFP e CEO do grupo Nano, dão dicas para você saber como ter independência financeira. Veja só!

        1 – Gaste menos do que ganha

        Para se tornar independente financeiramente você precisa conseguir juntar recursos que te permitam custear seus gastos por um longo período. A menos que você ganhe na Mega Sena, o que é altamente improvável, isso não será possível a menos que você se planeje para gastar menos do que você ganha.

        Portanto, pegando essa “sobra” para poupar e investir. Assim, logo, formando esse patrimônio que servirá de garantia da sua independência financeira.

        2 – Busque conhecimento para ter independência financeira

        Educação financeira é uma importante ferramenta para quem quer ter independência financeira. Isso uma vez que ao buscar esse conhecimento você terá acesso a uma série de saberes e estratégias que te ajudarão a otimizar seus gastos, poupar mais e investir melhor.

        3 – Invista regularmente e confie nos juros compostos

        Não gastar tudo que ganha e guardar dinheiro é um passo importante, mas se não investir o dinheiro que sobra você perderá um grande potencial de crescimento dos valores ao longo do tempo. Simone Carvalho Santos cita, por exemplo, os juros compostos.

        Ao deixar os valores investidos por longos períodos, ou reinvestir o que você receber de rendimento dos seus investimentos, você permitirá que esse dinheiro se multiplique por um tempo. São os juros sobre juros, ou seja, os juros compostos.

        4 – Forme uma reserva de emergência

        Por melhor que se faça o planejamento financeiro, imprevistos acontecem. É da vida. Para evitar que esses imprevistos desorientem seu plano de ter independência financeira, você deve ter uma reserva de emergência.

        Ou seja, você deve se planejar para ter de fácil acesso um valor que corresponda a meses dos seus gastos recorrentes. Assim, caso algo aconteça, seja a perda de um emprego ou outro fator, você estará segura e seguro para manter seu planejamento por esse período.

        5 – Diversifique e busque renda passiva para ter independência financeira

        Uma vez que você tenha uma reserva de emergência é a hora de diversificar. Especialistas reforçam a importância de uma carteira diversificada, para que a sua independência financeira não dependa de um único produto de investimento.

        No caso de quem mira ser financeiramente independente, é ainda mais importante inserir na carteira com o tempo produtos que ofertem renda passiva. Por exemplo, ações que pagam dividendos, fundos imobiliários e a própria compra de imóveis. Tudo, no entanto, sempre observando seu perfil de investidor e tolerância a riscos. 

        Fonte! Chasque (Post) de Lívia Venaglia, publicado no sítio Inteligência Financeira, no dia 28 de setembro de 2024: https://inteligenciafinanceira.com.br/financas/planejamento-financeiro/como-ter-independencia-financeira/

        segunda-feira, 4 de setembro de 2023

        De pirâmides aos FIIs: conheça a trajetória da Diarista Investidora

        Vera Lúcia Santos Silva, 41 anos, aplica 94% do seu patrimônio em fundos imobiliários e ações que rendem dividendos e recebe R$ 180 de proventos mensais. Ela conta sua experiência em canal que reúne 20 mil seguidores

        A diarista Vera Lúcia Santos Silva, 41 anos, caiu em uma grande armadilha antes de conhecer os investimentos regulados e listados na bolsa de valores: uma pirâmide financeira. Quem lembra do caso Telexfree, que chegou a arrebanhar 1 milhão de divulgadores e foi extinta em 2014 por fraude? Vera Lúcia era um deles.

        Nascida na Paraíba, ela passou a sua infância em Alagoas e, aos 13 anos, foi morar na cidade de Paulo Afonso, na Bahia. Posteriormente, com 19 anos, Vera veio para São Paulo para trabalhar como doméstica, e há nove anos trabalha como diarista.

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        Cansada de perder dinheiro com soluções milagrosas, Vera resolveu estudar sobre o assunto. Foi aí que conheceu os fundos imobiliários e as ações que pagam dividendos, e gostou da possibilidade de ter uma renda mensal gerada por essas aplicações.

        Conforme foi aprendendo sobre investimentos, Vera criou um canal no YouTube, o Diarista Investidora, que já reúne quase 300 vídeos e 20 mil seguidores. Ganhando R$ 3,2 mil por mês, ela já conseguiu investir R$ 16 mil.

        Veja abaixo a entrevista completa concedida por Vera Lúcia Santos Silva ao Bora Investir:

        Bora Investir – Qual é a sua meta financeira?

