sexta-feira, 9 de abril de 2010

Atitude 1: O nosso destino não seria permanecer na roça!

Bueno! Este senhor do retrato abaixo é o seu Waldomiro Afonso Engroff, meu pai, que está se encaminhando para comemorar os seus 77 anos de vida no dia 20 de abril do corrente ano. E esta senhora ao seu lado é a minha mãe, Maria Hedy Engroff, que fará 72 anos no dia 15 de junho. Eles são casados há 52 anos.

Não sei como eles conseguiram, mas, meu pai, com apenas dois anos de escola e a mãe com um pouco mais de estudo, eram pequenos agricultores no atual município de Salvador das Missões (RS) e conseguiram criar os seus seis filhos, somente com os proventos da lavoura e pequenos lotes de criação, como porcos, aves, e principalmente o leite que era o único produto que dava renda mensal. De resto, o sustento vinha da lavoura, num lote próprio de 21,5 hectares mecanizáveis, estando incluído um potreiro para o gado (em torno de cinco hectares). E, como acontece ainda hoje, a boa safra dependia de dois fatores: do tempo, ou seja, com chuva suficiente e sem as intempéries climáticas como os temporais e ciclones e do preço final favorável.

Quando eu era guri, a produção (onde o produto principal era a soja) era vendida no bolicho (pequenos comerciantes da comunidade). Na venda eram descontadas as compras dos mantimentos e insumos que foram comprados ao longo do ano para serem quitados após a safra. Éramos pobres e estudávamos na escola estadual. E o círculo vicioso da época era os pais ganharem a vida na agricultura de subsistência e os filhos, geralmente seguindo o mesmo caminho, pois, estudar, não era “um bom investimento”.

Mas o meu pai foi categórico: sugeriu que os seus filhos fossem estudar, pois ele não teria dinheiro pra compra um palmo de terra que fosse para eles poderem dar rumo na vida. Desta atitude, os filhos enfrentaram o êxodo rural, se aventurando na cidade grande e se encaminharam na vida: nos estudos e na vida profissional.

Se não fosse a atitude dos meus pais, em encaminhar os filhos para os estudos somente com a sua palavra e vontade e sem dinheiro, hoje estaríamos sobrevivendo na agricultura de subsistência, em algum pedaço de terra arrendado, ou em um pedaço de terra adquirido com financiamento bancário e sempre rezando para chover na época em que a plantação mais precisa de chuva para dar uma boa safra.

Para encerrar, dos seus quatro filhos (peões):
- um é bacharel em ciências contábeis
- um é bacharel em ciências da computação e está fazendo MBA
- um é bacharel em ciências jurídicas
- apenas um não fez ou está fazendo curso superior.

Das filhas (prendas):
- uma é graduada e pós-graduada em letras e literatura brasileira
- outra está fazendo faculdade de Produção Industrial, sendo que retomou os estudos depois dos 40 anos de idade.