domingo, 7 de outubro de 2012

Debêntures sem IR chegam ao mercado com oferta da Autoban

Concessionária da rodovia Anhanguera será a primeira a emitir debêntures de infraestrutura; papel promete remuneração maior que o Tesouro Direto, mas tem riscos maiores
SÃO PAULO - Na metade do mês, será apresentada aos investidores uma nova categoria de aplicação em títulos de empresas, isentos de Imposto de Renda. As debêntures incentivadas ou de infraestrutura chegam ao mercado com a oferta da Concessionária do Sistema Anhanguera-Bandeirantes (Autoban) e prometem rentabilidade acima dos títulos públicos. Em contrapartida, a aplicação é de longo prazo e envolve riscos característicos do mercados de títulos de empresas privadas e dos próprios projetos das companhias emissoras.
"Para proteger o poder de compra, será preciso ter uma carteira mais diversificada. Será importante verificar quem é o emissor. Nesta linha, a consultoria pode ajudar", diz o estrategista de gestão patrimonial da Rio Bravo Investimentos, Beto Domenici. "As debêntures são um mecanismo de financiamento de longo prazo importante para as empresas, mas envolve um novo patamar de risco, até por serem dívidas longas", diz uma fonte que não quis se identificar.
O professor de economia do Insper, Ricardo Rocha, aponta diferenças significativas de risco neste tipo de investimento. "A aplicação em debêntures é diferente de aplicar em Tesouro Direto, onde o risco basicamente é de mercado, de avaliar se a taxa de juros ou de inflação pode subir e você perder", afirma Rocha. Nesse tipo de título, que representa a dívida da empresa com o investidor, deve haver sempre a preocupação com a situação financeira da companhia. Ou seja, com o recebimento do dinheiro no futuro.
Além disso, uma vez que o mercado de debêntures ainda engatinha no Brasil, é necessário verificar a liquidez (facilidade de negociação) que o papel terá após ser emitido. Para isso, o professor do Insper recomenda verificar se a debênture terá formador de mercado - uma corretora ou banco que se comprometa a colocar um determinado número de ofertas de compra e venda do papel todos os dias. Assim, sempre haverá vendedores e compradores, caso o investidor queira negociar sua aplicação.
A oferta
As debêntures incentivadas foram aprovadas neste ano como uma alternativa para o governo incentivar a melhoria de infraestrutura para os grandes eventos esportivos que ocorrerão no País (Copa do Mudo em 2014 e Olimpíada em 2016). Somente nove projetos dos Ministérios dos Transportes e de Minas e Energia já devem movimentar R$ 12 bilhões neste mercado.
A primeira leva de ofertas deve ser emitida em 15 de outubro. O período de reserva para o investidor registrar sua intenção de compra começou no dia 24 de setembro e vai até a próxima terça-feira, dia 9 de outubro. O pedido deve ser feito em uma corretora ou banco participante da oferta.
Para as pessoas físicas, a reserva pode ser feita pelo valor entre R$ 3 mil e R$ 300 mil. A remuneração depende da série. A primeira, que vence em setembro de 2017, tem remuneração de no máximo 109,20% do CDI. A segunda série, que vence em outubro de 2017, será corrigida pelo IPCA mais juro prefixado de até 0,25% acima do que é pago no título de inflação NTN-B com vencimento em 15 de agosto de 2016, que hoje pagam pouco mais de 3% de remuneração. As taxas serão definidas no processe de bookbuilding, em 10 de outubro.
A empresa pretende captar R$ 950 milhões para projetos de melhoria no fluxo na rodovia Anhanguera, que conforme o próprio prospecto da oferta enfrenta congestionamentos no horários de pico. Entre as obras estão previstas a implantação de pistas marginais e de faixas, construção de um viaduto para a Avenida Mutinga, a remodelação do trevo entre Marginal Tietê e a Via Anhanguera, entre outros.
"Acredito que haja uma preocupação da CVM de não permitir que companhias muito pequenas e de grande risco coloquem oferta no varejo, mas sempre deve ser lido o prospecto de risco, para verificar os riscos inerentes ao projeto", diz Rocha. Os riscos nas obras podem variar da emissão de uma licença ambiental a uma intervenção maior do governo. No caso da rodovia Anhanguera, o prospecto cita que a empresa está exposta a riscos relacionados ao volume de tráfego e receita de pedágios e de término antecipado da concessão.
O especialista chama a atenção ainda para a questão dos custos da oferta. Apesar de não haver corretagem para participar do rateio das debêntures, em alguns casos pode ser cobrada a taxa de custódia. "Há ofertas em que a custódia come todo o rendimento extra. O investidor precisa fazer as contas", comenta. No caso da oferta da Autoban é informado que as debêntures serão custodiadas na Cetip e/ou BM&FBovespa, mas não é dito o valor. O prospecto está disponível no site da CVM.
Fonte! Chasque de Yolanda Fordelone, publicado no "Economia e Negócios" do sítio eletrônico do O Estado de São Paulo. Abra as porteiras: http://economia.estadao.com.br/noticias/economia%20brasil,debentures-sem-ir-chegam-ao-mercado-com-oferta-da-autoban,129358,0.htm.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Você compra seu carro por necessidade, status ou pelo preço? Ou tudo isso?

