segunda-feira, 5 de abril de 2010

Especialistas dão dicas a quem terá que ajudar financeiramente os pais

Alguns jovens já se planejam e guardam dinheiro para contribuir no futuro. Consultores recomendam pagar plano de saúde e gastos da casa dos pais.

Muitos jovens, além de se preocuparem com a própria aposentadoria, olham com preocupação também para a saúde financeira dos pais. Quem já sabe que terá que ajudar financeiramente os pais quando estes se aposentarem ou pararem de trabalhar pode se preparar para isso. O G1 ouviu especialistas em finanças pessoais que deram dicas para quem está nessa situação.


O administrador Leonardo Milane: conta especial para guardar dinheiro para o futuro da mãe. (Foto: Daigo Oliva/G1)

Nas próximas décadas, muitos dos novos idosos terão uma aposentaria complementar, mas na geração que está se aposentando agora, isso ainda não é comum, segundo Marcos Crivelaro, consultor e professor da Faculdade Módulo. E com a idade, aumentam os gastos com saúde: “a ajuda aos pais idosos acaba saindo geralmente da reserva dos filhos mais responsáveis ou com maior renda”, diz ele.

O consultor diz que hoje não existem produtos específicos no mercado para quem quer fazer um investimento para ajudar os pais. “Se a pessoa identificar que vai acontecer essa situação, pode fazer um plano de aposentadoria com os pais como beneficiários”, diz Carla dos Santos, consultora de finanças pessoais. Segundo ela, porém, o problema é que, quando os pais já estão com 50 ou 60 anos, o tempo disponível não permite uma acumulação de recursos suficientes para uma aposentadoria complementar.

Para Carla, o melhor que os filhos podem fazer é garantir um plano de saúde para os pais: “encaixe-os no seu plano, faça um plano familiar ou coloque no plano de saúde da empresa”, diz ela. “É muito difícil saber com quanto você terá que contribuir lá na frente, pois não sabe por quanto tempo ainda seus pais vão trabalhar, quais serão os gastos no futuro. Mas o plano de saúde vai dar uma tranquilidade lá na frente”, diz ela.

Quem se preocupa com o futuro financeiro do pai e da mãe ainda esbarra em outro problema: a resistência de muita gente em conversar sobre dinheiro com os filhos. “Muitos têm a reação de dizer ‘eu te criei, você agora vai querer me ensinar’”, diz Carla.

Por isso, Crivelaro também sugere ajudar de uma forma que se evite dar dinheiro diretamente aos pais. “Quando os filhos casam e saem de casa, podem continuar pagando algumas despesas para os pais para que eles possam manter uma qualidade de vida, como TV a cabo, internet, assinaturas de jornais e revistas, pagar uma viagem de férias”, diz o consultor. “Isso vai dando benefícios aos idosos sem criar uma ruptura entre pais e filhos.”

Pais e sogros

A professora universitária Luiza Rodrigues, 27, diz que antes mesmo de seu casamento com o advogado Vinícius já tinha um quadro claro da situação financeira de seus pais e seus sogros. “Um dos problemas é meu pai, que eu sei que vamos ter que sustentar. Fizemos um cálculo de quanto deve ser necessário para ele se aposentar e estou guardando dinheiro para isso sem ele saber”, conta ela, que diz ser impossível conversar com o pai sobre o assunto.

Já o sogro de Luiza vai se aposentar daqui a cerca de dez anos e não tinha dinheiro guardado. “Foi bem difícil de conversar com eles [sogro e sogra] sobre isso. Eles acharam intrusivo”, conta ela. Luiza e o marido propuseram um acordo: sempre que o sogro e a sogra depositarem um valor na conta para a aposentadoria, Vinícius e Luiza depositam o mesmo valor. “Eu penso que, se esperarmos, vamos gastar mais no futuro”, diz ela sobre a preocupação com a aposentadoria dos pais e sogros.

Patrimônio

O administrador Leonardo Milane investe parte de seu dinheiro para seu próprio futuro, mas tem uma conta separada para formar um patrimônio para sua mãe.

“Para ela, invisto em ações de empresas com dividendo alto”, diz ele, que também paga a parcela do apartamento no qual os dois moram. “É para daqui a dez anos mais ou menos, para o futuro da minha mãe. Sou filho único e pela situação tenho que ter um planejamento mais conservador”, explica ele.

A advogada Flávia Gatti já ajuda os pais, pagando o plano de saúde deles, que não têm previdência privada. “Eles sabiam que a aposentadoria pública não seria alta, mas não conseguiram se preparar e não têm dinheiro guardado”, diz ela.

Ela diz que gostaria de ter pensado há dez anos em se preparar para ajudar os pais. “Eu e meu marido temos previdência privada, mas na época dos meus pais não tinha essa cultura”, diz ela, que também é filha única e se preocupa com a possibilidade de ter que gastar mais no futuro para ajudar o pai e a mãe.

Fonte! Chasque publicado no Portal G1, de autoria de Paulo Leite, no dia 04 de abril de 2010 - http://www.g1.globo.com/, na seção Economia  e Negócios - Seu Bolso.