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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Festejos farroupilhas movimentam mais de R$ 650 milhões na economia gaúcha em setembro

Montante inclui o consumo de itens como carne e carvão para churrasco. (Foto: Terdag Media)

Mais do que valorizar o tradicionalismo gaúcho, os festejos farroupilhas têm significativa participação no mercado interno do Rio Grande do Sul. Só em setembro, as atividades com esse perfil são responsáveis por movimentar R$ 652,8 milhões no Estado, detalha uma pesquisa realizada pelo economista José Antonio Ribeiro de Moura, professor professor da Universidade Feevale, em Novo Hamburgo (Vale do Sinos).

Trata-se de uma cadeia que envolve diferentes segmentos, e que se materializa em despesas com alimentação e manutenção de animais, indumentária, culinária, combustíveis, eventos e promoção, dentre outros itens. Tome-se como exemplo o churrasco, no qual a população investe mais de R$ 182 milhões no período, somando-se apenas a carne e o carvão consumidos durante a Semana Farroupilha e a Expointer, no Parque de Esteio (Região Metropolitana de Porto Alegre).

Outro destaque é o investimento realizado pelo público na aquisição de itens característicos da cultura gaúcha, tais como chapéus, lenços, guaiacas, bombachas, botas, vestidos, sapatilhas e alpargatas. Nesse segmento, a pesquisa estima uma movimentação de R$ 46,5 milhões no nono mês do ano.

A cadeia ligada aos animais e às atividades campeiras também apresenta participação expressiva em setembro. Os gastos com alimentação, hotelaria, transporte e encilhas representam R$ 31,2 milhões, enquanto os investimentos em indumentárias e laços dos laçadores somam R$ 5,5 milhões – R$ 2,4 milhões em indumentárias e R$ 3,1 milhões em laços.

Música e demais manifestações culturais também contribuem para esse movimento. De acordo com o levantamento, os shows e atrações de música gaúcha representam R$ 36,8 milhões, enquanto gastos com mídia de músicas gaúchas, bailes, cursos, acampamentos e produtos artesanais chegam a R$ 43,6 milhões.

Dentre os produtos diretamente associados aos hábitos e à cultura tradicionalista, a erva-mate movimenta cerca de R$ 61,5 milhões, enquanto a cutelaria representa aproximadamente R$ 16 milhões. O deslocamento das famílias para os eventos também gera impacto econômico: a estimativa de gastos com combustível passa de R$ 8,8 milhões.

A realização das festividades tradicionalistas mobiliza recursos de diferentes agentes. Os Centro de Tradições Gaúchas (CTG) respondem por R$ 44,22 milhões em investimentos na promoção dos eventos, enquanto os municípios destinam R$ 172,21 milhões para a realização das atividades. Já a condução da Chama Crioula e a promoção dos eventos das Regiões Tradicionalistas representam outros R$ 3,6 milhões.

Com a palavra…

Para o professor Moura, os dados ajudam a dimensionar uma característica que muitas vezes fica em segundo plano quando se fala sobre o tradicionalismo: sua capacidade de movimentar diferentes setores da economia.

“O tradicionalismo é frequentemente associado à cultura e à identidade, mas há também uma dimensão econômica muito significativa. Quando se observam os gastos com alimentação, vestuário, transporte, eventos, música, produtos culturais e serviços, é possível perceber uma extensa cadeia produtiva associada às manifestações tradicionalistas”.

Ele ressalta que o impacto não se concentra em um único setor. Pelo contrário, ele se distribui entre atividades comerciais, prestação de serviços, produção cultural, turismo, alimentação, transporte e investimentos públicos e privados, demonstrando a transversalidade econômica do tradicionalismo:

“O volume expressivo de recursos irriga uma cadeia produtiva vasta e descentralizada, sustentando milhares de famílias, trabalhadores autônomos e pequenos negócios em diversas regiões”, afirma Moura. Mais informações podem ser conferidas no site feevale.br.

Fonte! Chasque (post) de Marcello Campos, publicado no sítio oficial do Jornal O Sul de Porto Alegre (RS) em 02 de setembro de 2026: https://www.osul.com.br/festejos-farroupilhas-movimentam-mais-de-r-650-milhoes-na-economia-gaucha-em-setembro/

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Tradicionalismo lembra a história e movimenta a economia no RS

Acampamento Farroupilha é somente um dos inúmeros eventos que impulsionam os negócios relacionados ao tradicionalismo no Estado / TÂNIA MEINERZ/JC

A tradição gaúcha, marcada por elementos como o chimarrão, a pilcha, o Cavalo Crioulo e o turismo histórico, vai muito além da preservação cultural: ela movimenta a economia do Rio Grande do Sul e reforça a identidade de um povo que se orgulha de suas origens e que, em 2025, comemora os 190 anos da Revolução Farroupilha. O tradicionalismo, organizado por meio dos Centros de Tradições Gaúchas (CTGs), se tornou um dos pilares não só do folclore regional, mas também de um setor que gera emprego e renda, fomenta o turismo e impulsiona a produção local.
 
Um estudo realizado pela Feevale, em parceria com o Governo do Estado, revelou que o tradicionalismo movimentou, apenas em 2023, R$ 4,5 bilhões, em diferentes setores e manifestações culturais, representando uma força econômica relevante no Estado, com 0,70% de participação no Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho. “Atividades ligadas ao tradicionalismo, como festas, danças, gastronomia e artesanato, consumo de erva-mate, de churrasco, os rodeios, a criação do Cavalo Crioulo, a moda, têm um impacto real no desenvolvimento econômico regional. Isso sugere que o apoio a essas atividades pode resultar em benefícios econômicos sustentáveis a longo prazo”, afirma o coordenador do estudo, economista e professor da Feevale, José Antônio Ribeiro de Moura. Entre as atividades vinculadas ao tradicionalismo que mais movimentaram a economia, conforme a pesquisa, estão rodeios (R$ 2 bilhões), festas (R$ 613,4 milhões), música (R$ 220 milhões), Cavalo Crioulo (R$ 1 bilhão), radiodifusão (R$ 2,3 milhões), projetos culturais (R$ 65,8 milhões), erva-mate (R$ 396 milhões), cutelaria (R$ 96 milhões) e churrasco (R$ 106,5 milhões). 
 
