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terça-feira, 24 de março de 2026

Guardem dinheiro: um pai sustenta 5 filhos, mas 5 filhos não sustentam um pai

Brasil envelhece rápido e terá menos contribuintes; sem poupança própria, depender da Previdência ou dos filhos será cada vez mais incerto

Brasil envelhece rapidamente e terá menos contribuintes para sustentar mais aposentados. Entenda por que guardar dinheiro se tornou essencial diante da pressão sobre a Previdência. Imagem: Adobe Stock)
Brasil envelhece rapidamente e terá menos contribuintes para sustentar mais aposentados. Entenda por que guardar dinheiro se tornou essencial diante da pressão sobre a Previdência. Imagem: Adobe Stock)

O Brasil envelhece em silêncio. Vive mais, tem menos filhos e reduz a base de contribuintes. O Estado e as famílias ainda operam como se a lógica do passado fosse suficiente: que os filhos sustentem os pais, que a aposentadoria seja garantida sem planejamento, que a Previdência suporte tudo sozinha. A realidade é dura: um pai sustenta cinco filhos, mas cinco filhos dificilmente sustentarão um pai.

E não é só aritmética. É comportamento. Quando o pai envelhece, a responsabilidade quase sempre é fragmentada. Um filho acha que outro vai cuidar, outro ignora, muitos se afastam. O resultado é abandono, negligência ou dependência parcial de um sistema que já está sobrecarregado. A frase do título não é exagero: a lógica familiar se inverte e o cuidado que antes era único se dispersa.

Em 2024, havia 34,1 milhões de idosos, número que dobrou nas últimas duas décadas. A proporção de pessoas com 60 anos ou mais passou de 8,7% em 2000 para 15,6% em 2023 e chegará a 37,8% em 2070, cerca de 75,3 milhões de pessoas. Ao mesmo tempo, a taxa de fecundidade caiu de 110% do nível de reposição em 2000 para 75% em 2023, e deve recuar ainda mais, chegando a 69% em 2041. Menos filhos, mais idosos. Menos contribuintes, mais beneficiários. O descompasso é estrutural, não conjuntural.

O sistema previdenciário já opera no limite. A Previdência social consome mais de 12,3% do PIB e ultrapassa R$ 1 trilhão anuais, enquanto cada aumento de R$ 1 no salário mínimo adiciona R$ 420 milhões de despesa. Com menos contribuintes ativos sustentando mais beneficiários, a conta não fecha. Quem não guarda dinheiro vai depender de um sistema que não terá como pagar a fatura.

As pessoas vivem mais e dependem mais de recursos. Ao mesmo tempo, os filhos, quando existem, têm responsabilidades próprias. Cada década que passa aumenta a pressão sobre quem contribui hoje. A previdência não foi projetada para essa realidade. E quem ignora isso está se preparando para depender de outros que não terão como sustentar.

O problema é invisível para a maioria. O debate público continua centrado em promessas e discursos. Mas o fato é que o Brasil envelhece antes de enriquecer, e essa combinação é explosiva. A base de contribuintes não cresce no ritmo necessário, e cada ano adicional de expectativa de vida adiciona pressão sobre o sistema. E os dados mostram que a situação só tende a piorar.

Guardar dinheiro deixou de ser conselho e passou a ser necessidade prática. Planejamento financeiro não é luxo. É segurança. Quem acredita que pode contar com filhos ou com o Estado descobrirá que a geração seguinte não terá como sustentar a anterior. O pai sustenta os filhos hoje. Mas, amanhã, a responsabilidade será jogada de um para outro, e muitos acabarão descobrindo que não há ninguém para arcar com a conta.

O país pode adiar reformas, suavizar a retórica ou prometer mudanças futuras. Mas a equação é inexorável: menos filhos, mais idosos, mais dependência do Estado, menos capacidade de sustento familiar. E, quando essa conta finalmente chegar, cada indivíduo estará onde sempre esteve: responsável pela própria margem de segurança.

