domingo, 20 de setembro de 2026

Tradição gaúcha aquece comércio não só em setembro, mas no ano todo

 

Raynieri destaca que setembro representa o 'período de colheita' / TÂNIA MEINERZ / JC

O que faria uma empresa atacadista mudar de perfil e vender no varejo, durante um único mês no ano? A resposta é simples: aumento no faturamento, incremento no número de clientes e a possibilidade de fechar novas parcerias e negócios. É o que acontece todo o mês de setembro com a Confraria Crioula, empresa do município de Cotiporã, que se remodela para aproveitar o aquecimento nas vendas de produtos tradicionalistas durante as festividades Farroupilha.

Raynieri Confraria Crioula - Acampamento Farroupilha 2026 TÂNIA MEINERZ/JC 
 
“Nosso período de safra vai de fevereiro a agosto, seis meses antes de colhermos os frutos extraordinários do mês de setembro, afirma o gerente comercial da empresa, Raynieri Piber Cezar.
 
O mesmo acontece com outros tantos lojistas que focam seus negócios em elementos do tradicionalismo gaúcho, da pilcha ao chimarrão, e que registram incremento nas vendas antes mesmo do início oficial da Semana Farroupilha, de 13 a 20 de setembro.
 
Uma pesquisa do Sindicato dos Lojistas do Comércio de Porto Alegre (Sindilojas) mostra que 89% dos lojistas que comercializam artigos ligados à cultura gaúcha já registram procura pelos produtos, índice 5,6 pontos percentuais superior ao observado no período em 2025.
 
Além de antecipar as compras, o consumidor também deve desembolsar mais: a expectativa dos lojistas ouvidos na pesquisa do Sindilojas é de um tíquete médio de R$ 362,50 neste ano, alta nominal de 11,5% em relação a 2025, apesar de o cenário econômico estar desfavorável para grandes volumes de compras.
 
Para 44,4% dos entrevistados, o movimento já é maior do que no ano passado. “Por mais que nós tenhamos essa dicotomia na questão da economia, temos uma cultura gaúcha forte. É pela nossa roupa que demonstramos essa cultura: um lenço, uma boina, uma pilcha, uma faca, o churrasco ou o mate. Quando a paixão entra em cena, às vezes ela não tem muito nexo. Isso mexe com o comércio e faz as pessoas quererem algo diferente”, afirma o vice-presidente do Sindilojas, Tarcísio Pires.
 
O levantamento da entidade mostra ainda que a procura concentra-se principalmente em itens que compõem a indumentária tradicional. A bombacha aparece como o produto mais citado pelos lojistas, mencionada por 66,7% dos entrevistados. Na sequência, estão as alpargatas, com 44,4%, e camisa ou polo, lenço e chapéu ou boina, todos apontados por 33,3%. Um dado que chama atenção é a presença da pilcha infantil, citada por 33,3% dos comerciantes. É a primeira vez que o item aparece na pesquisa, sinalizando uma ampliação da demanda para o público infantil.
 
A cadeia ligada ao chimarrão também participa desse movimento. Erva-mate, chás, cuia e bomba foram citados por 22,2% dos lojistas, mesmo percentual registrado para vestidos de prenda.
 
Na avaliação do presidente do Sindilojas Porto Alegre, Arcione Piva, o comportamento do consumidor evidencia que a tradição permanece sendo transmitida entre gerações e produz efeitos também sobre a atividade econômica.
 
“Quando a tradição ganha as ruas, o comércio também sente esse movimento. É uma combinação que valoriza a nossa cultura e movimenta a economia local”, afirma.
 
A pesquisa revela ainda que o aquecimento nas vendas acompanha os locais onde são realizados os acampamentos farroupilhas, mas também pontos fora deles, com uma característica de demanda bem pulverizada.
 
“Eu acredito que isso acontece pela cidade, não é só no Parque da Harmonia. Temos acampamentos em outras regiões, como a Restinga e a Região Metropolitana, além das escolas, que também criam seus ambientes durante essa semana. O Parque é um polo, mas esse fomento da cultura e o movimento do comércio se espalham pela cidade”, avalia Pires.
 

Atacado altera perfil de comercialização para aproveitar Acampamento Farroupilha

Durante o mês de setembro, impulsionada pelas comemorações da Semana Farroupilha, a Confraria Crioula, uma confecção de roupas gauchescas do município de Cotiporã, prioriza as vendas no varejo para aproveitar o movimento do Acampamento Farroupilha.
 
“É um momento de grande rentabilidade e de contato direto com o público final, em busca de negócios dentro do acampamento e fora dele também, no decorrer do ano”, afirma o diretor comercial da empresa, Raynieri Piber Cezar. Essa relação ajuda a explicar como o impacto econômico de setembro ultrapassa os limites físicos dos eventos tradicionalistas.
 
O consumidor que compra uma peça no Acampamento pode voltar a procurar o mesmo produto meses depois em uma loja de sua cidade, mantendo a demanda na cadeia mesmo após o encerramento da Semana Farroupilha. Entre os produtos mais vendidos, estão as bombachas e as alpargatas que viraram moda, especialmente entre as novas gerações.
 
A loja no acampamento é usada também como uma espécie de laboratório para observar diretamente o consumidor final e identificar preferências, mudanças de modelagem e tendências que podem orientar a produção do ano seguinte.
 
“Fidelizamos clientes que, posteriormente, buscam os produtos da marca em centenas de lojas parceiras espalhadas pelo Estado durante o restante do ano”, revela Cezar.
 
A preparação das peças para o boom de setembro começa meses antes. A empresa trabalha com uma espécie de “safra” de seis meses que antecede o período de maior movimento. A operação envolve cinco fábricas, além de fornecedores terceirizados, e mobiliza profissionais de diferentes etapas da cadeia produtiva, da costura à fabricação de calçados. Segundo o gerente, a empresa precisa ampliar a contratação de trabalhadores temporários e acionar parceiros para conseguir atender à demanda concentrada.
 
