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quarta-feira, 19 de novembro de 2025

FII CPTS11 dispara 21% no ano; quanto renderam R$ 100 mil em 12 meses?

Estudo revela salto de resultado com reaplicação dos proventos; fundo segue negociando com desconto 

O CPTS11 (Capitania Securities) figura entre os destaques do ano no universo dos FIIs. O fundo, que começou 2025 com cotas na faixa dos R$ 6,14 e hoje negocia perto de R$ 7,43, acumula alta de 21,01%.

Uma simulação realizada pela Economatica para o InfoMoney mostra que R$ 100 mil investidos há 12 meses teriam se transformado em R$ 119,8 mil para quem reinvestiu todos os dividendos — um retorno total de 19,81%.

Simulação de dividendos do CPTS11. Foto: Divulgação.

Para quem optou por não reinvestir, o resultado seria de R$ 104 mil, um retorno total de 4,06%. O efeito dos proventos reinvestidos foi determinante para ampliar o ganho no período.

Como é a carteira do CPTS11?

A carteira do CPTS11 segue bastante pulverizada. Hoje, 91 FIIs representam 63,2% dos ativos, com predominância de fundos de tijolo (82,2%) e maior exposição ao segmento logístico — que sozinho soma 23,6% da carteira de FIIs (14,9% dos ativos totais).

Segundo a gestora, há um upside de 6,9% se todos os fundos fossem marcados a valor patrimonial, e um potencial total de 24,4% sobre o portfólio de FIIs considerando a defasagem atual das cotas.

Do lado de crédito, o fundo detém 16 CRIs, que compõem 31,7% dos ativos. Todos são indexados ao IPCA, com taxa média de marcação em IPCA + 8,34%. A gestora destaca que toda a carteira é high grade, com garantias robustas e risco reduzido — um pilar importante para o carrego em um cenário de inflação mais alta.

O fundo também utiliza operações compromissadas, totalizando R$ 506 milhões em alavancagem, equivalente a 19,2% do PL. O custo — CDI + 0,74% ao ano — tem aumentado o carrego líquido e contribuído para a geração de caixa.

Projeções de rendimento: até 16,89% ao ano

Com base no cenário atual e no preço de R$ 7,64 por cota, a gestora projeta dividendos na faixa de R$ 0,09 por cota, o que representa um dividend yield anualizado de 15,09%.

Num cenário mais otimista, o CPTS11 poderia distribuir R$ 0,10/cota (DY 16,89%); já em um ambiente mais desafiador, o rendimento cairia para R$ 0,08/cota (DY 13,31%).

Fonte! Chasque (post) publicado no sítio oficial Infomoney, por Vinícius Alves, em 19 de novembro de 2025: https://www.infomoney.com.br/onde-investir/fii-cpts11-dispara-21-no-ano-quanto-renderam-r-100-mil-em-12-meses/

segunda-feira, 4 de setembro de 2023

De pirâmides aos FIIs: conheça a trajetória da Diarista Investidora

Vera Lúcia Santos Silva, 41 anos, aplica 94% do seu patrimônio em fundos imobiliários e ações que rendem dividendos e recebe R$ 180 de proventos mensais. Ela conta sua experiência em canal que reúne 20 mil seguidores

A diarista Vera Lúcia Santos Silva, 41 anos, caiu em uma grande armadilha antes de conhecer os investimentos regulados e listados na bolsa de valores: uma pirâmide financeira. Quem lembra do caso Telexfree, que chegou a arrebanhar 1 milhão de divulgadores e foi extinta em 2014 por fraude? Vera Lúcia era um deles.

Nascida na Paraíba, ela passou a sua infância em Alagoas e, aos 13 anos, foi morar na cidade de Paulo Afonso, na Bahia. Posteriormente, com 19 anos, Vera veio para São Paulo para trabalhar como doméstica, e há nove anos trabalha como diarista.

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Cansada de perder dinheiro com soluções milagrosas, Vera resolveu estudar sobre o assunto. Foi aí que conheceu os fundos imobiliários e as ações que pagam dividendos, e gostou da possibilidade de ter uma renda mensal gerada por essas aplicações.

Conforme foi aprendendo sobre investimentos, Vera criou um canal no YouTube, o Diarista Investidora, que já reúne quase 300 vídeos e 20 mil seguidores. Ganhando R$ 3,2 mil por mês, ela já conseguiu investir R$ 16 mil.