Você compra seu carro por necessidade, status ou pelo preço? Ou tudo isso?A decisão de comprar um carro geralmente é razão para longas e calorosas conversas. Esse tema desperta nos brasileiros emoções capazes de alterar seu comportamento e, principalmente, os parâmetros usados na hora de decidir ou não pela compra. Será que isso também acontece com outras compras? Pense nestas situações:
  • Você já cogitou comprar um tênis três números acima do seu apenas porque tem o mesmo preço?
  • Com R$ 100 para gastar em vestuário, já ficou em dúvida entre uma camiseta, uma calça ou 20 pares de meia?
  • Precisando de uma chave de fenda para apertar parafusos, você já foi a uma loja e acabou voltando com um martelo?
  • Ou, ainda, ao olhar para os martelos disponíveis, optou por um apenas porque tinha os adesivos “Adventure Sport” ou “Exclusive – Eco Movement”?
Poderíamos ir longe nesses exemplos aparentemente bizarros. No entanto, esses casos não são tão distantes da realidade ao pensarmos no comportamento das pessoas na hora de escolher qual carro comprar. “Como assim?”, você pergunta.

Sim, observamos muitas confusões em relação aos motivos pelos quais as pessoas decidem comprar um determinado carro. Basicamente, muitos se esquecem de pensar em suas necessidades (presentes e futuras) e acabam comprando movidos pelo desejo, emoções, busca de status ou deixam que a faixa de preço decida as opções.

Considerando esse cenário, o nosso objetivo é apresentar um plano de orientação para conciliar todos esses aspectos, respeitando o perfil de cada um. Vale lembrar que não preconizamos “receitas” aplicáveis a todos justamente porque respeitamos as diferenças individuais.

Assim, esperamos que este texto não seja interpretado como algo inflexível, até porque sempre estamos abertos ao aprendizado contínuo, acreditando no aperfeiçoamento constante. Participe da discussão e deixe sua opinião.

O guia de referência para escolha do seu carro, considerando o que temos observado e aplicado no nosso trabalho de consultoria automotiva pessoal é o seguinte:

1º Passo – Análise da necessidade

Após décadas de marketing pesado, muitos se esqueceram de que os bens que adquirimos devem, em primeiro lugar, suprir nossas necessidades. Dessa forma, precisamos voltar a ter esse foco para realizarmos compras conscientes. Para tanto, o autoconhecimento é muito importante.
“Muitas vezes, observando a quantidade de objetos à venda, Sócrates dizia a si mesmo: ‘Quantas coisas me são desnecessárias!’”Diógenes Laércio
Lembrando dos nossos exemplos pitorescos do início, se você precisa apertar parafusos, deve obter uma chave de fenda. Obviamente, um martelo não resolverá o seu problema.
Focando no mercado automotivo, deve-se inicialmente pensar na razão para comprar o carro.
  • Quais são as necessidades que serão atendidas com aquela ferramenta de transporte?
  • Como será usado? Rodará bastante? Em quais tipos de vias?
  • Transportará muitas pessoas e bagagem?
  • Qual tipo de carroceria e tamanho são ideais?
  • O modelo escolhido tem boa durabilidade?
  • Existe facilidade de manutenção desta marca na região?
  • O carro é seguro?
  • Se você transportará crianças, já sabe se o veículo possui o sistema Isofix para fixação das cadeirinhas?
Enfim, esses são apenas alguns itens de uma imensa lista que deve ser analisada antes de escolher o carro. Isso permitirá que você fique mais tempo com o veículo, o que também é interessante financeiramente.
Exemplo ilustrativo simples: um pequeno empresário precisa de um veículo para transportar carga no seu negócio, mas que também seja interessante para o lazer com sua namorada. Depois de analisar suas necessidades, a escolha é uma caminhonete média com cabine simples.

2º Passo – Análise Financeira

Agora que você já sabe quais são as características necessárias no veículo, é hora de avaliar a questão financeira. Note que partimos da necessidade e depois chegamos às finanças.

Isso porque entendemos que não é adequado pensar: “Tenho R$ 80 mil: será que compro um sedã médio, um hatch compacto de imagem, um SUV 4×4 ou uma caminhonete usada?”. Observem que são veículos totalmente diferentes e com características e propostas peculiares. Antes de tudo, saiba o que quer para evitar essa confusão extrema.

Lembrando dos nossos exemplos iniciais, pensar dessa forma equivale a comprar o tênis maior do que o necessário ou ficar em dúvida sobre roupas que têm finalidades muito diferentes.

Seguindo em frente nas finanças, é interessante verificar qual é o limite que você pode gastar (ou financiar) no Preço de Compra. Para definir esse teto, lembre-se de deixar uma margem de segurança para algumas despesas adicionais, como as referentes ao emplacamento no caso dos zero quilômetro. Para os usados, essa margem deve ser maior para contemplar custos com transferência e eventuais reparos necessários.

Mas sempre se lembre de que o Preço de Compra é apenas UM dos itens da Estrutura de Preços dos carros. A segunda ação é justamente pesquisar para ter uma ideia de quanto aquele determinado veículo pode impactar no seu orçamento, principalmente considerando as despesas efetivas mensais e anuais. Para ter noção desses custos, acesse nosso artigo “Carros: conheça a (caríssima) Estrutura de Preços no Brasil”.

Como já dissemos, essa Estrutura, embora aplicável a todos os veículos, apresenta números muito diversos de carro para carro, considerando as especificidades de cada modelo. Além disso, carros do mesmo segmento e com preços de compra parecidos também podem apresentar números bem diferenciados.

Por exemplo, às vezes um carro, que tem o preço de compra um pouco mais alto, acaba compensando o investimento ao longo do tempo por apresentar boas condições financeiras de seguro, desvalorização, consumo e custo de manutenção. Enfim, tudo vai depender de muita pesquisa.

“Ah, chequei às minhas necessidades, mas agora descobri que não tenho o dinheiro suficiente para comprar ou financiar o carro de que preciso?”. Nesse caso, vale abrir mão de algumas coisas menos importantes ou pensar na compra de um veículo usado, desde que em ótimas condições de uso e conservação.

Pela nossa experiência trabalhando também na localização de anúncios de carros usados de qualidade, podemos afirmar que, com paciência e pesquisa, é possível encontrar bons veículos. Por fim, novamente ressaltamos que não é aconselhável economizar comprando carros de má qualidade e inseguros.

