Especialistas apontam que começar cedo
amplia as chances de manter estabilidade financeira após o fim da vida
profissional / Dragos Condrea/Magnific/Divulgação/JC
A ideia de que a aposentadoria está distante pode ser confortável, mas também perigosa: para 41% dos brasileiros, o futuro financeiro
ainda é tratado como um problema a ser resolvido mais adiante, quando a
velhice chegar. O comportamento, no entanto, contrasta com uma
transformação demográfica que já está em curso: as pessoas estão vivendo
mais e precisam se preparar para financiar um período de vida mais
longo.
Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a expectativa de vida
da população brasileira chegou aos 76,6 anos em 2024, número maior para
mulheres (79,9 anos), que vivem mais que os homens (73,3 anos). Com o
tempo de vida aumentando gradativamente vem a necessidade de se ter,
além de saúde e qualidade de vida, longevidade financeira.
E essa preocupação tende a aumentar entre a população 50+,
especialmente para os que chegam nessa idade sem ter planejado uma
aposentadoria acompanhada de tranquilidade monetária.
Além dos mais de 40% de brasileiros que não se programam financeiramente, a pesquisa Planejamento financeiro do brasileiro: da consciência à prática, realizada pela Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar) em 2025 com 2 mil entrevistados de todas as regiões do País, mostra ainda que 32% se avaliam como razoavelmente organizados e apenas 27% afirmam ser muito ou extremamente planejados. Já 64% dizem planejar os gastos com frequência e 59% afirmam conhecer sua renda mensal.
É o caso do administrador de empresas Paulo Schons, do município de
Não-Me-Toque no Norte do Rio Grande do Sul, que, aos 40 anos, começou
a se organizar para poder se aposentar sem ter que depender apenas do INSS. “Apliquei recursos em previdência privada, investi em renda fixa e imóveis para ter mais tranquilidade na hora de parar”, afirma.
Para o embaixador da Planejar no Rio Grande do Sul, Roberto
Cazzetta, por uma série de questões históricas, sociais e culturais, o planejamento de longo prazo
é um desafio no Brasil. A mentalidade de que "o governo cuida de nós",
somada à dificuldade de poupar e investir, levou a geração que está
aposentada atualmente a depender majoritariamente da previdência social, o que é insuficiente para fazer frente ao aumento na expectativa de sobrevida e inflação contínua.
Embora existam outras formas de investir para o objetivo de ter uma renda futura, o fato de apenas 15% das pessoas possuírem um plano de previdência privada
comprova a dificuldade de planejar a aposentadoria. "Estimo que, a
maioria desses 15%, não investe o suficiente para gerar uma renda que
vai fazer frente às despesas no futuro. Daí a importância de planejar
adequadamente", aponta.
O que diz a Pesquisa o planejamento financeiro do Brasileiro: da consciência à prática
Como os brasileiros planejam as finanças
27% extremamente planejadas
32% razoavelmente planejadas
41% pouco ou nada planejadas
Frequência de planejamento de gastos dos brasileiros
64% se planejam com frequência
26% se planejam às vezes
11% não planejam os gastos
Sabem quanto é a renda mensal
59% sabem
28% não têm certeza
6% não sabem
Sabem quanto gastam por mês
41% sabem
52% não têm certeza
7% não sabem
Entre as pessoas que se consideram planejadas
74% sabem
19% não têm certeza
3% não sabem
Controle de gasto mensal
41% sabem exatamente quanto gasta
52% têm ideia
7% não sabem quanto gasta por mês
Entre as pessoas que se consideram planejadas
62% sabem exatamente quanto gasta
37% sabem exatamente quanto gasta
1% sabe exatamente quanto gasta
Maioria da população das classes ABC não consegue obter renda que supere suas despesas
39% gastaram mais que a renda
35% gastaram aproximadamente o que ganhamos
23% gastaram menos do que a renda.
