terça-feira, 27 de julho de 2010

Atitude 10! O Poço da Poupança está secando????

Bueno! Lembro-me bem dos idos tempos onde a moeda nacional era uma e tinha um fator de correção diário, pois a tal moeda era corroida pela inflação que subia de elevador.... Era década de 1980. A moeda, era o tal de cruzeiro, depois veio o cruzeiro novo, e após o cruzado e  o cruzado novo.... e o fator de correção era a ORTN (Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional), que foi substituída pela OTN (Obrigações do Tesouro Nacional) e depois pela BTN (Bônus do Tesouro Nacional). E a inflação oscilada entre 50% e 80% ao mês e às vezes batia nos 100% ao mês. E de vez em quando o governo pegava uma foice e cortava três zeros, fazendo com que um valor de mil cruzeiros valesse um cruzeiro novo....

E a mídia (rádio, televisão e jornais) divulgava nos noticiários que "a poupança rendeu hoje.....", e geralmente  a perda que a inflação galopante provocava era reposta. Naquela época também não tínhamos tantas opções para investir os nossos cobres (nosso dinheiro) e a caderneta de poupança era o investimento mais popular, mais simples para começar a investir e acessível para qualquer cidadão de qualquer classe social, tal qual como é nos dias de hoje. E os anúncios comerciais na mídia enalteciam a caderneta de poupança, como hoje são enaltecidos a previdência privada e o título de capitalização (que é louco de bueno e louco de especial apenas para a instituição financeira).

Com o advento do real, a inflação galopante cessou e deu vez à estabilidade e inflação sob rédia curta (controlada). E a caderneta de poupança perdeu prestígio. Os comerciais que a enalteciam sumiram e outros produtos financeiros começavam a concorrer com ela, como o over, o open, os fundos de renda fixa, o CDB, a previência privada e ultimamente a bolsa de valores. Enfim, uma penca de produtos financeiros estavam e estão à disposição da população.

Mas como a poupança sempre esteve vinculda, junto com os cobres (recursos) do Fundo de Garantia à habitação, com a criação do projeto Minha Casa Minha Vida, uma enxurrada de ranchos novos começaram a pipocar, a ser construídos em todos os rincões deste país. E de acordo com o vice-presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Hereda, "quem pensa em comprar a sonhada casa própria pode ter problemas daqui a três anos, quando os recursos da caderneta de poupança não devem mais ser suficientes para bancar o financiamento habitacional", conforme chasque publicado no Correio Brasiliense do dia 20 de julho de 2010.

Bueno! Se nada for feito para aumentar a captação de recursos via depósitos na caderneta de poupança; se não desistirem de querer cobrar imposto sobre os rendimentos da caderneta de poupança com depósitos superiores a R$ 50.000,00 por CPF, conforme foi veiculado na mídia recentemente, após a crise internacional; se não estimularem a poupança como nos idos tempos de inflação galopante e se não aumentarem o seu rendimento para o poupador/investidor, o projeto minha casa minha vida poderá "fazer água", ou seja, poderá empacar devido à falta de recursos, pois o poço da poupança poderá secar!

Mas, existe outra visão que é bem mais ampla que o horizonte do Pampa: a educação, em todas as suas etapas, ensina o vivente a ser empregado, ensina a consumir, ensina a fazer compras (a parcelar as mesmas), ensina a se endividar, mas não ensina a ser um empresário, um empreendedor, a poupar, a mágica dos juros compostos, a enriquecer, a ajuntar os cobres, a fazer a sua reserva de emergência, a fazer o seu pé de meia desde guri, para quando se aposentar, não depender apenas da pindaíba do valor da aposentadoria do INSS e da benevolência dos filhos (e claro, dos genros e das noras....), pois, concordo com a opinião do Conrado Navarro, que em uma das páginas do seu livro "Vamos Falar de Dinheiro?" diz: "se tu não tens condições de comprar à vista um bem (seja lá que bem for), tu ainda não estás em condições de possuir este bem". Por estas e outras, sou da opinião de "se for comprar, só se for na boca da guaiaca", ou seja, à vista! E com esta metodologia e com o abandono da compra por impulso, com absoluta certeza, vão sobrar muitos cobres para tu investires na poupança, na previdência privada, na bolsa de valores, nos fundos de renda fixa, etc.

E como já se ouviu por aqui, a diferença em relação ao dinheiro/consuno de um americano e um brasileiro é: o americano tem como objetivo numero um de sua vida chegar a ter em dinheiro um milhão de dólares (ou seja, ser rico, ter ATIVOS). Por sua vez, o sonho do brasileiro em geral é ter um carro (ou seja, ter despesas, ter um PASSIVO). Esta é uma das grandes diferenças do por quê o Brasil não tem uma poupança forte.

Fonte do retrato do porquinho quebrado - http://guiainvestimentos.blogspot.com/.

Valdemar Engroff - o gaúcho taura