Veja abaixo a entrevista completa concedida por Vera Lúcia Santos Silva ao Bora Investir:

Bora Investir – Qual é a sua meta financeira?

Vera Lúcia Santos Silva – Quem vem da classe baixa, como eu, que sou MEI e diarista independente, tem a expectativa de que vai se aposentar e terá ao menos um salário mínimo do governo. Mas meu objetivo maior, a médio e longo prazo, é receber mais um salário mínimo em proventos e dividendos. Sei que pelo valor dos meus aportes vou demorar um pouco para chegar nisso, mais de cinco anos.

Então, resolvi fracionar as minhas metas. A minha primeira meta, que já atingi, era receber 10% de um salário mínimo, que é R$ 130, investindo em FIIs e Fiagros. No último mês recebi R$ 143 e em dezembro pretendo chegar a R$ 200 de proventos por mês.

Bora Investir – Como você começou a investir?

Vera Lúcia Santos Silva – Depois de cair em pirâmide financeira, eu conheci um investimento que rendia 70% da Selic. Hoje sei que o rendimento é pouco, pois atualmente em tenho uma LCI que paga 86% da Selic, mas não tem cobrança de Imposto de Renda. Porém, naquela época o rendimento era bom, pois a Selic estava muito alta. Mas eu precisava ter R$ 5 mil para investir.

Eu não tinha R$ 5 mil para aplicar, e fiquei triste pensando que poderia ter guardado os R$ 3 mil que perdi na pirâmide financeira. Então, comecei a pesquisar sobre investimentos e descobri canais como o Me Poupe!, da Nathalia Arcuri, o Primo Rico e o canal do Bruno Perini. Até que conheci os fundos imobiliários em 2019 e resolvi comprar cotas dos fundos, na maluquice.

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Quando vi que teria de declarar esses investimentos no Imposto de Renda, eu vendi. Segurava por um bom tempo, mas depois vendia, temendo ser obrigada a fazer a declaração. Até que contratei uma contadora, que fez todo o processo para mim.

Não tenho problema em pagar pelo serviço de alguém, caso seja necessário. Até porque também sou uma prestadora de serviços. Ela me cobrou R$ 150 por ano e disse que se eu precisasse ajustar a declaração ela não cobraria.

Bora Investir – Você gasta a renda que recebe como dividendos mensais?

Vera Lúcia Santos Silva – Já cheguei a usar por um tempo, mas hoje só reinvisto o dinheiro.

Eu sempre tive o sonho de ter uma casa para alugar, mas vi que os FIIs eram mais vantajosos, já que permitem que eu possa investir no mercado imobiliário sem ter R$ 300 mil para adquirir um imóvel, algo irreal para mim. Então, pensei: é a minha chance. Dessa forma, consigo ir aumentando meu patrimônio e o meu ganho mensal

Não é fácil reinvestir, mas tudo o que recebo eu reinvisto em um fundo de fundos (FoF), que já representa quase 8% da minha carteira.

Bora Investir – Já houve algum momento no qual precisou resgatar seus investimentos?

Vera Lúcia Santos Silva – Houve um período no qual vendi quase todas as minhas cotas. Adquiri uma cozinha planejada e deixei apenas um pouco do dinheiro aplicado. Mas desde 2021, quando fiquei sem trabalhar por problemas de saúde, decidi não vender mais.

No último um ano e meio eu passei a investir regularmente. Tanto que o que recebo em proventos por mês vem subindo constantemente até chegar a R$ 158,91 em agosto, que é um valor cada vez mais próximo do meu objetivo.

Bora Investir – O que você tem na sua carteira de fundos imobiliários?

Vera Lúcia Santos Silva – Tenho 57,9% do meu dinheiro aplicado em fundos de papéis, enquanto 28,27% invisto em fundos de tijolo. Aplico em diversos segmentos, como logística, fundos de desenvolvimento, lajes corporativas, além do fundos de fundos.

Também estou montando uma carteira previdenciária de ações, que atualmente corresponde a 5,94% do meu patrimônio total e tem foco em dividendos.

