domingo, 20 de setembro de 2026

Tradição gaúcha aquece comércio não só em setembro, mas no ano todo

 

Raynieri destaca que setembro representa o 'período de colheita' / TÂNIA MEINERZ / JC

O que faria uma empresa atacadista mudar de perfil e vender no varejo, durante um único mês no ano? A resposta é simples: aumento no faturamento, incremento no número de clientes e a possibilidade de fechar novas parcerias e negócios. É o que acontece todo o mês de setembro com a Confraria Crioula, empresa do município de Cotiporã, que se remodela para aproveitar o aquecimento nas vendas de produtos tradicionalistas durante as festividades Farroupilha.

Raynieri Confraria Crioula - Acampamento Farroupilha 2026 TÂNIA MEINERZ/JC 
 
“Nosso período de safra vai de fevereiro a agosto, seis meses antes de colhermos os frutos extraordinários do mês de setembro, afirma o gerente comercial da empresa, Raynieri Piber Cezar.
 
O mesmo acontece com outros tantos lojistas que focam seus negócios em elementos do tradicionalismo gaúcho, da pilcha ao chimarrão, e que registram incremento nas vendas antes mesmo do início oficial da Semana Farroupilha, de 13 a 20 de setembro.
 
Uma pesquisa do Sindicato dos Lojistas do Comércio de Porto Alegre (Sindilojas) mostra que 89% dos lojistas que comercializam artigos ligados à cultura gaúcha já registram procura pelos produtos, índice 5,6 pontos percentuais superior ao observado no período em 2025.
 
Além de antecipar as compras, o consumidor também deve desembolsar mais: a expectativa dos lojistas ouvidos na pesquisa do Sindilojas é de um tíquete médio de R$ 362,50 neste ano, alta nominal de 11,5% em relação a 2025, apesar de o cenário econômico estar desfavorável para grandes volumes de compras.
 
Para 44,4% dos entrevistados, o movimento já é maior do que no ano passado. “Por mais que nós tenhamos essa dicotomia na questão da economia, temos uma cultura gaúcha forte. É pela nossa roupa que demonstramos essa cultura: um lenço, uma boina, uma pilcha, uma faca, o churrasco ou o mate. Quando a paixão entra em cena, às vezes ela não tem muito nexo. Isso mexe com o comércio e faz as pessoas quererem algo diferente”, afirma o vice-presidente do Sindilojas, Tarcísio Pires.
 
O levantamento da entidade mostra ainda que a procura concentra-se principalmente em itens que compõem a indumentária tradicional. A bombacha aparece como o produto mais citado pelos lojistas, mencionada por 66,7% dos entrevistados. Na sequência, estão as alpargatas, com 44,4%, e camisa ou polo, lenço e chapéu ou boina, todos apontados por 33,3%. Um dado que chama atenção é a presença da pilcha infantil, citada por 33,3% dos comerciantes. É a primeira vez que o item aparece na pesquisa, sinalizando uma ampliação da demanda para o público infantil.
 
A cadeia ligada ao chimarrão também participa desse movimento. Erva-mate, chás, cuia e bomba foram citados por 22,2% dos lojistas, mesmo percentual registrado para vestidos de prenda.
 
Na avaliação do presidente do Sindilojas Porto Alegre, Arcione Piva, o comportamento do consumidor evidencia que a tradição permanece sendo transmitida entre gerações e produz efeitos também sobre a atividade econômica.
 
“Quando a tradição ganha as ruas, o comércio também sente esse movimento. É uma combinação que valoriza a nossa cultura e movimenta a economia local”, afirma.
 
A pesquisa revela ainda que o aquecimento nas vendas acompanha os locais onde são realizados os acampamentos farroupilhas, mas também pontos fora deles, com uma característica de demanda bem pulverizada.
 