Como a procura não mantém a mesma intensidade durante todo o ano, a empresa estabelece acordos de compra com parceiros para garantir uma produção mínima
mesmo nos períodos de menor movimento.
 
“Atendemos mais de 300 lojas em todo o Estado, além de termos clientes em Santa Catarina e no Paraná”.

O proprietário da loja Etilo & Tradição, Vilson Tadeu Ferreira, localizada permanentemente no Parque da Harmonia, conta que o faturamento é cerca de 70% superior em setembro, em comparação com os demais meses do ano.
 
“Mas procuramos estabelecer um calendário comercial bem diversificado, com diferentes ciclos de consumo ao longo do ano, para reduzir a dependência exclusiva da Semana Farroupilha”, explica.
 
A empresa possui quatro pontos de operação: além da loja no parque, a matriz em Boqueirão do Leão, e duas lojas itinerantes que acompanham eventos, festas, rodeios e acampamentos. “Paralelo a isso, o público jovem nos procura muito via WhatsApp e Instagram, em busca de indumentária gaúcha, kits para churrasco e mate, além das lembrancinhas do Rio Grande do Sul”, conta o comerciante.

 

Comércio próximo ao Harmonia também aproveita alta das vendas em setembro

O movimento gerado pelo Acampamento Farroupilha não fica restrito aos estabelecimentos instalados dentro do Parque da Harmonia. Lojas localizadas nas proximidades também aproveitam o aumento da circulação de consumidores em setembro. É o caso da Pithan Pilchas, confecção especializada em indumentária gaúcha que mantém uma loja próxima ao Gasômetro.

Simone Pithan, da Pithan Pilchas. Arquivo Pessoal/JC/Divulgação 
 
Para a proprietária da empresa, Simone Pithan, setembro é um dos períodos mais importantes do ano para o negócio, que se prepara ao longo dos meses para atender ao aumento da procura.
 
“O Natal nosso é agora”, afirma, destacando que parte significativa do que foi produzido e estocado durante o ano encontra mercado justamente neste período.
 
Embora não tenha uma estimativa percentual para o aumento das vendas, ela relata que a demanda cresce de forma expressiva nas semanas que antecedem a Semana Farroupilha, quando consumidores deixam para a última hora a escolha de cor, modelo e tamanho das peças.
 
A localização próxima ao Parque Harmonia contribui para captar esse fluxo, mas a estratégia da empresa é diferente da adotada pelos pontos comerciais dentro do Acampamento. A loja aposta em atendimento personalizado, com espaço para que clientes possam experimentar peças com mais conforto e receber orientação sobre a indumentária. A proposta ganha importância porque a empresa trabalha com diferentes modelos de bombacha e precisa explicar as características e usos de cada peça.
 
O principal produto comercializado é a bombacha, procurada tanto por homens quanto por mulheres. A empresa também trabalha com vestidos de prenda, peças sob medida, lenços, cintos e outros acessórios da indumentária. Há ainda uma aposta em modelos mais modernos, que aproximam a roupa tradicional do uso cotidiano. "Consumidores que não têm ligação direta com o tradicionalismo também passaram a incorporar a bombacha ao guarda-roupa pela combinação de conforto e estilo”, diz Simone.

Além do consumidor local, a loja também recebe compradores de fora do Estado interessados na cultura gaúcha. A empresária relata casos de turistas que procuram peças por curiosidade ou depois de experimentar a indumentária e incorporá-la ao dia a dia. Dessa forma, setembro amplia não apenas o volume de vendas, mas também o alcance de um mercado que combina tradição, turismo e consumo de moda.

Concorrência com Acampamento Farroupilha faz movimento cair em loja do Mercado Público


No Mercado Público de Porto Alegre, o comerciante Lair Groff Júnior, gerente do Rancho Gaúcho, com a irmã Graziela Groff e a sobrinha Mariana Groff. Arquivo Pessoal/Divulgação/JC 
 
Se para parte do comércio gaúcho setembro representa o auge das vendas associadas à tradição, para alguns estabelecimentos especializados em produtos típicos o cenário é diferente. No Mercado Público de Porto Alegre, o comerciante Lair Groff Júnior, gerente do Rancho Gaúcho, que trabalha com erva-mate, cuias, bombas e outros artigos ligados ao chimarrão, percebe uma redução do movimento no período em que a programação Farroupilha ganha força.
 
Na avaliação dele, o Acampamento Farroupilha, no Parque Harmonia, acaba atraindo parte dos consumidores que tradicionalmente circulariam pelo Centro.
 
“Eu acho que o Harmonia nos puxa muito a clientela para lá. As pessoas já vão direto para lá”, afirma. 
 
Apesar de manter uma clientela constante e de contar com as vendas pelas redes sociais e pelo comércio eletrônico, o comerciante diz que setembro não está entre os períodos de maior movimento para seu negócio. A principal temporada de vendas ocorre entre abril e agosto, justamente durante os meses mais frios, quando aumenta o consumo de chimarrão e também cresce o fluxo de turistas em Porto Alegre.
 
“Eu trabalho bem de abril a agosto. Essa é a minha temporada. É o frio, é o chimarrão que aumenta”, explica.
 
Setembro, outubro e novembro são apontados como meses de queda mais acentuada. O movimento volta a ganhar força em dezembro e janeiro, impulsionado pelas férias e pela presença de turistas na Capital. A lógica mostra que a relação entre tradição gaúcha e consumo não é uniforme entre os diferentes segmentos. Embora o chimarrão esteja entre os produtos associados à identidade cultural do Estado e apareça entre os itens movimentados pelo Mês Farroupilha, o comportamento do consumidor pode variar de acordo com o canal de venda e a localização do estabelecimento.
 