Venho buscando diversificar cada vez mais a minha carteira. É difícil, pois tenho um fundo de papel que gosto muito e sei que hoje ele está abaixo do seu valor patrimonial. Mas eu respiro e busco comprar fundos de tijolo, para não ficar muito concentrada nesta classe de ativos.

Bora Investir – Quanto você consegue economizar por mês?

Vera Lúcia Santos Silva – Como sou autônoma a minha renda varia bastante, mas em média eu trabalho quatro dias por semana, e recebo R$ 800 semanais bruto.

Em alguns meses eu consigo investir R$ 1 mil, que é algo bem surreal. Sou muito controlada com o dinheiro, e recebo rendimentos do meu canal no YouTube também. Coloco minha chave PIX lá, e algumas pessoas acabam me ajudando.

+ Aprenda a escolher um consultor financeiro e fugir de armadilhas

Às vezes meus clientes viajam ou eu fico doente e acabo indo trabalhar apenas 3 dias na semana. Se eu fico três dias sem trabalhar tenho um desfalque de R$ 600. No início, até de domingo eu ia trabalhar. Mas hoje eu não aguento mais, pois já tenho 41 anos. Por isso invisto: se ganhar uma renda de R$ 200 consigo deixar de fazer uma diária para estudar e fazer cursos, o que pode me ajudar muito.

Quando temos um dia difícil, muita gente sente que preciso comprar algo para extravasar ou desestressar. Eu penso diferente: quanto mais difícil é o meu dia, mais acelero o meu objetivo para conseguir ter flexibilidade do meu tempo. Eu sei que preciso renunciar a passeios no presente em troca de sonhos maiores.

Bora Investir – Você tem uma reserva de emergência? Porque resgatar fundos imobiliários e ações em momentos de baixa podem gerar prejuízos.

Vera Lúcia Santos Silva – Eu sei que essa é uma falha minha. Uso R$ 1.800 para viver do que recebo, mas tenho apenas R$ 450 na reserva de emergência. Eu sei que está péssima, e ninguém deve seguir isso. Me apoio muito na flexibilidade que tenho de pedir o adiantamento de uma diária aos meus clientes, mas sei que não deveria.

Minha reserva de emergência está aplicada em LCIs e LCAs, que não têm liquidez diária. Costumo dizer que faço isso para proteger o dinheiro de mim mesma. Como a Selic ainda está alta, a renda fixa está rendendo bem. Meu objetivo é criar um fluxo de investimento no qual seja possível ter um título vencendo a cada mês. Dessa forma, eu conseguiria ter algum valor para emergências.

+ O que fazer agora para começar 2024 sem dívidas e com investimentos?

Eu venho de uma situação humilde, e já economizo muito na minha vida cotidiana. Compenso esse sacrifício buscando rendimentos maiores, pois me dá mais ânimo.

Sempre que vendia fundos imobiliários eu tinha prejuízo. Mas penso que foi melhor do que ter gastado com outras coisas. Afinal, conseguia vender e ainda ter grana: se tivesse ido fazer compras não teria nem o investimento com desconto.

Bora Investir – Você entende os riscos da renda variável?

Vera Lúcia Santos Silva – Sei que estou exposta aos riscos do mercado e também à má-gestão. Alguns ativos decepcionam, mas estou aprendendo.

Tenho na minha carteira um Fiagro que está muito concentrado em algumas empresas e tem 22% do patrimônio em um único CRA. Em outros fundos o máximo alocado em um CRA é 12% do patrimônio líquido. Alguns FIIs nos quais invisto têm uma lâmina gigantesca e não têm mais de 1% alocado em cada título.

Fico feliz quando o ativo que quero comprar desvaloriza para que eu possa comprar mais. Pois meu objetivo é de longo prazo. Portanto, pouco importa se ele está oscilando para baixo agora. Meu objetivo é ter o rendimento. A oscilação do mercado acontece a todo momento e às vezes despenca. Mas eu comecei a investir sabendo como funcionava.

Bora Investir – Por que você acredita que caiu em ciladas?

Vera Lúcia Santos Silva – As pirâmides financeiras prometem altos retornos diários, e cai nisso porque não tinha conhecimento nem sobre o que era taxa Selic. Se soubesse o que era, eu veria que hoje um investimento em renda fixa bem vantajoso dá retorno líquido de 1% ao mês. Então, como posso ganhar 6% em um dia? Muita gente não tem conhecimento, mas tem ganância de prosperar porque leva uma vida difícil.

