sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Aposentadoria por tempo de contribuição é 102% maior do que por idade

Média salarial por período de contribuição é de R$ 2.174,96, contra 1.076,42 para quem entra no INSS por idade

No primeiro semestre, 775,6 mil
pessoas pediram  o benefício por
período de contribuição
Condenada à extinção nas discussões sobre reforma da Previdência, a aposentadoria por tempo de contribuição - que não requer idade mínima para ser concedida - eleva o salário médio dos beneficiários em 102% em relação à renda dos aposentados por idade, de acordo com dados do INSS. O trabalhador que pede a aposentadoria após ter contribuído por ao menos 30 anos (mulher) ou 35 anos (homem) recebe, em média, R$ 2.174,96.

Com esses períodos de recolhimentos atingidos, o benefício pode ser requisitado independentemente da idade do segurado. Já quem se aposenta por idade, aos 60 anos (mulher) ou 65 anos (homem), tem uma renda média de R$ 1.076,42. A diferença salarial pode ser explicada pela maneira como esses dois tipos de aposentados fizeram suas contribuições previdenciárias ao longo da vida. Na maioria dos casos, o aposentado por tempo de contribuição conseguiu se manter empregado no mercado formal de trabalho durante a maior parte da vida.

O número maior de recolhimentos pode ajudar a elevar o benefício, pois são considerados no cálculo apenas os 80% maiores salários recebidos desde 1994. Além disso, o profissional que se manteve empregado por cerca de três décadas teve mais chances de contribuir sobre salários mais altos.

A situação do aposentado por idade costuma ser diferente. Grande parte desses segurados recebem o benefício tendo completado apenas a carência de 15 anos de contribuição. A maioria também recolheu sobre salários mais baixos, próximos ao valor do salário-mínimo.

A regra 85/95 também contribuiu para ampliar a vantagem salarial de quem se aposenta por tempo de contribuição, pois ela ajuda trabalhadores que se aposentam ainda na casa dos 50 anos de idade a não terem suas rendas reduzidas pelo fator previdenciário.

As discussões que envolvem a reforma da Previdência tendem a se concentrar em um ponto principal: evitar que os brasileiros continuem se aposentando sem a necessidade de completar uma idade mínima. A justificativa apresentada por aqueles que defendem a idade mínima de aposentadoria é o aumento das despesas com aposentadorias e o risco que isso traz para a economia do País em um futuro relativamente próximo. Atualmente, a idade média dos que se aposentam por tempo de contribuição é de 53 anos (mulheres) e de 55 anos (homens), conforme dados divulgados pela Secretaria de Previdência.

Isso significa que esses segurados receberão aposentadorias por muito tempo, considerando a crescente expectativa de vida da população do País, que hoje está em 76 anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número de pessoas com 65 anos ou mais avançará de 16,1 milhões, em 2015, para 58,4 milhões, em 2060. O aumento é de 263%, apontam as projeções também do IBGE, divulgadas pelo Ministério da Fazenda.

Mas, por enquanto, os debates sobre a reforma têm apenas motivado mais trabalhadores a anteciparem suas aposentadorias. No primeiro semestre de 2018, 775,6 mil segurados pediram aposentadorias por tempo de contribuição. O número é 40% maior do que as 554,2 mil solicitações do mesmo período de 2016, antes do Congresso começar a discutir a reforma.

Fonte! Chasque (matéria) veiculado nas páginas do Jornal do Comércio de Porto Alegre (RS), na edição do dia 27 de dezembro de 2018.

Energia solar busca novos espaços para se desenvolver no Brasil


Sistemas flutuantes em superfícies líquidas têm se apresentado como alternativa viável
Placas fotovoltaicas são instaladas sobre plataformas
flutuantes localizadas em lagos ou barragens /
F2 BRASIL/DIVULGAÇÃO/JC
Depois de avançarem sobre os telhados das casas e dos edifícios do Brasil, os equipamentos fotovoltaicos estão encontrando novas áreas para se desenvolverem. Uma opção que tem despertado a atenção agora é a de sistemas flutuantes em superfícies líquidas. A Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), por exemplo, instalou uma planta piloto no reservatório da usina de Sobradinho, na Bahia. Os açudes da Fazenda Figueiredo, em Cristalina, Goiás, também contam com a solução.

O presidente executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Rodrigo Sauaia, detalha que essa tecnologia pode ser aproveitada em diversas superfícies líquidas como barragens, lagos, canais, rios e até mesmo no mar, desde que não se verifique muita correnteza. Entre as vantagens dessa proposta, o dirigente comenta que é possível evitar a ocupação de terrenos férteis ou destinados a outras finalidades. Além disso, ajuda a reduzir a evaporação da água do reservatório. Um sistema de ancoragem também impede que o equipamento fique flutuando a esmo.

Sauaia cita que, assim como a instalação em superfícies líquidas, outras ideias estão sendo elaboradas para a fonte solar como a utilização de espaços menores. Podem ser aproveitados bens de consumo como celulares, mochilas ou até mesmo guarda-sóis para gerar energia. Outro potencial frisado pelo dirigente é na área de veículos elétricos. Conforme o presidente executivo da Absolar, o Rio Grande do Sul pode beneficiar-se de sua vocação agrícola para instalar sistemas fotovoltaicos para atender a demandas como bombeamento de água, irrigação, cercas elétricas e iluminação. Outra função é levar energia para áreas não atendidas pelas distribuidoras ou para locais que não têm previsão de aumento da capacidade de carga.

O diretor da MGF energia solar, Gerson Pinho, considera uma ação sensacional a instalação de placas fotovoltaicas em cima de plataformas flutuantes colocadas em lagos ou barragens. O executivo argumenta que quando esses equipamentos são instalados em reservatórios de hidrelétricas, ainda conseguem aproveitar as linhas de transmissão que foram implementadas para escoar a energia das usinas já existentes.

No entanto, Pinho faz a ressalva que a medida não deixa de ter seus impactos ambientais. Como a estrutura bloqueia a luz solar em relação ao fundo do lago ou reservatório, acaba tendo reflexos na fauna e flora aquáticas. Mas, o diretor da MGF energia solar destaca que, dependendo do tamanho da superfície líquida, os equipamentos ocuparão um espaço pequeno em relação à área total.

O gerente de projetos da F2 Brasil (empresa desenvolvedora e fornecedora de sistemas fotovoltaicos flutuantes), Mathias Ludwig, reitera que uma das vantagens da iniciativa é o aproveitamento de uma área usualmente ociosa, que não gera renda. Ludwig comenta que, normalmente, esse sistema é cerca de 10% mais caro do que o convencional, mas o retorno é melhor devido a uma maior eficiência do equipamento. Como a água faz um resfriamento natural dos módulos fotovoltaicos, a sua produtividade é de 10% a 25% superior a um aparelho que opera em terreno firme. O gerente de projetos da F2 Brasil afirma que vê potencial do uso dos sistemas flutuantes no Rio Grande do Sul por fazendas e empresas de mineração e saneamento. 

Fonte! Chasque (matéria) de Jefferson Klein, publicado nas páginas do Jornal do Comércio de Porto Alegre (RS), na edição do dia 27 de dezembro de 2018.