terça-feira, 28 de abril de 2020

Finanças a serviço de pessoas

Finanças pessoais dizem muito mais respeito às pessoas do que às finanças 
Em momentos como o que estamos vivendo, é muito complicado falar de ganhos e perdas em investimentos, insistir na necessidade de poupar para o futuro, recomendar que dívidas sejam evitadas.
 
Embora corretos, parecem temas absolutamente inadequados, pequenos, agora que estamos todos preocupados em preservar vidas, a nossa e a de todos. Fica evidente que tudo o que abrange e impacta as finanças pessoais diz muito mais respeito às pessoas do que às finanças.
 
Vamos aproveitar a oportunidade e refletir se estamos colocando foco em quem, de fato, importa, as pessoas, seus sonhos, suas necessidades, reduzindo a importância do dinheiro em si e do que ele é capaz de comprar. Pensar mais em ser do que em ter.
 
Tendo isso em mente, trago uma provocação para reavaliarmos as relações comerciais, em particular as que envolvem decisões de investimento. Produtos financeiros são meros instrumentos, são meios, caminhos para chegar a algum lugar, se e quando bem selecionados, para atingir as metas, as necessidades das pessoas.
 
Quando alguém tem dinheiro para investir, a tendência é a de que, aos olhos do assessor de investimento, ele seja apenas um "investidor" com certa quantidade de dinheiro para investir e, depois de cumprido o procedimento de identificar o perfil de risco, segue a recomendação de produto A, B ou C.
 
A expectativa do investidor, por sua vez, é a de que a orientação do assessor, especialista que oferece o produto, será confiável e assertiva, adequada para atingir seus objetivos, respeitados seus limites e restrições.
 
O investidor deve observar se o assessor coloca foco na sua pessoa, em quem ele é, no que ele precisa, e não no seu dinheiro. Se perguntas não forem feitas nesse sentido, se o produto em si merece mais atenção do que o investidor, evite, alguma coisa está errada. É bem provável que o assessor esteja olhando para o dinheiro a ser investido, e não para a pessoa, a quem o dinheiro pertence.
 
O assessor que conhece determinado mercado e distribui produtos de investimento será bem-sucedido se perceber que o investidor importa muito mais do que o fechamento de uma operação de investimento.
 
Ao assessor recomendo que não exalte o produto, aquele que lhe parece o melhor, o que lhe pagará a maior comissão ou o produto da campanha de vendas do mês. Não pule a etapa de ouvir primeiro a pessoa, colocar-se no lugar dela, entender com clareza aquilo de que ela precisa, o que pensa, o que teme, o que espera.
 
A oportunidade para o investidor é aprender a conectar o produto com seus anseios, entender que não existe o melhor investimento, que nem sempre o produto da moda ou o mais rentável é o mais adequado.
 
Aprender a fazer perguntas, a investigar aspectos que nem sempre constam do discurso de venda, entender quais os riscos, os tais imprevistos, muitas vezes omitidos.
 
Investidor, entenda que o valor do seu dinheiro vai muito além da quantidade de moeda que você tem. Saiba refletir se o produto vai proporcionar os benefícios que você procura, se representa solução, e não um problema na sua vida.
 
Aos que assim já procedem, mantenham e aprimorem esse cuidado. Aos demais, uma oportunidade de valorizar as pessoas, o que elas são, e não o que elas têm. Não atribuam ao dinheiro importância demais, o valor não está nele, mas no que ele é capaz de fazer pelas pessoas.
 
 Fonte! Chasque (post) de Márcia Dessen, publicado nas páginas do Jornal do Comércio de Porto Alegre (RS), na edição dos dias 20 e 21 de abril de 2020, na sua coluna semanal "Opinião Econômica".

quarta-feira, 8 de abril de 2020

Livro! Os Donos do Dinheiro!

