terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Ações devem ganhar espaço na aposentadoria

Sempre que um analista brasileiro fala de poupança visando à aposentadoria, cita o mercado americano como um exemplo a seguir. Nos Estados Unidos, dizem, aproximadamente 50% da população investe em ações - seja diretamente na bolsa de valores ou por meio de um fundo de pensão ou de investimentos.


No Brasil, essa cultura ainda está longe de ser difundida.

Uma das evidências disso é que pouco mais de 500 mil pessoas físicas têm autorização para comprar e vender papéis na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), menos de 1% da População Economicamente Ativa (PEA), de cerca de 80 milhões de pessoas.

Essa realidade, porém, deve começar a mudar, segundo especialistas. O pano de fundo, claro, é a queda das taxas de juros no País para níveis estruturalmente mais baixos. Com o juro básico atual, de 8,75% ao ano, um investidor não consegue um retorno líquido superior a 5% ao ano, levando-se em conta impostos e outras taxas.

Nesse ambiente, aplicar em renda variável é, ao menos em tese, uma saída para quem não se contentar com uma rentabilidade desse nível. "Vários estudos, livros e modelos mostram que, no longo prazo, as ações rendem mais do que a renda fixa", disse o administrador de investimentos Fabio Colombo.

Como manteve os juros muito elevados por anos a fio, o Brasil tem sido uma exceção à regra. Um levantamento do próprio Colombo mostra que o Índice Bovespa ganhou, em média, 9,7% ao ano entre janeiro de 1968, ano em que foi criado, e dezembro de 2009.

No mesmo intervalo, a renda fixa teve rentabilidade média de 8,5% ao ano. Ambos os cálculos excluem a inflação, as taxas de administração e os impostos.

Se o juro básico mais baixo veio para ficar, como crê a maioria absoluta dos especialistas, os números devem passar a mostrar vantagem cada vez maior para a renda variável.

OPÇÕES

Aqueles que já se decidiram - ou decidirão - enfrentar o vaivém do mercado acionário para aplicar as economias guardadas para gozar uma aposentadoria tranquila têm, basicamente, três opções no Brasil: investir diretamente na Bovespa, aplicar em um fundo de investimento de ações ou participar de um fundo de previdência privada (ou pensão) com uma parcela grande em ações.

"É uma escolha saudável, mas inspira cuidados", disse o professor de finanças do Insper (ex-Ibmec São Paulo) George Ohanian. "Antes de mais nada, o investidor deve entender que pode ter perdas momentâneas. Por isso, não pode fazer o que chamo de análise de banca de revista." A brincadeira refere-se às decisões tomadas em momentos de euforia ou depressão.

ESTÔMAGO

Colombo lembra que, por ser um país emergente, o Brasil tem um mercado financeiro, na média, mais instável que o de nações desenvolvidas. "Por isso, o investidor precisa ter estômago para enfrentar as oscilações."

Entendido o princípio básico, o passo seguinte é escolher a melhor forma de investir no mercado de ações. Tanto Ohanian quanto Colombo desaconselham - do ponto de vista de quem poupa para 10, 20 ou até 30 anos à frente - as aplicações diretas na bolsa, o que pode ser feito, entre outros canais, via home broker.

"É preciso se dedicar muito ao assunto, ter conhecimento de ao menos 10 ou 15 setores da economia e ler relatórios de empresas. Isso sem falar na complexidade na hora de acertar as contas com a Receita", observou Colombo. "É algo só para o investidor sofisticado, que tem tempo, mas, mesmo assim, duvido que dê bons resultados práticos no longo prazo."

FUNDOS

Ambos acreditam que a melhor opção é o investidor escolher um fundo de ações tradicional ou aplicar em um fundo de previdência privada com fatia elevada em renda variável.

Nesses casos, a recomendação é a mesma de qualquer outra aplicação: atenção às taxas das instituições financeiras, sejam de administração, de performance ou de carregamento. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.
 
Fonte! Chasque publicado no dia 01/02/2010 galpão virtual Último Segundo - http://www.ultimosegundo.ig.com.br/.