Entre as pessoas que se consideram planejadas
22% gastaram mais que a renda
34% gastaram aproximadamente o mesmo
42% gastaram menos do que a renda
Se possui reserva financeira
59% possuem
43% não possuem
Entre as pessoas que se consideram planejadas
79% possuem
21% não possuem
Aposentadoria
89% dos entrevistados não são aposentados
11% são aposentados
Entre os não aposentados: Principais fontes de renda para o futuro
INSS 64%
Reserva própria 31%
Previdência privada 22%
Entre os aposentados: Principais fontes de renda
INSS 82%
Previdência privada 17%
Continuar trabalhando 14%
FONTE: Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar)
Planejamento financeiro iniciado aos 40 anos garantiu aposentadoria tranquila
Quando decidiu começar a guardar parte da renda para o futuro,
há mais de 20 anos, o administrador de empresas, Paulo Schons, não
sabia exatamente como seria sua aposentadoria, mas tinha uma certeza:
não queria depender exclusivamente do INSS quando chegasse o momento de deixar o mercado de trabalho.
Hoje, aos 61 anos, colhe os resultados de um planejamento iniciado por volta dos 40 e que lhe permitiu encerrar a carreira com segurança e autonomia financeira.
Morador de Não-Me-Toque, no Norte do Rio Grande do Sul, Schons parou de
trabalhar em 2025, após atuar durante mais de três décadas no Sicredi
da sua região.
Além da previdência complementar, Schons diversificou o patrimônio
Paulo Schons/Arquivo Pessoal/JC
Embora sua trajetória profissional fosse voltada para a área de crédito, o contato diário com o mercado financeiro despertou a preocupação em construir uma reserva para o futuro.
"Quando a gente pensa em parar de trabalhar, sabe que a renda da ativa
vai acabar. É preciso criar outras fontes de renda além da aposentadoria pública", afirma.
O planejamento começou ainda quando os filhos eram pequenos, pois a
prioridade da família sempre foi garantir recursos para a educação das
crianças, mas, paralelamente, o casal Schons passou a reservar
mensalmente parte do orçamento para investimentos voltados à aposentadoria. Em vez de buscar aplicações de maior risco, ele optou por um perfil conservador, concentrando investimentos em renda fixa.
Também aderiu ao plano de previdência privada
oferecido pelo empregador, no qual a empresa contribuía com um valor
equivalente ao aportado pelo colaborador. Além da previdência
complementar, diversificou o patrimônio, investindo em imóveis que hoje geram renda adicional
complementar ao orçamento da aposentadoria. "Não fiz apenas um
investimento, procurei diversificar, pois o imóvel tem pouca liquidez,
mas oferece segurança e ajuda na geração de renda", explica.
Ao se aposentar pelo INSS, em 2019, optou por permanecer na ativa
durante mais cinco anos e a combinação entre salário e benefício
previdenciário permitiu aumentar os aportes financeiros
e fortalecer ainda mais o patrimônio antes do desligamento definitivo.
Segundo ele, permanecer trabalhando depois da concessão da aposentadoria
foi uma decisão estratégica. "Esse período ajudou bastante porque foi
possível investir uma parcela maior da renda e aumentar a reserva para o futuro".
Mesmo com formação em Administração de Empresas e MBA em Gestão
Financeira, Schons afirma que a principal aprendizagem ocorreu na
prática, durante a carreira no sistema financeiro. Próximo da
aposentadoria, também participou de um programa interno de preparação
oferecido pelo Sicredi, que incluía orientações sobre investimentos, planejamento financeiro e adaptação à nova fase da vida.
Estratégias para gerar uma renda estável e duradoura após a aposentadoria
Distribuir as economias em três partes – para agora,
para em breve e para o futuro – se mostra uma estratégia eficaz para
assegurar uma confortável renda na aposentadoria. (Imagem: pic for you
em Adobe Stock)
A transição para depender da renda na aposentadoriamarca
uma mudança crucial na sua vida financeira. Nesta nova fase você para
de gastar tanto com ternos novos e longos trajetos até o trabalho. No
entanto, esse é o momento em que você passa de receber um salário fixo
para depender dos seus investimentos como fonte de renda. Embora essa troca pareça simples em teoria, colocá-la em prática pode ser bem mais desafiador ao elaborar um plano de aposentadoria.