Exemplo ilustrativo simples: continuando o caso do empresário, ele pode pagar até R$ 65 mil e, digamos, suportar despesas de até R$ 2.500 mensais.

3º Passo – Análise da qualidade e segurança do carro

“Os níveis de segurança dos carros mais populares da América do Sul ainda estão vinte anos atrasados em relação aos veículos utilizados na Europa e América do Norte”, diz Max Mosley ex-presidente da FIA e atual presidente do Global NCAP.

Esse é um tema de grande importância e será tratado com mais detalhes num artigo específico. No momento, gostaríamos de ressaltar a nossa visão de que a compra de carros seguros deve ser prioritária. Isso porque entendemos que os valores “vida” e “saúde” estão acima de todos os outros.

Para essa análise, é importante saber os resultados do carro em crash-tests, como se comporta a sua estrutura de deformação e checar quais são os itens de segurança passiva e ativa disponíveis.
Adicionalmente, para uma compra inteligente, outros aspectos devem ser analisados, como a qualidade e modernidade do projeto, o desempenho, as características do motor, câmbio e suspensão, entre outros.

Exemplo ilustrativo simples: depois de ter acesso à análise das opções no mercado, o nosso empresário conclui que há duas caminhonetes bacanas no segmento, com projetos novos e que obtiveram boas notas nos crash-tests internacionais.

4º Passo – Seus desejos e a emoção

Percebeu que nesse item não há a palavra “análise”? Pois é, agora que sua mente analisou todos os aspectos anteriores e você chegou até aqui com alguns modelos no radar, é hora de ouvir o seu coração e sua intuição.

A vida não pode ser apenas racional e as nossas emoções e gostos também devem ser valorizados (não hipervalorizados infantilmente, frise-se). Beleza, cores e sensações não podem ser deixadas de lado.
“A beleza das coisas existe no espírito de quem as contempla.”David Hume
Nesse momento, é hora de apreciar o design externo, interno e tudo aquilo que faz você se sentir bem e gostar daquele modelo. Também cabe valorizar características que são legais simplesmente porque você “curtiu”.

O lado emocional está aqui, em caráter complementar, em função da realidade que temos no Brasil, onde muitos carros não têm níveis de qualidade e segurança satisfatórios, além de serem os mais caros do mundo. Por conta disso tudo, percebe-se como são problemáticas as rotineiras compras impulsivas baseadas apenas em alguns elementos sentimentais.

Lembram do exemplo do começo sobre o martelo com os adesivos? Você acha que esses apetrechos alteram em alguma coisa a qualidade e o uso da ferramenta? Parece óbvio que não, certo? Pense nisso em relação aos carros e evite compras movidas apenas por coisas sem sentido.

Claro que, se você conciliou os passos anteriores e ainda pode ficar com um carro com acessórios e emblemas bacanas, siga em frente e seja feliz.

Exemplo ilustrativo simples: nosso empresário finalmente escolhe a sua caminhonete preferida, que é mais bonita e tem mais itens de série do que a rival. Além disso, conta com piloto automático, algo que ele sempre quis.

5º Passo – Status e imagem do carro

Por fim, este não deveria ser um passo na nossa visão. Simplesmente porque você não é o carro que possui. Escolher um bem pensando no que os outros vão pensar é algo que não possui um fundamento plausível se pensarmos de forma consciente.
“Não se mede o valor de um homem pelas suas roupas ou pelos bens que possui; o verdadeiro valor do homem é o seu caráter, suas ideias e a nobreza dos seus ideais.”Charles Chaplin
“Ah, mas no Brasil carro é status”. Sim, sabemos disso. Mas, você acha que isso é algo bacana, sustentável e que deve ser perpetuado? Lembre-se de que esse é um jogo competitivo sem fim e você estará sempre lutando para manter-se com uma “boa imagem”.

Nesse ponto, lembramos que os carros, em muitos casos, são vistos como “bens posicionais”. Esse termo econômico é usado para designar bens demandados não pelo uso e sim pelo status que proporcionam em termos de posição social.

Novamente, atente: o consumo nessa hipótese está desvinculado do bem e de você, porque é orientado para satisfazer expectativas dos outros.

Perceba que comprar um carro esportivo não o torna um esportista. Assim como comprar um martelo com o adesivo “Adventure Sport” não o torna um atleta radical. Novamente, o autoconhecimento e os valores individuais devem ser relevantes para pautar suas escolhas.

Mas, como já dissemos, evitamos radicalismos e sabemos que existem determinadas pessoas que, pela profissão que exercem, precisam de um carro que transmita status como ferramenta de marketing. Nesses casos, se o veículo serve para alavancar sua renda, leve esse fator em conta, mas evite exageros que possam comprometer suas finanças.

Finalmente, é claro que, se depois de todos os passos anteriores, você conseguir chegar a um carro com uma imagem bacana, não há nada errado nisso. Aliás, é ótimo e curta sua nova conquista. Apenas não inverta a ordem do que realmente importa para a SUA vida.

Conclusões

Dentro do possível e respeitando-se o perfil de cada pessoa, podemos comprar carros conciliando as necessidades, as finanças, a qualidade e segurança do veículo, os desejos e emoções e ainda ter um veículo com uma imagem legal.

Vale lembrar, no entanto, que não há carro perfeito, sendo necessário aceitar alguns pontos menos relevantes que não poderão ser contemplados. Reiteramos que o objetivo do artigo era traçar um guia de referência para você usar da maneira que julgar mais conveniente. Dessa forma, aumentam suas chances de evitar arrependimentos que podem custar caro em todos os sentidos.