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Por isso, acredito que a educação financeira seja boa até quando você não tem dinheiro. E hoje temos conhecimento pela internet: está ridiculamente fácil. Basta disponibilizarmos tempo para isso. Costumo ver conteúdo sobre investimentos no ônibus: não perco meu foco. Não leio relatórios de fundos, mas vejo vídeos sobre esses relatórios, que resumem o conteúdo.

Hoje muita gente vai entrar em um bancão e não vai cair na armadilha da capitalização. Porque tem conhecimento. Sabe que pode não ter promessa de sorteio, mas rende mais. O banco não explica que está ganhando muito mais do que o investidor nesses produtos, pois caso eles sejam resgatados antes da data o investidor recebe bem menos e o rendimento no final não supera nem a poupança. 

Fonte! Chasque (post) publicado no Sítio Bora Investir (B3), no dia 28 de agosto de 2023, por Marília Almeida. Abra as porteiras clicando no link: https://borainvestir.b3.com.br/objetivos-financeiros/organizar-as-contas/de-piramides-aos-fiis-conheca-a-trajetoria-da-diarista-investidora/

domingo, 4 de julho de 2021

Projeto ainda não corrige defasagem do Imposto de Renda

Embora positiva, medida está longe de acabar com distorções acumuladas ao longo de anos/8photo/freepik/divulgação/jc

O governo federal apresentou na sexta-feira passada (25) uma proposta de mudança do Imposto de Renda. O ministro da Economia, Paulo Guedes, anunciou que a faixa de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) poderá subir dos atuais R$ 1,9 mil para R$ 2,5 mil. Hoje, a faixa de isenção vai até R$ 1.903,98 e estava congelada desde 2015.
 
Guedes entregou ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, a proposta da segunda fase da reforma tributária. O projeto representa a segunda fase da Reforma Tributária no Brasil, mas está longe de resolver um dos grandes problemas quando o assunto é a tributação de pessoas físicas: a defasagem na tabela do IR.
 
O contador e presidente do Sindicato das Empresas Contábeis no Rio Grande do Sul (Sescon/RS), Célio Levandovski, diz que vê benefícios na proposta. "Toda correção ou reposição da inflação é positiva", comenta.
 
Entretanto, a defasagem na tabela do IR acumulada chega a 113%, segundo levantamento do Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Sindifisco). Levandovski salienta que a correção anunciada, de 31% na faixa inicial de isenção, é muito tímida ante toda essa defasagem. "Lembrando que quem ganha até R$ 4 mil não deveria ter de pagar imposto. Mesmo com a mudança para isenção até R$ 2,5 mil, os que têm salários de R$ 2,5 mil até R$ 4 mil ainda terão de pagar imposto indevidamente", ressalta Levandovski.
 
O governo também embutiu armadilhas, segundo Levandovski. "Para ser mais preciso, ele deu com uma mão e tirou com a outra. A faixa de isenção no modelo de desconto simplificado, que é o que a maioria dos contribuintes acabava usando, diminuiu de R$ 15 mil para R$ 8 mil", diz, alertando que muitos brasileiros vão acabar pagando mais imposto no momento do ajuste anual.
 
Ao todo, serão 30 milhões de brasileiros assalariados que pagarão menos imposto de renda. De acordo com Paulo Guedes, haverá aumento de impostos sobre rendimentos do capital, os dividendos, que são parte do lucro líquido ajustado de uma empresa dividido entre os acionistas. Com isso, será possível reduzir os impostos para empresas e trabalhadores assalariados, com a mudança na faixa de isenção. Os lucros e dividendos distribuídos pelas empresas passarão a ser tributados em 20% na fonte no IRPF. Hoje, essa distribuição de recursos é isenta de imposto. 
 
De acordo com o secretário especial da Receita Federal, José Barroso Tostes Neto, a mudança deixa o sistema mais justo ao evitar que as pessoas mais ricas deixem de pagar impostos. "Essa alteração corrige o tratamento diferenciado para tributação de renda de assalariados versus a tributação de lucros e dividendos", disse, durante coletiva de imprensa virtual para apresentar a proposta de reforma.
 
