terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Com Selic baixa, investidor deixa cautela de lado e põe o pé no risco



A estudante de direito Larissa Galdi começou a investir em títulos públicos pelo Tesouro Direto no início de 2016. A taxa básica de juros (Selic), que baliza os retornos dos investimentos em renda fixa, ainda reinava em 14,25% ao ano. No segundo semestre do mesmo ano, porém, a Selic iniciou sua trajetória de queda, achatando a rentabilidade dessas aplicações.

Em 2017, os juros caíram a menos da metade de quando Larissa começou a investir no Tesouro. Como ela tinha um dinheiro parado e a conhecida renda fixa já não estava tão atraente, ela resolveu que era hora de colocar o pé no risco. "Comecei a estudar formas de fugir das taxas frustrantes, passei a repensar o dilema retorno versus risco e a conhecer expressões de renda variável que nunca havia utilizado", conta.

Foi em 2017 que ela e diversos brasileiros saíram da zona de conforto em busca de mais rentabilidade. Para além dos "queridinhos", como a poupança, o Tesouro Direto e os CDBs, o investidor passou a flertar com aplicações mais arrojadas, seja investindo diretamente em bolsa - que fechou o ano com alta de mais de 26%, acima dos 76 mil pontos - ou, sobretudo, via fundos de investimento - que atendem a diferentes perfis e são uma boa opção para um pontapé no risco.

Entre os fundos, os multimercados foram a grande febre em 2017. A captação somou R$ 91,7 bilhões - praticamente o total acumulado por toda a indústria de fundos em 2016. O grande chamariz é ter numa mesma aplicação ativos diversos e com exposição a riscos diferentes, como renda fixa, ações, câmbio e até commodities. "Os fundos multimercado foram a minha porta de entrada para a renda variável: a ideia do risco em prol de retorno começou a me parecer mais natural", conta Larissa.

Ela não parou por aí. Com as promoções das instituições financeiras durante a Black Friday, no final de novembro, ela e o namorado, Carlos Henrique Guimarães, resolveram turbinar ainda mais a carteira. "Ele tomou coragem e investiu em fundos de ações, o que me incentivou a seguir o mesmo rumo, ainda que com um valor mais baixo", diz. "A carteira final tem se revelado equilibrada, uma vez que o fundo multimercado segura razoavelmente a barra da volatilidade do fundo de ações, mas os dois ainda garantem ganhos que eu não teria em um fundo de renda fixa nas taxas atuais."

Já o engenheiro Pedro Campos optou em 2017 por entrar na bolsa - que foi a estrela do ano, mesmo com o "sobe e desce" provocado por eventos como a gravação de Joesley Batista, as denúncias contra Michel Temer e os impasses da reforma da Previdência. "Tenho medo do que pode acontecer no mercado com as eleições, mas, mesmo que ocorra uma queda em 2018, empresas boas tendem a se valorizar no longo prazo", acredita.

O ano que começou ontem oferece um dilema para o investidor resolver. Se, por um lado, a aposta é de que haja continuidade da retomada econômica, com crescimento do PIB, inflação controlada e juros baixos; por outro, o movimento político em torno das eleições e o perfil do próximo presidente podem jogar um balde de água fria nos mercados.

Se 2017 foi um ano de turbinar a carteira de investimentos e colocar o pé no risco, para especialistas, 2018 ainda oferece boas oportunidades para os aplicações mais arrojados - mas é preciso redobrar a cautela. "2018 vai ter muita turbulência para quem não gosta de fortes emoções", adverte Alan Ghani, professor da escola de negócios Saint Paul. Ele aponta os setores de varejo, minério de ferro e imobiliário como opções promissoras no mercado de ações.

"O resultado da eleição vai ser determinante. O investidor vai ter de ter coragem de tomar mais risco e deve estar muito atento no desdobramento eleitoral", aponta Alexandre Silverio, CEO da Az Quest. Para ele, se o eleito for comprometido com a política econômica atual, a bolsa pode ser o grande investimento do ano. Outro destaque entre os ativos de maior risco continua sendo, segundo ele, os fundos multimercado, pela versatilidade da aplicação.

