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domingo, 14 de dezembro de 2025

LCAs e LCIs pagarão quanto em 2026? Renda fixa isenta toma lugar de dividendos

Investidor10 apurou a rentabilidade de LCAs e LCIs que oferecem taxa de 92% do CDI.

Quem recebe mais de R$ 50 mil em dividendos por mês será taxado pelo governo brasileiro como compensação pela isenção dos brasileiros que ganham até R$ 5 mil por mês. Até que era o plano do governo Lula em taxar as LCAs e LCIs, mas acabou que esses títulos da renda fixa bancária seguirão incentivados.
 
Na visão de Marcelo Freller, especialista do C6 Bank, ainda que a taxa Selic caia dos atuais 15% ao ano para o patamar de 12,50% ao ano nos próximos 18 meses, os investimentos indexados ao CDI permanecem mais atrativos que as atuais remunerações encontradas em prefixados e indexados à inflação (IPCA+).
 
Caso você aplique R$ 25 mil em uma LCA ou LCI pagando 92% do CDI, terá o retorno líquido de R$ 28.169,08 nos próximos 12 meses. Em comparação, a caderneta de poupança entregará R$ 27.070,00, sendo que ambos os títulos bancários têm a proteção do FGC (Fundo Garantidor de Crédito).
 
Para quem não sabe ainda, as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) permitem que bancos emprestem dinheiro para atividades ligadas ao agronegócio, ao passo que as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) financiam operações para o mercado imobiliário.
 

Quanto rendem R$ 1 mil em LCA ou LCI?

Conforme o especialista Marcelo Freller, do C6 Bank, a aplicação de R$ 1 mil em LCA ou LCI a 92% do CDI deve render:

  • R$ 1.126,76 após um ano (contra o retorno de R$ 1.082,80 na poupança);
  • R$ 1.257,38 após dois anos (contra o retorno de R$ 1.172,46 na poupança);
  • R$ 1.834,91 após cinco anos (contra o retorno de R$ 1.488,47 na poupança).

Quanto rendem R$ 5 mil em LCA ou LCI?

🌱 Já a aplicação de R$ 5 mil em renda fixa isenta que financia o agronegócio e o mercado imobiliário pode retornar:

  • R$ 5.633,82 após um ano (contra o retorno de R$ 5.414,00 na poupança);
  • R$ 6.286,89 após dois anos (contra o retorno de R$ 5.862,28 na poupança);
  • R$ 9.174,57 após cinco anos (contra o retorno de R$ 7.442,37 na poupança).

Quanto rendem R$ 10 mil em LCA ou LCI?

Emprestar R$ 10 mil para bancos custearem suas operações de créditos em setores incentivados dever gerar:

  • R$ 11.267,63 após um ano (contra o retorno de R$ 10.828,00 na poupança);
  • R$ 12.573,79 após dois anos (contra o retorno de R$ 11.724,56 na poupança);
  • R$ 18.349,15 após cinco anos (contra o retorno de R$ 14.884,74 na poupança).

Quanto rendem R$ 25 mil em LCA ou LCI?

🏘️ Investir R$ 25 mil em LCA ou LCI com taxa equivalente a CDB pagando 109% do CDI a pode retribuir:

  • R$ 28.169,08 após um ano (contra o retorno de R$ 27.070,00 na poupança);
  • R$ 31.434,47 após dois anos (contra o retorno de R$ 29.311,40 na poupança);
  • R$ 45.872,87 após cinco anos (contra o retorno de R$ 37.211,85 na poupança).

Quanto rendem R$ 50 mil em LCA ou LCI?

Um colchão financeiro de R$ 50 mil em LCA ou LCI a 92% do CDI deve render em juros compostos:

  • R$ 56.338,15 após um ano (contra o retorno de R$ 54.140,00 na poupança);
  • R$ 62.868,94 após dois anos (contra o retorno de R$ 58.622,79 na poupança);
  • R$ 91.745,74 após cinco anos (contra o retorno de R$ 74.423,70 na poupança).

Rentabilidade

💰 Para o C6 Bank, a rentabilidade líquida estimada em LCAs e LCIs com taxas próximas de 92% do CDI deve ficar em:

  • Remuneração de +12,68% (após um ano);
  • Remuneração de +25,74% (após dois anos);
  • Remuneração de +83,49% (após cinco anos).

Como foram feitos os cálculos?

Os cálculos do estrategista de investimentos do C6 Bank levaram em conta algumas premissas, estimativas para os principais indicadores da renda fixa e projeções sobre a inflação.

Ele explica a importância de acompanhar os contratos de juros negociados em bolsa (DI futuro), e não apenas ficar ancorado na mudança a cada 45 dias da taxa Selic, que é praticamente o mesmo valor do CDI.

