quarta-feira, 31 de julho de 2013

Os riscos por trás das pirâmides financeiras


Propostas de negócios que prometem altos ganhos são muito comuns no país; a adesão a eles reflete uma falta de planejamento e de conhecimento em administrar as finanças por parte da população.

Um assunto que vem tomando conta dos noticiários nos últimos tempos são as famosas e perigosas pirâmides financeiras. De tempo em tempo, vejo esse tema voltar à tona, sempre alimentado pela ilusão de parte da população de que poderá ganhar dinheiro fácil.

E, nesse ponto, eu sempre repito: tudo o que vem fácil, vai fácil. Assim, cabe às pessoas pensarem cinco vezes antes de entrar em qualquer tipo de negócio, avaliando os riscos muito antes da rentabilidade e, principalmente, se o retorno vai ao encontro dos seus sonhos e objetivos.

Lembrando que todo investimento tem riscos, e quanto maior a probabilidade de ganhos, maior o risco. Se aparece algo com promessa de altíssimo retorno e baixíssimo risco, desconfie na hora. A pirâmide é um desses negócios milagrosos e de altíssimo risco, além de já existir comprovada sua ilegalidade como negócio em nosso país.

Trata-se de um modelo comercial que não se sustenta e oferece danos e prejuízos a seus participantes, se caracterizando assim como fraude. Esse modelo, muitas vezes, é maquiado como sendo um sistema de "marketing multinível", mas todo cuidado é pouco. O esquema envolve a troca de valores pelo recrutamento de outras pessoas para pirâmides ou, por exemplo, por postagens diárias de anúncios publicitários no Facebook, sem qualquer produto ou serviço ser entregue.

Exemplos recentes de empresas que estão sendo investigadas com suspeita de desenvolverem esses sistemas não faltam. Por questões éticas, não vou citar nomes, mas, acredite, não são poucas, infelizmente.

Pirâmide financeira é crime contra a economia popular, afinal, propõe a oferta de ganhos altos e rápidos, o pagamento de comissões excessivas, acima das receitas advindas de vendas de bens reais e a não sustentabilidade do modelo de negócio desenvolvido pela organização.

Governo e Ministério Público já vêm atuando e fiscalizando de forma intensa esses pseudonegócios e, nos últimos tempos, esses esquemas vêm aumentando. Portanto nós, consumidores, devemos desconfiar de tudo aquilo que promete transformar a vida em um piscar de olhos. Na verdade, o grande fiscalizador disso somos nós mesmos.

Existe ainda outro problema, que é comportamental. Enquanto a nossa população não se educar financeiramente e ter consciência de como administrar o dinheiro que entra e o dinheiro que sai, seremos prezas fáceis. Reunir a família e conversar com os filhos é fundamental.

Porém, é importante que se faça uma distinção entre as ações ilegais e o marketing multinível, ou de rede, que é uma prática legal. Se a empresa faz o marketing de rede, mas contém um patrimônio líquido de garantia real, que sustenta a operação, ao invés de utilizar os clientes novos para pagar os antigos, a ação não é configurada como pirâmide financeira, pois o risco se torna menor.

É preciso que as Juntas Comerciais e Cartórios, assim como a Receita Federal, se atentem e criem mecanismos para impedir a abertura dessas organizações, sem antes ter a comprovação de seus patrimônios. Infelizmente, abrir uma empresa em nosso país é muito fácil e, por isso, bilhões de reais já foram perdidos. Por ausência de órgãos regulamentadores, a população é que sofre as consequências e prejuízos.

Para finalizar, como educador financeiro, contabilista e cidadão, tenho o compromisso de alertar a sociedade que, para nos tornarmos pessoas e famílias saudáveis financeiramente, é preciso trabalhar, ganhar o dinheiro de forma digna e não por meio de redes e pirâmides ilegais, que já acabaram com milhões de lares.

Tenho certeza de que a educação financeira de nossa população, em especial a de nossas crianças, deve começar nas escolas. Só assim conseguiremos criar novas gerações de pessoas e famílias educadas, prósperas e sustentáveis financeiramente.

*Reinaldo Domingos, educador financeiro, presidente da DSOP Educação Financeira e Editora DSOP, autor dos livros Terapia Financeira, Livre-se das Dívidas, Ter Dinheiro Não Tem Segredo, das coleções infantis O Menino do Dinheiro e O Menino e o Dinheiro, além da coleção didática de educação financeira para o Ensino Básico, adotada em diversas escolas do país.

Fonte! Este é um chasque de Reinaldo Domingues, publicado no sítio Consumidor Moderno e Consciente. Abra as porteiras:  http://consumidorconsciente.eco.br/index.php/component/k2/item/609-os-riscos-por-tr%C3%A1s-das-pir%C3%A2mides-financeiras.html.