Quando se fala na crise de 1929, imediatamente lembramos dos problemas que ocorreram na bolsa de Nova York, gerados pela “exuberância irracional” e um excesso de liquidez sem precedentes. Mas focamos muito no lado Bolsa de Nova York da coisa … Sabia que esta foi uma crise mundial é apontada por muitos com um dos gatilhos da Segunda Guerra Mundial ? E que um dos motivos para ela ter ocorrido foi a Primeira Guerra Mundial ?

O livro “Os donos do dinheiro” (2010, Campus) abre mão do foco nos fatos ocorridos na bolsa e amplia “um pouco” nosso ângulo de visão. Ele nos mostra a perspectiva de 4 das figuras mais importantes (para a criação/combate da crise) da época: os presidentes dos bancos centrais da Alemanha, da Inglaterra, dos EUA e da França.

Vemos como a Primeira Guerra Mundial “deu início” à crise de 1929, através das multas aplicadas à Alemanha, após sua derrota, com valores absurdos a serem entregues aos vencedores, bem como a luta entre os aliados para quitar suas dívidas de Guerra. Um dos motivos para as multas tão elevadas foi justamente este, permitir que os aliados pudessem devolver o dinheiro (muito dinheiro) aos financiadores da guerra.

Desde o início muitos apontaram que o valor imposto à Alemanha beirava ao absurdo e que o país não teria condições de arcar com a despesa, o que, muito provavelmente, a levaria a uma crise econômica.

Lembra das aulas de história do 2º grau ?

 

Está lembrado, quando ouvimos as histórias da hiperinflação na Alemanha, pré Segunda Guerra ? Quando as pessoas precisavam levar carrinhos de mão com um montanha de dinheiro para comprar pão ? E que, em caso de assalto, o ladrão levava apenas o carrinho e não o dinheiro, pois o valor dele era corroído rapidamente. Enquanto o carrinho de mão 

Aqui no Brasil tivemos um período de inflação muito elevada, mas não chegava aos pés desta crise Alemã …

Isso tudo que ocorreu na Alemanha justamente por causa da cobrança externa. O dinheiro sumiu, as fontes de crédito secaram … e acabou abrindo espaço para que um certo Sr de bigode assumisse o poder e fizesse o que fez … 


Mas e a crise de 29 propriamente dita ?

 

Sim, é claro que falam dela. 

Mostram as idas e vindas do padrão ouro, o sobe e desce das taxas de juros, o aumento e a diminuição da oferta de crédito aos mercados e … a derrocada final. Infelizmente não é possível dizermos que uma crise do tamanho da de 29 se resume ao “otimismo exagerado que tomou conta dos mercados financeiros”. Uma crise daquela proporção é formada por muitos outros fatores e alguns foram muito bem observados e muito bem detalhados no livro.

Injeção de liquidez exagerada (e na hora errada) no mercado … Corte na oferta de capital (na hora errada) para o mercado … Ânimos se acirrando em alguns países …. Mercados se fechando … Bolsa subindo e subindo e subindo … e logo veio a Segunda Guerra Mundial.

Mas fico pensando … as características que apontei 2 parágrafos acima me parecem familiares … só não me recordo onde vi coisa parecida acontecendo.

(torço para que esteja MUITO errado …)

Em suma: leia este livro ! Uma ótima fonte de conhecimento histórico e da economia como um todo. 

Fonte! Chasque (post / artigo) publicado no sítio oficial Clube do Pai Rico em 26 de março de 2020. Abra as porteiras clicando em: https://www.clubedopairico.com.br/livros-os-donos-do-dinheiro/20543

domingo, 5 de abril de 2020

Livro! Quebre a caixa, fure a bolha

Quebre a caixa, fure a bolha - É hora de romper as regras (Faro Editorial, 160 páginas), de Conrado Navarro, mineiro, empresário, triatleta e colecionador de carrinhos (tem 500) e livros (1.500), é desses livros que bem poderia ter um palavrão na capa, mas que não funcionam muito bem na vida real.

