Quem recebe mais de R$ 50 mil em dividendos por mês será taxado
pelo governo brasileiro como compensação pela isenção dos brasileiros
que ganham até R$ 5 mil por mês. Até que era o plano do governo Lula em
taxar as LCAs e LCIs, mas acabou que esses títulos da renda fixa bancária seguirão incentivados.
Na visão de Marcelo Freller, especialista do C6 Bank, ainda que a taxa Selic caia dos atuais 15% ao ano para o patamar de 12,50% ao ano nos próximos 18 meses, os investimentos indexados ao CDI permanecem mais atrativos que as atuais remunerações encontradas em prefixados e indexados à inflação (IPCA+).
Caso você aplique R$ 25 mil em uma LCA ou LCI pagando 92% do CDI, terá o retorno líquido de R$ 28.169,08 nos próximos 12 meses. Em comparação, a caderneta de poupança entregará R$ 27.070,00, sendo que ambos os títulos bancários têm a proteção do FGC (Fundo Garantidor de Crédito).
Conforme o especialista Marcelo Freller, do C6 Bank, a aplicação de R$ 1 mil em LCA ou LCI a 92% do CDI deve render:
R$ 1.126,76 após um ano (contra o retorno de R$ 1.082,80 na poupança);
R$ 1.257,38 após dois anos (contra o retorno de R$ 1.172,46 na poupança);
R$ 1.834,91 após cinco anos (contra o retorno de R$ 1.488,47 na poupança).
Quanto rendem R$ 5 mil em LCA ou LCI?
🌱 Já a aplicação de R$ 5 mil em renda fixa isenta que financia o agronegócio e o mercado imobiliário pode retornar:
R$ 5.633,82 após um ano (contra o retorno de R$ 5.414,00 na poupança);
R$ 6.286,89 após dois anos (contra o retorno de R$ 5.862,28 na poupança);
R$ 9.174,57 após cinco anos (contra o retorno de R$ 7.442,37 na poupança).
Quanto rendem R$ 10 mil em LCA ou LCI?
Emprestar R$ 10 mil para bancos custearem suas operações de créditos em setores incentivados dever gerar:
R$ 11.267,63 após um ano (contra o retorno de R$ 10.828,00 na poupança);
R$ 12.573,79 após dois anos (contra o retorno de R$ 11.724,56 na poupança);
R$ 18.349,15 após cinco anos (contra o retorno de R$ 14.884,74 na poupança).
Quanto rendem R$ 25 mil em LCA ou LCI?
🏘️ Investir R$ 25 mil em LCA ou LCI com taxa equivalente a CDB pagando 109% do CDI a pode retribuir:
R$ 28.169,08 após um ano (contra o retorno de R$ 27.070,00 na poupança);
R$ 31.434,47 após dois anos (contra o retorno de R$ 29.311,40 na poupança);
R$ 45.872,87 após cinco anos (contra o retorno de R$ 37.211,85 na poupança).
Quanto rendem R$ 50 mil em LCA ou LCI?
Um colchão financeiro de R$ 50 mil em LCA ou LCI a 92% do CDI deve render em juros compostos:
R$ 56.338,15 após um ano (contra o retorno de R$ 54.140,00 na poupança);
R$ 62.868,94 após dois anos (contra o retorno de R$ 58.622,79 na poupança);
R$ 91.745,74 após cinco anos (contra o retorno de R$ 74.423,70 na poupança).
Rentabilidade
💰 Para o C6 Bank, a rentabilidade líquida estimada em LCAs e LCIs com taxas próximas de 92% do CDI deve ficar em:
Remuneração de +12,68% (após um ano);
Remuneração de +25,74% (após dois anos);
Remuneração de +83,49% (após cinco anos).
Como foram feitos os cálculos?
Os cálculos do estrategista de investimentos do C6 Bank levaram em conta algumas premissas, estimativas para os principais indicadores da renda fixa e projeções sobre a inflação.
Ele explica a importância de acompanhar os contratos de
juros negociados em bolsa (DI futuro), e não apenas ficar ancorado na
mudança a cada 45 dias da taxa Selic, que é praticamente o mesmo valor do CDI.
🗣️ "O DI futuro é um contrato de juros negociado em bolsa de
valores, como uma ação, em que seu preço reflete o DI médio entre o dia
da negociação e o vencimento do contrato. Ou seja, cada contrato tem um
preço que corresponde à expectativa do mercado sobre a taxa de juros no
período", salienta Marcelo Freller, do C6 Bank.