A medida também atinge remessas para o exterior. Em caso de envios para os chamados paraísos fiscais, a alíquota sobe para 30%. No caso das micro e pequenas empresas, haverá uma isenção dessa tributação em até R$ 20 mil por mês.  Para a equipe econômica, a nova tributação deve incentivar novos investimentos já que estimula o reinvestimento dos lucros. Já Levandovski teme que a medida tenha o efeito contrário e desestimule esse tipo de investimento.
 

É preciso atenção na tributação de lucros e dividendos e de fundos imobiliários

 

Lucros e dividendos hoje são isentos de imposto de renda, mas poderão passar a ser tributados em 20% na fonte. Os rendimentos que as pessoas físicas recebem dos Fundos de Investimentos Imobiliários (FIIs) também deixarão de ser isentos, mas apenas para as cotas negociadas em bolsa a partir de 2022.
 
Algumas despesas deixarão de ser dedutíveis na apuração do imposto de renda das empresas, exemplos estão nos juros sobre o capital próprio (JCP) que nasceram para compensar a falta da correção monetária nos balanços, sem a dedutibilidade o instrumento de JCP deve deixar de existir. As despesas com pagamento de ações aos executivos das empresas também não serão mais dedutíveis, alterando as relações contratuais de trabalho desses trabalhadores.
 
Especialistas temem que a inclusão da tributação dos Fundos de Investimentos Imobiliários (FII) acabe por gerar uma forte desvalorização desse segmento. A Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) acredita que a melhor solução nesse caso seria ter uma taxação diferente da atual, ao invés da isenção. Dessa forma, se evitaria comprometer os investimentos em habitação, já que a falta de isenção pode levar o interessado para outras modalidades de investimentos.
 
Segundo a Abrainc, o desincentivar o investimento em um setor que gera 9% do total de tributos e movimenta 62 atividades econômicas, pode ocorrer um impacto significativo até mesmo no total arrecadado pela Receita, ao se avaliar a possível queda no setor da construção. Os fundos imobiliários atualmente tem um valor patrimonial de R$ 124 bilhões e representam o investimento de 1,1 milhões de pessoas físicas, que serão prejudicados pela falta de isenção.
 
Em relação a tributação de dividendos, apesar de a medida promover o investimento, existem várias empresas que, devido às suas peculiaridades, distribuem boa parte de seus lucros aos acionistas. Ao mudar essa regra, haverá um grande desestímulo aos investidores, podendo reduzir a atratividade de investimento de diversas empresas.
 
Há 3,1 milhões de investidores na Bolsa de Valores que serão prejudicados com a medida. Sobre os Juros Sobre Capital Próprio (JSCP), a vedação dessa possibilidade é ruim para as empresas e também para o mercado de capitais, pois também diminui a atratividade para o investidor.
 
"Há aspectos positivos para a população em geral, que poderá ter um ganho de renda interessante, principalmente no caso das pessoas que sofrem o desconto do IR diretamente no holerite. Para aqueles que possuem investimentos no setor, porém, o Governo precisa olhar com cautela para não provocar um desestímulo para quem está habituado a fazer aplicações na área e tem ajudado a alavancar o desenvolvimento do nosso segmento", aponta Luiz França, presidente da Abrainc.
 

Tabela do IR pode gerar economia a dono de imóvel e investidor em renda variável

Correção de bens é apontada como benefício por especialistas
d3images/freepik/divulgação/jc

Além da correção na tabela do Imposto de Renda (IR), outro benefício para as pessoas físicas apontado por especialistas está nos ganhos de capital. Caso seja aprovada a reforma, será possível corrigir os bens, como imóveis, pagando 5% de imposto sobre a diferença, gerando uma economia tributária no momento da venda, uma vez que essa diferença (entre custo de compra e preço de venda) hoje é tributada entre 15% e 22,5%.
 
Mesmo assim, o contribuinte tem que ficar muito atento, pois aqueles que têm um único imóvel com valor abaixo de R$ 440 mil já estão isentos. "É preciso ter muita calma e sempre procurar um profissional contábil para auxiliar na tomada de decisão", pontua. as operações de renda variável, os contribuintes terão a possibilidade de apurar os ganhos e perdas de todas as operações pagando 15% sobre ganho.
 