        Vera Lúcia Santos Silva – Quem vem da classe baixa, como eu, que sou MEI e diarista independente, tem a expectativa de que vai se aposentar e terá ao menos um salário mínimo do governo. Mas meu objetivo maior, a médio e longo prazo, é receber mais um salário mínimo em proventos e dividendos. Sei que pelo valor dos meus aportes vou demorar um pouco para chegar nisso, mais de cinco anos.

        Então, resolvi fracionar as minhas metas. A minha primeira meta, que já atingi, era receber 10% de um salário mínimo, que é R$ 130, investindo em FIIs e Fiagros. No último mês recebi R$ 143 e em dezembro pretendo chegar a R$ 200 de proventos por mês.

        Bora Investir – Como você começou a investir?

        Vera Lúcia Santos Silva – Depois de cair em pirâmide financeira, eu conheci um investimento que rendia 70% da Selic. Hoje sei que o rendimento é pouco, pois atualmente em tenho uma LCI que paga 86% da Selic, mas não tem cobrança de Imposto de Renda. Porém, naquela época o rendimento era bom, pois a Selic estava muito alta. Mas eu precisava ter R$ 5 mil para investir.

        Eu não tinha R$ 5 mil para aplicar, e fiquei triste pensando que poderia ter guardado os R$ 3 mil que perdi na pirâmide financeira. Então, comecei a pesquisar sobre investimentos e descobri canais como o Me Poupe!, da Nathalia Arcuri, o Primo Rico e o canal do Bruno Perini. Até que conheci os fundos imobiliários em 2019 e resolvi comprar cotas dos fundos, na maluquice.

        + Calma! Como conviver com as oscilações do mercado de ações

        Quando vi que teria de declarar esses investimentos no Imposto de Renda, eu vendi. Segurava por um bom tempo, mas depois vendia, temendo ser obrigada a fazer a declaração. Até que contratei uma contadora, que fez todo o processo para mim.

        Não tenho problema em pagar pelo serviço de alguém, caso seja necessário. Até porque também sou uma prestadora de serviços. Ela me cobrou R$ 150 por ano e disse que se eu precisasse ajustar a declaração ela não cobraria.

        Bora Investir – Você gasta a renda que recebe como dividendos mensais?

        Vera Lúcia Santos Silva – Já cheguei a usar por um tempo, mas hoje só reinvisto o dinheiro.

        Eu sempre tive o sonho de ter uma casa para alugar, mas vi que os FIIs eram mais vantajosos, já que permitem que eu possa investir no mercado imobiliário sem ter R$ 300 mil para adquirir um imóvel, algo irreal para mim. Então, pensei: é a minha chance. Dessa forma, consigo ir aumentando meu patrimônio e o meu ganho mensal

        Não é fácil reinvestir, mas tudo o que recebo eu reinvisto em um fundo de fundos (FoF), que já representa quase 8% da minha carteira.

        Bora Investir – Já houve algum momento no qual precisou resgatar seus investimentos?

        Vera Lúcia Santos Silva – Houve um período no qual vendi quase todas as minhas cotas. Adquiri uma cozinha planejada e deixei apenas um pouco do dinheiro aplicado. Mas desde 2021, quando fiquei sem trabalhar por problemas de saúde, decidi não vender mais.

        No último um ano e meio eu passei a investir regularmente. Tanto que o que recebo em proventos por mês vem subindo constantemente até chegar a R$ 158,91 em agosto, que é um valor cada vez mais próximo do meu objetivo.

        Bora Investir – O que você tem na sua carteira de fundos imobiliários?

        Vera Lúcia Santos Silva – Tenho 57,9% do meu dinheiro aplicado em fundos de papéis, enquanto 28,27% invisto em fundos de tijolo. Aplico em diversos segmentos, como logística, fundos de desenvolvimento, lajes corporativas, além do fundos de fundos.

        Também estou montando uma carteira previdenciária de ações, que atualmente corresponde a 5,94% do meu patrimônio total e tem foco em dividendos.

        Venho buscando diversificar cada vez mais a minha carteira. É difícil, pois tenho um fundo de papel que gosto muito e sei que hoje ele está abaixo do seu valor patrimonial. Mas eu respiro e busco comprar fundos de tijolo, para não ficar muito concentrada nesta classe de ativos.

