domingo, 12 de abril de 2015

Como a crise financeira afeta a vida dos idosos

Preocupação deve ser redobrada nesse momento.
Especialista dá dicas de como organizar as finanças
 

O primeiro bimestre de 2015 já ficou marcado na vida da população brasileira pela série de aumentos e ajustes em produtos, serviços e impostos, que elevaram a inflação e acabaram diminuindo a renda e o poder de compra. Em janeiro, o índice de desemprego subiu e ocupou a pior posição desde 2013. Há ainda os recentes protestos dos caminhoneiros, que prejudicaram o abastecimento de alimentos em diversas cidades do país, e o risco de racionamento de água e energia elétrica.
 
E como fica o bolso dos idosos neste cenário de recessão econômica? Quais são os impostos que afetam diretamente a vida das pessoas da terceira idade? Como fica o acesso ao crédito? O Portal Plena conversou com o educador financeiro Reinaldo Domingos para responder estas e outras questões que estão preocupando nossos leitores.
 
Confira:
 
- De que maneira a crise financeira de 2015 pode afetar os idosos/aposentados?
Primeiramente, é importante termos em mente que passamos por um momento recessivo, e que temos que ter muito cuidado quando falamos sobre uma crise financeira. Temos que buscar tratar esse tema de forma preventiva, com educação financeira, para que os impactos do momento financeiro que passamos sejam os menores, principalmente na vida dos idosos. Contudo no caso de uma crise financeira mais profunda, temos que ter me mente que todos serão afetados, independente da idade, com a volta da inflação e da alta do dólar, que refletem em toda cadeia do consumo. Outro ponto é que medidas drásticas já estão sendo tomadas como ocorreu com a reformulação nas regras da pensão que ocasionou consideráveis prejuízos para esses casos e outras medidas ainda podem ser tomadas. Assim, o momento é de grande preocupação, mas, mais do que ficar em posição defensiva, esperando o pior acontecer, é hora de buscar mudar com o objetivo de repensar a vida financeira e sair desse período de crise de maneira fortalecido.
 
- Os reajustes de impostos anunciados pelo governo impactam a vida financeira dos aposentados?
São vários os aumentos anunciados nesse início de ano e cada um tem um impacto, assim, temos que trata-los individualmente, vamos lá:
•         Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas operações de crédito para o consumidor – Como a alíquota mudou de 1,5% para 3% ao ano (o equivalente à alta de 0,0041% para 0,0082% por dia) nas tomadas de crédito, quando um aposentado precisar de um empréstimo ou fizer qualquer outra ação de crédito, até mesmo uso de cartão de crédito, terá que pagar mais.
•         Juros dos financiamentos imobiliários – Quem está financiando um imóvel pelo Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), com valor acima de R$ 750 mil, sofrerá um pouco mais para pagar, já que a taxa de juros anual passará de 9,2% para 11% para os não-clientes.
•         Imposto dos combustíveis - a tributação sobre a gasolina e o diesel terá um aumento de R$ 0,22 para a gasolina e de R$ 0,15 para o diesel e já foi informado que esses valores serão repassados diretamente para a população, em resumo, se pagará mais para abastecer os carros.
•         Tarifa de luz – Com a tarifária de cor vermelha para o consumo de energia elétrica, se teve um aumento de R$ 3,00 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos desde janeiro. Isso porque passou a vigorar o sistema de bandeiras tarifárias – que contará com as cores verde, amarela e vermelha – indicando as condições de geração de energia no país. Enfim, aumento de energia.
•         Juros Selic - O Banco Central elevou os juros básicos (Selic)da economia de 11,75% para 12,25% ao ano. Esse fato também tem reflexo direto na tomada de crédito ou para os aposentados que possuem empréstimos com juros obtidos, já que significa juros em alta para o consumidor. Por outro lado essa decisão é interessante para quem pretende investir, pois aumenta a rentabilidade.
 