Portanto, quando o investidor deseja ter ideia de quanto será a sua rentabilidade em título de renda fixa semelhante a uma LCA ou LCI pós-fixada, é ideal considerar qual será a taxa média do CDI no período e não apenas a taxa básica juros atual.
Logo, veja
a seguir as premissas utilizadas pelo estrategista de investimentos para
calcular a possível remuneração dos títulos bancários:
Selic:
14,71% a.a. (em seis meses); 14,03% a.a. (em um ano); 13,36% a.a. (em dois
anos); 14,13% a.a. (em cinco anos);
CDI:
14,61% a.a. (em seis meses); 13,93% a.a. (em um ano); 13,26% a.a. (em dois
anos); 14,03% a.a. (em cinco anos);
Poupança: 8,28% a.a. (em seis meses); 8,28%
a.a. (em um ano); 8,28% a.a. (em dois anos); 8,28% a.a. (em cinco anos);
Inflação:
4,05% a.a. (em seis meses); 3,90% a.a. (em um ano); 3,80% a.a. (em dois
anos); 3,50% a.a. (em cinco anos).
Estudo revela salto de resultado com reaplicação dos proventos; fundo segue negociando com desconto
O CPTS11 (Capitania
Securities) figura entre os destaques do ano no universo dos FIIs. O
fundo, que começou 2025 com cotas na faixa dos R$ 6,14 e hoje negocia
perto de R$ 7,43, acumula alta de 21,01%.
Uma simulação realizada pela Economatica para o InfoMoney
mostra que R$ 100 mil investidos há 12 meses teriam se transformado em
R$ 119,8 mil para quem reinvestiu todos os dividendos — um retorno total
de 19,81%.
Simulação de dividendos do CPTS11. Foto: Divulgação.
Para
quem optou por não reinvestir, o resultado seria de R$ 104 mil, um
retorno total de 4,06%. O efeito dos proventos reinvestidos foi
determinante para ampliar o ganho no período.
A carteira do CPTS11
segue bastante pulverizada. Hoje, 91 FIIs representam 63,2% dos ativos,
com predominância de fundos de tijolo (82,2%) e maior exposição ao
segmento logístico — que sozinho soma 23,6% da carteira de FIIs (14,9%
dos ativos totais).
Segundo a gestora, há um upside de 6,9% se
todos os fundos fossem marcados a valor patrimonial, e um potencial
total de 24,4% sobre o portfólio de FIIs considerando a defasagem atual
das cotas.
Do lado de crédito, o fundo detém 16 CRIs, que compõem
31,7% dos ativos. Todos são indexados ao IPCA, com taxa média de
marcação em IPCA + 8,34%. A gestora destaca que toda a carteira é high grade, com garantias robustas e risco reduzido — um pilar importante para o carrego em um cenário de inflação mais alta.
O
fundo também utiliza operações compromissadas, totalizando R$ 506
milhões em alavancagem, equivalente a 19,2% do PL. O custo — CDI + 0,74%
ao ano — tem aumentado o carrego líquido e contribuído para a geração
de caixa.
Projeções de rendimento: até 16,89% ao ano
Com
base no cenário atual e no preço de R$ 7,64 por cota, a gestora projeta
dividendos na faixa de R$ 0,09 por cota, o que representa um dividend yield anualizado de 15,09%.
Num cenário mais otimista, o CPTS11
poderia distribuir R$ 0,10/cota (DY 16,89%); já em um ambiente mais
desafiador, o rendimento cairia para R$ 0,08/cota (DY 13,31%).
Vera Lúcia Santos Silva, 41 anos,
aplica 94% do seu patrimônio em fundos imobiliários e ações que rendem
dividendos e recebe R$ 180 de proventos mensais. Ela conta sua
experiência em canal que reúne 20 mil seguidores
Vera Lúcia, a Diarista Investidora. Foto: Arquivo pessoal
A diarista Vera Lúcia Santos Silva, 41 anos, caiu em uma grande
armadilha antes de conhecer os investimentos regulados e listados na
bolsa de valores: uma pirâmide financeira.
Quem lembra do caso Telexfree, que chegou a arrebanhar 1 milhão de
divulgadores e foi extinta em 2014 por fraude? Vera Lúcia era um deles.