Atualmente, essa apuração é mensal e os contribuintes pagam 15% em mercados à vista, a termo, de opções e de futuros; e 20% em Day Trade (compra e venda de ações no mesmo dia) e cotas de fundo de investimento imobiliário (FII), sem contar que não podem misturar os ganhos e perdas de alíquotas diferentes, com a proposta isso será muito simplificado.
 
Nas operações com renda fixa (como Tesouro Direto, CDB. etc) e de fundos de investimentos deixará de ser usada a tabela regressiva de 22,5% até 180 dias; 20% de 181 a 360 dias; 17,5% de 360 a 720 dias; 15% acima de 720 dias; para adotar a alíquota única de 15% independentemente do tempo de aplicação. Ainda deve acontecer o fim do "come-cotas" de maio, já o "come-cotas" de novembro deve continuar.
 
Para pessoa jurídica, a proposta também prevê que imposto de renda deve ser reduzido. Hoje as empresas pagam uma alíquota de 15%, que deve cair para 12,5% em 2022 e para 10% em 2023. No adicional de Imposto de Renda (10%, para os lucros fiscais mensais acima de R$ 20.000,00) e na contribuição social (9% para empresas em geral), a proposta não prevê mudanças.
 
Contudo, a reforma tem seu lado perverso com os contribuintes, segundo o professor de Contabilidade Financeira e Tributária da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Murillo Torelli Pinto. "Apesar da minha percepção pessoal, de que ela é mais positiva do que negativa, há pontos que não devem agradar aos contribuintes", comenta Torelli Pinto.
 

Defasagem prejudica diretamente contribuintes com menores salários

Peccini Neto sugere questionar na Justiça
Peccini Neto Advocacia/divulgação/jc

Problema antigo e conhecido, a defasagem na atualização da tabela do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) prejudica diretamente quem ganha menos. Hoje, mais de 11 milhões de contribuintes que pagam o imposto estariam isentos caso fosse aplicada a correção integral da defasagem, que acontece desde 1996, segundo dados de um estudo da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco).
 
O mesmo estudo aponta que, caso tivesse interesse em cumprir a promessa de campanha de não aumentar a carga tributária dos trabalhadores, o atual presidente Jair Bolsonaro teria que realizar um reajuste de 7,39% na tabela, o que teria um custo de R$ 13,5 bilhões. E a consequência dessa falta de correção é direta, com contribuintes que deveriam estar isentos, mas acabam pagando o imposto.
Segundo o advogado especializado em Direito Tributário, Empresarial e Contabilidade e sócio do escritório Peccini Neto Advocacia, Ângelo Peccini Neto, a forma justa seria a correção a partir de índices atualizados.
 
"Temos uma defasagem imensa, de décadas, que prejudica notadamente os contribuintes de baixa renda, em virtude da proporcionalidade do pagamento. Hoje, quem recebe acima de R$ 1.903,98 deve realizar a declaração. Com uma atualização básica da tabela, a obrigatoriedade seria apenas para quem recebesse acima de R$ 4.022,89", exemplifica.
 
Para uma justiça tributária efetiva, diz, a correção na tabela do IR deveria acontecer de forma imediata, mas algumas alterações significativas já poderiam acontecer para 2022.
 
"Há dois cenários: ou uma atualização imediata, capaz de trazer um impacto imenso e uma grande parte da população não precisará mais pagar o IR, ou um aumento das possibilidades de deduções, que permitiria um abatimento do que é pago anualmente para o Fisco", sugere.
 
O fato de uma grande parte da população estar declarando IR e pagando por ele, quando na verdade não deveria, pode até ser questionado na Justiça. "Afinal de contas, essa atualização é dever do Fisco (União), que além de não fazer, ainda se beneficia diretamente com isso", aponta.
 
Fonte! Chasque (post) publicado nas páginas do Caderno JC Contabilidade, encartado na edição do Jornal do Comércio de Porto Alegre (RS), edição do dia 30 de junho de 2021.

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Fundos de Investimentos Imobiliários devem decolar mesmo com a crise

Cada vez mais brasileiros possuem investimentos em shopping centers, galpões logísticos, prédios comerciais e condomínios residenciais. Essa possibilidade é aberta graças aos Fundos de Investimentos Imobiliários (FII), mecanismos de participação nas receitas de empreendimentos residenciais ou comerciais. Um dos pioneiros neste mercado é Vitor Bidetti, sócio fundador e CEO da Integral Brei Real State. Em 1999, foi um dos fundadores da Brazilian Finance e Real Estate, que lançou a integração do mercado de capitais com o mercado imobiliário. O primeiro fundo desenvolvido foi o do shopping Higienópolis. A empresa se tornaria a Integral Brei em 2014, grupo que conta com duas gestoras, uma de fundos de crédito (FDICs) e outra de FIIs, que somam R$ 12,5 bilhões sob gestão.