“Eu acredito que isso acontece pela cidade, não é só no Parque da Harmonia. Temos acampamentos em outras regiões, como a Restinga e a Região Metropolitana, além das escolas, que também criam seus ambientes durante essa semana. O Parque é um polo, mas esse fomento da cultura e o movimento do comércio se espalham pela cidade”, avalia Pires.
 

Atacado altera perfil de comercialização para aproveitar Acampamento Farroupilha

Durante o mês de setembro, impulsionada pelas comemorações da Semana Farroupilha, a Confraria Crioula, uma confecção de roupas gauchescas do município de Cotiporã, prioriza as vendas no varejo para aproveitar o movimento do Acampamento Farroupilha.
 
“É um momento de grande rentabilidade e de contato direto com o público final, em busca de negócios dentro do acampamento e fora dele também, no decorrer do ano”, afirma o diretor comercial da empresa, Raynieri Piber Cezar. Essa relação ajuda a explicar como o impacto econômico de setembro ultrapassa os limites físicos dos eventos tradicionalistas.
 
O consumidor que compra uma peça no Acampamento pode voltar a procurar o mesmo produto meses depois em uma loja de sua cidade, mantendo a demanda na cadeia mesmo após o encerramento da Semana Farroupilha. Entre os produtos mais vendidos, estão as bombachas e as alpargatas que viraram moda, especialmente entre as novas gerações.
 
A loja no acampamento é usada também como uma espécie de laboratório para observar diretamente o consumidor final e identificar preferências, mudanças de modelagem e tendências que podem orientar a produção do ano seguinte.
 
“Fidelizamos clientes que, posteriormente, buscam os produtos da marca em centenas de lojas parceiras espalhadas pelo Estado durante o restante do ano”, revela Cezar.
 
A preparação das peças para o boom de setembro começa meses antes. A empresa trabalha com uma espécie de “safra” de seis meses que antecede o período de maior movimento. A operação envolve cinco fábricas, além de fornecedores terceirizados, e mobiliza profissionais de diferentes etapas da cadeia produtiva, da costura à fabricação de calçados. Segundo o gerente, a empresa precisa ampliar a contratação de trabalhadores temporários e acionar parceiros para conseguir atender à demanda concentrada.
 
Como a procura não mantém a mesma intensidade durante todo o ano, a empresa estabelece acordos de compra com parceiros para garantir uma produção mínima
mesmo nos períodos de menor movimento.
 
“Atendemos mais de 300 lojas em todo o Estado, além de termos clientes em Santa Catarina e no Paraná”.

O proprietário da loja Etilo & Tradição, Vilson Tadeu Ferreira, localizada permanentemente no Parque da Harmonia, conta que o faturamento é cerca de 70% superior em setembro, em comparação com os demais meses do ano.
 
“Mas procuramos estabelecer um calendário comercial bem diversificado, com diferentes ciclos de consumo ao longo do ano, para reduzir a dependência exclusiva da Semana Farroupilha”, explica.
 
A empresa possui quatro pontos de operação: além da loja no parque, a matriz em Boqueirão do Leão, e duas lojas itinerantes que acompanham eventos, festas, rodeios e acampamentos. “Paralelo a isso, o público jovem nos procura muito via WhatsApp e Instagram, em busca de indumentária gaúcha, kits para churrasco e mate, além das lembrancinhas do Rio Grande do Sul”, conta o comerciante.

 

Comércio próximo ao Harmonia também aproveita alta das vendas em setembro

O movimento gerado pelo Acampamento Farroupilha não fica restrito aos estabelecimentos instalados dentro do Parque da Harmonia. Lojas localizadas nas proximidades também aproveitam o aumento da circulação de consumidores em setembro. É o caso da Pithan Pilchas, confecção especializada em indumentária gaúcha que mantém uma loja próxima ao Gasômetro.

Simone Pithan, da Pithan Pilchas. Arquivo Pessoal/JC/Divulgação 
 
Para a proprietária da empresa, Simone Pithan, setembro é um dos períodos mais importantes do ano para o negócio, que se prepara ao longo dos meses para atender ao aumento da procura.
 