A concorrência, porém, não significa ausência de vendas. A loja mantém uma clientela regular durante todo o ano e encontrou nas redes sociais uma forma de ampliar o alcance dos produtos. O comerciante também mantém um e-commerce e passou a utilizar o TikTok como ferramenta de divulgação, em uma estratégia que aproximou a empresa de consumidores mais jovens. A presença digital ganhou força especialmente após a enchente de 2024, quando a estrutura anterior do negócio foi destruída.
 
Segundo o comerciante, a empresa teve perdas expressivas e precisou se reconstruir. A partir daquele momento, sua irmã Graziela Groff e a sobrinha Mariana Groff passaram a atuar de forma mais intensa na produção de imagens e conteúdos para as redes sociais, criando uma nova frente comercial para a empresa. O resultado foi a formação de uma relação mais direta com consumidores que, muitas vezes, chegam ao estabelecimento procurando produtos que conheceram nas redes.
 
“Virei influencer. As pessoas me param na rua para pedir uma foto”, diz, Groff Júnior.
 
Do lado de dentro dos portões do Harmonia, a Top Cuias marca presença há quatro anos com um estande focado no consumo do chimarrão.
 
“Com certeza setembro é mês com maior venda pelas festas e também pelo foco da mídia no acampamento”, afirma o proprietário da empresa Adriano Gregory.

Adriano Top Cuias - Acampamento Farroupilha 2026 TÂNIA MEINERZ/JC 
 
Segundo o comerciante, durante o período, ocorre um incremento de 50% nas vendas de acessórios para chimarrão, como cuias, bombas, mateiras, térmicas, enfeites de chimarrão, bombas de aço inox e uma variedade de erva-mate gaúcha, uruguaia e argentina.

“Estamos com dois lançamentos na feira: o Lumi Chima, uma luzinha de led que encaixa na bomba e ilumina o mate à noite, e a bomba de aço inox com 2 mil furos”, conta Gregory.


Adriano Top Cuias - Acampamento Farroupilha 2026 TÂNIA MEINERZ/JC

CONSUMO FARROUPILHA

  • 89% dos lojistas já registram procura por artigos gauchescos, antes do início da Semana Farroupilha.
  • +5,6 pontos percentuais é o avanço em relação ao ano passado.
  • R$ 362,50 é o tíquete médio esperado para este ano.
  • +11,5% é a alta do tíquete médio em relação a 2025.
  • 44,4% dos lojistas percebem movimento maior nas vendas do que no ano passado.
  • 66,7% apontam a bombacha entre os produtos mais vendidos.
  • 33,3% citam a pilcha infantil, que aparece pela primeira vez na pesquisa.
  • 44,4% apontam alpargatas entre os itens de maior procura.
  • 33,3% citam camisas, lenços, chapéus e boinas.
  • 22,2% registram procura por erva-mate, chás, cuias e bombas.
  • 22,2% citam o vestido de prenda entre os produtos procurados.
  • 66,7% dos comerciantes esperam aumento das vendas até o fim das festividades.
Fonte: pesquisa do Sindilojas
 
Fonte! Chasque (post) de Ana Esteves, publicado no Jornal do Comércio do Rio Grande do Sul, no dia 18 de setembro de 2026: https://www.jornaldocomercio.com/especiais/semana-farroupilha/2026/09/1263239-tradicao-gaucha-aquece-comercio-nao-so-em-setembro-mas-no-ano-todo.html  

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Festejos farroupilhas movimentam mais de R$ 650 milhões na economia gaúcha em setembro

Montante inclui o consumo de itens como carne e carvão para churrasco. (Foto: Terdag Media)

Mais do que valorizar o tradicionalismo gaúcho, os festejos farroupilhas têm significativa participação no mercado interno do Rio Grande do Sul. Só em setembro, as atividades com esse perfil são responsáveis por movimentar R$ 652,8 milhões no Estado, detalha uma pesquisa realizada pelo economista José Antonio Ribeiro de Moura, professor professor da Universidade Feevale, em Novo Hamburgo (Vale do Sinos).

Trata-se de uma cadeia que envolve diferentes segmentos, e que se materializa em despesas com alimentação e manutenção de animais, indumentária, culinária, combustíveis, eventos e promoção, dentre outros itens. Tome-se como exemplo o churrasco, no qual a população investe mais de R$ 182 milhões no período, somando-se apenas a carne e o carvão consumidos durante a Semana Farroupilha e a Expointer, no Parque de Esteio (Região Metropolitana de Porto Alegre).

Outro destaque é o investimento realizado pelo público na aquisição de itens característicos da cultura gaúcha, tais como chapéus, lenços, guaiacas, bombachas, botas, vestidos, sapatilhas e alpargatas. Nesse segmento, a pesquisa estima uma movimentação de R$ 46,5 milhões no nono mês do ano.

A cadeia ligada aos animais e às atividades campeiras também apresenta participação expressiva em setembro. Os gastos com alimentação, hotelaria, transporte e encilhas representam R$ 31,2 milhões, enquanto os investimentos em indumentárias e laços dos laçadores somam R$ 5,5 milhões – R$ 2,4 milhões em indumentárias e R$ 3,1 milhões em laços.

Música e demais manifestações culturais também contribuem para esse movimento. De acordo com o levantamento, os shows e atrações de música gaúcha representam R$ 36,8 milhões, enquanto gastos com mídia de músicas gaúchas, bailes, cursos, acampamentos e produtos artesanais chegam a R$ 43,6 milhões.

Dentre os produtos diretamente associados aos hábitos e à cultura tradicionalista, a erva-mate movimenta cerca de R$ 61,5 milhões, enquanto a cutelaria representa aproximadamente R$ 16 milhões. O deslocamento das famílias para os eventos também gera impacto econômico: a estimativa de gastos com combustível passa de R$ 8,8 milhões.

A realização das festividades tradicionalistas mobiliza recursos de diferentes agentes. Os Centro de Tradições Gaúchas (CTG) respondem por R$ 44,22 milhões em investimentos na promoção dos eventos, enquanto os municípios destinam R$ 172,21 milhões para a realização das atividades. Já a condução da Chama Crioula e a promoção dos eventos das Regiões Tradicionalistas representam outros R$ 3,6 milhões.