O professor chama a atenção para a contribuição dos rodeios e do cavalo crioulo, assim como das festas campeiras, para o crescimento da economia gaúcha. Somente em 2023, foram realizados 3.264 rodeios, um aumento de 15% em relação ao ano anterior. “São 3,2 mil festas por ano, uma média impressionante de mais de 60 a cada fim de semana. Dessas, 9% são grandes eventos; 48%, médios; e 43%, pequenos, os quais geraram, somente com inscrições, R$ 980 milhões. Além disso, o investimento em rodeios, festas campeiras e torneios de tiro de laço foi de cerca de R$ 1,3 bilhão, totalizando um consumo de mais de R$ 2 bilhões”, detalhou.
 
Para Moura, a cultura do Rio Grande do Sul é rica e proporciona o desenvolvimento do Estado, além de mensurar a contribuição do segmento e o potencial de consumo para o PIB, de modo a contribuir para que as entidades tenham informações sobre a movimentação financeira de suas atividades, que podem auxiliar na captação de recursos, sejam públicos ou privados, para seus eventos e projetos. O estudo foi descontinuado em 2025, em função das enchentes que abalaram, de forma excepcional, os dados, com queda de 22% nos eventos como as festas campeiras, apenas para citar um exemplo. “Temos a intenção de reeditá-lo e ampliar o escopo, pois acreditamos que a influência do tradicionalismo na economia ultrapassa 1% do PIB. A dificuldade de mensurar objetivamente o impacto econômico da cadeia produtiva, tendo em vista o alto índice de informalidade (as estatísticas econômicas são frágeis, não captam o informal nem desdobram os dados por unidade da federação) e a incorporação dos dados por outros setores”, avalia Moura. 
 
Ao que tudo indica, os reflexos da enchente ficaram no passado, e a recuperação segue em franca expansão. Prova disso foi a 48ª Expointer que recebeu mais de 1 milhão de visitantes, o maior público da história do evento, e movimentou mais de R$ 4,4 bilhões em negócios. O impacto positivo da feira também se refletiu na economia local. Apenas o comércio instalado no Parque registrou faturamento superior a R$ 15,8 milhões, segundo levantamento da prefeitura de Esteio. Além disso, a taxa de ocupação hoteleira da região chegou a 83%. “O Estado do Rio Grande do Sul apresenta grande potencial de crescimento de seus produtos tradicionais, proporcionando desenvolvimento regional, uma vez que a maioria dos gaúchos continua bastante próximos às tradições, que vão além do churrasco, do chimarrão e das vestimentas, incluindo um senso de pertencimento”, acrescenta Moura.
 
O tradicionalismo no Rio Grande do Sul é rico e tem personalidade própria: ganha destaque especial no mês de setembro, principalmente por conta das comemorações da Semana Farroupilha, e a vida no campo e as tradições gaúchas são temas muito valorizados. Quanto o tradicionalismo movimenta anualmente no Estado, dá a capacidade, segundo o economista da Feevale, de planejar melhor as políticas públicas para o setor, além de buscar incentivos e fomento para essa cadeia produtiva que gera desenvolvimento e renda em cada município gaúcho. “O estudo contempla diversos benefícios e serve de base para políticas públicas de fomento às tradições, sendo um setor econômico e cultural extremamente importante, ligado à nossa identidade e ao nosso desenvolvimento. Como um gestor público vai propor uma política e dirigir recursos, transportar para o turismo, por exemplo”, diz Moura.
 
Para ele, discutir a relevância da tradição é fundamental para refletir sobre a relevância de manter práticas tradicionais em um cenário em que os modismos podem oferecer vantagens financeiras imediatas, especialmente quando a promessa de lucro fácil é irresistível. O estudo mostrou que o tradicionalismo une as pessoas em torno de interesses comuns, fortalecendo laços comunitários, condição vital para a resiliência das tradições, pois uma comunidade coesa é mais capaz de preservar e transmitir sua herança cultural. “Cabe destacar o grande interesse dos tradicionalistas em participar do estudo, devido à importância para novos projetos, abrir novos parceiros e trazer investimentos para o movimento”, acrescenta o estudioso.
 
O estudo foi coordenado pela Universidade Feevale, em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec), e contou com a participação das pastas do Turismo (Setur), da Cultura (Sedac) e da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi).
 
Essa foi a primeira pesquisa mostrando o tradicionalismo como um setor produtivo e que se dedicou ao mapeamento de eventos, como rodeios e festas, de itens culturais, como pilchas e alimentos. O estudo ocorreu de julho de 2023 a abril de 2024, com nove eixos categorizados e mensurados. O método de trabalho incluiu formulação de hipóteses, análise dos segmentos do tradicionalismo e definição de coleta de dados, entre outros instrumentos.
 
Fonte! Chasque (reportagem) de Ana Esteves, especial para o Jornal do Comércio de Porto Alegre (RS). Reportagem especial do dia 18 de setembro de 2025: https://www.jornaldocomercio.com/especiais/semana-farroupilha/2025/09/1218426-tradicionalismo-reforca-a-tradicao-e-movimenta-a-economia.html