“O Natal nosso é agora”, afirma, destacando que parte significativa do que foi produzido e estocado durante o ano encontra mercado justamente neste período.
 
Embora não tenha uma estimativa percentual para o aumento das vendas, ela relata que a demanda cresce de forma expressiva nas semanas que antecedem a Semana Farroupilha, quando consumidores deixam para a última hora a escolha de cor, modelo e tamanho das peças.
 
A localização próxima ao Parque Harmonia contribui para captar esse fluxo, mas a estratégia da empresa é diferente da adotada pelos pontos comerciais dentro do Acampamento. A loja aposta em atendimento personalizado, com espaço para que clientes possam experimentar peças com mais conforto e receber orientação sobre a indumentária. A proposta ganha importância porque a empresa trabalha com diferentes modelos de bombacha e precisa explicar as características e usos de cada peça.
 
O principal produto comercializado é a bombacha, procurada tanto por homens quanto por mulheres. A empresa também trabalha com vestidos de prenda, peças sob medida, lenços, cintos e outros acessórios da indumentária. Há ainda uma aposta em modelos mais modernos, que aproximam a roupa tradicional do uso cotidiano. "Consumidores que não têm ligação direta com o tradicionalismo também passaram a incorporar a bombacha ao guarda-roupa pela combinação de conforto e estilo”, diz Simone.

Além do consumidor local, a loja também recebe compradores de fora do Estado interessados na cultura gaúcha. A empresária relata casos de turistas que procuram peças por curiosidade ou depois de experimentar a indumentária e incorporá-la ao dia a dia. Dessa forma, setembro amplia não apenas o volume de vendas, mas também o alcance de um mercado que combina tradição, turismo e consumo de moda.

Concorrência com Acampamento Farroupilha faz movimento cair em loja do Mercado Público


No Mercado Público de Porto Alegre, o comerciante Lair Groff Júnior, gerente do Rancho Gaúcho, com a irmã Graziela Groff e a sobrinha Mariana Groff. Arquivo Pessoal/Divulgação/JC 
 
Se para parte do comércio gaúcho setembro representa o auge das vendas associadas à tradição, para alguns estabelecimentos especializados em produtos típicos o cenário é diferente. No Mercado Público de Porto Alegre, o comerciante Lair Groff Júnior, gerente do Rancho Gaúcho, que trabalha com erva-mate, cuias, bombas e outros artigos ligados ao chimarrão, percebe uma redução do movimento no período em que a programação Farroupilha ganha força.
 
Na avaliação dele, o Acampamento Farroupilha, no Parque Harmonia, acaba atraindo parte dos consumidores que tradicionalmente circulariam pelo Centro.
 
“Eu acho que o Harmonia nos puxa muito a clientela para lá. As pessoas já vão direto para lá”, afirma. 
 
Apesar de manter uma clientela constante e de contar com as vendas pelas redes sociais e pelo comércio eletrônico, o comerciante diz que setembro não está entre os períodos de maior movimento para seu negócio. A principal temporada de vendas ocorre entre abril e agosto, justamente durante os meses mais frios, quando aumenta o consumo de chimarrão e também cresce o fluxo de turistas em Porto Alegre.
 
“Eu trabalho bem de abril a agosto. Essa é a minha temporada. É o frio, é o chimarrão que aumenta”, explica.
 
Setembro, outubro e novembro são apontados como meses de queda mais acentuada. O movimento volta a ganhar força em dezembro e janeiro, impulsionado pelas férias e pela presença de turistas na Capital. A lógica mostra que a relação entre tradição gaúcha e consumo não é uniforme entre os diferentes segmentos. Embora o chimarrão esteja entre os produtos associados à identidade cultural do Estado e apareça entre os itens movimentados pelo Mês Farroupilha, o comportamento do consumidor pode variar de acordo com o canal de venda e a localização do estabelecimento.
 