Com a palavra…

Para o professor Moura, os dados ajudam a dimensionar uma característica que muitas vezes fica em segundo plano quando se fala sobre o tradicionalismo: sua capacidade de movimentar diferentes setores da economia.

“O tradicionalismo é frequentemente associado à cultura e à identidade, mas há também uma dimensão econômica muito significativa. Quando se observam os gastos com alimentação, vestuário, transporte, eventos, música, produtos culturais e serviços, é possível perceber uma extensa cadeia produtiva associada às manifestações tradicionalistas”.

Ele ressalta que o impacto não se concentra em um único setor. Pelo contrário, ele se distribui entre atividades comerciais, prestação de serviços, produção cultural, turismo, alimentação, transporte e investimentos públicos e privados, demonstrando a transversalidade econômica do tradicionalismo:

“O volume expressivo de recursos irriga uma cadeia produtiva vasta e descentralizada, sustentando milhares de famílias, trabalhadores autônomos e pequenos negócios em diversas regiões”, afirma Moura. Mais informações podem ser conferidas no site feevale.br.

Fonte! Chasque (post) de Marcello Campos, publicado no sítio oficial do Jornal O Sul de Porto Alegre (RS) em 02 de setembro de 2026: https://www.osul.com.br/festejos-farroupilhas-movimentam-mais-de-r-650-milhoes-na-economia-gaucha-em-setembro/

sábado, 15 de agosto de 2026

Longevidade exige nova cultura de investimentos

Especialistas apontam que começar cedo amplia as chances de manter estabilidade financeira após o fim da vida profissional / Dragos Condrea/Magnific/Divulgação/JC

A ideia de que a aposentadoria está distante pode ser confortável, mas também perigosa: para 41% dos brasileiros, o futuro financeiro ainda é tratado como um problema a ser resolvido mais adiante, quando a velhice chegar. O comportamento, no entanto, contrasta com uma transformação demográfica que já está em curso: as pessoas estão vivendo mais e precisam se preparar para financiar um período de vida mais longo.
 
Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a expectativa de vida da população brasileira chegou aos 76,6 anos em 2024, número maior para mulheres (79,9 anos), que vivem mais que os homens (73,3 anos). Com o tempo de vida aumentando gradativamente vem a necessidade de se ter, além de saúde e qualidade de vida, longevidade financeira. E essa preocupação tende a aumentar entre a população 50+, especialmente para os que chegam nessa idade sem ter planejado uma aposentadoria acompanhada de tranquilidade monetária.
 
Além dos mais de 40% de brasileiros que não se programam financeiramente, a pesquisa Planejamento financeiro do brasileiro: da consciência à prática, realizada pela Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar) em 2025 com 2 mil entrevistados de todas as regiões do País, mostra ainda que 32% se avaliam como razoavelmente organizados e apenas 27% afirmam ser muito ou extremamente planejados. Já 64% dizem planejar os gastos com frequência e 59% afirmam conhecer sua renda mensal. 
 
É o caso do administrador de empresas Paulo Schons, do município de Não-Me-Toque no Norte do Rio Grande do Sul, que, aos 40 anos, começou a se organizar para poder se aposentar sem ter que depender apenas do INSS. “Apliquei recursos em previdência privada, investi em renda fixa e imóveis para ter mais tranquilidade na hora de parar”, afirma.
 
Para o embaixador da Planejar no Rio Grande do Sul, Roberto Cazzetta, por uma série de questões históricas, sociais e culturais, o planejamento de longo prazo é um desafio no Brasil. A mentalidade de que "o governo cuida de nós", somada à dificuldade de poupar e investir, levou a geração que está aposentada atualmente a depender majoritariamente da previdência social, o que é insuficiente para fazer frente ao aumento na expectativa de sobrevida e inflação contínua.
 
Embora existam outras formas de investir para o objetivo de ter uma renda futura, o fato de apenas 15% das pessoas possuírem um plano de previdência privada comprova a dificuldade de planejar a aposentadoria. "Estimo que, a maioria desses 15%, não investe o suficiente para gerar uma renda que vai fazer frente às despesas no futuro. Daí a importância de planejar adequadamente", aponta.
 

O que diz a Pesquisa o planejamento financeiro do Brasileiro: da consciência à prática

 

Como os brasileiros planejam as finanças
  • 27% extremamente planejadas
  • 32% razoavelmente planejadas
  • 41% pouco ou nada planejadas
Frequência de planejamento de gastos dos brasileiros
  • 64% se planejam com frequência
  • 26% se planejam às vezes
  • 11% não planejam os gastos
Sabem quanto é a renda mensal
  • 59% sabem
  • 28% não têm certeza
  • 6% não sabem
Sabem quanto gastam por mês
  • 41% sabem
  • 52% não têm certeza
  • 7% não sabem
Entre as pessoas que se consideram planejadas
  • 74% sabem
  • 19% não têm certeza
  • 3% não sabem
Controle de gasto mensal
  • 41% sabem exatamente quanto gasta
  • 52% têm ideia
  • 7% não sabem quanto gasta por mês
Entre as pessoas que se consideram planejadas
  • 62% sabem exatamente quanto gasta
  • 37% sabem exatamente quanto gasta
  • 1% sabe exatamente quanto gasta
Maioria da população das classes ABC não consegue obter renda que supere suas despesas
  • 39% gastaram mais que a renda
  • 35% gastaram aproximadamente o que ganhamos
  • 23% gastaram menos do que a renda.
Entre as pessoas que se consideram planejadas
  • 22% gastaram mais que a renda
  • 34% gastaram aproximadamente o mesmo
  • 42% gastaram menos do que a renda
Se possui reserva financeira
  • 59% possuem
  • 43% não possuem
Entre as pessoas que se consideram planejadas
  • 79% possuem
  • 21% não possuem
Aposentadoria
  • 89% dos entrevistados não são aposentados
  • 11% são aposentados
Entre os não aposentados: Principais fontes de renda para o futuro
  • INSS 64%
  • Reserva própria 31%
  • Previdência privada 22%
Entre os aposentados: Principais fontes de renda
  • INSS 82%
  • Previdência privada 17%
  • Continuar trabalhando 14%
FONTE: Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar)
 

Planejamento financeiro iniciado aos 40 anos garantiu aposentadoria tranquila

 

Quando decidiu começar a guardar parte da renda para o futuro, há mais de 20 anos, o administrador de empresas, Paulo Schons, não sabia exatamente como seria sua aposentadoria, mas tinha uma certeza: não queria depender exclusivamente do INSS quando chegasse o momento de deixar o mercado de trabalho.
 
