sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Após liderança na estreia de IPO, XP amplia participação no mercado de capitais


Depois de atingir a liderança no ano passado em total de operações de abertura de capital ao lado do Itaú BBA, a XP Investimentos traçou planos agressivos para consolidar de vez seu banco de investimentos. Com um time de 80 executivos, boa parte tirada da concorrência, a corretora de Guilherme Benchimol já incomoda as principais forças desse mercado, disputando palmo a palmo as transações de mercado de capitais.

No ano passado, a XP coordenou 15 operações na bolsa, totalizando R$ 38,6 bilhões, assessorando empresas dentro e fora do Brasil. Foi líder em ofertas públicas iniciais de ações (IPO, em inglês) de estreantes no mercado, como C&A e BMG e Vivara. E também participou da abertura de capital da própria XP na bolsa americana Nasdaq, no fim do ano passado.

O braço de banco de investimento da XP foi criado com três pessoas, em 2014. Estreou como assessor de ofertas de ações em 2017 e ganhou corpo no ano passado. Aproveitando-se do recorde de operações projetado para 2020, está com apetite aberto. O setor espera um movimento de até R$ 200 bilhões em ofertas na Bolsa para o ano. A expectativa é que o mercado supere também o recorde em total de operações (74, registrados em 2007).

A força que a XP angariou na estruturação de investimentos para pessoas físicas e empresários de fora de São Paulo deverá turbinar a divisão, diz Rafael Furlanetti, diretor institucional da XP. "A gente conhece os 60% do PIB brasileiro que não estão na Bolsa. E temos uma rede de 6 mil assessores para nos ajudar a identificar oportunidades em todo o País", afirma. "Não somos banqueiros da Faria Lima."

"Temos muito relacionamento com os clientes institucionais, que são empresários e fundos locais. E a abertura de capital nos Estados Unidos foi um cartão de visita para a XP na hora de conversar com investidores de fora", diz Pedro Mesquita, responsável pelo banco de investimento do XP. "Queremos estar próximos à economia real. Quando você sai da planilha Excel e conversa com as pessoas, você aprende muito."

O avanço da corretora, de fato, já incomoda a Faria Lima. O jornal O Estado de São Paulo conversou com dois bancos de investimento, sob condição de anonimato, que atribuem esse avanço ao fato de que essa área da XP estaria mais focada na inclusão de pessoas físicas nas operações de mercado de capitais. É um diagnóstico que tanto Mesquita quanto Furlanetti dizem estar incorreto, pois o investidor pessoa física responde por uma parte pequena das ofertas, em torno de 10%.

Os executivos frisam, porém, que a perspectiva da manutenção dos juros baixos por um longo período vai mudar o jogo da economia brasileira. "O juro a 4,25% ao ano é um fator que modifica a dinâmica do mercado tanto quanto o Plano Real, em 1994, ensinou o Brasil a viver sem inflação", diz Furlanetti. Após se refugiar um bom tempo na renda fixa, o diretor institucional da XP diz que os investidores vão ser obrigados a tomar mais risco para conseguir os ganhos a que estavam acostumados. Por isso, o mercado deve ficar mais dinâmico, com maior oferta de ativos.

Esse movimento deverá ser dominado pelas médias empresas. Em 2020, três empresas com esse perfil - a Locaweb, de hospedagem de sites, e as construtoras Mitre e Moura Dubeux - já estrearam na B3. A Priner, de serviços para o setor de óleo e gás, que fatura cerca de R$ 300 milhões ao ano, deve fazer um "mini" IPO. Segundo fontes, a XP é a única coordenadora da oferta, a ser precificada nesta quinta-feira, 13.

Além de surfar a euforia do mercado de capitais, a XP prepara ofensiva em um segmento em que ainda tem presença discreta: as fusões e aquisições. Para comandar a área, o banco de investimento recrutou Gustavo Reis nas trincheiras do BTG.

