Brasil envelhece rápido e terá menos contribuintes;
sem poupança própria, depender da Previdência ou dos filhos será cada
vez mais incerto
Brasil envelhece rapidamente e terá menos
contribuintes para sustentar mais aposentados. Entenda por que guardar
dinheiro se tornou essencial diante da pressão sobre a Previdência.
Imagem: Adobe Stock)
O Brasil
envelhece em silêncio. Vive mais, tem menos filhos e reduz a base de
contribuintes. O Estado e as famílias ainda operam como se a lógica do
passado fosse suficiente: que os filhos sustentem os pais, que a aposentadoria seja garantida sem planejamento, que a Previdência suporte tudo sozinha. A realidade é dura: um pai sustenta cinco filhos, mas cinco filhos dificilmente sustentarão um pai.
Em 2024, havia 34,1 milhões de idosos, número
que dobrou nas últimas duas décadas. A proporção de pessoas com 60 anos
ou mais passou de 8,7% em 2000 para 15,6% em 2023 e chegará a 37,8% em
2070, cerca de 75,3 milhões de pessoas. Ao mesmo tempo, a taxa de
fecundidade caiu de 110% do nível de reposição em 2000 para 75% em 2023,
e deve recuar ainda mais, chegando a 69% em 2041. Menos filhos, mais
idosos. Menos contribuintes, mais beneficiários. O descompasso é
estrutural, não conjuntural.
O sistema previdenciário já opera no limite. A Previdência social consome mais de 12,3% do PIB
e ultrapassa R$ 1 trilhão anuais, enquanto cada aumento de R$ 1 no
salário mínimo adiciona R$ 420 milhões de despesa. Com menos
contribuintes ativos sustentando mais beneficiários, a conta não fecha. Quem não guarda dinheiro vai depender de um sistema que não terá como pagar a fatura.
As pessoas vivem mais e dependem mais de
recursos. Ao mesmo tempo, os filhos, quando existem, têm
responsabilidades próprias. Cada década que passa aumenta a pressão
sobre quem contribui hoje. A previdência não foi projetada para essa
realidade. E quem ignora isso está se preparando para depender de outros
que não terão como sustentar.
O problema é invisível para a maioria. O debate público continua centrado em promessas e discursos. Mas o fato é que o Brasil envelhece antes de enriquecer,
e essa combinação é explosiva. A base de contribuintes não cresce no
ritmo necessário, e cada ano adicional de expectativa de vida adiciona
pressão sobre o sistema. E os dados mostram que a situação só tende a
piorar.
Guardar dinheiro deixou de ser conselho e passou a ser necessidade prática. Planejamento financeiro não é luxo.
É segurança. Quem acredita que pode contar com filhos ou com o Estado
descobrirá que a geração seguinte não terá como sustentar a anterior. O
pai sustenta os filhos hoje. Mas, amanhã, a responsabilidade será jogada
de um para outro, e muitos acabarão descobrindo que não há ninguém para
arcar com a conta.
O país pode adiar reformas, suavizar a retórica
ou prometer mudanças futuras. Mas a equação é inexorável: menos filhos,
mais idosos, mais dependência do Estado, menos capacidade de sustento
familiar. E, quando essa conta finalmente chegar, cada indivíduo estará
onde sempre esteve: responsável pela própria margem de segurança.
TCE aponta necessidade de aprimoramento das gestões e adequação dos orçamentos municipais / Joyce Rocha / JC
A grande maioria das prefeituras gaúchas
apresentou dificuldade em cumprir com os compromissos previdenciários
dos servidores em 2020. Essa foi a conclusão de um levantamento
conduzido pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), que traçou um
diagnóstico dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) no Estado.
De um total de 293 municípios que entregaram a documentação atuarial,
161 (54,9%) não apresentaram recursos suficientes para a cobertura dos
benefícios concedidos. Segundo o estudo, que será divulgado nesta
quinta-feira (21), os municípios devem investir no aprimoramento da
gestão para adequar os orçamentos e arcar devidamente com as obrigações
previdenciárias.
Em todo o Rio Grande do Sul, 331 dos 497
municípios possuem RPPS (66,6%) e 166 (33,4%) estão vinculados ao
Regime Geral de Previdência Social (RGPS). Com base em dados obtidos a
partir dos Relatórios de Contas Anuais de 2020 dos que possuem regimes
previdenciários próprios, a pesquisa apurou que 262 estavam com o
certificado de regularidade previdenciária em dia. Desses, no entanto,
29 não haviam conseguido atender aos critérios mínimos para a renovação,
mas garantiram a documentação por via judicial, tendo de prestar
esclarecimentos e adotar medidas corretivas para a regularização.
Outras 77 cidades (23,3%) com regimes
próprios não haviam apresentado a avaliação atuarial anual do exercício
de 2020. Além disso, 6 (1,8%) delas não enviaram o documento até a data
da realização do levantamento.