Portanto, conheça a si mesmo, planeje, defina suas prioridades, pesquise e escolha com inteligência automotiva e financeira. Se as orientações apresentadas forem úteis para esses propósitos, ficaremos muito contentes de contribuir com o seu sucesso pessoal e patrimonial. Obrigado pela atenção e até a próxima.

Fonte! Chasque de  Leandro Mattera, publicado no sítio DINHEIRAMA, no dia 02 de outubro de 2012. Abra as porteiras: http://dinheirama.com/blog/2012/10/02/voce-compra-seu-carro-por-necessidade-status-ou-pelo-preco-ou-tudo-isso/.
    
Mais informações
                               
Fundador e Consultor Automotivo na CARRO E DINHEIRO – Consultoria Automotiva Pessoal. Acompanha os setores automotivo e financeiro há mais de 12 anos por meio de experiência, pesquisas e contatos com profissionais. É palestrante sobre o tema “Seu Carro e seu Bolso”. No Twitter: @carroedinheiro. No Facebook: facebook.com/carroedinheiro

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10 razões para ficar em um emprego por 10 anos ou mais

O profissional que pula de emprego a emprego é considerado um verdadeiro "assassino de carreira em potencial", entenda por quê             


SÃO PAULO - Quanto tempo você permaneceu em seu último emprego? Esta foi a pergunta que impulsionou a publicação de uma pesquisa recente do U.S. Bureau of Labor Statistics, na qual revelava que o tempo médio dos profissionais permanecem em seus empregos era de apenas 4,6 anos. E, diferente de tempos atrás em que os trabalhadores construíam suas carreiras em uma empresa, esta constatação já é considerada uma tendência.

Segundo o site Monster.com, o profissional que pula de emprego em emprego (mudar de empresa em menos de dois anos) é considerado um verdadeiro “assassino de carreira em potencial”, pois seu próximo empregador pode prestar atenção nisso antes de decidir contratá-lo ou não.
executivo pulando
Pode haver uma série de pontos negativos no seu emprego atual, como ter dificuldade em realizar suas atividades, estar entediado ou não se dar bem com os colegas de equipe e chefes. Mas lembre-se que se você nunca está feliz com o trabalho e constantemente muda de emprego, talvez o problema não seja apenas da empresa.

Em uma matéria publicada na Forbes, o CEO da Fishbowl e escritor da HBR e Forbes, David K. Williams, diz que se o problema é tédio ou falta de interesse pelas funções que você exerce, antes de sair do emprego, você poderia procurar outras áreas da empresa. Se o problema são os colegas, talvez os errados não sejam eles, mas você. Sair do emprego precisa ser sempre a última opção, pois, aos olhos do seu próximo empregador, demonstra que você é instável, tem problemas de relacionamento e até é infiel com a empresa.

Se você ainda está em dúvida sobre os motivos de permanecer na sua empresa por 10 anos ou mais, Williams dá mais dez razões:

1. Veterano - Se você está em uma empresa há muitos anos, terá maior probabilidade de subir de cargo. Ao invés de sempre ter de trabalhar em dobro para ser notado em uma empresa nova, estar no mesmo trabalho há mais de dez anos você acaba conhecendo mais seu cotidiano, todas as atividades, empregados e superiores, a chance de ser reconhecido e conseguir um alto cargo ou aumento salarial é maior.

2. Oportunidade de liderança - Com os anos de atuação da empresa vem a chance de liderar os outros recém-chegados e orientar, por ter grande conhecimento da empresa, suas novas funções. Com a convivência também constrói um público fiel de clientes e até mesmo os membros da equipe e faz de você naturalmente um líder, pois é o que mais sabe sobre a empresa. Será muito mais fácil dar ordens a novatos do que defender a autoridade que lhe foi atribuída em uma nova empresa, com empregados que estão há mais tempo do que você.

3. Estabilidade - Se você está preocupado em achar seu próximo emprego daqui um mês ou um ano, é difícil fazer planos de longo prazo, como comprar uma casa, carro ou construir uma família. Estar em uma empresa há anos dará mais estabilidade em sua carreira e deixará sua mente livre para pensar na sua vida pessoal.

4. Aposentadoria e férias - Mudar de emprego a cada um ou dois anos torna muito mais difícil fazer as contas para a aposentadoria. Outra coisa: considerando que as férias só poderão ser tiradas depois de um ano e se você não completa nunca esse período, quando terá descanso?

5. Mais benefícios - Passam os anos e os benefícios que a empresa oferece ao profissional aumentam. Fora aqueles previstos na CLT, como 13º salário, vale-alimentação e transporte, há benefícios informais que apenas com o tempo você percebe, como ter tempo mais flexível, poder chegar atrasado de tempos em tempos, construir amizades, entre outros. Também, muitas empresas estão aumentando os salários dos empregados que estão lá há mais tempo.

6. Autoajuda - É muito fácil pular para outro emprego sempre quando aparece um problema. Como já foi dito, ficar fugindo das preocupações não te fará crescer profissionalmente. Estar em uma empresa há mais de dez anos implica saber lidar com diferentes pessoas e possíveis crises e mudanças que a empresa pode passar. Com isso, você irá exercer o auto-conhecimento, tentar achar soluções para problemas e construir uma carreira madura.

7. Confiança - Se você é capaz de permanecer em uma empresa há mais de dez anos, você terá seus méritos. Tanto seus superiores como seus subordinados terão mais confiança no seu trabalho e a tendência é conquistar mais espaço na instituição.

8. Flexibilidade - Se engana quem pensa que estar em uma empresa há mais de dez anos não tem mais o que aprender. Os profissionais que trabalham no mesmo local há muito tempo acumulam funções e conhecimento não apenas de sua área. A diferença de aprender dentro da empresa e entre as empresas é que na primeira opção seus benefícios irão permanecer intactos.