A concorrência, porém, não significa ausência de vendas. A loja mantém uma clientela regular durante todo o ano e encontrou nas redes sociais uma forma de ampliar o alcance dos produtos. O comerciante também mantém um e-commerce e passou a utilizar o TikTok como ferramenta de divulgação, em uma estratégia que aproximou a empresa de consumidores mais jovens. A presença digital ganhou força especialmente após a enchente de 2024, quando a estrutura anterior do negócio foi destruída.
 
Segundo o comerciante, a empresa teve perdas expressivas e precisou se reconstruir. A partir daquele momento, sua irmã Graziela Groff e a sobrinha Mariana Groff passaram a atuar de forma mais intensa na produção de imagens e conteúdos para as redes sociais, criando uma nova frente comercial para a empresa. O resultado foi a formação de uma relação mais direta com consumidores que, muitas vezes, chegam ao estabelecimento procurando produtos que conheceram nas redes.
 
“Virei influencer. As pessoas me param na rua para pedir uma foto”, diz, Groff Júnior.
 
Do lado de dentro dos portões do Harmonia, a Top Cuias marca presença há quatro anos com um estande focado no consumo do chimarrão.
 
“Com certeza setembro é mês com maior venda pelas festas e também pelo foco da mídia no acampamento”, afirma o proprietário da empresa Adriano Gregory.

Adriano Top Cuias - Acampamento Farroupilha 2026 TÂNIA MEINERZ/JC 
 
Segundo o comerciante, durante o período, ocorre um incremento de 50% nas vendas de acessórios para chimarrão, como cuias, bombas, mateiras, térmicas, enfeites de chimarrão, bombas de aço inox e uma variedade de erva-mate gaúcha, uruguaia e argentina.

“Estamos com dois lançamentos na feira: o Lumi Chima, uma luzinha de led que encaixa na bomba e ilumina o mate à noite, e a bomba de aço inox com 2 mil furos”, conta Gregory.


Adriano Top Cuias - Acampamento Farroupilha 2026 TÂNIA MEINERZ/JC

CONSUMO FARROUPILHA

  • 89% dos lojistas já registram procura por artigos gauchescos, antes do início da Semana Farroupilha.
  • +5,6 pontos percentuais é o avanço em relação ao ano passado.
  • R$ 362,50 é o tíquete médio esperado para este ano.
  • +11,5% é a alta do tíquete médio em relação a 2025.
  • 44,4% dos lojistas percebem movimento maior nas vendas do que no ano passado.
  • 66,7% apontam a bombacha entre os produtos mais vendidos.
  • 33,3% citam a pilcha infantil, que aparece pela primeira vez na pesquisa.
  • 44,4% apontam alpargatas entre os itens de maior procura.
  • 33,3% citam camisas, lenços, chapéus e boinas.
  • 22,2% registram procura por erva-mate, chás, cuias e bombas.
  • 22,2% citam o vestido de prenda entre os produtos procurados.
  • 66,7% dos comerciantes esperam aumento das vendas até o fim das festividades.
Fonte: pesquisa do Sindilojas
 
Fonte! Chasque (post) de Ana Esteves, publicado no Jornal do Comércio do Rio Grande do Sul, no dia 18 de setembro de 2026: https://www.jornaldocomercio.com/especiais/semana-farroupilha/2026/09/1263239-tradicao-gaucha-aquece-comercio-nao-so-em-setembro-mas-no-ano-todo.html  

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Festejos farroupilhas movimentam mais de R$ 650 milhões na economia gaúcha em setembro

Montante inclui o consumo de itens como carne e carvão para churrasco. (Foto: Terdag Media)

Mais do que valorizar o tradicionalismo gaúcho, os festejos farroupilhas têm significativa participação no mercado interno do Rio Grande do Sul. Só em setembro, as atividades com esse perfil são responsáveis por movimentar R$ 652,8 milhões no Estado, detalha uma pesquisa realizada pelo economista José Antonio Ribeiro de Moura, professor professor da Universidade Feevale, em Novo Hamburgo (Vale do Sinos).

