segunda-feira, 17 de junho de 2013

Tesouro volta a render acima de 10% anuais

Depois de um ano, elevação da taxa Selic melhora o desempenho dos títulos públicos vendidos através da internet
 
Depois de um ano, os títulos públicos vendidos via internet - modalidade chamada de Tesouro Direto - voltaram a oferecer ao investidor remuneração acima de 10%. Os ganhos haviam caído  devido à política de corte de juros do governo. É que o desempenho dos papéis acompanha o juro básico, a taxa Selic, que, em outubro de 2012, chegou a 7,25% ao ano, a mínima histórica e que durou até abril deste ano.

Com a retomada dos aumentos da Selic para conter a inflação - os juros subiram gradativamente até os atuais 8% ao ano e há perspectiva de mais elevação nos próximos meses -, os títulos do Tesouro Direto voltaram a render dois dígitos. Entre os papéis prefixados, cuja rentabilidade é definida no momento da compra, a chamada NTN-F (Nota do Tesouro Nacional Série F) com vencimento em 2023 oferecia rendimento de 10,75% ao ano, para quem comprava na última sexta-feira. Esse patamar não era alcançado desde junho de 2012. 

A LTN (Letra do Tesouro Nacional) com vencimento em 2016 pagava juros de 10,29% ao ano aos investidores na última sexta-feira, retomando o nível de abril do ano passado. Os títulos pós-fixados, cujo ganho é corrigido por algum índice (como o IPCA, que mede a inflação oficial), também estão mais atraentes do que há um ano. A NTN-B Principal (Nota do Tesouro Nacional Série B Principal), mais procurada pelos investidores, oferece juros reais (descontada a inflação do período) de 5,3% ao ano no caso do papel com vencimento em 2035.

Na avaliação de especialistas, o nível de rendimento dos títulos públicos não deve subir muito além do atual no curto prazo porque a taxa Selic, embora em tendência de alta, não deve voltar a patamares de anos anteriores, em dois dígitos. Estimativas de economistas consultados na última pesquisa do Banco Central apontam o juro básico em 8,75% ao ano no fim de 2013 até dezembro de 2014. 

“O fato é que a renda fixa não rende mais o que rendia no passado. Nos últimos meses, a maioria dos investimentos de renda fixa perdeu para a inflação. É preciso garimpar por rentabilidade”, diz Aline Rabelo, coordenadora do Investmania, rede social de investidores.

É importante destacar que, no caso do título prefixado, cujo desempenho é estabelecido no momento da aquisição, o investidor que compra o papel agora deixa de aproveitar o cenário de aumento de juros no futuro. O aplicador pode ainda perder dinheiro se vender o papel antes do vencimento. Isso porque, nessa negociação, é feito um desconto definido em razão da Selic do momento. Ou seja, quanto mais alta a Selic, maior será o desconto no preço do título na venda antes do prazo.

 Fonte! Chasque publicado nas páginas do Jornal do Comércio de Porto Alegre, na edição do dia 17 de junho de 2013.