Hoje, aos 61 anos, colhe os resultados de um planejamento iniciado por volta dos 40 e que lhe permitiu encerrar a carreira com segurança e autonomia financeira. Morador de Não-Me-Toque, no Norte do Rio Grande do Sul, Schons parou de trabalhar em 2025, após atuar durante mais de três décadas no Sicredi da sua região.
Além da previdência complementar, Schons diversificou o patrimônio | Paulo Schons/Arquivo Pessoal/JC
Além da previdência complementar, Schons diversificou o patrimônio     Paulo Schons/Arquivo Pessoal/JC
Embora sua trajetória profissional fosse voltada para a área de crédito, o contato diário com o mercado financeiro despertou a preocupação em construir uma reserva para o futuro. "Quando a gente pensa em parar de trabalhar, sabe que a renda da ativa vai acabar. É preciso criar outras fontes de renda além da aposentadoria pública", afirma.
 
O planejamento começou ainda quando os filhos eram pequenos, pois a prioridade da família sempre foi garantir recursos para a educação das crianças, mas, paralelamente, o casal Schons passou a reservar mensalmente parte do orçamento para investimentos voltados à aposentadoria. Em vez de buscar aplicações de maior risco, ele optou por um perfil conservador, concentrando investimentos em renda fixa.
 
Também aderiu ao plano de previdência privada oferecido pelo empregador, no qual a empresa contribuía com um valor equivalente ao aportado pelo colaborador. Além da previdência complementar, diversificou o patrimônio, investindo em imóveis que hoje geram renda adicional complementar ao orçamento da aposentadoria. "Não fiz apenas um investimento, procurei diversificar, pois o imóvel tem pouca liquidez, mas oferece segurança e ajuda na geração de renda", explica.
 
Ao se aposentar pelo INSS, em 2019, optou por permanecer na ativa durante mais cinco anos e a combinação entre salário e benefício previdenciário permitiu aumentar os aportes financeiros e fortalecer ainda mais o patrimônio antes do desligamento definitivo. Segundo ele, permanecer trabalhando depois da concessão da aposentadoria foi uma decisão estratégica. "Esse período ajudou bastante porque foi possível investir uma parcela maior da renda e aumentar a reserva para o futuro".
 
Mesmo com formação em Administração de Empresas e MBA em Gestão Financeira, Schons afirma que a principal aprendizagem ocorreu na prática, durante a carreira no sistema financeiro. Próximo da aposentadoria, também participou de um programa interno de preparação oferecido pelo Sicredi, que incluía orientações sobre investimentos, planejamento financeiro e adaptação à nova fase da vida.
 
Fonte! Chasque (post) publicado no Sítio oficial do Jornal do Comércio do Rio Grande do Sul, por Ana Esteves, no dia 02 de agosto de 2026 no Caderno Empresas e Negócios: https://www.jornaldocomercio.com/cadernos/empresas-e-negocios/2026/08/1258239-longevidade-exige-nova-cultura-de-investimentos.html

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

RS é o quarto estado do Brasil em patrimônio investido na B3

Em julho, investidores gaúchos somavam R$ 36,74 bilhões, 5,48% dos R$ 670,39 bi registrados no País
O Rio Grande do Sul ocupa a quarta posição entre os estados brasileiros em volume de recursos de pessoas físicas mantidos em custódia na B3. Em julho, os investidores gaúchos somavam R$ 36,74 bilhões, equivalentes a 5,48% dos R$ 670,39 bilhões registrados no País. O Estado fica atrás apenas de São Paulo (R$ 316,05 bi), Rio de Janeiro (R$ 92,87 bi) e Minas Gerais (R$ 58,15 bi), e supera o Paraná (R$ 35,47 bi).

Os dados reforçam a relevância histórica do mercado gaúcho para a indústria de investimentos, avalia o diretor de Relacionamento com Clientes, Pessoa Física, Educação e Marketing da B3, Felipe Paiva. Segundo ele, a presença do Estado entre os principais mercados do País não é recente.
 
"O Rio Grande do Sul é, definitivamente, um estado investidor. Historicamente, está entre os cinco principais estados em número de investidores e, atualmente, ocupa a quarta posição em patrimônio de investimentos sob custódia no Brasil. É um estado que sempre teve protagonismo no mercado de investimentos", afirma Paiva.
 
Em número de contas, o Estado aparece na quinta posição nacional. São 350,8 mil investidores, dos quais 264 mil são homens e 86,8 mil são mulheres. No patrimônio, os homens concentram R$ 28,01 bilhões, enquanto as mulheres possuem R$ 8,73 bilhões.

TOP-5 Estados com mais patrimônio investido na B3

Estado Valor de Investimento        % s/o total invest. na B3           Nº de Investidores




SPR$ 316,05 bilhões47,14%2.320.801
RJR$ 92,87 bilhões13,85%672.863
MGR$ 58,15 bilhões8,67%663.270
RSR$ 36,74 bilhões5,48%350.792
PRR$ 35,47 bilhões5,29%413.201

A importância do mercado gaúcho também está nos planos de expansão da XP investimentos. Nascida em Porto Alegre em 2001, a companhia pretende ampliar em cerca de 30% sua força comercial no Rio Grande do Sul nos próximos dois anos, segundo o líder regional da instituição, Bruno Vargas.
 
