domingo, 12 de março de 2017

Entenda porque no Brasil, a Desigualdade Social NÃO vai acabar

Compartilho com vocês uma reflexão, porque Educação Financeira e Educação Político-Econômica andam juntas…

Que no Brasil a desigualdade social é “gritante” todo mundo já sabe. Que nenhum governo conseguiu resolver este problema, também.

Mas já se perguntou por qual motivo isso é tão latente aqui?

Me pergunto a muitos anos. Existem vários motivos. Escreveria um livro imenso se fosse falar de todos eles…

Obviamente destacarei apenas um, que julgo ser o de maior contribuição para este cenário, e de mais difícil resolução:

Nossa matriz de impostos.

Não desista da leitura, vou descomplicar a economia para que você possa compreender o principal motivo da persistência da nossa desigualdade social.

E você trabalha 5 meses no ano só para pagar impostos. O assunto é importante.

Vamos considerar um cidadão com salário de R$2.000,00 mensais.

Fazer compras no supermercado ultimamente tem sido quase um assalto a mão armada. Não é?

Nosso amigo do exemplo, gasta mensalmente R$850,00 com produtos alimentícios.

Isso significa 42,5% da renda total dele.

Vamos imaginar agora que esse cara conseguiu uma promoção em seu emprego. E passou a ganhar R$3.000,00 mensais.

O gasto com alimentação agora consome 28,34% da sua renda. Melhorou, não?

Mas onde é que eu quero chegar? Onde entra a matriz de impostos, que citei no início deste artigo?

No Brasil, com exceção do Imposto de Renda, TODOS os outros impostos são pagos na mesma proporção por TODA a população.

Ai eu lhe pergunto:

R$850,00 pesam mais no orçamento de uma pessoa com salário de R$2.000,00 ou no de uma pessoa que ganhe R$5.000,00?

Só que destes R$850,00 gastos, R$350,00 são IMPOSTOS.

Reformulo a pergunta:

R$350,00 pesa mais no bolso do cara que ganha R$2 mil? Ou do cara que ganha R$5 mil?

Percebe porque a matriz de impostos brasileira colabora para o agravamento da desigualdade social?

Como seria a divisão dos impostos no mundo perfeito:
  1. Nenhum cidadão pagaria altos impostos sobre produtos e serviços (ok, o cara que ganha mais saiu na frente novamente);
  2. Em contrapartida, o imposto de renda aumenta, conforme o valor recebido mensalmente, e a população de baixa renda não paga este imposto.
Agora você deve estar se perguntando:

Mas aqui no Brasil o Imposto de Renda também isenta os menores salários e é mais alto nos maiores salários.

Perfeito…

E TODOS os outros impostos que pagamos? Estes, não fazem distinção de faixa de renda.

Trabalhamos 5 meses por ano, só pra pagar impostos. INDEPENDENTE DO SALÁRIO.

Parece justo pra você?

A classe média é a mais penalizada em tempos de crise e inflação alta. Sabe porque?

Porque se você ganha R$2.000,00 e gasta R$1.700,00 para se manter, quando a inflação sobe e chega na casa dos 10%, como em 2015, você passará a gastar R$1.870,00. Fez MUITA diferença não fez? E você não possui nenhum benefício assistencialista, e não tem nenhuma isenção de nada. O governo julga você praticamente rico 

Agora se você gasta R$2.000,00 para se manter, mas ganha R$15.000,00. Os 10% de inflação farão seus gastos subirem para R$2.200,00 mensais. Mas concorda que pesou muito menos no bolso desse cara o aumento da inflação?

Compreende porque você está cada vez mais “com a corda no pescoço”, e a classe mais alta permanece muito mais tranquila?

E pode apostar que 5 meses do seu salário, são um valor MUITO mais alto do que o Imposto de Renda Pago por uma pessoa com receitas 10x maiores que a sua. Você foi penalizado com todos os impostos sobre produtos e serviços, enquanto as pessoas com rendas muito mais altas são penalizadas apenas pelo IR (além dos mesmos impostos pagos por você). E acredite, o IR pesa muito menos no bolso dela, do que todos os outros impostos pesam no seu.

Pense fora da Caixa… Exercite seu poder de reflexão, busque conhecimento. Quanto mais você conhecer, mais saídas encontrará.

Espero que você tenha gostado dessa minha “viagem” 

Fonte! Este é um chasque (uma postagem) de Aline Porto, publicado no sítio Penso no Futuro, de 23 de agosto de 2015 (mas super atualizado). Abra as porteiras clicando em http://pensonofuturo.com.br/desigualdade-social/