Fonte! Chasque (post) de Fabrízio Gueratto, publicado no dia 26 de fevereiro de 2026 no portal E-Investidor (Estadão)https://einvestidor.estadao.com.br/colunas/fabrizio-gueratto/guardem-dinheiro-envelhecimento-previdencia-planejamento-financeiro/ 

sábado, 23 de outubro de 2021

Municípios tem dificuldade de arcar com Previdência

TCE aponta necessidade de aprimoramento das gestões e adequação dos orçamentos municipais / Joyce Rocha / JC

A grande maioria das prefeituras gaúchas apresentou dificuldade em cumprir com os compromissos previdenciários dos servidores em 2020. Essa foi a conclusão de um levantamento conduzido pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), que traçou um diagnóstico dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) no Estado. De um total de 293 municípios que entregaram a documentação atuarial, 161 (54,9%) não apresentaram recursos suficientes para a cobertura dos benefícios concedidos. Segundo o estudo, que será divulgado nesta quinta-feira (21), os municípios devem investir no aprimoramento da gestão para adequar os orçamentos e arcar devidamente com as obrigações previdenciárias.
 
Em todo o Rio Grande do Sul, 331 dos 497 municípios possuem RPPS (66,6%) e 166 (33,4%) estão vinculados ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS). Com base em dados obtidos a partir dos Relatórios de Contas Anuais de 2020 dos que possuem regimes previdenciários próprios, a pesquisa apurou que 262 estavam com o certificado de regularidade previdenciária em dia. Desses, no entanto, 29 não haviam conseguido atender aos critérios mínimos para a renovação, mas garantiram a documentação por via judicial, tendo de prestar esclarecimentos e adotar medidas corretivas para a regularização.
 
Outras 77 cidades (23,3%) com regimes próprios não haviam apresentado a avaliação atuarial anual do exercício de 2020. Além disso, 6 (1,8%) delas não enviaram o documento até a data da realização do levantamento.
 
Considerando o ano de 2020, os RPPS gaúchos apresentaram um desequilíbrio atuarial negativo de R$ 33.351.988,31, sendo que 283 deles registraram um Índice de Cobertura Atuarial insuficiente, com os recursos acumulados não conseguindo arcar com todas as obrigações. Segundo o estudo, 161 não tiveram recursos nem para cobrir os benefícios que já estão sendo pagos, e um total de 10 RPPS apresentaram resultado atuarial superavitário.
 
Coordenadora do relatório, a auditora do TCE Carolina da Conceição reforça que a intenção do estudo, além de dar transparência aos dados, é reforçar aos municípios a necessidade de melhorar a condução da gestão orçamentária. "O resultado não nos surpreendeu, pois a grande maioria das prefeituras tem mantido dificuldade em cumprir com as obrigações previdenciárias. O que alertamos é para a necessidade de uma melhora da gestão municipal como um todo, para que se possa cumprir com os quesitos básicos, entregar devidamente as avaliações atuariais e conseguir aplicar os recursos de acordo com os limites previstos em lei", comenta a técnica.
 
Na evolução dos municípios referente aos Resultados da Avaliação Atuarial (DRAA) de 2020 para 2021, 212 tiveram um déficit crescente e 70 decrescente. Ainda, dois municípios tiveram superávit crescente e cinco decrescente. Um município tornou-se deficitário no período e três superavitários.
Para Carolina, a compreensão dos gestores sobre a realidade dos dados pode contribuir diretamente para uma mudança comportamental daqui para a frente. "Queremos que as prefeituras entendam que antes mesmo de buscarem recursos, precisam arrumar a casa e estabelecer medidas para reduzir os gastos e equilibrar as contas", complementa a auditora.
 
O mapeamento do TCE foi elaborado com base nos dados levantados para a consolidação do Relatório de Contas Anuais dos entes federativos, que tiveram como fonte de consulta os Demonstrativos Previdenciários disponibilizados pela Secretaria de Previdência/Ministério da Economia no Sistema de Informações dos Regimes Públicos de Previdência Social (CADPREV) e as informações contábeis enviadas pelos municípios, por meio do Sistema de Informações para Auditorias e Prestações de Contas (SIAPC).
 