"A gente olha muito para a nossa janela de expansão nos próximos anos. Queremos crescer a operação em praças específicas, e o Rio Grande do Sul é uma das nossas praças prioritárias. Apesar de a XP ter nascido em Porto Alegre, ainda existe muita oportunidade. O tamanho do mercado é gigante", diz Vargas.
 
A projeção para o Estado acompanha uma estratégia mais ampla para a região Sul, onde a XP abriu recentemente novas operações e mantém presença em cidades como Porto Alegre, Santa Cruz do Sul, Joinville, Curitiba e Londrina. Segundo os executivos, a instituição já possui participação relevante entre clientes de alta renda, mas identifica maior espaço para avançar nos segmentos de varejo e private.
 
Além dos investimentos, a estratégia passa por ampliar a presença em serviços bancários, como crédito, cartões e seguros. Renato Sarreta, também líder da XP no Estado, defende que "parte desses produtos ainda é pouco associada à marca pelos próprios clientes".
 

Investidor gaúcho é mais conservador, avalia XP

 

Na avaliação dos executivos, o mercado gaúcho também apresenta características próprias. Vargas considera que o investidor do Estado tende a adotar uma postura mais conservadora e a procurar instituições consolidadas para administrar e orientar a alocação do patrimônio.
 
Sarreta acrescenta que os clientes da região apresentam maior conhecimento sobre investimentos e, consequentemente, exigem profissionais mais preparados. "A gente costuma falar que o cliente do Sul é um cliente mais sofisticado. Ele demanda mais conhecimento, demanda um profissional mais qualificado, e é aí que a gente consegue entrar de forma muito competitiva", afirma.
 
Para a economia gaúcha, o principal obstáculo apontado pelos executivos vem do cenário macroeconômico nacional. Juros elevados encarecem o crédito e dificultam novos investimentos das empresas, sem que se identifiquem atualmente um problema específico do Rio Grande do Sul capaz de limitar de forma mais intensa a atividade econômica.
 
Entre os setores, eles destacam o avanço dos serviços, enquanto a agropecuária ainda convive com reflexos de eventos climáticos e a indústria apresenta maior estabilidade. A diversidade da economia estadual, na avaliação da XP, é justamente um dos fatores que sustentam a aposta da companhia na expansão da operação gaúcha.
 
A estratégia faz parte do que Sarreta classifica como a "terceira onda" da XP. Depois de uma primeira etapa baseada na ampliação da oferta de produtos e de uma segunda marcada pela expansão dos assessores de investimentos, a companhia pretende agora concentrar esforços na prestação de serviços e no planejamento financeiro mais amplo dos clientes.
 
"A gente acredita que essa conversa mais sofisticada, ligada a uma agenda de produtos mais aderente ao perfil do cliente, vai ser o que vai levar a XP para a liderança no setor de investimentos e no setor bancário como um todo", projeta Sarreta.
 
Fonte! Chasque (post) publicado no sítio oficial do Jornal do Comércio de Rio Grande do Sul, no dia 11 de agosto de 2026, por Gabriel Margonar: https://www.jornaldocomercio.com/economia/2026/08/1259257-rs-e-o-quarto-estado-do-brasil-em-patrimonio-investido-na-b3.html 

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

LCI e LCA: o que é, como investir, vantagens e mais

Letras de Crédito integram rol dos investimentos de renda fixa; veja detalhes

Imagem dividida em duas partes. À esquerda, fachada de prédio residencial com sacadas e janelas; à direita, campo verde com trator vermelho em movimento sob céu claro.
Fotos: AdobeStock

LCI e LCA são duas opções de investimento que ganharam espaço no mercado financeiro brasileiro por terem uma grande vantagem: a isenção de Imposto de Renda. Em 2025, uma Medida Provisória do governo (nº 1.303) chegou a propor o fim desse benefício a partir de 2026, mas a proposta caducou no Congresso sem ser votada. Isso significa que, atualmente, a isenção segue valendo.

Entenda como funcionam as letras de crédito, os riscos, a rentabilidade e como investir.

O que são LCI e LCA?

As Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) são títulos de renda fixa emitidos por bancos para captar recursos destinados aos setores imobiliário e do agronegócio, respectivamente. Ao investir em uma LCI, por exemplo, seu dinheiro ajuda a financiar empreendimentos imobiliários; na LCA, o destino são produtores rurais, agroindústrias e cooperativas.

A remuneração pode ser prefixada, pós-fixada (geralmente atrelada ao CDI) ou híbrida, com parte do rendimento acompanhando a inflação. Assim como o CDB, as duas letras são protegidas pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) em até R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira.

A principal diferença entre os dois títulos está no setor financiado: a LCI capta recursos para o mercado imobiliário; a LCA, para o agronegócio. Para o investidor pessoa física, a tributação e a proteção do FGC são idênticas nos dois casos.

Liquidez e prazo de carência

A liquidez das LCIs e LCAs costuma ser menor do que a de outros investimentos de renda fixa: não há resgate antes do vencimento sem recorrer ao mercado secundário, onde o preço de venda pode variar para cima ou para baixo conforme a demanda do momento.

O prazo de carência, período mínimo em que o dinheiro precisa ficar aplicado, é definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e varia conforme o indexador do título. Desde maio de 2025, o prazo mínimo das LCIs e LCAs pós-fixadas e prefixadas caiu de nove para seis meses. Já as indexadas ao IPCA seguem com prazos mais longos.

