terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Resoluções de Ano Novo: veja dicas para fazer o salário render mais

Saiba como organizar as contas para manter a saúde financeira nos próximos meses

SXC.HU
Sérgio Soldera, professor de Ciências Econômicas
da Unisinos, sugere que 10% da renda mensal
deve ir para a poupança
Quantas vezes, ao chegar o fim do ano, as pessoas começam a rever suas atitudes e planejam mudanças para os próximos meses? As famosas resoluções de ano novo podem incluir objetivos como cuidar melhor da saúde, praticar esportes e entrar em contato com antigos amigos. A vida profissional e a saúde financeira também entram na lista.
Se uma das ideias for “fazer o salário render mais”, o Pense Empregos ajuda a tornar isso possível. O professor do curso de Ciências Econômicas da Unisinos Sérgio Soldera dá dicas de economia para quem precisa controlar melhor as contas em 2014. Confira:
:: Abra uma poupança“Poupar é constituir uma reserva para o futuro para imprevistos ou construção de um patrimônio. Portanto deveria ser um hábito saudável, como tantos outros, para atingir qualidade de vida, que deveria começar desde a infância. Nos ajuda a entender e exercer a disciplina na busca de um objetivo de longo prazo. Problemas financeiros são importantes fatores de desequilíbrio na vida das pessoas no ambiente familiar, profissional e social, portanto, na sua qualidade de vida. A decisão de quanto poupar se altera ao longo da vida da pessoa em função do seu sucesso profissional e de diferentes momentos no projeto de vida das pessoas, mas deveria começar, no mínimo, com 10% de sua renda mensal. O importante é incluir o hábito de poupar como uma das prioridades na destinação da renda pessoal”, explica Soldera.
:: Defina prioridades
Para o professor, é indispensável dispor de um orçamento para organizar as finanças pessoais, no qual deve-se calcular a renda e os gastos mensais para os próximos seis meses, no mínimo. O planejamento deve classificar os gastos em três grupos:
a) os gastos básicos para sobrevivência, como moradia, alimentação, saúde e educação;
b) os gastos de melhoria e crescimento como lazer, aquisição de utilidades domésticas ou bens de consumo duráveis ou não; 
c) os gastos com aplicações financeiras e aumento de patrimônio.
“Os gastos básicos são os prioritários, ou os primeiros aos quais temos que destinar o dinheiro. Na medida da nossa capacidade financeira, vamos destinar o restante do dinheiro disponível para os demais gastos. Para mais de 60% dos brasileiros, parte de seus gastos são pagos a prazo ou com empréstimos bancários resultando na formação de dívidas. Estas dívidas consomem, em média, até 20% de suas rendas mensais, reduzindo, portanto sua capacidade financeira atual para 80%. Por isso as pessoas endividadas devem incluir como prioridade a redução ou quitação de suas dívidas como forma de reestabelecer o equilíbrio e capacidade financeira”, orienta. Para viabilizar o pagamento dessas dívidas, a pessoa deverá economizar o valor da dívida através da redução dos seus gastos gerais e adiando outros para mais adiante e procurar evitar os gastos supérfluos e desperdícios. Enquanto não quitar as dívidas o plano a seguir deve ser “economia de guerra”.
As dívidas mais onerosas ou com juros maiores devem ser quitadas em primeiro lugar, tais como conta devedora ou cheque especial em bancos, parcelamentos da fatura de cartão de crédito, empréstimos bancários e também algumas compras a prazo em estabelecimentos comerciais. “É importante estar ciente de que dívidas é uma consequência de desequilíbrio financeiro e, portanto, devem ser evitadas, principalmente quando sua origem é o consumo descontrolado. A equação é muito simples: jamais gaste mais do que sua renda”, completa Soldera.
:: Fique atento aos juros
“Ao comprar algo a prazo temos que saber qual a taxa de juros incluída nas prestações. Ao pagar à vista peça desconto. Muitos estabelecimentos anunciam o preço à vista e parcelado sem juros. Não acredite, os juros já estão incorporados ao preço, pelo simples fato que ninguém empresta dinheiro de graça. Para saber se o preço à vista é realmente real, compare com o preço à vista de outro concorrente. Se realmente for a melhor opção, então compre parcelado, como, por exemplo, passagens aéreas internacionais pagas com cartão de crédito”, diz o professor.
Além disso, ele acredita que o que deve ser evitado é o parcelamento de faturas de cartões de crédito, que em muitos casos os juros podem ser mais de 10% ao mês ou 213,8% ao ano. “Isto significa dizer que para cada R$100,00 de compra, serão pagos mais R$76,00 de juros, algo completamente inviável. Por isso, se tiver algum dinheiro aplicado é preferível resgatar a aplicação e pagar à vista. O melhor mesmo é deixar de fazer esse tipo de compra, principalmente se for algo dispensável ou supérfluo ou mero capricho. Temos que dar valor ao nosso dinheiro obtido com tanto sacrifício”, explica.
:: Cuide os alertas
O primeiro sinal de desequilíbrio financeiro pode ser percebido quando, ao final de um mês, o saldo ficou negativo, ou seja, os gastos foram maiores do que a renda. “Quando isso ocorrer em mais meses, tem que tomar uma decisão de evitar que isto continue, pois estaria formando dívidas ou se desfazendo de patrimônio ou de aplicações existentes. O planejamento através do orçamento pessoal ajuda a prever quando essa situação poderá ocorrer, permitindo que seja evitada ou administrada e controlada”, diz o professor.
:: Saiba diferenciar desejo e necessidade
“Cada pessoa ou família deve definir qual o padrão ou estilo de vida pretende ter, qual o projeto de vida e dentro disso estabelecer as prioridades. Tudo isso deve estar condicionado à sua capacidade financeira e renda. Manter esse equilíbrio nem sempre é fácil. Somos tentados a imitar e querer ter tudo o que pessoas próximas, amigos, colegas ou vizinhos tem, ou não resistimos aos apelos para o consumismo. É importante distinguir o que são desejos e o que são necessidades, quais são as coisas indispensáveis e quais são supérfluas ou dispensáveis. Em determinados momentos somos obrigados a abrir mão de coisas boas da vida ou alterar certos hábitos por questões ou dificuldades financeiras. Temos que entender que o dinheiro é um bem finito e limitado e por isso é necessário ter claro quais são os limites de cada um, e isto varia de pessoa para pessoa ou de família para família e em diferentes momentos da vida. Acima de tudo cabe ressaltar que o dinheiro não pode ser um fim em si, mas apenas um meio e independe de quantidade para sermos felizes”, conclui Soldera.
ALOHA BOECK  -  Pense Empregos
Fonte! Chasque (reportagem) com retrato, publicados no sítio Pense Empregos, no dia 16 de dezembro de 2013. Abra as porteiras: http://revista.penseempregos.com.br/noticia/2013/12/resolucoes-de-ano-novo-veja-dicas-para-fazer-o-salario-render-mais-4366055.html