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Após uma
série de escândalos envolvendo fundos de pensão ligados a empresas públicas, o
Conselho Monetário Nacional (CMN) editou a Resolução nº 4.661, que endurece as
regras de investimento das chamadas Entidades Fechadas de Previdência
Complementar (EFPC). Entre as novidades está a determinação de que os fundos de
pensão precisarão designar um profissional específico ou formar um comitê para
gerenciamento do risco de investimentos. Além disso, os fundos não poderão mais
investir diretamente em imóveis. Para isso, eles serão obrigados a utilizar
instrumentos financeiros.
O setor
de EFPC conta, hoje, com ativos da ordem de R$ 840 bilhões, distribuídos por
307 fundos de pensão. Este universo reúne 7,3 milhões de participantes e
dependentes assistidos, conforme a Superintendência Nacional de Previdência
Complementar (Previc) - órgão do governo que regula os fundos de pensão, ligado
ao Ministério da Fazenda.
De acordo
com o diretor-superintendente substituto da Previc, Fábio Coelho, o que se
busca com a nova norma é avançar no processo decisório de investimentos.
"Buscamos deixar de maneira segregada as responsabilidades sobre a questão
de investimentos e de gerenciamento de risco", afirmou Coelho. "Pelo
menos um profissional precisará gerenciar o risco em fundos de pensão."
Além
disso, o CMN incorporou novos produtos financeiros na norma que trata de fundos
de pensão e alterou limites em classes de ativos. Atualmente, os fundos podem
investir em seis classes de ativos: renda fixa, renda variável, investimentos
estruturados, ativos imobiliários, operações com participantes e investimentos
no exterior.
Pela nova
norma, essas classes de ativos permanecem, mas há mudanças em algumas delas.
Uma das principais diz respeito ao setor imobiliário. Os fundos de pensão, a
partir de agora, estão proibidos de comprar diretamente imóveis. Para investir
em imóveis, eles precisarão fazer isso por meio de Fundos de Investimentos
Imobiliários (FII) ou por Fundo de Investimento em Cotas de FII (FICFII).
Fundos de pensão que têm atualmente imóveis em sua carteira terão um prazo de
12 anos para vender estes ativos ou transformá-los em um FII. De acordo com a
Previc, a carteira total de imóveis dos fundos, hoje, soma cerca de R$ 37,8
bilhões.
Essas
mudanças surgem após fundos de pensão importantes - como o Previ, de
funcionários do Banco do Brasil, e o Postalis, dos trabalhadores dos Correios -
apurarem prejuízos ao investir em empreendimentos imobiliários. O Previ, por
exemplo, tinha investimentos nos resorts da Costa do Sauípe que não
apresentaram retorno.
Oficialmente,
porém, Previc e Ministério da Fazenda afirmam que a mudança nas regras quanto a
investimentos em imóveis surgiram por conta da necessidade de dar liquidez a
algumas carteiras de fundos de pensão. "Havia problema de liquidez e de
questão de precificação na carteira de ativos", explicou Coelho.
"O
CMN decidiu que não serão mais permitidos investimentos em imóveis, porque
existia problemas na precificação", reforçou o coordenador-geral de
Seguros e Previdência Complementar da Secretaria de Política Econômica do
Ministério da Fazenda, Ernesto Serejo. "As fundações devem se especializar
no pagamento de benefícios, e não na gestão de imóveis. Muitos países têm como
preferência a utilização de ativos financeiros para investir em imóveis",
acrescentou.
Fonte! Chasque (matéria) publicado no Jornal do Comércio de Porto Alegre - RS, no Caderno Empresas & Negócios, do dia 04 de junho de 2018
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