Tipo de indexaçãoPrazo mínimo
Pós-fixada ou prefixada6 meses
IPCA+ (LCI)36 meses
IPCA+ (LCA)12 meses

Tributação

Diferentemente do CDB, que segue a tabela regressiva de Imposto de Renda, os rendimentos de LCI e LCA são isentos de IR para pessoas físicas. Essa isenção esteve ameaçada em 2025: a Medida Provisória 1303/2025 propunha uma alíquota de 5% sobre novas emissões a partir de 2026, mas a MP perdeu a validade em outubro de 2025 sem ser convertida em lei pelo Congresso Nacional. Por ora, portanto, não há previsão de mudança na tributação desses títulos. Vale lembrar que, mesmo isentos, os saldos precisam ser declarados no Imposto de Renda.

Rentabilidade: como funciona cada tipo

  • Na modalidade prefixada, a taxa de juros é definida no momento da aplicação e não muda até o vencimento, mesmo que a Selic suba ou caia depois. Por exemplo: R$ 10 mil aplicados a 11% ao ano rendem R$ 1.100 no fim de um ano, independentemente do que aconteça com os juros no mercado. É uma proteção contra queda de juros, mas também significa abrir mão de uma alta posterior nas taxas.
  • Na pós-fixada, o rendimento acompanha um índice de referência, normalmente o CDI: se a taxa promete 95% do CDI e o CDI fecha o ano em 11%, o retorno é de 10,45%.
  • Já na híbrida, ou IPCA+, o investidor recebe a variação da inflação mais uma taxa fixa, o que garante ganho real acima da inflação ao longo do período.

Vantagens e riscos

A isenção de IR é a principal vantagem das LCIs e LCAs, o que costuma tornar o retorno líquido mais competitivo que o de um CDB com taxa bruta parecida. Além disso, contam com a garantia do FGC e ajudam a diversificar a carteira.

Por outro lado, a liquidez restrita é o principal ponto de atenção: resgatar antes do vencimento pode significar vender no mercado secundário com desconto. Investimentos prefixados carregam risco de perda de oportunidade caso os juros subam depois da aplicação; os híbridos e pós-fixados dependem da variação de IPCA e CDI.

Há também risco de crédito do banco emissor, o que reforça a importância de respeitar o limite de cobertura do FGC.

Como investir em LCI e LCA

  1. Escolha uma instituição financeira autorizada: o primeiro passo é escolher um banco ou uma corretora de investimentos autorizada a operar com LCIs e LCAs. Verifique no site do Banco Central as instituições regulamentadas;
  2. pesquise o tipo de título: existem diferentes tipos de letras de crédito dos setores imobiliário e agro, com prazos e rentabilidades variadas. Escolha a que melhor se adapta ao seu perfil entre as disponíveis no site ou aplicativo do banco ou corretora;
  3. avalie o valor mínimo de investimento: cada instituição financeira pode estabelecer um valor mínimo de investimento para as LCIs e LCAs. Verifique qual é o valor mínimo exigido e se ele está de acordo com o seu orçamento;
  4. considere as taxas e as condições: verifique se a instituição cobra taxa de corretagem ou custódia para investir em LCIs e LCAs. Avalie também as condições de resgate antecipado e eventuais penalidades;
  5. fique atento aos prazos: as letras de crédito têm prazos de vencimento determinados, que podem variar de acordo com o tipo de título. Certifique-se de que o prazo de vencimento está alinhado com os seus objetivos financeiros.

Outras alternativas de renda fixa

Quem busca diversificar pode considerar também o CDB, tributado pela tabela regressiva de IR; o Tesouro Direto, com títulos prefixados, pós-fixados (Tesouro Selic) e atrelados à inflação (Tesouro IPCA+); e a poupança, de rentabilidade mais baixa, mas ainda usada por quem prioriza simplicidade e baixo risco.

Fonte! Chasque (post) publicado no sítio oficial InvestNews, em 09 de junho de 2026. Atualizado em 28 de julho de 2026: https://investnews.com.br/guias/lci-e-lca/

quinta-feira, 26 de março de 2026

IR 2026: contribuintes reclamam de erros na pré-preenchida; saiba como revisar dados

Mudança em informe das fontes pagadoras explica falhas; Receita em SP reforça necessidade de checagem pelo contribuinte 

Fim da DIRF pode explicar maior volume de erros na declaração pré-preenchida. Foto: Adobe Stock 

O prazo para a entrega do Imposto de Renda 2026 começou nesta semana e a declaração pré-preenchida, que inicia com diversos campos completos, já está disponível. Nas redes sociais, no entanto, os contribuintes têm reclamado sobre erros e informações incompletas encontradas no documento.

Procurada pelo E-Investidor, a Receita Federal em São Paulo afirmou que grande parte dos dados da pré-preenchida são enviados por terceiros, como instituições financeiras, planos de saúde e empregadores. “A pré-preenchida é uma excelente ferramenta para iniciar a declaração, mas cabe ao contribuinte conferir os dados e verificar se estão de acordo com as transações efetivamente ocorridas no ano-calendário anterior”, disse em nota.

O órgão também salientou que o sistema para envio do IR passou por instabilidades pontuais na segunda-feira (23), primeiro dia de entrega do documento, mas atingiu a marca de 1,5 milhão de declarações entregues, dentro da média histórica do período.

Em coletiva de imprensa sobre as regras do IR 2026, a Receita Federal já havia alertado para o risco de maior volume de erros na pré-preenchida deste ano, após o fim da Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (DIRF).

A DIRF era um documento enviado por fontes pagadoras – empresas que efetuam pagamentos e retêm IR na fonte – à Receita. Essa forma de declaração foi extinta para fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2025 e substituída por dois novos sistemas: o eSocial e a Escrituração Fiscal Digital de Retenções e Outras Informações Fiscais (EFD-Reinf).

“É preciso ter bastante cuidado com a declaração pré-preenchida neste ano. Já tínhamos experiência com a DIRF, mas esse sistema deixou de existir. Agora, os dados vêm do eSocial e da EFD-Reinf, o que representa uma nova etapa na captação de informações das fontes pagadoras”, afirmou José Carlos da Fonseca, responsável pelo programa do Imposto de Renda 2026.