Nesse período, o mercado de fundos imobiliários teve um crescimento muito forte. O setor, que em 2008 contava com patrimônio líquido de R$ 3,8 bilhões, fechou 2019 com o montante de R$ 156 bilhões aplicados em FIIs no Brasil. No entanto, isso representa apenas 3% do total de R$ 5 trilhões da indústria de fundos do País. Segundo Bidetti, há espaço para avançar ainda mais, para ao menos 10% do total da indústria de fundos em cinco anos.
 
Empresas & Negócios - Você foi um dos pioneiros no mercado de FIIs no Brasil. O que levou a apostar nesse tipo de investimento?
 
Vitor Bidetti - Quando lançamos o primeiro FII, em 1999, mais de 50% do dinheiro de investidores pessoa física no Brasil eram aplicados em imóveis como salas comerciais, flats e apartamentos, mas não para uso próprio. O objetivo era o de ter renda com o aluguel e como herança de proteção do período inflacionário que vivemos no passado. Então, percebemos que o brasileiro gostava de investir em imóveis, e pensamos que um fundo imobiliário seria a maneira mais moderna e conveniente de fazê-lo.
 
E&N - Que tipos de FIIs existem?
 
Bidetti - Os fundos imobiliários são segmentados por três famílias. A primeira são os fundos de tijolo, que são os que têm ativos físicos que geram renda, e são temáticos, como fundos de escritórios, de galpões logísticos, de shopping centers. Existe outra família que são os fundos de fundos, uma espécie de fundos de ações de fundos imobiliários. Ele é interessante especialmente para o pequeno e médio investidor, que não tem condições de, sozinho, fazer análise mais aprofundada de carteira. E, finalmente temos os fundos de papéis, que são os que investem em papéis de base imobiliária, como Certificados de recebíveis imobiliários (CRI) e letras de credito imobiliários (LCI).
 
E&N - A indústria de FIIs teve recorde de R$ 156 bilhões em patrimônio líquido em 2019, contra apenas R$ 3,8 bilhões em 2008. Até onde pode ir a expansão?
 
Bidetti - Espero que alcance pelo menos 10% da indústria total de fundos de investimentos no Brasil, que hoje alcança R$ 5 trilhões. Isso porque as taxas de juros estão muito baixas, a 2% ao ano, e caíram ainda mais do que podíamos imaginar devido às medidas de combate aos efeitos econômicos da pandemia de Covid-19. Esse nível de taxa gera rendimento real negativo em renda fixa. Então, isso fará com que o investidor busque ativos com maior rentabilização. Os fundos imobiliários podem ser um primeiro passo nessa migração para a renda variável, pois têm volatilidade menor do que a média do mercado, são mais seguros. Esse movimento já vem ocorrendo. No começo do ano passado, havia 350 mil investidores em FIIs. Hoje, já são 850 mil, e devemos bater 1 milhão de investidores até 2021.
 
E&N - A crise gerada pela pandemia de Covid-19 pode afetar o crescimento do setor?
 
Bidetti - Na verdade, a crise pode até incentivar esse crescimento. Num cenário de saída de crise, é natural buscar ativos reais, que são basicamente três: mercado imobiliário, ouro e câmbio. Mas, no Brasil, o câmbio é muito volátil e incontrolável. O ouro é uma indústria muito pequena, que ficou parada no tempo. Então, o mercado imobiliário é a alternativa natural para o brasileiro. Essa era nossa tese em 1999, quando fizemos o primeiro fundo imobiliário, e que se comprovou.
 
E&N - Por que um investidor deveria optar por FIIs ao invés de adquirir imóveis físicos?
 