“Se isso não for feito com cuidado, os aposentados podem consumir
suas economias rapidamente, especialmente se viverem mais do que o
esperado, o que pode levá-los a ficar sem dinheiro antes de ficarem sem
vida”, diz Anthony Saccaro, presidente da Providence Financial &
Insurance Services.
Então, como criar uma espécie de “salário” na aposentadoria que dure tanto quanto você?
Renda na aposentadoria com a abordagem do balde
Uma das estratégias mais recomendadas por especialistas é a “bucket strategy” ou “abordagem dos baldes“. A ideia consiste em distribuir suas economias em três baldes: um para agora, um para em breve e outro para o futuro.
“O balde do agora guarda o dinheiro que você precisa para pagar suas contas mensais
e cobrir grandes despesas que planeja fazer nos próximos dois anos,
como comprar um carro novo ou reformar a cozinha”, explica James Comblo,
presidente e CEO da FSC Wealth Advisors LLC. “Esse dinheiro deve ficar
guardado em um local seguro, como um banco, confiável e líquido.”
Segundo Chris Boyd, vice-presidente sênior e consultor financeiro da
Wealth Enhancement Group, esse balde deve ter fundos líquidos
suficientes para cobrir três anos de despesas, levando em conta outras
fontes de renda, como a Previdência Social ou pagamentos de anuidades.
Por exemplo, se você gasta US$ 100 mil por ano e recebe US$ 50 mil da
Previdência Social, deve ter três vezes US$ 50 mil — ou US$ 150 mil —
no seu “balde do agora”.
“Isso deve ser suficiente para suportar a maioria
das tempestades financeiras antes de precisar recorrer a outros ativos,
que são mais propensos a oscilações de preço”, afirma Boyd.
O “balde do em breve” serve para o dinheiro que você vai precisar nos próximos dois a dez anos.
Esse balde deve ser investido de forma conservadora, com o objetivo de
render mais que uma aplicação bancária, mas minimizando a exposição a
ativos voláteis. Pense principalmente em títulos de renda fixa, com pouca ou nenhuma exposição a ações.
Por fim, o “balde do futuro” é voltado para investimentos de longo prazo. Como a aposentadoria pode durar mais de 30 anos, o investidor precisa incluir componentes de crescimento nas suas economias.
“Com esses fundos, esperamos flutuações no valor, mas dentro do nosso
limite de tolerância ao risco”, diz Boyd. “Desse balde, esperamos mais
valorização de capital do que dos outros.”
Com o tempo, você vai reabastecer o balde do agora com o do em breve e
o do em breve com o do futuro. Manter os três em equilíbrio ajuda a
garantir que suas necessidades de renda sejam atendidas hoje, amanhã e
nas próximas décadas.
Ações e títulos que pagam dividendos
Para uma renda confiável na aposentadoria, conte com investimentos que geram receita, como ações e títulos que pagam dividendos.
“Juros e dividendos são recursos renováveis que
podem oferecer uma renda estável sem o risco de esgotar o principal”,
explica Saccaro.
Viver de dividendos e juros evita que você precise
vender ações para gerar renda, “o que reduz significativamente o risco
de ficar sem dinheiro”. Isso pode ser feito por meio da compra de ações e
títulos individuais ou por meio de fundos de renda para aposentadoria.
A segunda opção tem a vantagem da diversificação:
uma empresa pode reduzir ou cortar seus dividendos a qualquer momento,
mas, ao investir em um fundo com várias ações que pagam dividendos, você
reduz o risco de que o corte de uma única empresa afete sua renda.
Se optar por ações individuais, Boyd alerta contra a busca por altos rendimentos.
As empresas que pagam os maiores dividendos — ou os títulos com juros
mais altos — costumam ser as mais arriscadas em relação ao pagamento. É
melhor buscar rendimentos moderados e consistentes.
Fontes de renda diversificadas e impostos
O impacto dos impostos na aposentadoria — tanto federais quanto estaduais e locais — muitas vezes não recebe a devida atenção, diz Comblo.