Fonte! Chasque (reportagem) publicado nas páginas do Jornal do Comércio de Porto Alegre (RS), na edição do dia 14 de fevereiro de 2020.

domingo, 26 de janeiro de 2020

Portabilidade de Fundo de Pensão para PGBL


Muitos trabalhadores do setor público e privado acumulam reservas para a aposentadoria em fundos de pensão patrocinados pela empresa. A boa notícia é que a empresa contribuí junto com o funcionário aumentando o tamanho dessa valiosa reserva. A má notícia é que sérios problemas de gestão fraudulenta das aplicações desse patrimônio não apenas desviam recursos desses trabalhadores como exigem que os participantes, ativos e inativos, façam aportes adicionais para cobrir o rombo do fundo.

As fraudes ocorrem por superavaliação de ativos nos quais o fundo investe, ocultação de riscos, desrespeito aos critérios para aprovação de investimentos e desvio de dinheiro. Petros, Funcef, Previ e Postalis foram alguns dos fundos fraudados, investigados pela Operação Greenfield.

Valdemar, gaúcho de Alvorada, Rio Grande do Sul, nos escreve relatando fazer parte de um fundo de pensão há 21 anos e toda vez que pensa neste patrimônio, felizmente bem gerido e em franco crescimento, se lembra de conterrâneos, pilotos, copilotos e pessoal em terra e ar da extinta Viação Aérea Riograndense, a VARIG. 

Nesta então pujante empresa de aviação, a grande maioria dos colaboradores investiu por muitos anos no Aeros, fundo de pensão da companhia, com o objetivo de, na velhice, ter uma renda complementar. A Varig não existe mais, o fundo sofreu intervenção e os participantes deste fundo de pensão talvez estejam recebendo menos do que sonhavam receber.

Valdemar pergunta se é possível fazer a portabilidade dos recursos de um fundo de pensão para um fundo aberto do tipo PGBL, procurando uma saída. 

Sim, a portabilidade é permitida, observadas as seguintes regras:


- o valor migrado para um plano aberto (PGBL) não pode ser resgatado, será necessariamente convertido em benefício de renda que pode ser vitalícia ou temporária, ambas atuariais, ou prazo certo (financeira).


- para as rendas temporária ou prazo certo, deve ser observado o prazo mínimo de 15 anos ou o tempo de contribuição no fundo de pensão, dos dois o maior. 


Antes de fazer a portabilidade, o participante do fundo deve solicitar uma simulação do benefício de renda em ambas as seguradoras, na atual e na que está sendo cogitada. A tendência é que a renda do fundo de pensão, com tábua atuarial antiga, ofereça valor de renda superior à do PGBL aberto, com tábua atuarial recente.

Sair do fundo de pensão pode significar abrir mão de uma renda mensal maior, preço a pagar para mitigar o risco de gestão do fundo de pensão, ou seja, ser obrigado a aportar dinheiro extra ou ter a renda diminuída no caso de déficit no fundo de pensão.

O participante que não deseja converter o plano em benefício de renda pode resgatar os recursos? O resgate é permitido somente em casos excepcionais, com acesso imediato aos recursos aportados no fundo, quando (1) a empresa retira o patrocínio que concedia ou (2) a empresa transfere o plano de fundo de pensão para conta segregada em uma entidade aberta.

Aproveitar a portabilidade para mudar o regime de tributação é outra estratégia a ser avaliada. Como são planos incentivados, permitem diferir a contribuição na DIR do ano em que foi feita, observado o limite de 12% da renda tributável. No resgate ou recebimento do benefício de renda o imposto de renda incide sobre o valor total, capital mais rendimentos. Mudar para o regime de tributação que adota a tabela regressiva reduzirá significativamente a carga tributária da operação, de 27,5% (ou mais, se a alíquota aumentar) para 10% (após 10 anos).

Fonte! Chasque (post) de Márcia Dessen, publicado nas páginas do Jornal do Comércio de Porto Alegre (RS), na edição do dia 13 de janeiro de 2020.