        Bora Investir – Quanto você consegue economizar por mês?

        Vera Lúcia Santos Silva – Como sou autônoma a minha renda varia bastante, mas em média eu trabalho quatro dias por semana, e recebo R$ 800 semanais bruto.

        Em alguns meses eu consigo investir R$ 1 mil, que é algo bem surreal. Sou muito controlada com o dinheiro, e recebo rendimentos do meu canal no YouTube também. Coloco minha chave PIX lá, e algumas pessoas acabam me ajudando.

        + Aprenda a escolher um consultor financeiro e fugir de armadilhas

        Às vezes meus clientes viajam ou eu fico doente e acabo indo trabalhar apenas 3 dias na semana. Se eu fico três dias sem trabalhar tenho um desfalque de R$ 600. No início, até de domingo eu ia trabalhar. Mas hoje eu não aguento mais, pois já tenho 41 anos. Por isso invisto: se ganhar uma renda de R$ 200 consigo deixar de fazer uma diária para estudar e fazer cursos, o que pode me ajudar muito.

        Quando temos um dia difícil, muita gente sente que preciso comprar algo para extravasar ou desestressar. Eu penso diferente: quanto mais difícil é o meu dia, mais acelero o meu objetivo para conseguir ter flexibilidade do meu tempo. Eu sei que preciso renunciar a passeios no presente em troca de sonhos maiores.

        Bora Investir – Você tem uma reserva de emergência? Porque resgatar fundos imobiliários e ações em momentos de baixa podem gerar prejuízos.

        Vera Lúcia Santos Silva – Eu sei que essa é uma falha minha. Uso R$ 1.800 para viver do que recebo, mas tenho apenas R$ 450 na reserva de emergência. Eu sei que está péssima, e ninguém deve seguir isso. Me apoio muito na flexibilidade que tenho de pedir o adiantamento de uma diária aos meus clientes, mas sei que não deveria.

        Minha reserva de emergência está aplicada em LCIs e LCAs, que não têm liquidez diária. Costumo dizer que faço isso para proteger o dinheiro de mim mesma. Como a Selic ainda está alta, a renda fixa está rendendo bem. Meu objetivo é criar um fluxo de investimento no qual seja possível ter um título vencendo a cada mês. Dessa forma, eu conseguiria ter algum valor para emergências.

        + O que fazer agora para começar 2024 sem dívidas e com investimentos?

        Eu venho de uma situação humilde, e já economizo muito na minha vida cotidiana. Compenso esse sacrifício buscando rendimentos maiores, pois me dá mais ânimo.

        Sempre que vendia fundos imobiliários eu tinha prejuízo. Mas penso que foi melhor do que ter gastado com outras coisas. Afinal, conseguia vender e ainda ter grana: se tivesse ido fazer compras não teria nem o investimento com desconto.

        Bora Investir – Você entende os riscos da renda variável?

        Vera Lúcia Santos Silva – Sei que estou exposta aos riscos do mercado e também à má-gestão. Alguns ativos decepcionam, mas estou aprendendo.

        Tenho na minha carteira um Fiagro que está muito concentrado em algumas empresas e tem 22% do patrimônio em um único CRA. Em outros fundos o máximo alocado em um CRA é 12% do patrimônio líquido. Alguns FIIs nos quais invisto têm uma lâmina gigantesca e não têm mais de 1% alocado em cada título.

        Fico feliz quando o ativo que quero comprar desvaloriza para que eu possa comprar mais. Pois meu objetivo é de longo prazo. Portanto, pouco importa se ele está oscilando para baixo agora. Meu objetivo é ter o rendimento. A oscilação do mercado acontece a todo momento e às vezes despenca. Mas eu comecei a investir sabendo como funcionava.

        Bora Investir – Por que você acredita que caiu em ciladas?

        Vera Lúcia Santos Silva – As pirâmides financeiras prometem altos retornos diários, e cai nisso porque não tinha conhecimento nem sobre o que era taxa Selic. Se soubesse o que era, eu veria que hoje um investimento em renda fixa bem vantajoso dá retorno líquido de 1% ao mês. Então, como posso ganhar 6% em um dia? Muita gente não tem conhecimento, mas tem ganância de prosperar porque leva uma vida difícil.