Os municípios que apresentaram divergências entre o valores registrados e os demonstrativos atuariais ficam apontados como irregulares no Relatório de Contas Anuais de 2020. Nesses casos, precisarão enviar esclarecimentos e adotar medidas corretivas para evitar divergências nos próximos anos. Segundo o TCE, no entanto, 258 (79,6%) municípios atenderam a todos os critérios verificados.
 
Fonte! Chasque (post) publicado no sítio oficial do Jornal do Comércio de Porto Alegre (RS), por Fernando Crancio, no dia 20 de outubro de 2021. Abra as porteiras clicando em https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/politica/2021/10/816757-maioria-dos-municipios-do-rs-tem-dificuldade-em-arcar-com-beneficios-previdenciarios.html

domingo, 4 de julho de 2021

Investimentos Inteligentes: as principais ideias do livro de Gustavo Cerbasi

Créditos! Instagran

Investimentos Inteligentes, de Gustavo Cerbasi, é uma obra extremamente útil para o investidor iniciante. Em pouco menos de 300 páginas, o autor apresenta diversas formas de investimentos e situações cotidianas das finanças pessoais.

Basicamente, o livro nos mostra a importância que fazer investimentos inteligentes tem para que se possa garantir tranquilidade financeira no futuro.

A seguir, confira alguns dos principais ensinamentos do livro!

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Investimentos Inteligentes: principais ideias do livro

Antes de mais nada, Cerbasi nos fala sobre a necessidade de organizar as finanças pessoais. Para isso, o primeiro passo é livrar-se das dívidas, para que se possa formar a reserva de emergência e, desse modo, estabelecer um orçamento familiar.

Depois de ordenadas as finanças e formado o fundo de emergência, é preciso pensar em como fazer o dinheiro crescer. Mas isso só será possível se forem escolhidos os investimentos mais adequados ao perfil e ao objetivo do investidor.

Afinal, o que é investimento?

Esse é um dos primeiros pontos abordados pelo autor quando começa a falar em rentabilizar o patrimônio.

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Existe uma grande diferença entre investir e guardar dinheiro. De acordo com Cerbasi, investir não é somar, mas sim multiplicar o capital. Isso significa que se deve buscar a maior rentabilidade possível, para que os lucros acumulados aumentem o patrimônio de forma considerável com o passar do tempo.

Para ilustrar a diferença entre investimento, acumulação e consumo, o autor mostra exemplos bem acessíveis. Veja alguns deles

Imóveis

O livro se refere a um casal que, de forma incorreta, diz estar “investindo” em um imóvel para a sua moradia.

Você pode se perguntar: mas por que essa afirmação estaria errada? Afinal, imóveis não são investimentos?

A resposta é simples: um imóvel destinado à moradia não pode ser considerado um investimento. Isso porque o dinheiro gasto com ele não tem o objetivo de ser multiplicado, mesmo que isso possa acontecer no futuro.

Da mesma forma, se você comprar um imóvel para morar e ele se desvalorizar, pouca diferença isso fará na sua vida. Desde que, é claro, ele esteja servindo ao seu propósito de moradia.

Moeda estrangeira

Segundo Cerbasi, outro erro que algumas pessoas cometem é se referirem a moedas estrangeiras como investimentos. Para ele, nem mesmo o dólar, a moeda mais forte do mundo, pode ser considerado um investimento.

Adquirir moedas estrangeiras pode, no máximo, proteger o patrimônio da desvalorização cambial. No entanto, a economia mostra que, por mais que uma moeda apresente tendência de se valorizar sobre outras, isso acaba sendo passageiro com o decorrer dos anos. Além disso, essas moedas também estão sujeitas à inflação dos respectivos países.

Previdência

Esse é mais um mito abordado por Cerbasi no livro. É comum vemos títulos de capitalização sendo oferecidos como investimentos em algumas instituições financeiras.

Normalmente, isso acontece quando o cliente reclama para o seu gerente que não têm disciplina suficiente para economizar um valor mensal para investir. Ou seja, esses títulos servem muito mais como uma poupança forçada do que, propriamente como um investimento. Para Cerbasi, a capitalização é um tipo de “loteria”, que devolve ao poupador parte do que foi investido depois de determinado período. E, durante a vigência do plano, dá o direito de concorrer a prêmios. Basicamente, acaba sendo essa a vantagem de um título de capitalização.

