quarta-feira, 9 de junho de 2021

Como chegar ao fim do mês

Boas práticas para vencer o desafio de chegar ao fim do mês sem recorrer a empréstimos

Esticar o dinheiro para que não acabe antes que o mês termine e o próximo salário seja creditado é uma batalha que muitos enfrentam mês após mês.

Algumas práticas saudáveis nos ajudam a evitar problemas com o dinheiro e termos segurança financeira. Para isso, não é preciso ser rico, basta limitar os gastos e gastar menos do que se ganha.

Temos segurança financeira quando podemos manter certo padrão de vida, economizar para gastos imprevistos e fazer planos para o futuro. Isso só será possível se controlarmos as despesas, economizarmos algo todos os meses e evitarmos dívidas. 

Parece desafiador, não é mesmo? E é, mas com planejamento e determinação, o desafio será superado.

Orçamento

Tudo começa com a determinação de assumir o controle da situação. E o primeiro passo é elaborar um orçamento pessoal ou familiar, a maneira mais eficaz de tirar o máximo proveito do nosso dinheiro. 

Primeiro identificamos as receitas líquidas, nossas fontes de renda, e as despesas, todas as saídas de dinheiro, periódicas ou ocasionais, pequenas ou grandes, sem esquecer de nenhuma, caso contrário o orçamento não será realista. 

O passo seguinte é ajustar as despesas às receitas, tentando limitar as despesas a 90% da renda, economizando ao menos 10% ao mês, criando o hábito de poupar para projetos futuros e a necessária reserva financeira.

São três tipos de despesas: os gastos fixos que não podemos evitar, como a hipoteca ou o aluguel; despesas variáveis e necessárias, como alimentação e saúde; e os demais gastos, que podemos reduzir ou eliminar com mais facilidade.

Conselho: classifique a poupança como despesa fixa, pague a si mesmo antes de pagar todas as contas. Não espere sobrar, coloque a poupança da família entre as prioridades.

Revise o orçamento periodicamente, as receitas e as despesas variam com o tempo. Se a renda aumentar, não aumente as despesas na mesma proporção. O ideal é economizar parte desse aumento, já que com a inflação, tudo será cada vez mais caro.

Reserva de emergência

Como enfrentar uma situação inesperada? A vida nos surpreende com pequenos eventos, como consertar a máquina de lavar roupas ou o carro, e eventos de grande impacto, como um divórcio ou perda do emprego. Uma reserva de emergência nos permite lidar com essas situações sem recorrer a empréstimos.

A reserva deverá ser suficiente para nos sentirmos seguros. Deve ser mantida em aplicações seguras, de curto prazo, com o menor risco possível e liquidez diária, de forma que seja acessada rapidamente.

Pode parecer pouco realista, como poupar se o salário mal dá para pagar as contas? Sem a reserva para os imprevistos, difícil chegar ao final do mês sem recorrer a empréstimos e o mês seguinte estará inevitavelmente comprometido.

Cuidado com as dívidas

Fácil gastar mais dinheiro do que temos, basta financiar a fatura do cartão de crédito, parcelar as compras em prestações a perder de vista, ou utilizar o limite do cheque especial. 

Esse é um caminho perigoso e caro, muito caro. Ao final, pagaremos muito mais do que vale o produto ou o serviço comprado. Sempre que possível, devemos economizar antes de comprar e pagar somente o que o produto vale. 

Sábios os que utilizam dinheiro emprestado somente para comprar coisas necessárias, que duram muito tempo, com um imóvel, um carro, ou abrir um negócio próprio que poderá ser uma nova fonte de renda.