Trata-se de uma cadeia que envolve diferentes segmentos, e que se materializa em despesas com alimentação e manutenção de animais, indumentária, culinária, combustíveis, eventos e promoção, dentre outros itens. Tome-se como exemplo o churrasco, no qual a população investe mais de R$ 182 milhões no período, somando-se apenas a carne e o carvão consumidos durante a Semana Farroupilha e a Expointer, no Parque de Esteio (Região Metropolitana de Porto Alegre).

Outro destaque é o investimento realizado pelo público na aquisição de itens característicos da cultura gaúcha, tais como chapéus, lenços, guaiacas, bombachas, botas, vestidos, sapatilhas e alpargatas. Nesse segmento, a pesquisa estima uma movimentação de R$ 46,5 milhões no nono mês do ano.

A cadeia ligada aos animais e às atividades campeiras também apresenta participação expressiva em setembro. Os gastos com alimentação, hotelaria, transporte e encilhas representam R$ 31,2 milhões, enquanto os investimentos em indumentárias e laços dos laçadores somam R$ 5,5 milhões – R$ 2,4 milhões em indumentárias e R$ 3,1 milhões em laços.

Música e demais manifestações culturais também contribuem para esse movimento. De acordo com o levantamento, os shows e atrações de música gaúcha representam R$ 36,8 milhões, enquanto gastos com mídia de músicas gaúchas, bailes, cursos, acampamentos e produtos artesanais chegam a R$ 43,6 milhões.

Dentre os produtos diretamente associados aos hábitos e à cultura tradicionalista, a erva-mate movimenta cerca de R$ 61,5 milhões, enquanto a cutelaria representa aproximadamente R$ 16 milhões. O deslocamento das famílias para os eventos também gera impacto econômico: a estimativa de gastos com combustível passa de R$ 8,8 milhões.

A realização das festividades tradicionalistas mobiliza recursos de diferentes agentes. Os Centro de Tradições Gaúchas (CTG) respondem por R$ 44,22 milhões em investimentos na promoção dos eventos, enquanto os municípios destinam R$ 172,21 milhões para a realização das atividades. Já a condução da Chama Crioula e a promoção dos eventos das Regiões Tradicionalistas representam outros R$ 3,6 milhões.

Com a palavra…

Para o professor Moura, os dados ajudam a dimensionar uma característica que muitas vezes fica em segundo plano quando se fala sobre o tradicionalismo: sua capacidade de movimentar diferentes setores da economia.

“O tradicionalismo é frequentemente associado à cultura e à identidade, mas há também uma dimensão econômica muito significativa. Quando se observam os gastos com alimentação, vestuário, transporte, eventos, música, produtos culturais e serviços, é possível perceber uma extensa cadeia produtiva associada às manifestações tradicionalistas”.

Ele ressalta que o impacto não se concentra em um único setor. Pelo contrário, ele se distribui entre atividades comerciais, prestação de serviços, produção cultural, turismo, alimentação, transporte e investimentos públicos e privados, demonstrando a transversalidade econômica do tradicionalismo:

“O volume expressivo de recursos irriga uma cadeia produtiva vasta e descentralizada, sustentando milhares de famílias, trabalhadores autônomos e pequenos negócios em diversas regiões”, afirma Moura. Mais informações podem ser conferidas no site feevale.br.

Fonte! Chasque (post) de Marcello Campos, publicado no sítio oficial do Jornal O Sul de Porto Alegre (RS) em 02 de setembro de 2026: https://www.osul.com.br/festejos-farroupilhas-movimentam-mais-de-r-650-milhoes-na-economia-gaucha-em-setembro/