sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Investidor desconhece melhores taxas de retorno do mercado

Pesquisa do SPC Brasil e CNDL mostra que percentual de desinformação chega a 58%

Poupança continua sendo a modalidade mais usada no Brasil
Aversão a perdas, desinformação, falta de disciplina? É difícil saber o motivo exato pelo qual muitas pessoas ainda investem pouco e desconhecem as modalidades mais rentáveis. O Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) buscou conhecer os hábitos e as preferências do brasileiro no momento de poupar. A pesquisa mostra que 58% dos poupadores não sabem quais são os investimentos com as melhores taxas de retorno - percentual que aumenta para 66% entre as mulheres e 63% entre os pertencentes às classes C, D e E. Em contrapartida, 42% garantem saber.

De acordo com o levantamento, a poupança ainda é o investimento mais recorrente entre os entrevistados, citada por 61%, a média de tempo que possuem é mais de três anos, o valor médio acumulado é de R$ 2,152,00, e o principal motivo para escolher é liquidez, ou seja, a flexibilidade de uso quando necessário (38%). 

As demais modalidades apresentam participação significativamente menor: os imóveis (18%, com queda de 10,60 pontos percentuais em relação a 2015, chegando a 34% entre os brasileiros das classis A e B), a Previdência Privada (13%, com aumento de 3,9 p.p. em relação a 2015) e os Fundos de Investimentos (9%, com um aumento de 3,6 p.p. em relação a 2015). Outros produtos também tiveram crescimento desde o último levantamento, mas ainda estão longe de ser populares, como é o caso do CDB (5%, com aumento de 3,4 p.p. em relação a 2015), Bolsa de Valores (3%, com aumento de 2,8 p.p. em relação a 2015) e LCI (3%, com aumento de 2,3 p.p em relação a 2015).

Segundo o educador financeiro do SPC Brasil, José Vignoli, "muitas pessoas escolhem a poupança como investimento, mas seu retorno é baixo. É válido buscar por informações para fazer aplicações com retornos mais rentáveis e que também são seguras, como o Tesouro Direto e os Fundos de Investimentos".  

Quando recebem dinheiro extra, como bonificações ou PLR (participação nos lucros e resultados), três em cada 10 pessoas ouvidas costumam economizar (30%), enquanto 26% quitam dívidas para organizar a vida financeira e 8% fazem compras. Dos entrevistados, 16% disseram nunca receber estes benefícios. 

Conta-corrente, cartão de crédito e poupança sãos os serviços mais contratados

A pesquisa procurou conhecer os produtos, investimentos e serviços financeiros mais utilizados pelos brasileiros, e a conta-corrente foi a mais popular, citada por 67% dos investigados. Em seguida aparecem o cartão de crédito (63%), a poupança (61%) e o plano de saúde (40%). De modo geral, os entrevistados mais velhos e os que pertencem às classes A e B apresentam percentuais maiores em praticamente todos os itens.

Quatro em 10 entrevistados (40%) afirmam precisar de um bom serviço financeiro, independentemente do perfil das instituições, seja tradicional ou fintechs. O levantamento mostra que 11% tem seus investimentos em startups e fintechs, aumentando para 18% entre os mais jovens.

Para a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, as fintechs ainda são novidade para a maioria dos brasileiros, o que justifica a baixa adesão. "Muitas pessoas não conhecem estes serviços, ainda que entre os mais jovens perceba-se maior aceitação", analisa. "De qualquer modo, trata-se de um segmento em expansão, com usuários atraídos pelo potencial alto rendimento, pela falta de burocracia, diminuição de juros na tomada de crédito, taxas mais competitivas em investimentos e pelo caráter de conectividade e acesso rápido por meio de aplicativos em smartphones e tablets", explica.   

Imprevistos são as principais finalidades 

Considerando os entrevistados que possuem investimentos, os dados mostram que a principal finalidade são os imprevistos como doença e morte (25%), seguido do desejo de construir reserva para o caso de ficar desempregado (23%), garantir um futuro melhor para a família (22%) e viajar (20%, com aumento de 11,4 p.p. em relação a 2015 e chegando a 33% entre os mais velhos e 31% nas classes A e B). Na hipótese de algum imprevisto, como perda de emprego ou problema de saúde, 37% se manteriam por menos de três meses. 

O estudo mostra ainda quatro em cada 10 poupadores ouvidos não possuem frequência certa para realizar novos depósitos e investimentos (42%), enquanto 30% o fazem mensalmente. Em média, os depósitos e investimento são afeitos em 5,4 meses do ano. 

Praticamente a metade dos que têm algum investimento garante não saber quanto conseguiu poupar no mês anterior à pesquisa (47%), ao passo que 26% admitem não ter poupado nada. Entre os que declararam valores, a média é de R$ 360,91. aumentando para R$ 540,42 entre as classes A e B.  

Entre os brasileiros que não possuem qualquer tipo de poupança ou investimento (35%), a justificativa mais recorrente para não poupar é a falta de dinheiro (40%), seguida pela falta de esperança de conseguir juntar um bom valor (29%) e não ter disciplina par ajuntar dinheiro (19%). 

Fonte! Chasque (reportagem) publicado na edição impressa do Jornal do Comércio de Porto Alegre (RS), na página 5, no dia 31 de janeiro de 2017.