Nascida na Paraíba, ela passou a sua infância em Alagoas e, aos 13
anos, foi morar na cidade de Paulo Afonso, na Bahia. Posteriormente, com
19 anos, Vera veio para São Paulo para trabalhar como doméstica, e há
nove anos trabalha como diarista.
Cansada de perder dinheiro com soluções milagrosas, Vera resolveu estudar sobre o assunto. Foi aí que conheceu os fundos imobiliários e as ações que pagam dividendos, e gostou da possibilidade de ter uma renda mensal gerada por essas aplicações.
Conforme foi aprendendo sobre investimentos, Vera criou um canal no YouTube, o Diarista Investidora, que já reúne quase 300 vídeos e 20 mil seguidores. Ganhando R$ 3,2 mil por mês, ela já conseguiu investir R$ 16 mil.
Veja abaixo a entrevista completa concedida por Vera Lúcia Santos Silva ao Bora Investir:
Bora Investir – Qual é a sua meta financeira?
Vera Lúcia Santos Silva – Quem vem da classe baixa,
como eu, que sou MEI e diarista independente, tem a expectativa de que
vai se aposentar e terá ao menos um salário mínimo do governo. Mas meu
objetivo maior, a médio e longo prazo, é receber mais um salário mínimo
em proventos e dividendos. Sei que pelo valor dos meus aportes vou
demorar um pouco para chegar nisso, mais de cinco anos.
Então, resolvi fracionar as minhas metas. A minha primeira meta, que
já atingi, era receber 10% de um salário mínimo, que é R$ 130,
investindo em FIIs e Fiagros. No último mês recebi R$ 143 e em dezembro
pretendo chegar a R$ 200 de proventos por mês.
Bora Investir – Como você começou a investir?
Vera Lúcia Santos Silva – Depois de cair em pirâmide
financeira, eu conheci um investimento que rendia 70% da Selic. Hoje
sei que o rendimento é pouco, pois atualmente em tenho uma LCI que paga
86% da Selic, mas não tem cobrança de Imposto de Renda. Porém, naquela
época o rendimento era bom, pois a Selic estava muito alta. Mas eu
precisava ter R$ 5 mil para investir.
Eu não tinha R$ 5 mil para aplicar, e fiquei triste pensando que
poderia ter guardado os R$ 3 mil que perdi na pirâmide financeira.
Então, comecei a pesquisar sobre investimentos e descobri canais como o
Me Poupe!, da Nathalia Arcuri, o Primo Rico e o canal do Bruno Perini.
Até que conheci os fundos imobiliários em 2019 e resolvi comprar cotas
dos fundos, na maluquice.
Quando vi que teria de declarar esses investimentos no Imposto de
Renda, eu vendi. Segurava por um bom tempo, mas depois vendia, temendo
ser obrigada a fazer a declaração. Até que contratei uma contadora, que
fez todo o processo para mim.
Não tenho problema em pagar pelo serviço de alguém, caso seja
necessário. Até porque também sou uma prestadora de serviços. Ela me
cobrou R$ 150 por ano e disse que se eu precisasse ajustar a declaração
ela não cobraria.
Bora Investir – Você gasta a renda que recebe como dividendos mensais?
Vera Lúcia Santos Silva – Já cheguei a usar por um tempo, mas hoje só reinvisto o dinheiro.
Eu sempre tive o sonho de ter uma casa para alugar, mas vi que os
FIIs eram mais vantajosos, já que permitem que eu possa investir no
mercado imobiliário sem ter R$ 300 mil para adquirir um imóvel, algo
irreal para mim. Então, pensei: é a minha chance. Dessa forma, consigo
ir aumentando meu patrimônio e o meu ganho mensal
Não é fácil reinvestir, mas tudo o que recebo eu reinvisto em um
fundo de fundos (FoF), que já representa quase 8% da minha carteira.
Bora Investir – Já houve algum momento no qual precisou resgatar seus investimentos?
Vera Lúcia Santos Silva – Houve um período no qual
vendi quase todas as minhas cotas. Adquiri uma cozinha planejada e
deixei apenas um pouco do dinheiro aplicado. Mas desde 2021, quando
fiquei sem trabalhar por problemas de saúde, decidi não vender mais.