🗣️ "O DI futuro é um contrato de juros negociado em bolsa de valores, como uma ação, em que seu preço reflete o DI médio entre o dia da negociação e o vencimento do contrato. Ou seja, cada contrato tem um preço que corresponde à expectativa do mercado sobre a taxa de juros no período", salienta Marcelo Freller, do C6 Bank.

Portanto, quando o investidor deseja ter ideia de quanto será a sua rentabilidade em título de renda fixa semelhante a uma LCA ou LCI pós-fixada, é ideal considerar qual será a taxa média do CDI no período e não apenas a taxa básica juros atual.

Logo, veja a seguir as premissas utilizadas pelo estrategista de investimentos para calcular a possível remuneração dos títulos bancários:

  • Selic: 14,71% a.a. (em seis meses); 14,03% a.a. (em um ano); 13,36% a.a. (em dois anos); 14,13% a.a. (em cinco anos);
  • CDI: 14,61% a.a. (em seis meses); 13,93% a.a. (em um ano); 13,26% a.a. (em dois anos); 14,03% a.a. (em cinco anos);
  • Poupança: 8,28% a.a. (em seis meses); 8,28% a.a. (em um ano); 8,28% a.a. (em dois anos); 8,28% a.a. (em cinco anos);
  • Inflação: 4,05% a.a. (em seis meses); 3,90% a.a. (em um ano); 3,80% a.a. (em dois anos); 3,50% a.a. (em cinco anos).

Fonte! Chasque (post), publicado no dia 09 de dezembro de 2025 no sítio Investidor10, por Lucas Simõeshttps://investidor10.com.br/noticias/lcas-e-lcis-pagarao-quanto-em-2026-renda-fixa-isenta-toma-lugar-de-dividendos-117273/   

domingo, 19 de dezembro de 2021

Poupança volta a pagar 0,5% ao mês

Selic acima de 8,5% acionou o gatilho que muda a remuneração da poupança 
 

Créditos!  https://forbes.com.br

O Copom determinou um novo aumento de 1,5 ponto percentual e a Selic subiu para 9,25% ao ano. Assim, o gatilho da rentabilidade da poupança foi acionado e o investidor voltará a ser remunerado por uma taxa prefixada de 0,5% ao mês, mais a variação da TR que está zerada desde 2018.
 
Recordando a regra: o gatilho é Selic de 8,5%; se igual ou superior a 8,5%, a rentabilidade será de 0,5% ao mês mais TR; se inferior a 8,5%, será de 70% da Selic. 
 
Este é um cenário ruim para os investidores da poupança, já que a rentabilidade prefixada equivalente a 6,17% ao ano é pouco competitiva perante a taxa básica de juros que se encontra em trajetória ascendente em razão da inflação, também crescente.
 
O que complica ainda mais a competitividade da poupança é que a Selic deve se manter em patamar de dois dígitos, acima de 10% ao ano, por um bom tempo. Quanto mais tempo perdurar esse cenário, menos competitiva será a rentabilidade da poupança em relação a outros produtos de renda fixa, tão conservadores quanto a poupança.
 
Um CDB-DI (Certificado de Depósito Bancário), por exemplo, pode remunerar 100% (ou mais) do CDI, com liquidez diária e garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), mecanismo que também garante os depósitos em poupança. Mesmo depois do imposto de renda, os rendimentos líquidos do CDB serão superiores aos da poupança.
 
Um exemplo numérico para conferir, supondo o CDI igual à Selic e estável em 9,25% ao ano. Em 12 meses, após IR de 17,5%, o CDB pagará rentabilidade líquida de 7,63% contra 6,17% da poupança.
Se o provável cenário de novo aumento na Selic ocorrer na próxima reunião, a Selic (e o CDI) subiria para 10,75% ao ano, aumentando significativamente a diferença em relação à poupança que permanecerá prefixada em 6,17% ao ano.
 
Além das aplicações em depósitos bancários os investidores podem avaliar investir em títulos públicos federais que, apesar de não serem protegidos pelo FGC, são considerados livres do risco de crédito. 
 
No portal do Tesouro Direto o investidor encontra algumas alternativas. O Tesouro Selic remunera 100% da taxa Selic, sendo a opção mais adequada para os investidores conservadores com baixa tolerância ao risco de oscilação de preços. 
 
Quem gosta de saber exatamente quanto vai ganhar, disposto a esperar o vencimento do título para garantir a remuneração contratada, pode se interessar pelo Tesouro Prefixado 2024, por exemplo, que oferecia rentabilidade ao redor de 11% ao ano na semana passada. 
 
Quem tem horizonte mais longo e tem o objetivo de proteger o capital contra a inflação, talvez se interesse pelo Tesouro IPCA+ 2026, um título que corrige o valor aplicado pela variação do IPCA e acrescenta uma taxa real de juros, na faixa de 4,90% ao ano aos investidores que podem esperar a data do vencimento do título.
 