9. Perseverança - Muitos diriam para pular fora do barco quando ele está afundando. Mas estes profissionais acabam manchando a própria imagem no mercado de trabalho. Ter perseverança, se doar para a empresa - de forma saudável - e procurar soluções para problemas apenas mostrará o quanto você é leal para a empresa. Mas, lembre-se que isso tem um risco. Saber o que está passando nelo e estudar sua situação é fundamental para salvá-la ou afundar junto.

10. Algo para dizer no futuro - Trabalhar anos em uma empresa ou procurar outras oportunidades irá depende dos seus objetivos profissionais. Há uma grande diferença entre ter um plano de carreira estabelecido para o emrpego atual e estar simplesmente acomodado. Empresas darão valor ao seu profissional se ele der valor as suas funções e realizá-las com vontade. O que você quer dizer para sua empresa daqui há dez anos?

Fonte! Chasque de Luiza Belloni Veronesi, pulbicado no dia 02 de outubro de 2012, no sítio Infomoney. Abra as porteiras: http://www.infomoney.com.br/carreira/emprego/noticia/2575191/razoes-para-ficar-emprego-por-anos-mais.

Onde investir até R$ 10 mil?

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Fundo imobiliário, ações, CDB, Tesouro e até debêntures podem dar bons retornos para quem recebeu restituição do IR, adiantamento do INSS ou, simplesmente, conseguiu poupar
 
Títulos atrelados à inflação. fundos imobiliários e de índices de ações são opções para até R$ 10 mil

Se antes era difícil juntar dinheiro para investir, agora, o que dá trabalho é encontrar opções simples, seguras e rentáveis para aplicar pequenas somas de dinheiro. Com a queda dos juros, a poupança deixa de ser atrativa. Mas especialistas mostram que há alternativas para quem recebeu a restituição do Imposto de Renda, o adiantamento do INSS ou que, simplesmente, conseguiu se organizar para começar a poupar. Fundos imobiliários, ações, CBD, alguns títulos do Tesouro Direto e até mesmo debêntures têm bons retornos para quem tem até R$ 10 mil para aplicar.

Na opinião de sete especialistas em investimentos para pequenos investidores consultados pelo iG , uma boa pedida é misturar produtos financeiros renda fixa com um pouco de renda variável. “Em todo país que teve uma mudança na taxa de juros, para baixo, como está acontecendo no Brasil, a renda variável dobrou em quatro ou cinco anos. O investidor busca rentabilidade, e aqui não está sendo diferente,” diz Pedro Galdi, analista da SLW Corretora.

Uma das opções é montar uma carteira de investimentos que misture títulos do Tesouro Direto com ações ou fundos de ações. Outra possibilidade é mesclar CDBs com fundos imobiliários.
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Tesouro com ações

Neste caso, se o prazo de investimento for mais curto, os títulos prefixados oferecidos pelo Tesouro são mais interessantes, diz Fabrício Tota, gerente de homebroker da Socopa Corretora. Quem tem mais tempo para o dinheiro render pode optar por uma NTN-B principal, que acompanha a inflação e não paga bônus semestrais. “Independente do que acontecer, o poupador vai ter um rendimento real, ou seja, acima da alta dos preços,” diz Tota. Flávio Guarino, responsável pelos canais eletrônicos de investimento da Votorantim Corretora, diz que este papel também permite que o investidor pague o imposto apenas na hora do resgate final e, quanto mais tempo, menor a taxa.

Do lado da renda variável, é possível investir em algumas ações isoladamente, ou em fundos que misturem um grupo de papéis. Quem preferir a primeira opção pode misturar companhias maiores e mais sólidas com algumas menores, que podem ser favorecidas pelo crescimento do Brasil. As sugestões de Pedro Galdi, da SLW, considerando uma disponibilidade de R$ 10 mil, são papéis de Vale, Gerdau, Itaú Unibanco, Brazil Foods, Iochpe Maxion e Droga Raia - “sempre pensando no longo prazo,” acrescenta. Esta escolha, entretanto, pode ter custos elevados para o investidor, que terá que pagar taxas de corretagens para cada negócio feito, além da custódia. Além disso, o investidor tem que estar preparado para suportar fortes oscilações.

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Por isso, surgem como opções os fundos de ações e também os chamados ETFs (sigla em inglês para Exchange-traded Funds), que são fundos que acompanham índices de ações. Entre os fundos de ações, Sinara Policarpo, superintendente de investimentos do Santander, destaca aqueles que aplicam em companhias de infraestrutura e nas chamadas “small caps”, que são empresas médias e um pouco menores. Na opinião dela, o momento da economia brasileira favorece estes produtos. Nestes casos, o investidor paga taxas de administração pelo trabalho de gestão das carteiras.

Já os ETFs, que são negociados na bolsa de valores, não têm a cobrança da taxa do administrador. Algumas opções recomendadas são as que acompanham o Ibovespa (BOVA11) e as empresas médias (SMALL11). Apesar de a liquidez ser menor do que a da poupança e a de algumas ações, o mercado está crescendo e os agentes maiores estão garantindo movimento, o que possibilita mais facilmente as entradas e saídas do pequeno investidor, segundo Tota, da Socopa.

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A economia de escala é a principal vantagem dos fundos de ações setoriais e dos ETFs, completa Ricardo Rocha, professor de finanças do Insper. “Ficaria muito caro para o investidor replicar o investimento nas mesmas ações,” diz.

Outra opção com um pouco mais de risco são os fundos multimercado, nos quais o gestor tem maior liberdade de atuação e pode aplicar também em moedas e outros tipos de produtos mais complexos. “Quem quiser experimentar essa modalidade tem que pesquisar um pouco mais, verificar quais as características do fundo,” diz Ricardo Rocha, do Insper. Além disso, é preciso saber quais corretoras e bancos têm aplicações mínimas que cabem dentro da disponibilidade de R$ 10 mil. “E qualquer taxa de administração acima de 1% já pode ser considerada muito alta,” completa o professor.