No último um ano e meio eu passei a investir regularmente. Tanto que o
que recebo em proventos por mês vem subindo constantemente até chegar a
R$ 158,91 em agosto, que é um valor cada vez mais próximo do meu
objetivo.
Bora Investir – O que você tem na sua carteira de fundos imobiliários?
Vera Lúcia Santos Silva – Tenho 57,9% do meu
dinheiro aplicado em fundos de papéis, enquanto 28,27% invisto em fundos
de tijolo. Aplico em diversos segmentos, como logística, fundos de
desenvolvimento, lajes corporativas, além do fundos de fundos.
Também estou montando uma carteira previdenciária de ações, que
atualmente corresponde a 5,94% do meu patrimônio total e tem foco em
dividendos.
Venho buscando diversificar cada vez mais a minha carteira. É
difícil, pois tenho um fundo de papel que gosto muito e sei que hoje ele
está abaixo do seu valor patrimonial. Mas eu respiro e busco comprar
fundos de tijolo, para não ficar muito concentrada nesta classe de
ativos.
Bora Investir – Quanto você consegue economizar por mês?
Vera Lúcia Santos Silva – Como sou autônoma a minha
renda varia bastante, mas em média eu trabalho quatro dias por semana, e
recebo R$ 800 semanais bruto.
Em alguns meses eu consigo investir R$ 1 mil, que é algo bem surreal.
Sou muito controlada com o dinheiro, e recebo rendimentos do meu canal
no YouTube também. Coloco minha chave PIX lá, e algumas pessoas acabam
me ajudando.
Às vezes meus clientes viajam ou eu fico doente e acabo indo
trabalhar apenas 3 dias na semana. Se eu fico três dias sem trabalhar
tenho um desfalque de R$ 600. No início, até de domingo eu ia trabalhar.
Mas hoje eu não aguento mais, pois já tenho 41 anos. Por isso invisto:
se ganhar uma renda de R$ 200 consigo deixar de fazer uma diária para
estudar e fazer cursos, o que pode me ajudar muito.
Quando temos um dia difícil, muita gente sente que preciso comprar
algo para extravasar ou desestressar. Eu penso diferente: quanto mais
difícil é o meu dia, mais acelero o meu objetivo para conseguir ter
flexibilidade do meu tempo. Eu sei que preciso renunciar a passeios no
presente em troca de sonhos maiores.
Bora Investir – Você tem uma reserva de
emergência? Porque resgatar fundos imobiliários e ações em momentos de
baixa podem gerar prejuízos.
Vera Lúcia Santos Silva – Eu sei que essa é uma
falha minha. Uso R$ 1.800 para viver do que recebo, mas tenho apenas R$
450 na reserva de emergência. Eu sei que está péssima, e ninguém deve
seguir isso. Me apoio muito na flexibilidade que tenho de pedir o
adiantamento de uma diária aos meus clientes, mas sei que não deveria.
Minha reserva de emergência está aplicada em LCIs e LCAs, que não têm
liquidez diária. Costumo dizer que faço isso para proteger o dinheiro
de mim mesma. Como a Selic ainda está alta, a renda fixa está rendendo
bem. Meu objetivo é criar um fluxo de investimento no qual seja possível
ter um título vencendo a cada mês. Dessa forma, eu conseguiria ter
algum valor para emergências.
Eu venho de uma situação humilde, e já economizo muito na minha vida
cotidiana. Compenso esse sacrifício buscando rendimentos maiores, pois
me dá mais ânimo.
Sempre que vendia fundos imobiliários eu tinha prejuízo. Mas penso
que foi melhor do que ter gastado com outras coisas. Afinal, conseguia
vender e ainda ter grana: se tivesse ido fazer compras não teria nem o
investimento com desconto.
Bora Investir – Você entende os riscos da renda variável?
Vera Lúcia Santos Silva – Sei que estou exposta aos riscos do mercado e também à má-gestão. Alguns ativos decepcionam, mas estou aprendendo.
Tenho na minha carteira um Fiagro que está muito concentrado em
algumas empresas e tem 22% do patrimônio em um único CRA. Em outros
fundos o máximo alocado em um CRA é 12% do patrimônio líquido. Alguns
FIIs nos quais invisto têm uma lâmina gigantesca e não têm mais de 1%
alocado em cada título.