Navarro é do Portal Dinheirama e do Canal AutoVídeos, e seus textos ágeis e objetivos, acima de tudo, convidam a olhar a realidade a partir de um outro ângulo, assumindo riscos e responsabilidades como parte de um plano. Quebrar a caixa e furar a bolha deve ser uma decisão consciente e ousada.

Os textos falam em se preocupar mais em fazer do que acertar, em reconhecer o dono da padaria, escutar a mãe e decidir sozinho, ser mais cara de pau, tomar café com estranhos, administrar bem o ego, pagar as contas em dia, decidir não ter chefe, aprender a pedir desculpas, falar mais em público, praticar um esporte desconhecido, dizer não com mais frequência e passar algumas noites em claro, entre outros temas modernos.

O livro é dedicado a todos que em algum momento estiveram com altas expectativas e logo depois desabaram numa frustração por não alcançar o que queriam. Ou que, em determinadas horas, simplesmente não tiveram um pouco mais de ousadia, coragem ou cara de pau para fazer algo em que acreditavam. 

A obra aborda a realidade como algo bem diferente daquilo que foi planejado e do que a pessoa acreditava controlar e apresenta histórias e reflexões sobre o que podemos aprender com os fracassos e frustrações. Navarro pensa que, muitas vezes, para ser um destaque na carreira, você não precisa ser próximo de grandes líderes empresariais e ter acesso aos seus segredos profissionais, e acha que conversar com o comerciante da esquina pode ser até mais produtivo para enxergar novas perspectivas.

Navarro acredita que, para criar oportunidades de negócios e novos apoiadores para suas ideias, faz mais sentido convidar pessoas que você admita para uma conversa do que ficar tratando tudo virtualmente. Enfim, um bom livro para os movimentados dias de hoje, quando é preciso fazer a diferença e inovar. 

Fonte! Chasque (post) de Jaime Cimenti, publicado nas páginas do Jornal do Comércio de Porto Alegre (RS) na edição do final de semana - dias 3, 4 e 5 de abril de 2020.

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Saúde financeira do colaborador: por que as empresas devem olhar para este ponto

Eu não sei se você já ficou devendo a fatura do cartão de crédito ou se você se enrolou com alguma dívida. Eu também não sei como você reagiu ao fato de estar endividado nem como este cenário afetou a sua saúde (mental e física), sua qualidade de vida e seus relacionamentos. O que eu sei é que a maioria das pessoas que eu conheço e que fazem parte da estatística dos inadimplentes possui algum comportamento prejudicial para si e/ou para os outros.

Já vi pessoas perderem o sono, o casamento e até o emprego. Enquanto umas desabafam com amigos, pegam empréstimo com familiares e desenvolvem ansiedade; outras ficam caladas, buscam resolver e negociar o débito, mas se deparam com as taxas de juros alarmantes disponíveis no mercado, o que chamamos de crédito tóxico aqui na Creditas. Aí, a bola de neve só aumenta. 

Afinal, mesmo após os seguidos cortes na Selic, o Brasil continua no ranking das maiores taxas de juros do mundo, ocupando atualmente o 8º lugar, atrás apenas de Argentina, México, Indonésia, Índia, Turquia, Rússia e Malásia.

As estatísticas comprovam o impacto negativo que as dívidas causam nas pessoas: um levantamento feito por John Gathergood, da Universidade de Nottingham, na Inglaterra, analisou a saúde mental e financeira de aproximadamente 10 mil pessoas e chegou a conclusão que: pessoas que devem sentem um aumento de constrangimento diante de colegas, desenvolvem fobias e insônia, o que reduz sua capacidade social e de concentração. A análise foi feita em 2012, mas não podia ser mais atual.

Agora, imagine você, CEO, fundador, CFO, profissional de Recursos Humanos: quantos colaboradores da sua empresa estão endividados? Quantos deles estão rendendo menos no trabalho por conta dos juros do rotativo do cartão que contribuem para o crescimento daquela dívida que já foi pequena?