Segundo Fonseca, a Receita já havia identificado informações enviadas por empresas que não estavam totalmente corretas. “Podemos ter problemas na pré-preenchida, porque não fazemos um filtro. As informações enviadas pelas fontes pagadoras entram diretamente na pré-preenchida”, disse.

Outra mudança em 2026 é que o documento foi alimentado por dados da Receita Saúde, plataforma que reúne recibos eletrônicos de despesas médicas. Desde o ano passado, o sistema passou a ser obrigatório para dentistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, médicos, psicólogos e terapeutas ocupacionais.

Com essa novidade, a Receita espera reduzir o número de declarações na malha fina, já que os recibos médicos em papel eram uma das principais causas de problemas no IR.

Como revisar os dados da pré-preenchida?

Francisco Paludo, advogado tributarista e sócio na Tahech Advogados, recomenda que os dados da pré-preenchida sejam tratados apenas como um rascunho. “Tudo precisa ser validado e conferido nos centavos e deve estar de acordo com os documentos que o contribuinte têm. Já era assim e agora essa verificação tende a ser mais importante ainda, pelos novos dados migrados recentemente”, afirma.

O advogado destaca que a responsabilidade pelas informações enviadas é toda do contribuinte, mesmo usando a pré-preenchida. O formato do documento facilita a declaração do IR, mas não está livre de erros.

Na hora de revisar os dados, os documentos oficiais de apoio são essenciais. Fátima Macedo, vice-presidente financeira da Associação das Empresas de Serviços Contábeis do Estado de São Paulo (Aescon-SP), divide esses documentos em quatro grupos.

Primeiro, entram os informes de rendimentos das fontes pagadoras — como o empregador e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) — que servem de base para conferir os rendimentos e o imposto retido. Também devem ser considerados os informes das instituições financeiras, que reúnem os ganhos com investimentos, saldos em conta e a posição de empréstimos e financiamentos.

“Além disso, é fundamental ter em mãos os comprovantes do plano de saúde, incluindo os reembolsos recebidos, para evitar a dedução de valores superiores ao que foi efetivamente pago, bem como recibos e notas fiscais de despesas médicas particulares, como consultas, exames e procedimentos. Por fim, entram os comprovantes de outras despesas dedutíveis, como educação e previdência privada”, acrescenta.

Os principais erros que podem aparecer na pré-preenchida

Com o fim da DIRF, o principal ponto de atenção neste ano está nas informações sobre rendimentos do trabalho, como salários, aposentadorias e demais valores sujeitos à retenção na fonte, justamente por serem dados alimentados pelo eSocial e pela EFD-Reinf.

Emiliana Lucatteli, especialista em legislação da Questor, explica que as empresas que preenchem o novo sistema podem ter informado incorretamente os novos campos do eSocial, como deduções de dependentes, pensão alimentícia, previdência complementar e plano de saúde.

Como houve mudança na forma como profissionais de saúde emitem recibos, também vale ficar de olho nas informações sobre despesas com saúde. “Outras inconsistências comuns são saldos zerados de contas bancárias, ausência de dados sobre investimentos, falhas na informação de dependentes e erros em nomes de instituições financeiras”, acrescenta Lucatteli.

Os dados que vêm e os que não vêm na pré-preenchida

A declaração pré-preenchida está mais completa em 2026. O documento agora recupera automaticamente dados de pagamentos feitos por meio de Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARFs). Além disso, contribuintes que utilizam o sistema ReVar, voltado ao controle de operações em renda variável, já terão essas informações importadas para a pré-preenchida.

A Receita também passou a incorporar informações do eSocial referentes a empregados domésticos. Outra novidade é a melhoria na recuperação automática de dados de dependentes: aqueles que estiverem cadastros regularmente no CPF e já tiverem sido informados nas declarações dos últimos três anos poderão ter suas informações importadas sem a necessidade de autorização específica.

Veja outras informações que estão na pré-preenchida em 2026:

  • Informações da declaração anterior do contribuinte, como dados pessoais e endereço;
  • Rendimentos e pagamentos informados por meio de fontes pagadoras, Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB), Declaração de Serviços Médicos e de Saúde (DMED), Carnê-Leão Web, E-Financeira, Declaração sobre Operações Imobiliárias (DOI) e Declaração de Benefícios Fiscais (DBF);
  • Rendimentos isentos em função de moléstia grave e códigos de juros;
  • Rendimentos de restituição recebidas no ano-calendário;
  • Contribuições de previdência privada;
  • Atualização do saldo de conta bancária e poupança;
  • Atualização do saldo de fundos de investimento;
  • Imóveis adquiridos no ano-calendário;
  • Doações efetuadas no ano-calendário;
  • Informações de criptoativos;
  • Conta bancária e poupança ainda não declarada;
  • Fundo de investimento ainda não declarado;
  • Contas bancárias no exterior.

Apesar dos avanços, Beatriz Itikawa, advogada tributarista do SouzaOkawa, explica que a pré-preenchida ainda não contempla todos os dados do contribuinte, especialmente aqueles que dependem de apuração individual. “É o caso de ganhos de capital na venda de bens, operações mais complexas em renda variável e atualização de bens e direitos”, exemplifica.

Neste ano, há mais um ponto de atenção: a inclusão de campos específicos para declarar ganhos com bets. Essas informações não aparecem na declaração pré-preenchida e devem ser informadas pelo próprio contribuinte na ficha de rendimentos, no campo “Prêmios líquidos obtidos em loterias de apostas de quota fixa — Lei nº 14.790/2023”. Além disso, foi criado um novo código na ficha de bens e direitos – o 06.02 – destinado à declaração de saldos mantidos em contas de apostas.

Fonte! Chasque (post) de Beatriz Rocha, publicado em 25 de março de 2026 no portal E-Investidor (Estadão): https://einvestidor.estadao.com.br/educacao-financeira/ir-2026-reclamacoes-erros-pre-preenchida-como-revisar-dados/