domingo, 26 de fevereiro de 2017

Maioria dos brasileiros não tem hábito de poupar

Indicador mostra que 62% dos brasileiros não reservam dinheiro
 
 
Em dezembro, com o 13º salário,
75% não conseguiram guardar renda
 
Com a discussão sobre a reforma das regras da aposentadoria e o desemprego em alta, falar sobre reservas financeiras torna-se urgente. Mas a maioria dos brasileiros ainda não guarda dinheiro, como mostra a pesquisa divulgada ontem pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL). Ao todo, 62% dos consumidores afirmam não guardar dinheiro nem possuir reserva.

Já cerca de 29% guardam apenas o que sobra do orçamento, e somente 7% reservam um valor fixo por mês. Isso significa que 36% têm o costume de guardar alguma quantia. O estudo também mostra que há diferenças entre classes sociais: os poupadores nas classes A e B, independentemente de o valor ser fixo ou não, somaram 58% dos entrevistados; já nas classes C, D e E são 30%. 

Os entrevistados também foram questionados sobre a poupança que fizeram no mês de dezembro. A pesquisa indica que 75% não conseguiram reservar nada de sua renda, contra 23% que conseguiram. No quesito, também há diferença entre as classes sociais: nas classes A e B, o percentual de poupadores foi de 36%, enquanto nas classes C, D e E foi de 19%. Entre os poupadores, guardou-se em média, a quantia de 480,85 no mês. "É notável que a maioria dos brasileiros não reservou parte de seu dinheiro em dezembro, inclusive quem pertence a classes de alta renda. A crise econômica certamente tem seu papel no resultado da baixa poupança. Com crescimento do desemprego, o orçamento familiar tornou-se mais apertado e, em alguns casos, insuficiente até para honrar compromissos já assumidos", explica Roque Pellizaro, presidente do SPC Brasil.

De acordo com os dados, mesmo entre os poupadores habituais, 46% precisaram dispor de sua reserva financeira em dezembro. Os principais motivos foram: pagamento de dívidas (13%), despesas extras (11%), contas da casa (12%), imprevistos (4%) e também consumo (8%).

O levantamento ainda mostra que a maior parte dos poupadores busca proteger-se contra imprevistos como doenças e/ou morte de entes (43%) ou mesmo o desemprego (31%). Há também 27% que poupam pensando na realização de um sonho de consumo, 23% citam os planos de viajar e 18% mencionam a compra ou quitação da casa.

A reserva financeira com foco na aposentadoria foi citada apenas por 17% dos entrevistados. "A longo prazo, a falta de preparo cobra o seu preço. Sem constituir uma reserva ao longo da vida, muitos idosos são obrigados a rever seu padrão de consumo ou acabam na dependência de terceiros. Em tempos de discussão sobre a reforma das regras de aposentadoria, o tema torna-se ainda mais urgente", indica a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

A pesquisa ainda revela que o principal destino do dinheiro reservado ainda é a caderneta de poupança, citada por 62% dos entrevistados. E 20% dos poupadores ainda guardam dinheiro em casa. Os fundos de investimento foram mencionados por 10%, e a previdência privada por 6%. A lista segue com outras opções de investimentos como renda fixa e bolsa de valores, mas todos citados por menos de 5%.

"Se o investidor opta por uma aplicação de menor rendimento quando há outras que oferecem retornos maiores, é como se ele estivesse perdendo dinheiro. Nos últimos anos, quem optou pela poupança, teve parte de seu dinheiro corroído pela inflação ou, no máximo, alcançou um rendimento real muito baixo", argumentou Kawauti. 

"No caso de quem manteve o dinheiro em casa, as perdas foram ainda maiores", conclui a economista. 

Por que poupar?

- Imprevistos com doença, mortes, problemas diversos - 43%
- Reserva para o caso de ficar desempregado - 31%
- Garantir um futuro melhor para a família - 27%
- Realizar algum sonho de consumo - 24%
- Viagens - 23%
- Compras/quitar casa - 18%
- Reformas da casa - 18%
- Aposentadoria - 17%
- Compra de automóvel/moto - 13%
- Estudos - 13%
- Garantir uma reservas para arcar com a educação dos filhos - 11%
- Compra de móveis/eletrodomésticos - 10%
- Pagamento de impostos - 7%
- Abrir um negócio - 7%
- Outros motivos - 7% 

Fonte! Chasque (matéria) veiculado na edição impressa do Jornal do Comércio, de Porto Alegre / RS, do dia 22 de fevereiro de 2016.
Com a discussão sobre a reforma das regras da aposentadoria e o desemprego em alta, falar sobre reservas financeiras torna-se urgente. Mas a maioria dos brasileiros ainda não guarda dinheiro, como mostra a pesquisa divulgada ontem pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL). Ao todo, 62% dos consumidores afirmam não guardar dinheiro nem possuir reserva. Já cerca de 29% guardam apenas o que sobra do orçamento, e somente 7% reservam um valor fixo por mês. Isso significa que 36% têm o costume de guardar alguma quantia. O estudo também mostra que há diferenças entre classes sociais: os poupadores nas classes A e B, independentemente de o valor ser fixo ou não, somaram 58% dos entrevistados; já nas classes C, D e E são 30%. - Jornal do Comércio (http://jcrs.uol.com.br/_conteudo/2017/02/economia/548210-maioria-dos-brasileiros-nao-tem-habito-de-poupar.html)