Bidetti - Há várias vantagens. A primeira é a liquidez. Os FIIs são listados em bolsa, e comercializados com cotas de R$ 100 ou R$ 1 mil. Se investiu R$ 300 mil mas precisa R$ 10 mil, pode dar uma ordem para vender o equivalente a R$ 10 mil e resolver seu problema. Mas quem gastou R$ 300 mil em um imóvel não tem como vender apenas o banheiro para conseguir dinheiro imediato. Em uma necessidade, você acaba tendo que correr para vender o imóvel e, com urgência, acaba tendo que dar desconto no preço. E ainda tem a comissão de 5% a 6% da imobiliária, que não existe em FII, você paga uma comissão de corretagem que é menor que 1%.
 
E&N - Quais seriam as outras vantagens desse investimento?
 
Bidetti - O FII conta com a figura de um gestor especialista para ter estratégias mais sofisticadas e melhores retornos. Isso você consegue comprovar ao comparar a rentabilidade de um FII com um aluguel tradicional. Além disso, você também pode investir em imóveis que normalmente não teria acesso. O investidor de imóvel geralmente não acessa grandes empreendimentos, como shopping centers, torres corporativas, galpões logísticos. Os fundos criam esse acesso a grandes empreendimentos e portfólios diversificados.
 
E&N - Quais são as suas perspectivas para o mercado imobiliário no pós-crise?
 
Bidetti - O mercado imobiliário residencial passou pela crise de forma mais positiva do que o inicialmente pensado. Ele já está tendo uma retomada, graças a investidores que buscam aplicar recursos que estavam na renda fixa. Antes mesmo da crise, já existia uma grande demanda. Os fundamentos desse mercado seguem: temos um déficit habitacional de 8 milhões de moradias, cerca de um milhão de pessoas se casam por ano, existe 340 mil divórcios por ano. Além disso, há todo um movimento de pessoas buscando casas e apartamentos maiores, mais confortáveis, devido à necessidade de passar mais tempo em domicílio, especialmente com o trabalho home office. Para que vendas ocorram, é preciso oferta de crédito e confiança. A confiança ficou abalada junto com o emprego na pandemia. Mas o crédito volta com força. Os bancos não deixaram de conceder novos empréstimos para este setor. E as obras praticamente não pararam. No pior da crise, as atividades nos canteiros estavam em 72%, hoje estão em mais de 90%.
 
E&N - E como fica a situação do segmento comercial?
 
Bidetti - O mercado de escritórios corporativos tem hoje uma situação de oferta inversa do que viveu na crise anterior. Em 2015, quando começou a recessão, havia muitos lançamentos que iniciaram no período anterior e só chegaram ao mercado quando a crise começou. Agora, há uma baixa oferta de lançamentos, e ela já está praticamente dada. Antes da pandemia, a taxa de vacância estava caindo e o preço do imóvel subindo. Essa trajetória agora dá uma parada, a vacância até vai aumentar um pouco, mas depois volta a cair, porque não tem lançamentos. Além disso, mesmo que haja um crescimento da prática do home office pelas empresas, uma eventual redução de espaço por menor ocupação deve ser compensada por uma maior necessidade de espaçamento entre as pessoas.
 
E&N - Algum investimento deve ficar mais atrativo?
 
Bidetti - Galpões logísticos são o investimento mais interessante diante do movimento crescente de e-commerce. Eles abrigam empresas como Amazon, Magalu, Americanas. O segmento logístico deve ter comportamento bom nos próximos anos, e já tinha uma queda acentuada de vacância.
 
E&N - Qual o setor mais preocupante?
 
Bidetti - Os shoppings centers, nas crises anteriores, eram mais resilientes. Neste caso, foi uma situação fora do padrão. Os shoppings estão muito afetados devido ao fechamento por vários meses, o que é muito relevante para varejo. Todo o setor está sofrendo, tendo que fazer concessões, descontos, carências. Os grandes grupos devem retomar o padrão pré-crise em 2021. Mas os shoppings menores terão muitas dificuldades. Será preciso ver como se reposicionam, até porque competem fortemente com o e-commerce.
 
Fonte! Chasque (post ) publicado no Caderno Empresas & Negócios, na página "Com a Palavra", da edição do Jornal do Comércio de Porto Alegre (RS), do dia 10 de agosto de 2020. Também acessível nos potreiros da internet: https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/cadernos/empresas_e_negocios/2020/08/751074-fundos-de-investimentos-imobiliarios-devem-decolar-mesmo-com-a-crise.html