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CDB com fundos imobiliários

O Certificado de Depósito Bancário (CDB) também é opção interessante para a porção de renda fixa da carteira do investidor. Quando o cliente tem mais tempo para deixar o dinheiro rendendo, consegue negociar um retorno maior com o banco ou a corretora. Em geral, grandes instituições bancárias oferecem rentabilidades mais baixas, enquanto os menores pagam mais. No Santander, por exemplo, o investidor consegue 101% do CDI se ficar pelo menos dois anos. Em instituições menores, pode conseguir 110% ou 115%. É o caso do Banco Paulista, que vende seus títulos por meio da Socopa Corretora.

Em qualquer caso, o risco do CDB é o da quebra do banco, mas há garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para até R$ 70 mil. Flávio Guarino, da Votorantim Corretora, lembra, entretanto, que esse dinheiro não é devolvido ao investidor de uma hora para outra. “Se o investidor precisar do dinheiro, pode ser que tenha que esperar o processo de liquidação da instituição.”

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Para tentar turbinar um pouco a carteira que já tem CDBs, um complemento pode ser o fundo imobiliário, na opinião dos especialistas. Flávio Guarino, da Votorantim Corretora, comenta que há opções no mercado atualmente que oferecem uma garantia de 9% ao ano para quem aplicar R$ 5 mil. O risco do investidor é o da qualidade da carteira do fundo. Por isso, o ideal é saber qual o perfil do fundo. “Se estiver ligado a um imóvel de um banco grande, por exemplo, dá para saber que a segurança é maior,“ diz o analista.

Outro cuidado é com a liquidez. Apesar de este mercado ter crescido bastante, o investidor deve saber que pode não conseguir se desfazer de sua cota rapidamente. Já a principal vantagem, segundo Guarino, são os rendimentos que o investidor pode receber mês a mês, como se tivesse um imóvel alugado.

Também:  Investidor pode ter nova opção de fundo para aplicar no mercado imobiliário
             
LCI e Debêntures
 
Há ainda outros produtos financeiros que podem incrementar as carteiras acima, como as Letras de Crédito Imobiliário (LCI). Apesar de terem exigências de aplicações mínimas mais altas, algumas corretoras de valores oferecem cotas de até R$ 10 mil. “Estes títulos são uma alternativa para quem tem horizonte de longo prazo para a aplicação,” diz o consultor financeiro Mauro Calil, gerente geral do Instituto Nacional de Investidores (INI). Assim como os fundos imobiliários, esses títulos também têm isenção de imposto de renda para o investidor, o que vem sendo um atrativo. Calil lembra, entretanto, que antes de comprar o investidor sempre deve avaliar se a aplicação tem um prazo que atenda seus objetivos.

Os bancos também podem oferecer aos seus clientes a opção de comprar debêntures, que são títulos de dívida de companhias. Mais distantes dos investidores, essas aplicações estão no radar das autoridades, que pretendem facilitar a negociação, comenta Guarino, da Votorantim. Por enquanto, a orientação é para que o investidor busque informações sobre a empresa antes de comprar, para saber se é sólida. Além disso, os prazos para resgate podem ser mais longos, o que exige planejamento.

Fonte! Chasque de Olivia Alonso - iG São Paulo, no sítio do iG, no dia 19 de setembro de 2012. Abra as porteiras:   http://economia.ig.com.br/financas/investimentos/2012-09-19/onde-investir-ate-r-10-mil.html.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Previdência aberta pode ter regras modificadas

Intenção do Ministério da Fazenda é reduzir o investimento feito pelos fundos complementares em títulos públicos
 
O Ministério da Fazenda estuda mudar até o final do ano as regras para investimentos feitos por entidades de previdência complementar aberta, que reúnem cerca de 42 milhões de participantes, segundo a Superintendência de Seguros Privados (Susep), órgão vinculado à pasta, responsável pelo controle e pela fiscalização dessas atividades. Os planos de previdência aberta são disponíveis à adesão de qualquer interessado, sem restrições quanto a vínculos a instituições patrocinadoras, e somam aproximadamente R$ 302 bilhões em ativos, segundo dados da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi). Só o faturamento das 49 entidades do ramo, no primeiro semestre de 2012, foi de cerca de R$ 1,9 bilhão.

As entidades previdenciárias fazem investimentos com os depósitos dos participantes para garantir o retorno do benefício quando o contribuinte se aposentar, movimentando o montante arrecadado e evitando desvalorização. Os tipos de aplicação disponíveis variam entre fundos de investimento, títulos públicos e ações, entre outros. Segundo as mudanças estudadas pela Fazenda, existe a possibilidade de essas entidades abertas não poderem investir mais de 20% dos seus ativos em títulos públicos, cujos rendimentos são atrelados à taxa Selic, que vem sendo progressivamente reduzida pelo Banco Central nos últimos meses. O Ministério da Fazenda confirmou que o objetivo é desindexar os investimentos da Selic, já que essa indexação comprometeria os efeitos da política econômica.

Para o advogado especialista em previdência do Instituto Millenium Sebastião Ventura, a previdência complementar vem ganhando estímulo do governo, que tem percebido que a solução para o envelhecimento da população e a crescente demanda por previdência é o repasse de parte da responsabilidade para os sistemas privado e complementar. “Estamos em um momento de mudança do paradigma previdenciário, em que o Estado estabelece um teto para a sua ação. Ele (Estado) vai arcar com os custos, mas limitadamente. Quem quiser mais terá de ir para a previdência complementar. É uma forma de contornar o fato de que o sistema público não tem como atender de forma digna a todo o universo de trabalhadores”, explicou.

