segunda-feira, 9 de maio de 2011

Educação financeira pode auxiliar classe C

Especialistas temem que o maior poder aquisitivo traga a inadimplência


Moderar consumo é o conselho de economistas diante da alta dos juros

O aumento do poder aquisitivo da classe C no país deixa em alerta o setor econômico. Até poucos meses isso era motivo de comemoração por impulsionar os negócios, mas hoje já é visto com precaução porque, na opinião de especialistas, falta educação financeira e experiência para o uso do crédito de forma responsável.

"Estimular o crescimento da renda sem que se pressione a inadimplência é o desafio e o governo está preocupado com isso", diz o economista Antônio Fraquelli, da Fundação de Economia e Estatística (FEE). O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, recentemente mandou um recado aos consumidores ao dizer que o momento é de poupar, postergando os gastos, e de levar em conta a alta dos juros para investimentos financeiros. As declarações vieram em um momento em que o governo adota medidas de restrição ao crédito para manter a inflação sob controle e não ultrapassar o teto da meta, de 6,5%.

"Se quiser adiar o consumo, moderar o consumo presente para consumir mais à frente, este é o momento de fazê-lo, pois o rendimento das aplicações financeiras está em elevação em função da política monetária", disse o presidente, ao participar de audiência pública no Congresso.

Fraquelli admite que será difícil conter os novos consumidores, já que essa era uma classe fora do mercado de consumo e, agora, com o aumento do emprego e da renda, está inserida na economia. A demanda reprimida deixou de existir e a nova classe foi às compras. Segundo dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV) esse novo grupo é de 94,9 milhões, 50,5% da população. Com isso, de 2008 para 2009, 3,1 milhões de pessoas passaram a integrar a classe C, cuja renda varia entre R$ 1.126,00 e R$ 4.854,00, valor mensal suficiente para interessar empresas de todos os segmentos, inclusive ou principalmente o setor financeiro. Os grandes bancos públicos e privados aumentaram o interesse por esses clientes, ofertando produtos e serviços.

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) reconhece que as instituições não estão inteiramente preparadas para lidar com a nova classe e, portanto, para que esse grupo e as famílias em geral não corram risco de se endividar. Por isso, lançou em março um portal com dicas de uso consciente do dinheiro.

Fonte! Chasque publicado no jornal Correio do Povo, na edição do dia 08 de maio de 2011. Os créditos do retrato vão para Carla Ruas / CP Memória.