Fico feliz quando o ativo que quero comprar desvaloriza para que eu
possa comprar mais. Pois meu objetivo é de longo prazo. Portanto, pouco
importa se ele está oscilando para baixo agora. Meu objetivo é ter o
rendimento. A oscilação do mercado acontece a todo momento e às vezes
despenca. Mas eu comecei a investir sabendo como funcionava.
Bora Investir – Por que você acredita que caiu em ciladas?
Vera Lúcia Santos Silva – As pirâmides financeiras prometem altos retornos diários, e cai nisso porque não tinha conhecimento nem sobre o que era taxa Selic.
Se soubesse o que era, eu veria que hoje um investimento em renda fixa
bem vantajoso dá retorno líquido de 1% ao mês. Então, como posso ganhar
6% em um dia? Muita gente não tem conhecimento, mas tem ganância de
prosperar porque leva uma vida difícil.
Por isso, acredito que a educação financeira seja boa até quando você
não tem dinheiro. E hoje temos conhecimento pela internet: está
ridiculamente fácil. Basta disponibilizarmos tempo para isso. Costumo
ver conteúdo sobre investimentos no ônibus: não perco meu foco. Não leio
relatórios de fundos, mas vejo vídeos sobre esses relatórios, que
resumem o conteúdo.
Hoje muita gente vai entrar em um bancão e não vai cair na armadilha
da capitalização. Porque tem conhecimento. Sabe que pode não ter
promessa de sorteio, mas rende mais. O banco não explica que está
ganhando muito mais do que o investidor nesses produtos, pois caso eles
sejam resgatados antes da data o investidor recebe bem menos e o
rendimento no final não supera nem a poupança.
Embora positiva, medida está longe de acabar com distorções acumuladas ao longo de anos/8photo/freepik/divulgação/jc
O governo federal apresentou na
sexta-feira passada (25) uma proposta de mudança do Imposto de Renda. O
ministro da Economia, Paulo Guedes, anunciou que a faixa de isenção do
Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) poderá subir dos atuais R$ 1,9
mil para R$ 2,5 mil. Hoje, a faixa de isenção vai até R$ 1.903,98 e
estava congelada desde 2015.
Guedes entregou ao presidente da Câmara
dos Deputados, Arthur Lira, a proposta da segunda fase da reforma
tributária. O projeto representa a segunda fase da Reforma Tributária no
Brasil, mas está longe de resolver um dos grandes problemas quando o
assunto é a tributação de pessoas físicas: a defasagem na tabela do IR.
O contador e presidente do Sindicato das
Empresas Contábeis no Rio Grande do Sul (Sescon/RS), Célio Levandovski,
diz que vê benefícios na proposta. "Toda correção ou reposição da
inflação é positiva", comenta.
Entretanto, a defasagem na tabela do IR
acumulada chega a 113%, segundo levantamento do Sindicato dos Auditores
Fiscais da Receita Federal (Sindifisco). Levandovski salienta que a
correção anunciada, de 31% na faixa inicial de isenção, é muito tímida
ante toda essa defasagem. "Lembrando que quem ganha até R$ 4 mil não
deveria ter de pagar imposto. Mesmo com a mudança para isenção até R$
2,5 mil, os que têm salários de R$ 2,5 mil até R$ 4 mil ainda terão de
pagar imposto indevidamente", ressalta Levandovski.
O governo também embutiu armadilhas,
segundo Levandovski. "Para ser mais preciso, ele deu com uma mão e tirou
com a outra. A faixa de isenção no modelo de desconto simplificado, que
é o que a maioria dos contribuintes acabava usando, diminuiu de R$ 15
mil para R$ 8 mil", diz, alertando que muitos brasileiros vão acabar
pagando mais imposto no momento do ajuste anual.
Ao todo, serão 30 milhões de brasileiros
assalariados que pagarão menos imposto de renda. De acordo com Paulo
Guedes, haverá aumento de impostos sobre rendimentos do capital, os
dividendos, que são parte do lucro líquido ajustado de uma empresa
dividido entre os acionistas. Com isso, será possível reduzir os
impostos para empresas e trabalhadores assalariados, com a mudança na
faixa de isenção. Os lucros e dividendos distribuídos pelas empresas
passarão a ser tributados em 20% na fonte no IRPF. Hoje, essa
distribuição de recursos é isenta de imposto.
De acordo com o secretário especial da
Receita Federal, José Barroso Tostes Neto, a mudança deixa o sistema
mais justo ao evitar que as pessoas mais ricas deixem de pagar impostos.