Considerando o ano de 2020, os RPPS
gaúchos apresentaram um desequilíbrio atuarial negativo de R$
33.351.988,31, sendo que 283 deles registraram um Índice de Cobertura
Atuarial insuficiente, com os recursos acumulados não conseguindo arcar
com todas as obrigações. Segundo o estudo, 161 não tiveram recursos nem
para cobrir os benefícios que já estão sendo pagos, e um total de 10
RPPS apresentaram resultado atuarial superavitário.
Coordenadora do relatório, a auditora do
TCE Carolina da Conceição reforça que a intenção do estudo, além de dar
transparência aos dados, é reforçar aos municípios a necessidade de
melhorar a condução da gestão orçamentária. "O resultado não nos
surpreendeu, pois a grande maioria das prefeituras tem mantido
dificuldade em cumprir com as obrigações previdenciárias. O que
alertamos é para a necessidade de uma melhora da gestão municipal como
um todo, para que se possa cumprir com os quesitos básicos, entregar
devidamente as avaliações atuariais e conseguir aplicar os recursos de
acordo com os limites previstos em lei", comenta a técnica.
Na evolução dos municípios referente aos
Resultados da Avaliação Atuarial (DRAA) de 2020 para 2021, 212 tiveram
um déficit crescente e 70 decrescente. Ainda, dois municípios tiveram
superávit crescente e cinco decrescente. Um município tornou-se
deficitário no período e três superavitários.
Para Carolina, a compreensão dos
gestores sobre a realidade dos dados pode contribuir diretamente para
uma mudança comportamental daqui para a frente. "Queremos que as
prefeituras entendam que antes mesmo de buscarem recursos, precisam
arrumar a casa e estabelecer medidas para reduzir os gastos e equilibrar
as contas", complementa a auditora.
O mapeamento do TCE foi elaborado com
base nos dados levantados para a consolidação do Relatório de Contas
Anuais dos entes federativos, que tiveram como fonte de consulta os
Demonstrativos Previdenciários disponibilizados pela Secretaria de
Previdência/Ministério da Economia no Sistema de Informações dos Regimes
Públicos de Previdência Social (CADPREV) e as informações contábeis
enviadas pelos municípios, por meio do Sistema de Informações para
Auditorias e Prestações de Contas (SIAPC).
Os municípios que apresentaram
divergências entre o valores registrados e os demonstrativos atuariais
ficam apontados como irregulares no Relatório de Contas Anuais de 2020.
Nesses casos, precisarão enviar esclarecimentos e adotar medidas
corretivas para evitar divergências nos próximos anos. Segundo o TCE, no
entanto, 258 (79,6%) municípios atenderam a todos os critérios
verificados.
Investimentos
Inteligentes, de Gustavo Cerbasi, é uma obra extremamente útil para o
investidor iniciante. Em pouco menos de 300 páginas, o autor apresenta
diversas formas de investimentos e situações cotidianas das finanças
pessoais.
Basicamente, o livro nos mostra a importância que fazer
investimentos inteligentes tem para que se possa garantir tranquilidade
financeira no futuro.
A seguir, confira alguns dos principais ensinamentos do livro!
Saiba como investir combinando renda fixa e variável com o COE. Saiba o que são os Certificados de Operações Estruturadas neste material exclusivo!DOWNLOAD EBOOK
O que você verá neste artigo:
Investimentos Inteligentes: principais ideias do livro
Antes
de mais nada, Cerbasi nos fala sobre a necessidade de organizar as
finanças pessoais. Para isso, o primeiro passo é livrar-se das dívidas,
para que se possa formar a reserva de emergência e, desse modo,
estabelecer um orçamento familiar.
Depois de ordenadas as finanças
e formado o fundo de emergência, é preciso pensar em como fazer o
dinheiro crescer. Mas isso só será possível se forem escolhidos os
investimentos mais adequados ao perfil e ao objetivo do investidor.
Afinal, o que é investimento?
Esse é um dos primeiros pontos abordados pelo autor quando começa a falar em rentabilizar o patrimônio.
Tudo o que você precisa saber para ser um investidor de sucesso, em 80 aulas GRATUITAS, do básico ao avançado.PARTICIPAR DA JORNADA
Existe uma grande diferença entre
investir e guardar dinheiro. De acordo com Cerbasi, investir não é
somar, mas sim multiplicar o capital. Isso significa que se deve buscar a
maior rentabilidade possível, para que os lucros acumulados aumentem o
patrimônio de forma considerável com o passar do tempo.
Para ilustrar a diferença entre investimento, acumulação e consumo, o autor mostra exemplos bem acessíveis. Veja alguns deles
Imóveis
O livro se refere a um casal que, de forma incorreta, diz estar “investindo” em um imóvel para a sua moradia.
Você pode se perguntar: mas por que essa afirmação estaria errada? Afinal, imóveis não são investimentos?
A
resposta é simples: um imóvel destinado à moradia não pode ser
considerado um investimento. Isso porque o dinheiro gasto com ele não
tem o objetivo de ser multiplicado, mesmo que isso possa acontecer no
futuro.
Da mesma forma, se você comprar um imóvel para morar e ele
se desvalorizar, pouca diferença isso fará na sua vida. Desde que, é
claro, ele esteja servindo ao seu propósito de moradia.