“Acreditamos que as alíquotas de impostos podem dobrar nos próximos dez anos”, alerta.
Por isso, é fundamental adotar estratégias para administrar os
impostos sobre sua renda na aposentadoria. A melhor forma de fazer isso
vem das opções. Nem todas as fontes de renda são tributadas da mesma
maneira.
Quanto mais diversificadas forem suas fontes de renda, mais
flexibilidade você terá para administrar sua carga tributária ao longo
da aposentadoria.
Trabalho de meio período
Pode não ser a resposta que você esperava, mas às vezes a melhor
maneira de gerar uma renda confiável na aposentadoria é trabalhando.
Quase 20% dos americanos com 65 anos ou mais estavam empregados em 2023,
segundo o Pew Research Center — quase o dobro do que há 35 anos.
Um trabalho de meio período ou um bico pode fornecer a renda extra
que você procura. Além disso, pode evitar que você retire dinheiro
demais do seu portfólio de investimentos logo no início da aposentadoria
— algo conhecido como “risco de sequência de retornos”, que pode
dificultar a recuperação financeira e aumentar o risco de ficar sem
recursos no futuro.
Como bônus, um trabalho de meio período pode oferecer plano de saúde, o que é especialmente útil para aposentados.
Esta história foi originalmente apresentada em Fortune.com
e foi traduzido com o auxílio de ferramentas de inteligência artificial
e revisado por nossa equipe editorial. Saiba mais em nossa Política de IA.
Com a data de
publicação marcada para a próxima quarta-feira (22), o livro escrito por
Morgan Housel, autor do best-seller “A psicologia financeira”, apresenta lições para aproveitar o poder do dinheiro e viver uma vida mais feliz. Este livro, não é sobre enriquecer,
o autor investiga as complexidades que envolvem o dinheiro, ensinando o
leitor a tirar o máximo de proveito do que já possui, e almejar o que
realmente vale a pena.
Morgan é sócio
do The Collaborative Fund e ex-colunista da The Motley Fool Stock
Advisor e do The Wall Street Journal. Em “A arte de gastar dinheiro”,
ele volta sua atenção para a maneira de como gastar aquilo que se recebe. Dessa forma, o autor expõe os gatilhos que fazem gastar o dinheiro, além de ferramentas psicológicas para obter melhor relação com os gastos e como utilizar todo o potencial do dinheiro, para aproveitar a vida com satisfação e significado.
Munido de novas percepções sobre dinheiro e riqueza, o leitor aprende a evitar armadilhas comuns dos gastos, a investir com mais inteligência, e alguns aspectos cruciais que muitas vezes não são abordados nos livros de finanças tradicionais. O livro ainda mostra que é comum confundir as expectativas sociais com o que realmente importa e esquecer que o retorno sobre investimento mais valioso é a paz de espírito.
A arte de gastar dinheiro: Escolhas simples para uma vida equilibrada; Morgan Housel; Editora Harper Business; 288 páginas; R$49,90; Disponível em versão física e digital
Investimentos
Capa do livro "Armadilhas de investimento"
/Editora Alta Books/ DIvulgação/ JC
De modo claro e didático, este livro analisa algumas das principais armadilhas em estratégias de investimentos, todas com potencial de causar enormes prejuízos. Os autores exemplificam essas armadilhas por meio dos enredos.
Segundo os autores, investir não é adivinhar o futuro, é administrar os riscos,
o investidor precisa ser mais crítico do que crédulo. Durante a
escrita, cada capítulo apresenta e expõe as cinco armadilhas: riscos sem
retorno esperado, desconsiderar riscos ocultos, conflitos de interesse,
falta de disciplina de investimento, falta de controles e risco
operacional
Um dos intuitos do livro é fazer o leitor compreender que, no mercado financeiro, quem paga nem sempre manda. Quando o produto manda e o cliente obedece, há algo muito errado.
Armadilhas de Investimento: o que Você Não Deve Fazer
ou Deixar que Façam com Seus Investimentos Financeiros; Paulo Tenani;
Roberto Cintra; Ernesto Leme; Caio Weil Villares; Editora Alta Books;
160 páginas; R$ 52,90; Disponível em versão física e digital.