        + Tesouro Educa+: quando vale a pena? Compare com outros investimentos

        Por isso, acredito que a educação financeira seja boa até quando você não tem dinheiro. E hoje temos conhecimento pela internet: está ridiculamente fácil. Basta disponibilizarmos tempo para isso. Costumo ver conteúdo sobre investimentos no ônibus: não perco meu foco. Não leio relatórios de fundos, mas vejo vídeos sobre esses relatórios, que resumem o conteúdo.

        Hoje muita gente vai entrar em um bancão e não vai cair na armadilha da capitalização. Porque tem conhecimento. Sabe que pode não ter promessa de sorteio, mas rende mais. O banco não explica que está ganhando muito mais do que o investidor nesses produtos, pois caso eles sejam resgatados antes da data o investidor recebe bem menos e o rendimento no final não supera nem a poupança. 

        Fonte! Chasque (post) publicado no Sítio Bora Investir (B3), no dia 28 de agosto de 2023, por Marília Almeida. Abra as porteiras clicando no link: https://borainvestir.b3.com.br/objetivos-financeiros/organizar-as-contas/de-piramides-aos-fiis-conheca-a-trajetoria-da-diarista-investidora/

        quarta-feira, 7 de julho de 2021

        Construindo riqueza ao longo do tempo

        Jerson Zanlorenzi, responsável pela mesa de ações e derivativos do BTG Pactual digital e colunista da EXAME Invest | Foto: Divulgação
        O ponto inicial é sabermos exatamente as fontes de receita e linhas de despesas ao longo do mês; só é possível administrar e controlar quando conhecemos a fundo os números

        A imensa maioria dos brasileiros ainda não possui uma diretriz financeira pessoal clara, desde a organização das finanças pessoais até uma estratégia de investimentos.

        Gosto de pensar que o fluxo de riqueza segue um grande funil, divido em três etapas: (1) equilibrar as finanças para gerar caixa; (2) construir uma reserva para investimentos; e (3) constituir patrimônio.

        Quando falamos de equilíbrio, o ponto inicial é sabermos exatamente as fontes de receita e linhas de despesas ao longo do mês. Só é possível administrar e controlar quando conhecemos a fundo os números. Para isso, uma simples planilha com os detalhes de cada operação nos mostra exatamente o potencial de sobra de caixa ou as causas da falta de recursos no final do mês. Nessa questão, todos os detalhes fazem a diferença, desde renegociar uma grande dívida até reduzir o consumo mensal de luz.

        O próximo passo é constituir a reserva de emergência, com um valor equivalente a seis meses do custo fixo mensal, como um “seguro” em caso de algum imprevisto (perda de emprego, acidente etc.). Essa reserva deve obrigatoriamente atender aos critérios de baixíssimo risco, altíssima liquidez e nenhum custo operacional. Um produto indicado é o fundo BTG Tesouro Selic Simples.

        Veja como começar a investir com Jerson Zanlorenzi:

        Além de atuar como uma proteção, a reserva de emergência traz um sentimento de segurança que é fundamental para o bem-estar financeiro. Sem dúvida, uma das razões pela qual os investidores não conseguem obter retornos satisfatórios em seus investimentos é o fator psicológico nas decisões, e essa reserva funciona como um para-choque nessa situação.

        Com a rotina protegida com a reserva de emergência, é possível iniciar a reserva de investimento. Esse valor é reservado para possíveis investimentos de acordo com as oportunidades de mercado e não deve receber resgates, a não ser em grandes emergências. As classes de ativos podem ter um pouco mais de prazo, buscando um retorno mais atrativo e até um pequeno risco nos ativos.

        A última e mais importante etapa: a construção da riqueza. Essa conta não recebe resgates até o momento final da aposentaria ou o objetivo completo. A grande magia dessa estratégia são os juros compostos e o reinvestimento de lucros que, com o passar dos anos, criam o modelo conhecido como bola de neve e trazem efeitos magníficos.

        Arte com gráfico de juros compostos vs juros simples

        Arte/EXAME (Arte/Exame)

        Um fator muito importante é que o mercado é cíclico e passa por mudanças frequentes ao longo dos anos, fazendo necessário que esses investimentos na conta de riqueza sejam atualizados de acordo com as tendências de mercado.