- Como os idosos podem se preparar para 2015 para não terem o nome na lista de inadimplentes? Quais "armadilhas" devem evitar?
Temos hoje mais de 20 milhões de aposentados pelo INSS no Brasil, destes somente uma pequena porcentagem é independente financeiramente, ou seja, possuem qualidade de vida utilizando o dinheiro recebido do INSS e algum complementado, como previdência privada ou reservas que ao longo de suas vidas conseguiram juntar, a situação é alarmante. O problema é que ao se aposentarem apenas pelo INSS, os rendimentos caem drasticamente, em contrapartida, com o avançar da idade, inevitavelmente, as pessoas acabam gastando muito com remédios e consultas médicas. Com a crise isso piora ainda mais. Assim, grande parte dos aposentados não é independente financeiramente, parte dependem de parentes (filhos), parte estão a beira de pedir esmolas e uma boa parte tem que continuar trabalhando para manter o padrão de vida, isto porque o valor do beneficio recebido pelo INSS não consegue manter seus gastos e viver dignamente. É preciso repensar todo processo de aposentadoria, mas, para quem já aposentou também é possível reverter esta situação. Para isso é necessário aplicar a educação financeira. Nunca é tarde para conquistar os sonhos, com a expectativa de vida cada vez mais perto dos 100 anos, é possível para os aposentados realizar cada vez mais sonhos, mas isso deve ocorrer por meio da educação financeira e na mudança do comportamento perante o dinheiro.
 
Assim, nesse momento a preocupação deve ser redobrada, veja algumas dicas:
 
•         Proibido ficar no vermelho em 2015 – a alta dos juros Selic terá reflexo nos juros da pessoa física, assim, endividamento nesse momento é muito temeroso. Pode parecer impossível, mas é exatamente nesses momentos que os credores também oferecem as melhores condições para negociações. A orientação é, primeiro, resolver a causa do endividamento. Adequar seu padrão de vida a uma nova realidade é muito difícil, mas é fundamental. Corte gastos para ganhar fôlego e assumir o compromisso de pagar as dívidas. Se não se livrar desse problema de forma emergencial, pode ter certeza que a alta dos juros prejudicará a sua saúde financeira no futuro.
 
•         Não é hora de dormir – ouço com frequência pessoas falarem "quero dormir e só acordar quando acabar a crise!". Esse é um grande erro; períodos de adversidades devem ser encarados, pois aprendemos mais nos momento difíceis do que quando está tudo correndo muito bem. Mude a postura de sua vida pessoal e financeira. Invista em seu crescimento profissional e evite ficar em uma posição passiva. No âmbito familiar, chegou a hora de mostrar que é um líder, buscando reduzir gastos, isso porque, em média, 25% dos nossos gastos são com supérfluos. Sempre dizemos que não têm mais da onde reduzir os gastos, mas, depois, quando fazem uma análise, observam que é possível. Agindo assim, verá uma realidade muito diferente do que imaginava.
 
•         Chegou o momento de sonhar – por mais que o cenário seja de pesadelo, nessa hora, é de grande importância sonhar, ou seja, definir os objetivos materiais, pois eles é que farão com que se tenha foco para evitar o descontrole ou mesmo o desespero.
 
•         Evite gastos excessivos em moedas estrangeiras – em 2015, o vai-e-vem do câmbio deve se manter, mas o dólar continuará em alta. Sendo assim, cuidado com gastos excessivos em moeda estrangeira. Aquelas viagens para países que usam dólar ou euro podem esperar, priorize viagens internas ou pela América do Sul. Também evite comprar produtos importados, que tendem a ficar mais caros. Lembrando que compras em países chamados "emergentes" ainda podem ser interessantes.
 
•         Invista – com a alta de juros, agora, é um bom momento para investir. Quem conseguir guardar, terá bons resultados. Contudo, o grande erro que observo é a ideia de poupar sem motivo e buscar sempre o melhor rendimento. No mercado financeiro, existem diversas opções de aplicação em ativos financeiros com riscos diferentes. A orientação é procurar variar o investimento de acordo com o tempo que o utilizará. De forma geral, o risco de uma aplicação financeira é diretamente proporcional à rentabilidade desejada pelo empreendedor, ou seja, quanto maior o retorno estimado pelo tipo de aplicação escolhida, maior será o risco. Por isso, é preciso cautela. No campo das ações, olhe para empresas que estão em baixa hoje, como Petrobrás, pois, muitas tendem a retomar valores anteriores.
 
Fonte! Chasque (postagem) de Mariana Parizotto, publicado no sítio Portal Plena. Abra as porteiras clicando em http://www.portalplena.com/vamos-discutir/375-como-a-crise-financeira-afeta-a-vida-dos-idosos