Martin Iglesias, especialista em investimento do Itaú, acredita que 2018 ainda será um ano de mais risco na carteira, mesmo com as incertezas. A dica é não olhar para retorno passado. "É preciso analisar o risco versus retorno e ver se o produto é consistente. Às vezes, tem produto que vai muito bem no curto prazo, nos últimos anos, mas no longo prazo é uma opção ruim", alerta.

Juro real segurou ganho da renda fixa, mas cenário não deve se repetir em 2018

 O tombo da Selic de 14,25% para 7% ao ano do segundo semestre de 2016 para cá desafiou o investidor brasileiro, apegado à renda fixa e acostumado à rentabilidade de 1% ao mês sem ter de correr qualquer risco, como em bolsa. No entanto, apesar do recuo das taxas desses investimentos, a forte desaceleração da inflação no ano passado garantiu ganho real mesmo nas aplicações mais conservadoras. Para 2018, porém, esse cenário não deve se repetir.

Quando a Selic atingiu a então mínima de 7,25% ao ano, em 2012, eram necessários 96 anos para que o investidor dobrasse o poder de compra dos recursos investidos em uma aplicação de renda fixa. Já em 2017, apesar de o juro estar ainda mais baixo, em 7% ao ano, são necessários 22 anos para se dobrar o patrimônio - menos de um quarto do período.

O tempo é menor até na comparação com o final de 2015, quando a Selic estava em 14,25% ao ano. A rentabilidade, apesar de alta, foi corroída por uma inflação também de dois dígitos, sendo necessários 53 anos para se dobrar o patrimônio. Os cálculos são da professora do Ibre/FGV e planejadora financeira Myrian Lund. Foi considerado Imposto de Renda (IR) de 15% e uma inflação de 2,78% para 2017. "Apesar da queda de juros, quem aplicou em renda fixa em 2017 se deu bem, pois a taxa real foi alta", explica Myrian. Se confirmada a projeção do boletim Focus, do Banco Central, de inflação de 2,78% em 2017, o ganho real líquido (descontada a inflação e o IR) do ano passado será, mesmo com o tombo da Selic, superior ao observado em 2016 - 5,52% ante 5,28%, respectivamente.

Esse cenário, porém, não deve se repetir em 2018. Segundo o último boletim Focus, o mercado espera inflação de 3,98% para este ano. Com isso, segundo os cálculos da professora da FGV, o ganho real líquido das aplicações será de apenas 1,62%. "A taxa de juros real vai ser muito mais baixa em 2018, o que deve impulsionar ainda mais os investidores para ativos de maior risco", diz.

Diante desse cenário, a composição da carteira dependerá não só do perfil do investidor, mas de suas metas. "Se o objetivo é fazer pé de meia ou estabelecer previdência, recomendo NTN-B Principal 2035 ou 2027 (título público atrelado à inflação). Outra aposta interessante são os CDBs de bancos pequenos, já que há alguns pagando acima de 120% da taxa DI", afirma Betty Grobman, professora de finanças e sócia da BSG DuoPrata.

Ela lembra também que, em 2018, serão lançados na B3 os ETFs (fundos que replicam índices) de renda fixa. "Nesses fundos, o investidor terá acesso a todos os títulos públicos federais, e não só àqueles disponíveis no Tesouro Direto, através das 'cestas'", diz. Já para quem procura mais risco dentro da renda fixa, ela aconselha que o investidor fique de olho nas debêntures - títulos de dívida emitidos por empresas - e em fundos imobiliários: "Há opções interessantes", finaliza. 

Fonte! Buscamos este chasque (matéria) na edição impressa do Jornal do Comércio de Porto Alegre / RS, em 02 de janeiro de 2018.

domingo, 7 de janeiro de 2018

Shopping centers crescem mesmo em meio a crise





Não se pode negar, há muitas lojas fechadas nos populares shopping centers de Porto Alegre e Região Metropolitana, como, de resto, em todo o País. Porém, mesmo em meio à crise econômico-financeira que assola o Brasil, as vendas nos centros comerciais tiveram crescimento nominal, ou seja, sem considerar a inflação, de 6% neste período do Natal, na comparação com o período ano anterior, segundo levantamento da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop).