Fonte! Chasque (artigo / opinião) de Fabio Zveibel, publicado no Caderno Especial Marcas de quem Decide, na edição do Jornal do Comércio de Porto Alegre (RS) do dia 31 de março de 2020.

quarta-feira, 1 de abril de 2020

Dúvida Cruel


As pessoas continuam perguntando o que fazer com os investimentos e, antes de delinear algumas hipóteses, quero deixar claro que não cabe a mim e a ninguém decidir o que outros devem fazer. 

Vamos organizar os pensamentos e sentimentos de tal forma que cada um possa avaliar em que contexto se encontra e decidir, por conta própria, o que fazer.

Transferir a terceiros uma decisão que é nossa, nos permitirá responsabilizar alguém por uma decisão equivocada, no futuro. Se errarmos, teremos tomado a decisão que pareceria ser a melhor, com base nas informações que detínhamos quando a decisão foi tomada.
Quem já resgatou ou está propenso a resgatar aplicações com desempenho negativo descobriu que não tem tolerância a perdas e assumiu riscos que não deveria ter assumido.
A dor aumenta quando transferimos para o patrimônio como um todo a percepção de perda que, de fato, incide sobre parte do capital investido. 

Calcule o tamanho real da perda antes de decidir. Suponha que o total de seus investimentos seja R$100 e que R$40 (40%) esteja em uma aplicação que registra perda de 15%. Entenda que essa desvalorização não alcança todo o seu dinheiro, mas apenas parte dele. 

Os R$40 investidos valem agora R$34. Os R$60, protegidos em aplicações conservadoras, não foram atingidos. Assim, o valor de mercado da carteira é R$94, desvalorização de 6% sobre o total. Esse é o tamanho da perda em números.

Agora dimensione o valor da sua dor, da angústia, do estresse que essa perda provoca. Você pagaria R$6 para se livrar desse sofrimento? Voltar a dormir tranquilo, deixar de se preocupar com o vai e vem do mercado vale R$6? Esse é o preço, avalie se vale a pena pagar para parar de sofrer. E reflita sobre o aprendizado dessa experiência.

Muitos, embora aturdidos com os acontecimentos, não farão nada, cientes de que o risco não era desejado ou esperado, mas era possível, quando se trata de aplicações mais arriscadas. O sentimento não é de dor, não há sofrimento, apenas apreensão em relação ao futuro. 

Quem decide esperar avalia que o objetivo do investimento é de longo prazo e que a expectativa de retorno superior ao da taxa de juros virá, com o tempo. 

Liquidez? Não é necessária, a reserva financeira para emergências está onde deveria, em aplicações conservadoras, com liquidez diária, que pagam a baixa, mas sempre positiva, taxa básica de juros. Outro cenário, outro nível de estresse, uma decisão provavelmente diferente do exemplo anterior.
Alguns investidores, mais racionais, e mais propensos ao risco, provavelmente irão explorar oportunidades e fazer (ou não) alguns ajustes na carteira. 

No segmento da renda fixa, alongar o prazo dos títulos de taxa prefixada, por exemplo, vender títulos curtos, próximos ao vencimento e comprar títulos mais longos que estão pagando taxas atrativas e serão valorizados quando a taxa de juros de longo prazo cair.

Tem consciência de que a taxa pode subir mais e a recuperação pode levar muito tempo, razão pela qual pretende investir recursos que podem esperar a data do vencimento, se o pior cenário acontecer.
Na renda variável alguns irão recompor o percentual investido em ações para se beneficiar da alta dos preços quando ocorrer ou comprar ações que sofreram perdas exageradas, especulando que o mercado irá corrigir essa distorção. 

A decisão de cada um de nós depende fundamentalmente do tamanho da dor que sentimos perante a percepção de perda. 

Não tem certo ou errado, mas a decisão mais adequada para recuperar o equilíbrio e o bem-estar.


Fonte! Chasque (coluna Opinião Econômica) de Márcia Dessen, publicado nas páginas do Jornal do Comércio de Porto Alegre (RS), na edição do dia 30 de março de 2020.