quinta-feira, 6 de abril de 2017

Churrasco vira moda na China

Em Pequim, 25 restaurantes divulgam a gastronomia brasileira

Não é só a carne brasileira que está em alta na China - pelo menos estava até o escândalo da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, levar as autoridades a suspender as importações do produto brasileiro. O churrasco entrou na moda e ajudou a espalhar a boa fama da carne e do estilo de vida do brasileiro. Proliferam as churrascarias por todo o país. Só na capital, há 25; das quais, duas apenas com churrasqueiros brasileiros. 

Curiosamente, os fornecedores desses estabelecimentos não trabalham com carne brasileira. Mas são obrigados a oferecer a tradicional picanha, um corte que só os chineses muito iniciados saberão dizer o que é. Os outros não têm ideia do que se trata. "Tivemos de ensinar como é que se faz para tirar a bola da picanha da peça inteira", conta Ceará, o churrasqueiro do restaurante Latina, que vive há 17 anos em Pequim.

A primeira churrascaria chinesa abriu as portas na capital em 1994, mas já não existe mais. A Beijing Brazil fechou antes da Olimpíada de Pequim, em 2008, para dar lugar a mais uma via na larga avenida que passa pela Praça da Paz Celestial. Ceará, que fala chinês como um local, afirma que a clientela gosta de ver os pratos cheios. A carne sempre foi item de luxo na China. Até bem pouco tempo atrás, era usada como tempero, e não prato principal.

Foi ascensão de tantos milhões à classe média que popularizou o consumo da carne. "Eles ficam alucinados com aquelas peças que a gente serve no rodízio", conta Ceará, no intervalo entre o almoço, que é servido das 11h às 14h, e o jantar, pouco antes da sua sesta, um hábito bastante chinês que incorporou à rotina.

A Carnaval é uma churrascaria comandada por locais e até lembra as antigas churrascarias brasileiras. Um estabelecimento com características chinesas. Tem o rodízio, o que muitas não costumam usar (deixam as carnes servidas em um bufê) e oferecem acompanhamentos muito mais da culinária chinesa do que outra coisa. À noite fazem show de música, com dançarinas com poucas roupas e chineses cuspidores de fogo.

O mercado de carnes da China é uma conquista recente. Os produtores consideram o ano de 2016 como um divisor de águas. Foi quando o Brasil deixou os australianos para trás pela primeira vez, tornando-se o principal fornecedor de carnes bovinas. De 2012 a 2015, a carne brasileira não entrava na China. Estava embargada por causa de casos de doença da vaca louca. As exportações de carne suína - a preferida do consumidor local - passaram de 123 mil toneladas, em 2015, para 232 mil toneladas no ano passado. Um salto importante de 82% em um país que produz a maior parte de carne de porco que consome.

Fonte! Chasque (matéria) publicano nas páginas do caderno Empresas & Negócios, do Jornal do Comércio de Porto Alegre - RS, na edição do dia 03 de abril de 2017.  


Não é só a carne brasileira que está em alta na China - pelo menos estava até o escândalo da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, levar as autoridades a suspender as importações do produto brasileiro. O churrasco entrou na moda e ajudou a espalhar a boa fama da carne e do estilo de vida do brasileiro. Proliferam as churrascarias por todo o país. Só na capital, há 25; das quais, duas apenas com churrasqueiros brasileiros. Curiosamente, os fornecedores desses estabelecimentos não trabalham com carne brasileira. Mas são obrigados a oferecer a tradicional picanha, um corte que só os chineses muito iniciados saberão dizer o que é. Os outros não têm ideia do que se trata. "Tivemos de ensinar como é que se faz para tirar a bola da picanha da peça inteira", conta Ceará, o churrasqueiro do restaurante Latina, que vive há 17 anos em Pequim. - Jornal do Comércio (http://jcrs.uol.com.br/_conteudo/2017/03/cadernos/empresas_e_negocios/554163-churrasco-vira-moda-na-china.html)