O faturamento estimado, que levou em conta o mês de dezembro, foi de R$ 51,2 bilhões. Nabil Sahyoun, presidente da Alshop, considera que a alta de 6% significa inversão da curva de queda, já que, nos últimos dois Natais, o setor havia apresentado retração. Para ele, é algo a ser festejado, pois em 2016 houve queda de 3% no Natal. Em 2015, a redução foi de 2%. Segundo analistas do setor, os motivos para a recuperação das vendas são vários, mas, neste ano que passou, os principais foram as reformas, a taxa de desemprego caindo, as contas inativas do FGTS, que injetaram mais de R$ 44 bilhões, o saque do PIS/Pasep e a taxa Selic em 7%. Com isso, como é sabido, está ocorrendo um retorno ao emprego, de forma lenta, mas importante recuperação.

A estimativa é que os 773 shoppings brasileiros tenham movimentado R$ 147,5 bilhões durante o ano de 2017, alta de 5% em relação a 2016. Por segmentos, brinquedos respondem pelo maior crescimento, correspondendo a 10%. Em segundo lugar estão óculos, bijuterias e acessórios, com 9,5%. Artigos para animais de estimação ficaram em terceiro lugar, com 7,5%. Eletrodomésticos e celulares tiveram 6% cada um. A maioria dos pagamentos para as vendas realizadas em shoppings, ou 55%, foi com cartões de débito e crédito. Já 25% utilizaram o próprio cartão ou carnê da loja. Em menor escala, 10% optaram por cheques e 10% pagaram em dinheiro. O perfil do consumidor aponta que 52% são mulheres e 48%, homens. A frequência é semanal para 48%, quinzenal para 17%, mensal para 14% e ocasional para 19%. Os principais motivos para a visita são comprar, 35%, passear, 20%, alimentar, 15%, mesmo no dia 25/12, quando algumas poucas operações nas praças de alimentação estavam abertas em Porto Alegre, usar banco ou caixa eletrônico, com 12%, usar serviços variados, com 7%, e ir ao cinema, 3%.

Em 2017 foram inaugurados 12 novos shoppings no Brasil, menos que os 20 inaugurados em 2016. Mas, estão em construção 43 shoppings, com previsão de inauguração para os próximos três anos. Mesmo com os problemas advindos da crise que dá sinais de estar sendo superada, o segmento de lojas de shoppings voltou a crescer em 2017, tendo fechado o ano com 124 mil lojas. O número é 2% maior do que o registrado em 2016, quando houve queda do volume de pontos de venda em operação, mesmo com a inauguração de empreendimentos.

Em 2017 foram abertos 12 shopping centers, cinco nas capitais e sete no interior, sendo criadas 20,6 mil novas vagas. Importante gizar o número de empregos temporários gerados durante o período natalino. Foram 115 mil contratações. O varejo absorveu 15% delas, substituindo funcionários com desempenho insatisfatório ou já se planejando para expansões das redes. Shopping centers são templos de consumo que vieram para ficar, com as devidas adaptações dos altos custos de aluguel, condominiais e de promoções, que acontecem nas datas festivas. 

Fonte! Este chasque (post) é o editorial do Jornal do Comércio de Porto Alegre - RS, da edição do dia 02 de janeiro de 2018.

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Observação! Um chasque (post) que tem relação com este do Jornal do Comércio, foi publicado em dezembro de 2017 no sítio da BBC Brasil, e que também trouxemos pra este galpão (blog).

Trata do crescimento na construçãos de shoppings no Brasil e América Latina. E o contrário que acontece nos Estados Unidos. Abra as porteiras clicando em: https://obolsodabombacha.blogspot.com.br/2017/12/por-que-america-latina-continua.html 

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

O que fazer para sair das dívidas em 2018

A menos de um mês do fim de 2017, grande parte dos brasileiros já sabe que entrará no ano novo com algumas dívidas. Indesejável por todos, essa situação é também inevitável para muitos: segundo pesquisa da empresa de recuperação de crédito Recovery, divulgada pelo Data Popular no mês de julho, o brasileiro inadimplente deve, em média, três vezes o que ganha e, em alguns casos, acumula até 20 dívidas diferentes.

Mas o que fazer para se livrar das dívidas aos poucos? Organizar as finanças, evitar gastos desnecessários e negociar para pagar o menor valor possível aos credores. Embora não sejam nada fáceis, essas três medidas precisam ser colocadas em prática – e, importante, ainda neste ano. Para começar, é fundamental que os endividados não sejam vítimas do bombardeio de ofertas desta época de festas e adquiram novas dívidas de longo prazo.