"Essa alteração corrige o tratamento diferenciado para tributação de
renda de assalariados versus a tributação de lucros e dividendos",
disse, durante coletiva de imprensa virtual para apresentar a proposta
de reforma.
A medida também atinge remessas para o
exterior. Em caso de envios para os chamados paraísos fiscais, a
alíquota sobe para 30%. No caso das micro e pequenas empresas, haverá
uma isenção dessa tributação em até R$ 20 mil por mês. Para a equipe
econômica, a nova tributação deve incentivar novos investimentos já que
estimula o reinvestimento dos lucros. Já Levandovski teme que a medida
tenha o efeito contrário e desestimule esse tipo de investimento.
É preciso atenção na tributação de lucros e dividendos e de fundos imobiliários
Lucros e dividendos hoje são isentos de
imposto de renda, mas poderão passar a ser tributados em 20% na fonte.
Os rendimentos que as pessoas físicas recebem dos Fundos de
Investimentos Imobiliários (FIIs) também deixarão de ser isentos, mas
apenas para as cotas negociadas em bolsa a partir de 2022.
Algumas despesas deixarão de ser
dedutíveis na apuração do imposto de renda das empresas, exemplos estão
nos juros sobre o capital próprio (JCP) que nasceram para compensar a
falta da correção monetária nos balanços, sem a dedutibilidade o
instrumento de JCP deve deixar de existir. As despesas com pagamento de
ações aos executivos das empresas também não serão mais dedutíveis,
alterando as relações contratuais de trabalho desses trabalhadores.
Especialistas temem que a inclusão da
tributação dos Fundos de Investimentos Imobiliários (FII) acabe por
gerar uma forte desvalorização desse segmento. A Associação Brasileira
de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) acredita que a melhor solução
nesse caso seria ter uma taxação diferente da atual, ao invés da
isenção. Dessa forma, se evitaria comprometer os investimentos em
habitação, já que a falta de isenção pode levar o interessado para
outras modalidades de investimentos.
Segundo a Abrainc, o desincentivar o
investimento em um setor que gera 9% do total de tributos e movimenta 62
atividades econômicas, pode ocorrer um impacto significativo até mesmo
no total arrecadado pela Receita, ao se avaliar a possível queda no
setor da construção. Os fundos imobiliários atualmente tem um valor
patrimonial de R$ 124 bilhões e representam o investimento de 1,1
milhões de pessoas físicas, que serão prejudicados pela falta de
isenção.
Em relação a tributação de dividendos,
apesar de a medida promover o investimento, existem várias empresas que,
devido às suas peculiaridades, distribuem boa parte de seus lucros aos
acionistas. Ao mudar essa regra, haverá um grande desestímulo aos
investidores, podendo reduzir a atratividade de investimento de diversas
empresas.
Há 3,1 milhões de investidores na Bolsa
de Valores que serão prejudicados com a medida. Sobre os Juros Sobre
Capital Próprio (JSCP), a vedação dessa possibilidade é ruim para as
empresas e também para o mercado de capitais, pois também diminui a
atratividade para o investidor.
"Há aspectos positivos para a população
em geral, que poderá ter um ganho de renda interessante, principalmente
no caso das pessoas que sofrem o desconto do IR diretamente no holerite.
Para aqueles que possuem investimentos no setor, porém, o Governo
precisa olhar com cautela para não provocar um desestímulo para quem
está habituado a fazer aplicações na área e tem ajudado a alavancar o
desenvolvimento do nosso segmento", aponta Luiz França, presidente da
Abrainc.
Tabela do IR pode gerar economia a dono de imóvel e investidor em renda variável
Correção de bens é apontada como benefício por especialistas d3images/freepik/divulgação/jc
Além da correção na tabela do Imposto de
Renda (IR), outro benefício para as pessoas físicas apontado por
especialistas está nos ganhos de capital. Caso seja aprovada a reforma,
será possível corrigir os bens, como imóveis, pagando 5% de imposto
sobre a diferença, gerando uma economia tributária no momento da venda,
uma vez que essa diferença (entre custo de compra e preço de venda) hoje
é tributada entre 15% e 22,5%.