Crescimento Pessoal
Capa do livro "Riqueza diária"
/Luzz_Buzz Editora/ DIvulgação/ JC
Escrito por Ítala dos Anjos, diretamente da periferia alagoana, ela compartilha com o leitor, aprendizados profundos que reuniu após mais de uma década trilhando, na prática, a jornada da periferia aos milhões.
Ela já foi superendividada, tornando-se livre financeiramente
quando ainda era servidora pública. Depois de uma crise profissional e
existencial, Ítala decidiu ensinar o caminho financeiro que ela mesma havia percorrido, fundando a Multiplique Educação Financeira,
tornando-se milionária neurocientista e economista comportamental. Nos
primeiros quatro anos da empresa, já havia ajudado pelo menos 6000
mulheres através de sua metodologia G2M - Gerar, Gerir e Multiplicar.
O livro é um guia transformador, escrito por uma das maiores referências em riqueza e poder pessoal feminino.
Ítala também é especialista em finanças, investimentos e enriquecimento
para mulheres, atualmente, conta com mais de 12 mil alunas em 38
países. Em meio às páginas, ela convida o leitor à transformar sua
relação com a riqueza.
Uma mensagem por dia, um minuto por dia. Para a
escritora, não é necessário mais do que isso para começar a construir
uma liberdade financeira com autonomia, consistência e integridade. Ela acredita que quanto mais mulher rica no mundo, melhor.
Riqueza diária: 365 dias para enriquecer; Ítala dos
Anjos; Luzz_Buzz Editora; 400 páginas; R$79,90; Disponível em versão
física e digital.
Vamos te mostrar se ser milionário te garante uma renda confortável para o resto da vida
Estratégias de investimento
É possível ter uma renda perpétua apenas sacando os juros da aplicação? – Foto: Getty Images
Como viver de renda com R$ 1 milhão para sempre?
Será que é possível investir esse valor e viver apenas de juros, até o
fim da vida, sem se preocupar com gerar uma renda nova todo mês? Ou
seja, alcançar aquele sonho que é de muitos: trabalhar apenas se quiser,
por prazer, e não pela pressão de pagar os boletos. Para saber se isso é
possível, conversamos com Carlos Castro, planejador financeiro pela
Planejar e sócio da empresa de planejamento financeiro Super Rico, que
mostrou os caminhos para tornar esse sonho em realidade.
Para fazer as simulações, o planejador considerou que uma pessoa
deseja se aposentar com R$ 5 mil e R$ 10 mil por mês. Já os cálculos
estão baseados nas seguintes premissas:
Juros reais de 4% ao ano
Taxa Selic de 10,25% ao ano
IPCA de 3,50% ao ano
Vamos, então, aos cenários:
Cenário 1: consumir o capital de R$ 1 milhão até acabar
Pelos cálculos de Carlos Castro, quem tem R$ 1 milhão agora e já quer
se aposentar gastando R$ 5 mil por mês da aplicação poderá fazê-lo por
26 anos. Depois, o dinheiro acaba.
Mas se quiser uma renda maior, de R$ 10 mil por mês, vai descobrir que o dinheiro vai durar bem menos: 9 anos.
Depois, terá de procurar outra fonte de renda para viver ou começar a trabalhar de novo.
Mas se o investidor estiver interessado em ter uma renda perpétua,
vivendo apenas dos juros da aplicação, sem consumir o capital principal,
o esforço de poupança teria de ser maior. Nesse caso, ter R$ 1 milhão
de capital investido não seria suficiente.
Sob essa perspectiva, quem quiser se aposentar imediatamente tendo
uma renda mensal de R$ 10 mil por mês pelo resto da vida, teria de
triplicar o capital para atingir essa meta.
Assim, só com um capital acumulado de R$ 3.054,610,53 seria possível
se manter com R$ 10 mil por mês durante toda a vida, vivendo apenas dos
juros do montante acumulado.
