domingo, 5 de fevereiro de 2017

Pirâmides Financeiras: tudo o que você quer saber, mas ninguém te conta

Olá! Seja bem-vindo ao segundo artigo da série Marketing Multinível: Tudo o que você sempre quis saber, mas ninguém teve coragem de contar”.

No primeiro artigo, abordamos os conceitos de Marketing Multinível e Vendas Diretas. Se você perdeu, não deixe de clicar aqui para fazer a leitura.

Neste segundo artigo, falaremos de Pirâmides Financeiras: o que são, como se formam (e não se sustentam) e o mais importante: Marketing Multinível é pirâmide? 

Pirâmides só existem no Egito?

Talvez a pergunta mais recorrente quando se fala de Marketing Multinível seja: este negócio é pirâmide?

Antes do mérito da questão, vejamos o que é um esquema de pirâmide financeira.

Um esquema de pirâmide está mais focado em captar pessoas, que precisam desembolsar dinheiro para entrar no esquema. Estas pessoas geralmente são motivadas por uma promessa de ganhos fáceis e rápidos.

Consideradas como crime contra a economia popular (Lei 1.521/51), o grosso do dinheiro que rola numa pirâmide não provém da venda de produtos, mas sim da entrada de novos participantes.

As pirâmides são insustentáveis pela simples razão do número de pessoas ser limitado.


Inapelavelmente, as últimas pessoas a entrarem no esquema acabam sempre tomando prejuízos por não conseguirem captar novas pessoas para a sua rede e assim reaverem os seus “investimentos”.

As pirâmides também são chamadas de “Esquemas de Ponzi”, em homenagem ao estelionatário italiano Charles Ponzi. Radicado nos Estados Unidos, Ponzi criou um esquema que prometia ganhos enormes aos investidores de lá.

Funcionava assim: os cupons europeus eram mais baratos que os selos americanos. E como estes produtos podem ser trocados entre si, o estelionatário prometia que a diferença entre eles seria usada como remuneração para quem estivesse no esquema.

Só que o dinheiro mesmo vinha da entrada de novos participantes. Nada de comprar cupons. Quando as pessoas começaram a desconfiar do esquema, já era tarde demais.

Seria necessário que existissem 150 milhões de selos nos EUA, quando na verdade só havia 27 mil em circulação. Resultado: a maior fraude do século XX, estimada em 50 bilhões de dólares.

Depois de preso, Ponzi acabou vindo para o Brasil, onde morreu pobre. Importamos não só o criador, mas também a sua criatura. Começamos a infeliz tradição de se construir pirâmides no Brasil – logo nós, mais de 10 mil quilômetros longe do Egito.

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A pirâmide do Boi

As fazendas reunidas Boi Gordo ofereciam um esquema de “investimento” baseado na criação de bezerros e engorda de bois. Prometiam retornos mínimos de 42% em apenas 18 meses. “Garantidos”.

O negócio era massivamente divulgado, chegando a ter o ator Antônio Fagundes anunciando em plena novela das oito, que não por coincidência era (a novela e o próprio personagem) “O Rei do Gado”.

Mas, tal como no esquema de Ponzi, os contratos vencidos eram pagos com o dinheiro de novos investidores. Resultado: pirâmide financeira detectada e empresa falida, em 2004.

A aposentada Marta de Lourdes Morais relatou o prejuízo de R$ 37 mil, na ocasião, pelo esquema da Boi Gordo:

“Na época, fazia muita propaganda no rádio. Eu confiei e entrei nesse barco furado. Vendi minha casa, que minha tia tinha me deixado. Era a única coisa que eu tinha”, disse ela.

Dona Marta fez parte de um universo de 30 mil pessoas que investiram mais de R$ 3,9 bilhões no esquema.

Doze anos depois, as fazendas da Boi Gordo vieram a leilão, e somente agora as famílias enganadas começam a vislumbrar algum horizonte de recebimento de parte do dinheiro “investido” no golpe. 