“É fundamental que os endividados não sejam vítimas do bombardeio de ofertas desta época de festas e adquiram novas dívidas de longo prazo”

Devido à facilidade oferecida no fim de ano, o consumidor quase sempre opta por parcelar as compras no cartão crédito. Embora não haja cobrança de juros, a divisão em valores menores acarreta uma grande quantidade de parcelas. Ou seja, a compra dos presentes em dezembro será quitada apenas em julho, agosto ou até depois. Será que isso vale mesmo a pena? Sem contar que, com a “renda extra” do 13º salário, muitos acham que o dinheiro se torna inesgotável. Mas, claro, não é.

Mesmo no curto prazo, uma reorganização pode ser feita para que as coisas se ajustem. Para isso, é importante aprender a diferenciar crédito disponível de poder de compra dentro do seu orçamento doméstico. Assim, mensure em uma planilha de gastos quanto do seu rendimento vai para o pagamento de contas básicas (luz, água, telefone, supermercado); quanto vai para outros gastos constantes (impostos, prestação do apartamento/carro, combustível, plano de saúde, cafezinho pós-almoço); e quanto sobra para o “poder de compra”. Apenas tendo essa diferenciação, é possível saber em qual situação as finanças se encontram e qual o tamanho do buraco.

“Mensure em uma planilha de gastos quanto do seu rendimento vai para o pagamento de contas básicas (luz, água, telefone, supermercado); quanto vai para outros gastos constantes (impostos, prestação do apartamento/carro, combustível, plano de saúde, cafezinho pós-almoço); e quanto sobra para o poder de compra”

A partir disso, é essencial iniciar o corte de atividades supérfluas – aquela viagem de fim de ano pode ser adiada; aquela pizza não é tão fundamental assim durante a semana; seu cachorro pode sobreviver sem aquele brinquedinho; e seu cabelo, com certeza, não precisa visitar o salão de beleza com tanta frequência. Se essas medidas ainda não forem suficientes, converse com a família e cheque se outros gastos podem ser cortados temporariamente do orçamento. A TV por assinatura, por exemplo, pode ser eliminada até as contas se acertarem. Já na ida ao supermercado, opte por marcas mais acessíveis, pois aqueles poucos centavos que nunca foram levados em conta vão fazer sentido nesse período.

Agora, se você notou que já está com muitas dívidas, o primeiro passo é relacioná-las, dedicar um tempo para entrar em contato com todos os credores e tentar negociar o pagamento. Explique a sua real situação e tente retirar os juros e até conquistar um desconto para pagamento à vista. Por último, uma alternativa que, dependendo do planejamento, vale muito a pena, é concentrar todas as dívidas em uma só, com um empréstimo para quitar todas elas. Assim, é possível ter noção exata de quanto está pagando, com uma única taxa de juros.

Fonte! Chasque (matéria) publicado no sítio Economia SC, em 06 de dezembro de 207, por Dora Ramos. Abra as porteiras clicando em http://economiasc.com.br/o-que-fazer-para-sair-das-dividas-em-2018/


*Dora Ramos é orientadora financeira e diretora responsável pela Fharos Contabilidade & Gestão Empresarial.

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Observação!

Sábias palavras em forma de chasque (texto) da orientadora financeira. É simples. Basta virar o jogo, entrar num planejamento, elaborar um orçamento doméstico e transformar a própria casa em uma simples contabilidade, podendo ser num "livro caixa", que traz as colunas de entradas, saídas, saldos (ou, deve, haver e saldos), anotar todos os ganhos e todos os gastos, fazer sobrar dinheiro e guardar, investir. 

E ler muito, muito mesmo. Ler páginas sobre finanças, economia (jornais, revistas, sítios na internet). E se tiver dívidas, liquidar estas e dar tchau para uma possível próxima dívida.

Somos, na nossa família, 100% contra qualquer tipo de dívida. Salvo raríssimas exceções. E quando acontecem, fora do sistema financeiro tradicional, dos bancos e sim, na pequena cooperativa de crédito mútuo dos funcionários da empresa onde trabalho.... é por lá que construimos nossa casa, por exemplo..... 

Valdemar Engroff - o gaúcho taura!