Por isso, não dá para considerar a capitalização como investimento.

Não espere sobrar dinheiro para poupar

Mais importante do que o valor, é a regularidade com que se faz o investimento. Por isso, para que uma carteira cresça e tenha sucesso no longo prazo, o maior segredo é o foco e a disciplina no sentido de manter aportes mensais.

Mas afinal, qual é o melhor investimento para o meu dinheiro?

Para Cerbasi, essa é a pergunta de um milhão de dólares e, para a qual, não há uma resposta única.

Tudo dependerá do perfil, experiência e disponibilidade do investidor para escolher os ativos e acompanhar o desempenho da carteira. Para pessoas que não possuem muito tempo disponível (ou mesmo experiência), os fundos de investimento são alternativas interessantes. Isso por causa de sua praticidade e pelo acompanhamento de um gestor profissional. Já quem conhece e se dedica ao mercado financeiro, pode assumir mais riscos em renda variável, investindo em ações ou em outros ativos do mercado de capitais.

Independentemente do contexto, duas coisas são muito importantes: a diversificação da carteira e a escolha do melhor custo benefício entre as corretoras.

Essas foram algumas das ideias principais do livro de Gustavo Cerbasi. Se você gosta de livros sobre investimentos e empreendedorismo, dê uma olhada nas sugestões que a EQI preparou no artigo abaixo! 

24 livros para inspirar investidores e empreendedores  

Fonte! Chasque (post) de Carla Carvalho, publicado no sítio Eu Quero Investir, no dia 27 de junho de 2021. Abra as porteiras clicando em https://www.euqueroinvestir.com/investimentos-inteligentes-as-principais-ideias-do-livro-de-gustavo-cerbasi/?fbclid=IwAR03KW_k8kemBLtqvl0sRQyQRBYrJdPJDL1Ang7rI7BJGRv8AjoVs5ysWvM

Carla Carvalho Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia. 


O aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) na proposta de reforma tributária beneficia todos, não só quem é isento. Mas uma mudança em outra regra do IR fará parte dos contribuintes pagar mais imposto. Trata-se do fim do desconto de 20% para milhões de brasileiros que fazem a declaração simplificada. Com a reforma, só terá o desconto quem ganha até R$ 3.333 por mês. Se as novas regras forem aprovadas pelo Congresso, um trabalhador com salário bruto de R$ 4.500, por exemplo, ficará sem restituição, de acordo com cálculos da Seteco Consultoria Contábil feitos a pedido do UOL. Na prática, ele vai pagar R$ 1.057 a mais de IR do que paga hoje. A conta considera que o cont... - Veja mais em https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2021/07/03/reforma-imposto-de-renda-tabela-declaracao-simplificada-irpf.htm?fbclid=IwAR3sJdXrPvwXXDmRJCRGsSe5C4lkN-SWtZOVPVP3ZDfcjOQY-yrbjoc9thk&cmpid=copiaecola
O aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) na proposta de reforma tributária beneficia todos, não só quem é isento. Mas uma mudança em outra regra do IR fará parte dos contribuintes pagar mais imposto. Trata-se do fim do desconto de 20% para milhões de brasileiros que fazem a declaração simplificada. Com a reforma, só terá o desconto quem ganha até R$ 3.333 por mês. Se as novas regras forem aprovadas pelo Congresso, um trabalhador com salário bruto de R$ 4.500, por exemplo, ficará sem restituição, de acordo com cálculos da Seteco Consultoria Contábil feitos a pedido do UOL. Na prática, ele vai pagar R$ 1.057 a mais de IR do que paga hoje. A conta considera que o cont... - Veja mais em https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2021/07/03/reforma-imposto-de-renda-tabela-declaracao-simplificada-irpf.htm?fbclid=IwAR3sJdXrPvwXXDmRJCRGsSe5C4lkN-SWtZOVPVP3ZDfcjOQY-yrbjoc9thk&cmpid=copiaecola