        Fonte! Chasque (post) publicado no sítio Exame Invest, no dia 23 de junho de 2021, com atualização em 27 de junho de 2021, por Jerson Zanlorenzi. Abra as porteiras clicando em https://invest.exame.com/opina/construindo-riqueza-ao-longo-do-tempo?fbclid=IwAR1duc8fJSmfb4OSjY0ALpAgE3M-x-TaAD3Nq_dL8cw1s2oQvapBjVj1VMk

        *Jerson Zanlorenzi é o responsável pela mesa de ações e derivativos do BTG Pactual Digital. Já foi estrategista de ações e trabalhou em fundos exclusivos. Com mais de dez anos de experiência no mercado financeiro, se especializou em renda variável e atuou em mesas relevantes no mercado local. Possui dupla graduação em Administração e Ciências Contábeis pelo IBMEC-RJ.

        quarta-feira, 9 de junho de 2021

        Como chegar ao fim do mês

        Boas práticas para vencer o desafio de chegar ao fim do mês sem recorrer a empréstimos

        Esticar o dinheiro para que não acabe antes que o mês termine e o próximo salário seja creditado é uma batalha que muitos enfrentam mês após mês.

        Algumas práticas saudáveis nos ajudam a evitar problemas com o dinheiro e termos segurança financeira. Para isso, não é preciso ser rico, basta limitar os gastos e gastar menos do que se ganha.

        Temos segurança financeira quando podemos manter certo padrão de vida, economizar para gastos imprevistos e fazer planos para o futuro. Isso só será possível se controlarmos as despesas, economizarmos algo todos os meses e evitarmos dívidas. 

        Parece desafiador, não é mesmo? E é, mas com planejamento e determinação, o desafio será superado.

        Orçamento

        Tudo começa com a determinação de assumir o controle da situação. E o primeiro passo é elaborar um orçamento pessoal ou familiar, a maneira mais eficaz de tirar o máximo proveito do nosso dinheiro. 

        Primeiro identificamos as receitas líquidas, nossas fontes de renda, e as despesas, todas as saídas de dinheiro, periódicas ou ocasionais, pequenas ou grandes, sem esquecer de nenhuma, caso contrário o orçamento não será realista. 

        O passo seguinte é ajustar as despesas às receitas, tentando limitar as despesas a 90% da renda, economizando ao menos 10% ao mês, criando o hábito de poupar para projetos futuros e a necessária reserva financeira.

        São três tipos de despesas: os gastos fixos que não podemos evitar, como a hipoteca ou o aluguel; despesas variáveis e necessárias, como alimentação e saúde; e os demais gastos, que podemos reduzir ou eliminar com mais facilidade.

        Conselho: classifique a poupança como despesa fixa, pague a si mesmo antes de pagar todas as contas. Não espere sobrar, coloque a poupança da família entre as prioridades.

        Revise o orçamento periodicamente, as receitas e as despesas variam com o tempo. Se a renda aumentar, não aumente as despesas na mesma proporção. O ideal é economizar parte desse aumento, já que com a inflação, tudo será cada vez mais caro.

        Reserva de emergência

        Como enfrentar uma situação inesperada? A vida nos surpreende com pequenos eventos, como consertar a máquina de lavar roupas ou o carro, e eventos de grande impacto, como um divórcio ou perda do emprego. Uma reserva de emergência nos permite lidar com essas situações sem recorrer a empréstimos.

        A reserva deverá ser suficiente para nos sentirmos seguros. Deve ser mantida em aplicações seguras, de curto prazo, com o menor risco possível e liquidez diária, de forma que seja acessada rapidamente.

        Pode parecer pouco realista, como poupar se o salário mal dá para pagar as contas? Sem a reserva para os imprevistos, difícil chegar ao final do mês sem recorrer a empréstimos e o mês seguinte estará inevitavelmente comprometido.

        Cuidado com as dívidas

        Fácil gastar mais dinheiro do que temos, basta financiar a fatura do cartão de crédito, parcelar as compras em prestações a perder de vista, ou utilizar o limite do cheque especial. 

        Esse é um caminho perigoso e caro, muito caro. Ao final, pagaremos muito mais do que vale o produto ou o serviço comprado. Sempre que possível, devemos economizar antes de comprar e pagar somente o que o produto vale. 

        Sábios os que utilizam dinheiro emprestado somente para comprar coisas necessárias, que duram muito tempo, com um imóvel, um carro, ou abrir um negócio próprio que poderá ser uma nova fonte de renda.

        Fonte! Chasque (coluna) Opinião Econômica, publicado nas páginas do Jornal do Comércio de Porto Alegre (RS), na edição do dia 08 de junho de 2021, pela planejadora financeira Márcia Dessen.