A pirâmide do Avestruz

Depois que a história é revelada, fica fácil perceber que o “investimento”, na verdade, se tratava de uma pirâmide. No auge dos ganhos, com os amigos ganhando verdadeiras boladas, fica muito difícil ficar de fora da “festa do dinheiro fácil”.

Juntemos a isso R$ 4 milhões (em 2004) investidos em propaganda e você terá uma legião de 40.000 pessoas acreditando no esquema e colocando o seu dinheiro no jogo.

Foi o que aconteceu com a Avestruz Master, empresa que vendia contratos relacionados à compra e venda de avestruzes com o compromisso de recompra e lucro aos investidores no futuro.

O plano seria que a Avestruz Master ganhasse com a exportação da carne dos bichos. Mas o golpe foi tão grande que, em sete anos de operação, nenhuma ave foi abatida.

Estima-se que o prejuízo amargado pelos investidores seja da ordem de 1 bilhão de reais. Os responsáveis foram condenados à prisão e não há previsão de indenização às vítimas.


O poder das pirâmides

Na figura abaixo, é simples verificar o poder de capilaridade que uma rede deveria ter para atingir níveis maiores. Se cada pessoa recrutar apenas mais 6 pessoas, no nível 11 já deveria existir mais gente na rede que a população dos Estados Unidos inteira.

Apenas dois níveis acima, nem a população mundial seria o bastante.
Pirâmide
Fonte: Wikipedia

É a força da Progressão Geométrica agindo na veia. Este poder avassalador de expansão da rede vale para todos os negócios Multinível que não possuem limite de recrutamento –  sejam eles pirâmides financeiras ou não. 

Aliás, este é o principal ponto que dificulta bastante a identificação de um esquema de pirâmide: todos eles, inclusive aqueles que já foram condenados pela justiça, continuam afirmando que são apenas Marketing Multinível, e não pirâmides financeiras.

O então diretor do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor, Amaury Olyva, admite ser sutil a diferença de Marketing Multinível e esquemas de pirâmide.

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Então, como fazer para identificar empresas legais, que trabalham no Marketing Multinível, de possíveis pirâmides financeiras?

Definitivamente, as empresas de Marketing Multinível são empresas legais, pelo fato de não existir legislação que as impeçam de funcionar.

Mas o fato de não haver legislação específica em nada ajuda os consumidores a separar as empresas idôneas daquelas que praticam os esquemas de pirâmides.

Iniciativas como a PL6667/2013 e a PL6170/2013 fazem parte dos primeiros passos para regulamentar o Marketing Multinível, embora estejam atualmente paradas no Congresso.

É primordial que tenhamos uma legislação específica para o setor, no intuito de trazer maior segurança jurídica para os fabricantes, consumidores e revendedores.

Por enquanto, separar o joio do trigo ainda é nossa tarefa. Mas existem algumas orientações para identificar as pirâmides:
  • Não acredite em dinheiro fácil, o que efetivamente não existe;
  • Desconfie se o custo para entrar no negócio for alto ou mesmo se este valor não estiver associado à compra de produtos em si (como um kit inicial de vendas);
  • Nas pirâmides, o que importa é que mais pessoas entrem na rede. Não interessa a venda dos produtos, que podem não existir ou serem somente de fachada para simular o esquema;
  • Uma orientação do Boletim de Proteção do Consumidor, do Ministério da Justiça: A WFDSA (World Federation of Direct Selling Associations) lembra que esquemas piramidais normalmente escolhem produtos cuja produção é barata (podem ser apenas virtuais) e não possuem um valor relevante de mercado;
  • Verifique se os produtos são úteis, vendáveis e se você próprio os consumiria caso não estivesse no negócio.
Neste artigo, vimos as diferenças e semelhanças de um esquema de Pirâmide Financeira com os Negócios Multinível.

Será, então, que vale a pena entrar no Marketing Multinível? Este será o assunto do terceiro artigo da série “Marketing Multinível – Tudo o que você sempre quis saber, mas ninguém teve coragem de contar”. Não deixe de acompanhar! Um abraço e até lá!

Fonte! Chasque (postagem) de William Ribeiro, postado no sítio Dinheirama em 02 de fevereiro de 2016. Abra as porteiras clicando em