E não se trata apenas de ganhar mais do que a poupança, mas de defender o capital contra a inflação que continua muito alta. Quem permanece na poupança deixa de ganhar mais, e perde poder de compra para a inflação de 10,74% acumulada em 12 meses (até novembro).
 
As expectativas registradas no relatório Focus do Banco Central sugerem que a Selic permanecerá elevada, com dois dígitos, durante todo o ano de 2022. Significa que a perda dos investidores que permanecerem na poupança não será passageira. 
 
Esse contexto merece a reflexão e, quiçá a decisão, de investir ao menos parte do capital em ativos mais rentáveis e não especulativos, respeitando o perfil conservador dos investidores que buscam na poupança um lugar percebido como seguro. Não contra a inflação...
 
Fonte! Chasque (coluna Opinião) de Marcia Dessen, publicado no Jornal do Comércio de Porto Alegre (RS), edição impressa do dia 13 de dezembro de 2021.

terça-feira, 27 de outubro de 2020

O que era simples ficou complicado

Ficou mais difícil investir a reserva financeira sem exposição ao risco de mercado

Créditos! https://portalcorreio.com.br/

A Letra Financeira do Tesouro, ou Tesouro Selic no Tesouro Direto, deixou de ser um porto seguro para investir a sagrada reserva financeira que não aceita a menor possibilidade de perda. 
 
Quem investe nesse título, diretamente ou via fundos de investimento, observou uma rentabilidade menor do que a esperada nas últimas semanas, ou pior, um inesperado desempenho negativo. 
 
Em 20/10, a rentabilidade dos últimos 30 dias da Selic 2021 foi 0,16%; a 2023 com rendimento quase nulo de 0,02%; a 2025 registrou desvalorização de 0,38%.
 
O que aconteceu? Para financiar o déficit público o Tesouro Nacional foi com muita sede ao pote, fez leilões agressivos, oferecendo uma quantidade surpreendente de títulos. 
 
O mercado reagiu como era de se esperar, pediu prêmio para aceitar o grande volume de dívida que o governo precisa financiar, sinalizando que 100% da diminuta taxa Selic (2% ao ano) deixou de ser suficiente. O mercado pediu mais e o governo pagou. 
 
Ao aceitar vender as letras com desconto para ampliar sua rentabilidade, provocou uma desvalorização no estoque de títulos que estava em poder do mercado. 
 
E acabou criando uma distorção na característica do título, até então de taxa exclusivamente pós-fixada, imune à oscilação negativa de preços. O mais correto seria elevar a Selic que parece estar em nível insuficiente para o tamanho da demanda e percepção de risco dos investidores.
 
Já falei algumas vezes da marcação a mercado, procedimento obrigatório que atribui aos títulos da carteira o valor atual de mercado. Assim, o Tesouro Direto, e os administradores de investimentos coletivos (fundos e planos de previdência), atribuíram aos títulos o novo valor de mercado, menor do que o anteriormente contabilizado. 
 
Por que alguns fundos perderam e outros não? Diversos fatores explicam a diferença. Os Fundos DI, que investem em títulos públicos e privados de taxa pós-fixada foram os mais atingidos. Quanto maior a posição de títulos públicos do fundo, maior o impacto. 
 
Os fundos DI Crédito Privado sofreram menos porque a parcela de títulos privados da carteira não foi atingida, não desta vez, e ajudou a amortecer a queda no valor dos títulos públicos.
 
Outro fator que explica a diferença é o prazo médio dos ativos da carteira do fundo. Quanto maior o prazo (necessário para pagar menos imposto de renda), maior o impacto.
 
Outras classes de fundos de renda fixa que investem em taxa prefixada ou índices de inflação, absorveram bem a estranha novidade.
 
Como evitar? Infelizmente a vida do investidor ficou mais complicada. A melhor forma de reduzir o risco de oscilação de preços sobre os recursos da reserva financeira é investir em títulos de menor prazo. Infelizmente, o letra mais curta que o Tesouro Direto oferece vence em 2025.
 
Depósitos bancários, como o CDB, LCI e LCA, não foram impactados. Como pertencem a um único investidor, não são marcados a mercado, como como os produtos oferecidos mediante oferta pública (fundos de investimento e planos previdenciários), são contabilizados nas condições de compra.
Entretanto, expõem o investidor ao risco de liquidez (quando exige carência) e risco de crédito (com garantia do FGC). Sujeitos ao imposto de renda (no caso do CDB) e ao spread dos bancos, que definem o percentual do CDI conforme o montante de recursos do cliente.
 
Os investidores mais conservadores dirão, com alguma razão, que preferem deixar o dinheiro na poupança apesar da menor rentabilidade.
 
Fonte! Chasque (post) da planejadora financeira Márcia Dessen, publicada no Jornal do Comércio de Porto Alegre (RS), na coluna "Opinião Econômica", na edição do dia 26 de outubro de 2020