Moeda estrangeira
Segundo
Cerbasi, outro erro que algumas pessoas cometem é se referirem a moedas
estrangeiras como investimentos. Para ele, nem mesmo o dólar, a moeda
mais forte do mundo, pode ser considerado um investimento.
Adquirir
moedas estrangeiras pode, no máximo, proteger o patrimônio da
desvalorização cambial. No entanto, a economia mostra que, por mais que
uma moeda apresente tendência de se valorizar sobre outras, isso acaba
sendo passageiro com o decorrer dos anos. Além disso, essas moedas
também estão sujeitas à inflação dos respectivos países.
Previdência
Esse
é mais um mito abordado por Cerbasi no livro. É comum vemos títulos de
capitalização sendo oferecidos como investimentos em algumas
instituições financeiras.
Normalmente, isso acontece quando o
cliente reclama para o seu gerente que não têm disciplina suficiente
para economizar um valor mensal para investir. Ou seja, esses títulos
servem muito mais como uma poupança forçada do que, propriamente como um
investimento. Para Cerbasi, a capitalização é um tipo de “loteria”, que
devolve ao poupador parte do que foi investido depois de determinado
período. E, durante a vigência do plano, dá o direito de concorrer a
prêmios. Basicamente, acaba sendo essa a vantagem de um título de
capitalização.
Por isso, não dá para considerar a capitalização como investimento.
Não espere sobrar dinheiro para poupar
Mais
importante do que o valor, é a regularidade com que se faz o
investimento. Por isso, para que uma carteira cresça e tenha sucesso no
longo prazo, o maior segredo é o foco e a disciplina no sentido de
manter aportes mensais.
Mas afinal, qual é o melhor investimento para o meu dinheiro?
Para Cerbasi, essa é a pergunta de um milhão de dólares e, para a qual, não há uma resposta única.
Tudo
dependerá do perfil, experiência e disponibilidade do investidor para
escolher os ativos e acompanhar o desempenho da carteira. Para pessoas
que não possuem muito tempo disponível (ou mesmo experiência), os fundos
de investimento são alternativas interessantes. Isso por causa de sua
praticidade e pelo acompanhamento de um gestor profissional. Já quem
conhece e se dedica ao mercado financeiro, pode assumir mais riscos em
renda variável, investindo em ações ou em outros ativos do mercado de
capitais.
Independentemente do contexto, duas coisas são muito
importantes: a diversificação da carteira e a escolha do melhor custo
benefício entre as corretoras.
Essas foram algumas das ideias
principais do livro de Gustavo Cerbasi. Se você gosta de livros sobre
investimentos e empreendedorismo, dê uma olhada nas sugestões que a EQI
preparou no artigo abaixo!
Carla Carvalho - Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela
UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora
de conteúdo de finanças e economia.
O aumento da faixa de
isenção do Imposto de Renda (IR) na proposta de reforma tributária
beneficia todos, não só quem é isento. Mas uma mudança em outra regra do
IR fará parte dos contribuintes pagar mais imposto. Trata-se do fim do
desconto de 20% para milhões de brasileiros que fazem a declaração
simplificada. Com a reforma, só terá o desconto quem ganha até R$ 3.333
por mês.
Se as novas regras forem aprovadas pelo Congresso, um trabalhador com
salário bruto de R$ 4.500, por exemplo, ficará sem restituição, de
acordo com cálculos da Seteco Consultoria Contábil feitos a pedido do
UOL. Na prática, ele vai pagar R$ 1.057 a mais de IR do que paga hoje. A
conta considera que o cont... - Veja mais em
https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2021/07/03/reforma-imposto-de-renda-tabela-declaracao-simplificada-irpf.htm?fbclid=IwAR3sJdXrPvwXXDmRJCRGsSe5C4lkN-SWtZOVPVP3ZDfcjOQY-yrbjoc9thk&cmpid=copiaecola
O aumento da faixa de
isenção do Imposto de Renda (IR) na proposta de reforma tributária
beneficia todos, não só quem é isento. Mas uma mudança em outra regra do
IR fará parte dos contribuintes pagar mais imposto. Trata-se do fim do
desconto de 20% para milhões de brasileiros que fazem a declaração
simplificada. Com a reforma, só terá o desconto quem ganha até R$ 3.333
por mês.
Se as novas regras forem aprovadas pelo Congresso, um trabalhador com
salário bruto de R$ 4.500, por exemplo, ficará sem restituição, de
acordo com cálculos da Seteco Consultoria Contábil feitos a pedido do
UOL. Na prática, ele vai pagar R$ 1.057 a mais de IR do que paga hoje. A
conta considera que o cont... - Veja mais em
https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2021/07/03/reforma-imposto-de-renda-tabela-declaracao-simplificada-irpf.htm?fbclid=IwAR3sJdXrPvwXXDmRJCRGsSe5C4lkN-SWtZOVPVP3ZDfcjOQY-yrbjoc9thk&cmpid=copiaecola