Mesmo assim, o contribuinte tem que
ficar muito atento, pois aqueles que têm um único imóvel com valor
abaixo de R$ 440 mil já estão isentos. "É preciso ter muita calma e
sempre procurar um profissional contábil para auxiliar na tomada de
decisão", pontua. as operações de renda variável, os contribuintes terão
a possibilidade de apurar os ganhos e perdas de todas as operações
pagando 15% sobre ganho.
Atualmente, essa apuração é mensal e os
contribuintes pagam 15% em mercados à vista, a termo, de opções e de
futuros; e 20% em Day Trade (compra e venda de ações no mesmo dia) e
cotas de fundo de investimento imobiliário (FII), sem contar que não
podem misturar os ganhos e perdas de alíquotas diferentes, com a
proposta isso será muito simplificado.
Nas operações com renda fixa (como
Tesouro Direto, CDB. etc) e de fundos de investimentos deixará de ser
usada a tabela regressiva de 22,5% até 180 dias; 20% de 181 a 360 dias;
17,5% de 360 a 720 dias; 15% acima de 720 dias; para adotar a alíquota
única de 15% independentemente do tempo de aplicação. Ainda deve
acontecer o fim do "come-cotas" de maio, já o "come-cotas" de novembro
deve continuar.
Para pessoa jurídica, a proposta também
prevê que imposto de renda deve ser reduzido. Hoje as empresas pagam uma
alíquota de 15%, que deve cair para 12,5% em 2022 e para 10% em 2023.
No adicional de Imposto de Renda (10%, para os lucros fiscais mensais
acima de R$ 20.000,00) e na contribuição social (9% para empresas em
geral), a proposta não prevê mudanças.
Contudo, a reforma tem seu lado perverso
com os contribuintes, segundo o professor de Contabilidade Financeira e
Tributária da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Murillo Torelli
Pinto. "Apesar da minha percepção pessoal, de que ela é mais positiva do
que negativa, há pontos que não devem agradar aos contribuintes",
comenta Torelli Pinto.
Defasagem prejudica diretamente contribuintes com menores salários
Peccini Neto sugere questionar na Justiça Peccini Neto Advocacia/divulgação/jc
Problema antigo e conhecido, a defasagem
na atualização da tabela do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF)
prejudica diretamente quem ganha menos. Hoje, mais de 11 milhões de
contribuintes que pagam o imposto estariam isentos caso fosse aplicada a
correção integral da defasagem, que acontece desde 1996, segundo dados
de um estudo da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita
Federal (Unafisco).
O mesmo estudo aponta que, caso tivesse
interesse em cumprir a promessa de campanha de não aumentar a carga
tributária dos trabalhadores, o atual presidente Jair Bolsonaro teria
que realizar um reajuste de 7,39% na tabela, o que teria um custo de R$
13,5 bilhões. E a consequência dessa falta de correção é direta, com
contribuintes que deveriam estar isentos, mas acabam pagando o imposto.
Segundo o advogado especializado em
Direito Tributário, Empresarial e Contabilidade e sócio do escritório
Peccini Neto Advocacia, Ângelo Peccini Neto, a forma justa seria a
correção a partir de índices atualizados.
"Temos uma defasagem imensa, de décadas,
que prejudica notadamente os contribuintes de baixa renda, em virtude
da proporcionalidade do pagamento. Hoje, quem recebe acima de R$
1.903,98 deve realizar a declaração. Com uma atualização básica da
tabela, a obrigatoriedade seria apenas para quem recebesse acima de R$
4.022,89", exemplifica.
Para uma justiça tributária efetiva,
diz, a correção na tabela do IR deveria acontecer de forma imediata, mas
algumas alterações significativas já poderiam acontecer para 2022.
"Há dois cenários: ou uma atualização
imediata, capaz de trazer um impacto imenso e uma grande parte da
população não precisará mais pagar o IR, ou um aumento das
possibilidades de deduções, que permitiria um abatimento do que é pago
anualmente para o Fisco", sugere.
O fato de uma grande parte da população
estar declarando IR e pagando por ele, quando na verdade não deveria,
pode até ser questionado na Justiça. "Afinal de contas, essa atualização
é dever do Fisco (União), que além de não fazer, ainda se beneficia
diretamente com isso", aponta.
Fonte! Chasque (post) publicado nas páginas do Caderno JC Contabilidade, encartado na edição do Jornal do Comércio de Porto Alegre (RS), edição do dia 30 de junho de 2021.