Segundo Ventura, da forma como o sistema previdenciário complementar é administrado, deve haver a consciência por parte dos beneficiários de que se trata de um risco compartilhado. O participante contribui com a expectativa de receber determinado montante, que pode variar de acordo com os investimentos e com a atividade econômica. 

“Títulos públicos são uma forma segura de investimento que trazem rendimentos constantes, de uma forma geral. Assim, essas mudanças da Fazenda podem gerar alterações substanciais nos rendimentos desse tipo de previdência aberta, que é o que atinge o maior número de pessoas. Essa questão deveria ser mais debatida entre as partes interessadas, como as empresas que proveem o serviço, os beneficiários e as patrocinadoras, para que as alterações não resultem em futuras ações judiciais por prejuízo ao beneficiário devido a rendimentos abaixo do esperado”, alertou.

Números

42 milhões - é a quantidade de participantes em entidades de previdência complementar aberta, de acordo com a Susep
R$ 302 milhões - é o total dos ativos administrados na previdência complementar aberta atualmente no País

Entidades fechadas investem 15,64% em papéis do governo

De acordo com a Susep, não há informações quanto ao percentual do total de ativos dos participantes de previdência aberta que é investido em títulos públicos. No caso dos planos de previdência fechada, 15,64% dos ativos dos fundos são investidos em títulos - o que chega a cerca de R$ 93 bilhões. Apesar de ter menos participantes, aproximadamente 3,2 milhões de pessoas, as entidades fechadas somam mais do que o dobro de ativos que as abertas, cerca de R$ 626,3 bilhões, de acordo com o relatório do segundo trimestre de 2012 da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), vinculada ao Ministério da Previdência Social. Ainda de acordo com o relatório, a principal forma de aplicação das EFPCs são fundos de investimento (59,8%).

Há no Brasil 332 entidades de previdência fechada, das quais 229 são privadas, 84 públicas e 19 por patrocínio de instituidor (como sindicatos, entidades classistas ou setoriais). O sistema de previdência fechada atende a cerca de 3,6 milhões de pessoas. No mercado, há mais de mil tipos de planos previdenciários no sistema fechado, que podem render benefícios segundo contribuição definida (em que as contribuições têm sempre o mesmo valor), benefício definido (em que o total a ser recebido no futuro é pré-fixado) ou contribuição variável (valor das contribuições e do benefício variam de acordo com a rentabilidade do fundo).

O Previ, do Banco do Brasil, é responsável por 24,5% do contingente de ativos, cerca de R$ 153,5 bilhões. Em seguida, os maiores fundos são o Petros, da Petrobras, e a Fundação dos Economiários Federais (Funcef), da Caixa Econômica Federal - todos formados por empregados públicos. No caso dos planos de previdência aberta, os maiores são os dos bancos privados Bradesco e Itaú.

Fonte! Chasque publicado no Jornal do Comércio de Porto Alegre - RS, na edição do dia 01 de oububro de 2012.

sábado, 29 de setembro de 2012

Chasque Bizarro 18! A esmola na Justiça do Trabalho

Audiência na Justiça do Trabalho de uma cidade fortemente colonizada por alemães. O reclamado é um senhor de gestuais grosseiros e impacientes. O reclamante, um jovem franzino e constrangido, pede reconhecimento de vínculo de emprego como trabalhador - alegando ter sido caseiro no sítio do reclamado.

Questionado pelo juiz acerca da possibilidade de acordo, o reclamado afirma, sotaque carregado, peito cheio de mágoas:

- Acordo? Dei casa e comida para essa criatura e agora me apronta essa!

O magistrado tenta suavizar:

- Sei que o senhor pode estar chateado, mas o reclamante trabalhou no seu sítio e foi embora sem nada receber. Sugiro que proponha um valor, daí  encerramos a discussão hoje mesmo.

- Não seja por isso. Este dinheiro basta a esse morto de fome! São 300 pilas! –  diz o reclamado, puxando seis cédulas de R$ 50 do bolso e colocando-as sobre a mesa.

Perplexo, o juiz dirige-se ao reclamante:

- O senhor, por gentileza, apanhe o dinheiro e guarde-o no bolso.

Sem nada entender, mas confiando na determinação, o reclamante recolhe as cédulas. Em seguida, antes que o reclamado diga outros impropérios, o magistrado volta à carga:

- A esmola já foi aceita. Agora, o senhor trate de pensar numa proposta de acordo, e medite ou oriente-se com seu advogado antes de abrir a boca. Eu lhe repito: antes de abrir a boca. O lugar onde o senhor está se chama Justiça, e não feudo! E o juiz sou eu.

Veementemente alertado por seu advogado, o alemão duro concorda em pagar mais R$ 1.500 e, assim, acabar com a demanda. Acordo fechado, cheque assinado, formalidades preenchidas, processo encerrado, clima ainda hostil na sala de audiências, o empregador levanta-se e parte sem se despedir de ninguém.

Deixa o foro trabalhista, embarca em sua camioneta, cantando os pneus etc. Aconteceu numa cidade da Grande Porto Alegre.

Fonte! Chasque publicado nas páginas do Jornal do Comércio de Porto Alegre/RS, na edição do dia 28 de setembro de 2012, na coluna Espaço Vital, por Marco A. Birnfeld.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Previdência complementar pública é bom senso

Na claudicante União Europeia, todos pedem mais arrocho. É tanto aperto que, depois, os governos estão afrouxando as exigências. É o caso de Portugal, onde o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, disse que o governo abandonou um polêmico plano de elevar a contribuição previdenciária dos trabalhadores. No entanto, alertou que aumentará o imposto de renda e reduzirá os salários do funcionalismo público para cumprir metas orçamentárias. Passos Coelho recuou após a reação negativa da opinião pública e de políticos a um plano que elevaria a contribuição previdenciária de 11% para 18% dos salários, o que permitiria às empresas cortar suas próprias contribuições de 23,75% para 18%. No Brasil, o déficit da Previdência do setor público federal atingirá R$ 60 bilhões em 2012.