Fonte! Chasque (coluna) Opinião Econômica, publicado nas páginas do Jornal do Comércio de Porto Alegre (RS), na edição do dia 08 de junho de 2021, pela planejadora financeira Márcia Dessen.

sábado, 22 de maio de 2021

Planejar a aposentadoria, sim ou sim

Viver mais tempo e se aposentar mais cedo, uma importante equação a resolver
 

Créditos! https://www.euqueroinvestir.com/como-planejar-seu-futuro-e-garantir-sua-aposentadoria/

Poupar para a aposentadoria é um desafio e quanto antes estivermos dispostos a planejar essa fase da vida, menor será o esforço e maiores as chances de sermos bem-sucedidos nesse propósito. 
 
São muitas as variáveis a considerar e, muitas delas, difíceis de serem determinadas, circunstâncias que ampliam a complexidade e seriedade desse projeto.
 
Longevidade: Estamos vivendo mais e queremos nos aposentar mais cedo. Assim, será maior o tempo durante o qual viveremos dos rendimentos do patrimônio que formos capazes de acumular durante a fase ativa de nossas vidas. 
 
Por conseguinte, maior deverá ser o patrimônio acumulado. Para lograrmos esse intento, devemos dedicar boa parte de nossos rendimentos para o futuro desde o primeiro salário. O quanto antes iniciarmos a acumulação desses recursos, menor será o esforço.
 
O risco de vivermos mais do que o nosso patrimônio é um motivo de grande e verdadeira preocupação. Um bom e precoce planejamento pode minimizar esse risco.
 
Inflação: Nosso poder de compra diminui ao longo do tempo em razão do aumento do custo de vida. Uma taxa de inflação média de 6% ao ano dobra o custo de vida em aproximadamente 12 anos. Esse é um risco nada desprezível e deve ser considerado no planejamento da aposentadoria. 
 
Para evitarmos sermos surpreendidos no futuro, com pouco ou nenhum tempo para reverter erros do passado, importante considerarmos os impactos da inflação tanto na estimativa dos gastos estimados para nossa subsistência, quanto na projeção dos rendimentos provenientes do patrimônio ao longo dos anos.
 
Ritmo de saques: O patrimônio que será formado ao longo da vida ativa será vital para bancar nossas despesas futuras. Embora seja esse o propósito, resgatar alta percentagem dos ativos anualmente, especialmente nos primeiros anos da aposentadoria, aumenta a probabilidade de exaurir o patrimônio prematuramente.
 
Para evitarmos esse risco, e na medida do possível, é recomendável reduzir o valor e a frequência dos saques na fase inicial da aposentadoria mantendo o capital investido e crescente com o recebimento dos juros e rendimentos.
 
O planejamento de sacar apenas os rendimentos mantendo o capital preservado, dentro das possibilidades de cada um, reduzirá o risco e permitirá que a longevidade do patrimônio acompanhe a nossa. 
 
Despesas com saúde: A longevidade não será uma benção se não tivermos saúde e qualidade de vida. Portanto, devemos ser realistas e prudentes na projeção dessas despesas. Além do valor do plano de saúde, não podemos esquecer de gastos adicionais eventualmente não cobertos pelo seguro, tais como, despesas com cuidadores e medicamentos. 
 
Riscos inesperados: Circunstâncias não planejadas, como eventuais perdas patrimoniais, ou o retorno à casa de um membro da família, podem alterar o nível do patrimônio e das despesas. 
 
Fatores externos, como alteração nas regras de tributação, tanto de patrimônio, quanto dos investimentos, também representam riscos para os quais devemos nos preparar, mantendo uma boa margem de erro nas projeções realizadas.
 
Se enganam os que evitam pensar no assunto e adiam o planejamento da aposentadoria. Deixar para pensar no assunto mais tarde é uma decisão que pode comprometer seriamente o alcance desse objetivo tão importante. 
 
Planejar a aposentadoria, com responsabilidade e dedicando toda a atenção e o cuidado que esse projeto de vida merece, aumenta a chance de uma vida longeva, feliz e saudável.
 
Fonte! Chasque (coluna) "Opinião Econômica", por Márcia Dessen, publicado na edição do Jornal do Comércio de Porto Alegre (RS) da edição do dia 11 de maio de 2021.