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Especialistas apontam que começar cedo amplia as chances de manter estabilidade financeira após o fim da vida profissional / Dragos Condrea/Magnific/Divulgação/JC |
Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a expectativa de vida
da população brasileira chegou aos 76,6 anos em 2024, número maior para
mulheres (79,9 anos), que vivem mais que os homens (73,3 anos). Com o
tempo de vida aumentando gradativamente vem a necessidade de se ter,
além de saúde e qualidade de vida, longevidade financeira.
E essa preocupação tende a aumentar entre a população 50+,
especialmente para os que chegam nessa idade sem ter planejado uma
aposentadoria acompanhada de tranquilidade monetária.
Além dos mais de 40% de brasileiros que não se programam financeiramente, a pesquisa Planejamento financeiro do brasileiro: da consciência à prática, realizada pela Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar) em 2025 com 2 mil entrevistados de todas as regiões do País, mostra ainda que 32% se avaliam como razoavelmente organizados e apenas 27% afirmam ser muito ou extremamente planejados. Já 64% dizem planejar os gastos com frequência e 59% afirmam conhecer sua renda mensal.
É o caso do administrador de empresas Paulo Schons, do município de
Não-Me-Toque no Norte do Rio Grande do Sul, que, aos 40 anos, começou
a se organizar para poder se aposentar sem ter que depender apenas do INSS. “Apliquei recursos em previdência privada, investi em renda fixa e imóveis para ter mais tranquilidade na hora de parar”, afirma.
Para o embaixador da Planejar no Rio Grande do Sul, Roberto
Cazzetta, por uma série de questões históricas, sociais e culturais, o planejamento de longo prazo
é um desafio no Brasil. A mentalidade de que "o governo cuida de nós",
somada à dificuldade de poupar e investir, levou a geração que está
aposentada atualmente a depender majoritariamente da previdência social, o que é insuficiente para fazer frente ao aumento na expectativa de sobrevida e inflação contínua.
Embora existam outras formas de investir para o objetivo de ter uma renda futura, o fato de apenas 15% das pessoas possuírem um plano de previdência privada
comprova a dificuldade de planejar a aposentadoria. "Estimo que, a
maioria desses 15%, não investe o suficiente para gerar uma renda que
vai fazer frente às despesas no futuro. Daí a importância de planejar
adequadamente", aponta.
O que diz a Pesquisa o planejamento financeiro do Brasileiro: da consciência à prática
Como os brasileiros planejam as finanças
- 27% extremamente planejadas
- 32% razoavelmente planejadas
- 41% pouco ou nada planejadas
Frequência de planejamento de gastos dos brasileiros
- 64% se planejam com frequência
- 26% se planejam às vezes
- 11% não planejam os gastos
Sabem quanto é a renda mensal
- 59% sabem
- 28% não têm certeza
- 6% não sabem
Sabem quanto gastam por mês
- 41% sabem
- 52% não têm certeza
- 7% não sabem
Entre as pessoas que se consideram planejadas
- 74% sabem
- 19% não têm certeza
- 3% não sabem
Controle de gasto mensal
- 41% sabem exatamente quanto gasta
- 52% têm ideia
- 7% não sabem quanto gasta por mês
Entre as pessoas que se consideram planejadas
- 62% sabem exatamente quanto gasta
- 37% sabem exatamente quanto gasta
- 1% sabe exatamente quanto gasta
Maioria da população das classes ABC não consegue obter renda que supere suas despesas
- 39% gastaram mais que a renda
- 35% gastaram aproximadamente o que ganhamos
- 23% gastaram menos do que a renda.
Entre as pessoas que se consideram planejadas
- 22% gastaram mais que a renda
- 34% gastaram aproximadamente o mesmo
- 42% gastaram menos do que a renda
Se possui reserva financeira
- 59% possuem
- 43% não possuem
Entre as pessoas que se consideram planejadas
- 79% possuem
- 21% não possuem
Aposentadoria
- 89% dos entrevistados não são aposentados
-
11% são aposentados
Entre os não aposentados: Principais fontes de renda para o futuro
- INSS 64%
- Reserva própria 31%
- Previdência privada 22%
Entre os aposentados: Principais fontes de renda
- INSS 82%
- Previdência privada 17%
- Continuar trabalhando 14%
FONTE: Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar)
Planejamento financeiro iniciado aos 40 anos garantiu aposentadoria tranquila
Quando decidiu começar a guardar parte da renda para o futuro,
há mais de 20 anos, o administrador de empresas, Paulo Schons, não
sabia exatamente como seria sua aposentadoria, mas tinha uma certeza:
não queria depender exclusivamente do INSS quando chegasse o momento de deixar o mercado de trabalho.
Hoje, aos 61 anos, colhe os resultados de um planejamento iniciado por volta dos 40 e que lhe permitiu encerrar a carreira com segurança e autonomia financeira.
Morador de Não-Me-Toque, no Norte do Rio Grande do Sul, Schons parou de
trabalhar em 2025, após atuar durante mais de três décadas no Sicredi
da sua região.
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| Além da previdência complementar, Schons diversificou o patrimônio Paulo Schons/Arquivo Pessoal/JC |
Embora sua trajetória profissional fosse voltada para a área de crédito, o contato diário com o mercado financeiro despertou a preocupação em construir uma reserva para o futuro.
"Quando a gente pensa em parar de trabalhar, sabe que a renda da ativa
vai acabar. É preciso criar outras fontes de renda além da aposentadoria pública", afirma.
O planejamento começou ainda quando os filhos eram pequenos, pois a
prioridade da família sempre foi garantir recursos para a educação das
crianças, mas, paralelamente, o casal Schons passou a reservar
mensalmente parte do orçamento para investimentos voltados à aposentadoria. Em vez de buscar aplicações de maior risco, ele optou por um perfil conservador, concentrando investimentos em renda fixa.
Também aderiu ao plano de previdência privada
oferecido pelo empregador, no qual a empresa contribuía com um valor
equivalente ao aportado pelo colaborador. Além da previdência
complementar, diversificou o patrimônio, investindo em imóveis que hoje geram renda adicional
complementar ao orçamento da aposentadoria. "Não fiz apenas um
investimento, procurei diversificar, pois o imóvel tem pouca liquidez,
mas oferece segurança e ajuda na geração de renda", explica.
Ao se aposentar pelo INSS, em 2019, optou por permanecer na ativa
durante mais cinco anos e a combinação entre salário e benefício
previdenciário permitiu aumentar os aportes financeiros
e fortalecer ainda mais o patrimônio antes do desligamento definitivo.
Segundo ele, permanecer trabalhando depois da concessão da aposentadoria
foi uma decisão estratégica. "Esse período ajudou bastante porque foi
possível investir uma parcela maior da renda e aumentar a reserva para o futuro".
Mesmo com formação em Administração de Empresas e MBA em Gestão
Financeira, Schons afirma que a principal aprendizagem ocorreu na
prática, durante a carreira no sistema financeiro. Próximo da
aposentadoria, também participou de um programa interno de preparação
oferecido pelo Sicredi, que incluía orientações sobre investimentos, planejamento financeiro e adaptação à nova fase da vida.
Fonte! Chasque (post) publicado no Sítio oficial do Jornal do Comércio do Rio Grande do Sul, por Ana Esteves, no dia 02 de agosto de 2026 no Caderno Empresas e Negócios: https://www.jornaldocomercio.com/cadernos/empresas-e-negocios/2026/08/1258239-longevidade-exige-nova-cultura-de-investimentos.html


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