Com a aprovação da previdência complementar para os novos servidores, esse não será mais o fantasma das contas públicas. É que foi decretada a criação da Fundação Nacional de Previdência Complementar do Servidor Público (Funpresp). A Fundação abrangerá os servidores civis, dos quais saem cerca de R$ 35 bilhões do déficit do regime federal. Os demais R$ 25 bilhões do rombo anual são registrados por pensões pagas a militares inativos.

O modelo começará a operar em fevereiro de 2013. As obrigações financeiras da União com a Funpresp serão reduzidas substancialmente no futuro. Hoje, os 953 mil aposentados e pensionistas da União recebem como benefício previdenciário seu último salário integral, enquanto os 1,1 milhão que estão na ativa devem obter, quando se aposentarem, 80% de seu último salário. Com a Fundação, o servidor, quando se aposentar, vai receber, no máximo, o teto do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), tal qual um trabalhador da iniciativa privada. Para receber além do teto do INSS, atualmente de R$ 3.916,20 por mês, o servidor deve contribuir para a Funpresp, que terá aportes da União em até 8,5% daquilo que o funcionário aplicar no fundo. Então, haverá, para os servidores federais e aos demais trabalhadores brasileiros, um tratamento isonômico.

Os modelos de outros países e dos fundos de pensão brasileiros mostram que os rendimentos são muito elevados. Isso quer dizer que os novos benefícios previdenciários podem, e provavelmente vão, superar os valores recebidos hoje, nos cálculos do governo. A diferença é que essa conta não será paga com recursos públicos, mas com os rendimentos do fundo. A Funpresp servirá para os funcionários dos poderes Executivo e Legislativo, e também para os servidores do Ministério Público (MP) e do Tribunal de Contas da União (TCU). 


Ou seja, apenas os servidores do Judiciário no setor público federal (do Supremo Tribunal Federal, Superior Tribunal de Justiça e do Conselho Nacional de Justiça) ficaram de fora. O Poder Judiciário está encarregado de criar seu próprio fundo, e isso deve ocorrer até o fim de outubro. Se o Judiciário mudar de ideia, e optar por aderir ao Funpresp do Executivo e do Legislativo, o ganho de escala dos recursos será ainda maior. Ao aderir, o Judiciário, tal qual o Legislativo, terá um plano de benefícios próprio dentro do fundo único, e igual número de assentos nos conselhos administrativo e fiscal da Funpresp.


Fonte! O chasque acima é o editorial do Jornal do Comércio de Porto Alegre / RS, da edição do dia 25 de setembro de 2012.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Poupança já chega a mais de 100 milhões de brasileiros

Caderneta atrai tanto o pequeno como o grande aplicador    
Rentabilidade da poupança no curto prazo é considerado atraente
em comparação com outros fundos de renda fixa           
Foto: Porthus Junior / Agencia RBS
Pela primeira vez na história, mais da metade dos brasileiros tem alguma economia depositada na caderneta de poupança. O investimento mais popular do país superou no primeiro semestre deste ano a marca inédita de 100 milhões de poupadores. O recorde foi alcançado justamente no período em que o governo mudou a fórmula de correção dessa aplicação. E os responsáveis por esse resultado foram, principalmente, pequenos aplicadores, apesar de o número de grandes investidores também ter crescido.
 
Os dados fazem parte do censo semestral divulgado pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), a entidade privada responsável por garantir as aplicações em até R$ 70 mil por pessoa em caso de quebra de algum banco. Em junho deste ano, havia 102,2 milhões de CPFs com pelo menos uma caderneta aberta. Considerando a estimativa oficial para a população, 53% dos brasileiros têm pelo menos uma caderneta.
 
O número de pessoas com aplicações de até R$ 100 na caderneta cresceu 10% em relação a dezembro do ano passado. Isso representa o ingresso de 5 milhões de poupadores nessa faixa de investimento. Também houve aumento no número de grandes investidores. Há cerca de 350 mil pessoas com aplicações acima de R$ 10 mil. Já as poupanças com saldo entre R$ 100 e R$ 10 mil perderam participação no total. A quantidade de investidores nessa faixa caiu, com a saída de 1,2 milhão de pessoas.
 
Para a Caixa Econômica Federal, responsável por quase 40% da captação registrada neste ano, o desempenho da poupança pode ser atribuído, principalmente, à boa rentabilidade para aplicações no curto prazo. A queda na taxa básica de juro, que derrubou o rendimento das aplicações de renda fixa, teve impacto maior sobre fundos que cobram altas taxas de administração. A vantagem da poupança, além de não ter taxa, é a isenção de Imposto de Renda, que fica com até 22,5% do rendimento das outras aplicações de renda fixa.
 
— Para aplicações de até 12 meses, a poupança continua ganhando em rentabilidade, por exemplo, dos fundos de renda fixa DI com taxa de administração acima de 0,85% e dos CDBs de varejo que pagam abaixo de 88,4% do CDI — diz o vice-presidente de Pessoa Física da Caixa, Fábio Lenza.
Segundo Lenza, mesmo com a regra nova que reduz a rentabilidade para 70% da taxa Selic, a caderneta garante um bom retorno ao investidor.
 
Fonte! Chasque publicado no sítio eletrônico do jornal Zero Hora, no dia 23 de setembro de 2012. Abra as porteiras: http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/economia/noticia/2012/09/poupanca-ja-chega-a-mais-de-100-milhoes-de-brasileiros-3894672.html.