Se for mais modesto e reduzir o valor para R$ 5 mil mensais, sem se
preocupar com prazo, o esforço extra diminui, mas, ainda assim, seria
preciso acumular, de forma imediata, mais de meio milhão de reais.
Ou R$ 1.527.305,26, para sermos mais exatos.
Cenário 3: fazer R$ 1 milhão render para sempre
Mas, afinal: quem tem R$ 1 milhão consegue sacar quanto por mês de forma perpétua para viver de renda?
Mantido o cenário hipotético de juros reais de 4% ao ano, taxa Selic de 10,25% ao ano e IPCA de 3,50% ao ano, se tivesse R$ 1 milhão
investidos, o investidor poderia sacar R$ 3.300 todo mês, para sempre,
sem mexer no investimento principal.
Podemos considerar esta uma renda perpétua, pois levaria 111 anos para que o dinheiro acabasse.
Tempo e estratégia
Mas, de acordo com Castro, é muito difícil que o brasileiro comum
consiga ter uma renda perpétua. Ainda mais viver de renda com R$ 1
milhão. “O que vai acabar acontecendo é que ele vai precisar consumir
esse principal. Nesse caso, cabe a ele montar um patrimônio que permita
que ele consuma esse principal de forma que dure o máximo de tempo
possível”, diz.
Então, para fazer isso, é preciso administrar as variáveis que estão à
mão. Um erro comum é achar que dá para apostar a independência
financeira nos juros dos seus investimentos. “A taxa de juros não está
nas nossas mãos, não depende do investidor. Por isso, não dá para dizer
que vai construir o patrimônio considerando as estratégias de alocação,
porque essas estratégias dependem das condições do mercado financeiro.”
Sendo assim, quais são as variáveis que você o investidor consegue
administrar? A resposta, de acordo com Castro, são duas: o tempo e
capacidade de poupança mensal.
Como administrar o tempo e a capacidade de poupança para viver de renda?
Para administrar a capacidade de poupança, ou seja, a capacidade de
geração de renda atual, a solução é cortar despesas ou aumentar
receitas. Se não está sendo possível poupar todo mês para conseguir a
independência financeira, a solução será diminuir as despesas ou
conseguir gerar mais renda, para ter mais dinheiro para poupar.
Já para administrar o tempo, segue um exemplo prático para ficar mais
fácil. Afinal, quem não tem dinheiro para comprar algo à vista, sempre
pode poupar para comprar mais pra frente, certo?
Então, vamos voltar ao investidor que tem R$ 1 milhão e quer sacar R$
5 mil todo mês. Como já vimos, se consumisse também o principal, o
dinheiro duraria por 26 anos. Mas se quisesse viver apenas de juros,
teria de acumular pouco mais de R$ 1,5 milhão imediatamente.
Além disso, como sabemos que está à mão, dá para o investidor mudar a variável tempo. Assim,
se em vez de se aposentar imediatamente ele adiasse o projeto por mais
10 anos e durante esse período poupasse R$ 320,81 todo mês, ele
conseguiria acumular o valor de R$ 1.527,305,26.
Assim ao final desse período, o investidor iria conseguir manter as
retiradas mensais de R$ 5 mil por toda sua vida. Ou, ao menos, por mais
111 anos.
E quanto rende R$ 1 milhão?
Quer saber quanto rende R$ 1 milhão? A nova calculadora gratuita de
Renda Fixa da Inteligência Financeira faz esse cálculo rapidamente.
Acesse este nossa calculadora de renda fixa.
É divertido fazer as simulações e descobrir quanto rende seu dinheiro ao investir em títulos do Tesouro, CDB e LCI, por exemplo.
Em
busca de diversificação da carteira de investimentos e maiores
retornos, os fundos de pensão brasileiros aumentaram em 80% o seu
patrimônio alocado no exterior nos cinco primeiros meses do ano,
atingindo R$ 21,3 bilhões em maio, mostra o levantamento da
Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc). Em
dezembro, o valor alocado era de R$ 11,8 bilhões.
O crescimento mostra que as entidades fechadas de previdência complementar (EFPC) estão cada vez mais dispostas a investir no exterior, embora o montante alocado ainda seja modesto diante do poder de fogo das entidades - representa apenas 1,88% do patrimônio total dos fundos, que atingiu R$ 1,134 trilhão em maio. No fim de 2020, esta proporção era de 1,11%. Em dezembro de 2019, era ainda menor, de 0,81% (R$ 8 bilhões).
Guilherme Benites, sócio da Aditus Consultoria, tem mais de 120 entidades fechadas de previdência complementar entre seus clientes, especialmente de pequeno e médio porte. Ele recebe diariamente contato de interessados em aplica no exterior. Seu papel é fazer a análise de risco e do investimento. Benites conta que os juros baixos no Brasil contribuíram para esta procura, especialmente em momento de câmbio um pouco mais "palatável".
"Não passa um dia sem que o telefone toque com alguma demanda sobre investir lá fora. Os fundos querem discutir estratégia, a carteira. A maioria busca renda variável concentrada em países desenvolvidos, com grande descorrelação com o Brasil. É um mercado ainda dominado por aplicações em fundos de renda variável, muitos correlacionados ao índice de ações MSCI, que congrega países desenvolvidos", afirma Benites.
Maior fundo de pensão do País, a Previ, dos funcionários do Banco do Brasil, é uma das entidades que ampliaram os investimentos lá fora. O diretor de investimentos da Previ, Marcelo Wagner, explica que a alocação no exterior faz parte do processo de diversificação do risco da carteira. Em maio deste ano, a Previ tinha aplicações de R$ 1,1 bilhão lá fora. Em dezembro de 2020, este valor era de 342 milhões, ou seja, um terço do atual.
"Seguramos um pouco estes investimentos no ano passado por causa da conjuntura de câmbio, com o real muito depreciado. Estamos retomando neste ano", diz Wagner, que selecionou dez gestores estrangeiros para alocar recursos em mercados como Estados Unidos e China. "Vamos alocar tranches de R$ 1 bilhão, em parcelas de R$ 250 milhões."
Existem limites para investir no exterior. Regulação do Conselho Monetário Nacional (CMN) estabelece um teto de exposição a 10% do patrimônio das entidades. Na média, os fundos têm apenas 1,88% do patrimônio aplicado lá fora. Por dentro dessa média, porém, há casos mais próximos do teto. Um deles é a Vivest, antiga Fundação Cesp (Funcesp), com 7% do patrimônio no Exterior.
Rendimento pode ser maior no exterior fora do País
O diretor de Investimentos da Vivest, Jorge Simino Junior, entende que investir fora do país é uma forma de diversificar e ter maior rendimento - o fundo tem hoje R$ 2,5 bilhões no exterior. O diretor defende o aumento do limite de alocação da carteira em ativos externos. "O padrão de outros países emergentes, como México e Colômbia, gira em torno de 20% a 30%", disse.
Demandas como essa chegaram até a Previc, que apresentou uma proposta para a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia para aumentar o limite de 10% para 20%. José Carlos Chedeak, diretor de Normas da Previc, explica que os fundos abertos de previdência já podem aplicar 20% no mercado internacional. Elevar o limite para as entidades fechadas seria um meio de reduzir assimetrias.
"Existem tratativas sobre a mudança, mas não atenho como dizer a data e se vai ser. Não está na nossa gerência, é uma decisão do CMN", afirmou Chedeak. Procurado, o Ministério da Economia disse que não comenta medidas não anunciadas e que informações sobre reuniões do CMN são divulgadas apenas após a sua realização.
Outro gigante do setor, a Funcef, fundo de pensão da Caixa, reservou R$ 1,2 bilhão para investir em ativos no exterior. O montante corresponde a 1,5% do patrimônio da entidade. Porém, processos internos de normatização da entidade ainda estão em curso e a etapa de seleção de gestores não foi iniciada. Uma revisão da política de investimento, hoje em curso, pode alterar esta alocação.
Fonte! Chasque (post) publicado nas páginas de economia do Jornal do Comércio de Porto Alegre - RS, edição impressa do dia 12 de julho de 2021.