domingo, 14 de março de 2021

Nem sempre a portabilidade vale a pena

Antes da portabilidade, identifique a tábua atuarial e solicite simulação do benefício de renda
 
Créditos! https://www.suno.com.br/artigos/portabilidade-da-previdencia-privada/

José tem um plano de previdência antigo onde faz depósitos regulares para atingir seu objetivo de complementar sua renda na aposentadoria. 
 
Não está satisfeito com o desempenho do plano e pergunta se deve fazer a portabilidade para outro fundo, da mesma ou de outra seguradora, em busca de melhor retorno. Afinal, tem um objetivo de longo prazo a atingir e a rentabilidade do fundo é um dos fatores essenciais para alcançar o capital no prazo planejado.
 
Antes de responder à pergunta de José é preciso saber o que ele tem em mente em relação ao plano de previdência: investimento, sucessão patrimonial para herdeiros ou conversão em benefício de renda futura.
 
Os planos de previdência têm um componente que muitos desconhecem – a tábua atuarial, e é particularmente importante para a terceira opção, a de converter os recursos em benefício de renda. 
 
Com base na tábua atuarial, considerando expectativa de vida e juros futuros, a seguradora estipula o valor do benefício a ser pago. Quanto mais nova for a tábua, maior será a expectativa de vida, e menor será o valor do benefício de renda já que o capital será diluído com pagamentos durante um prazo mais longo. 
 
O inverso é verdade, tábuas mais antigas indicavam menor expectativa de vida e, portanto, benefício de renda mais elevado.
 
Investimento
 
O objetivo é investir, acumular patrimônio para manter ou utilizar em caso de necessidade, podendo deixar o excedente para herdeiros. Esperar 10 anos para reduzir a alíquota do Imposto de Renda para 10% também faz parte do planejamento. 
 
Nesse caso, a rentabilidade é requisito importante e a portabilidade pode ser feita mesmo renunciando a uma tábua atuarial antiga para uma mais recente. Como pretende manter o patrimônio em família e administrá-lo ou utilizá-lo conforme a necessidade, a tábua de mortalidade do plano tem pouca relevância.
 
Sucessão patrimonial
 
O objetivo é acelerar e facilitar a transmissão de patrimônio para beneficiários indicados no caso da morte do titular do pano. Trata-se de um atributo exclusivo dos planos de previdência que produtos de investimento não oferecem.
 
Os recursos acumulados em planos de previdência não entram em inventário, sendo transferidos aos beneficiários indicados, observadas as regras estabelecidas pelo Código Civil.
 
Redução dos custos de inventário, possível isenção fiscal relativo ao ITCMD (depende de cada Estado) e acesso rápido aos recursos, são os benefícios dos herdeiros. A tábua atuarial não é relevante.
 
Conversão em benefício de renda
 
O objetivo é converter o dinheiro acumulado em benefício de renda futura. O capital passa a ser da seguradora que assume o compromisso de pagar uma renda mensal ao titular do plano (e a seus beneficiários) conforme o tipo de renda contratado.
 
Renda vitalícia, conversível ou não a beneficiários, renda temporária, renda por prazo mínimo, são algumas das alternativas. Especialmente no caso de renda vitalícia, a tábua atuarial será determinante para definir o valor do benefício.
 
Quanto mais antiga a tábua, menor será a expectativa de vida do participante e maior será o valor da renda futura. Portar os recursos para um plano com tábua atuarial mais recente pode não compensar dependendo do tipo de renda desejada. 
 
Antes de fazer a portabilidade identifique qual a tábua do plano atual e do novo. Solicite uma simulação do valor da renda utilizando uma e outra tábua. De posse dos valores, decida se vale a pena fazer a portabilidade. 
 
Fonte! Chasque (coluna semanal) da educadora financeira Márcia Dessen, publicado nas páginas do Jornal do Comércio de Porto Alegre, na edição do dia 1º de março de 2021.
 
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Nós do sítio O Bolso da Bombacha solicitamos à Márcia Dessen, informações a respeito da portabilidade de um fundo de pensão para a previdência privada (PGBL). E nós publicamos o chasque aqui neste sítio. Abra as porteiras clicando em: http://obolsodabombacha.blogspot.com/2020/01/portabilidade-de-fundo-de-pensao-para.html

'Dinheiro não é só para acumular', afirma especialista em mesada

Finanças! Crianças precisam conversar sobre contas para evitar que tema se torne um tabu

Godoy comenta que é importante saber desde pequeno que o dinheiro é feito para atingir objetivos

Godoy comenta que é importante saber desde pequeno que o dinheiro é feito para atingir objetivos

Se alguém abrisse a carteira de um adulto de antigamente, ia encontrar lá, além dos documentos da pessoa, várias moedas e notas de dinheiro. Já se a carteira fosse de um adulto de hoje em dia, o que menos ia ter ali eram notas, mas sobrariam cartões dos mais variados tipos.
 
Cada vez mais, as cédulas, como é chamado o dinheiro em papel, estão dando lugar a outros tipos de pagamento das coisas. Além dos cartões, já é normal comprar usando só a internet, por exemplo.
 
Só que, quando a gente não consegue enxergar uma coisa, fica um pouco mais complicado de entender o que ela é ou como ela funciona. Por isso, quando as crianças começam a lidar com o dinheiro, recebendo mesada ou pensando em comprar algo, uma boa ideia é que os pais ajudem nesse aprendizado mostrando o dinheiro físico, com notas e moedinhas.
 
Quem dá essa dica é Tiago Godoy, chefe do departamento de Finanças Pessoais da XP Investimentos. Ele explica que, para que todo mundo cresça sabendo usar melhor o dinheiro, a primeira providência é entender que ele é não é infinito. "As famílias mostram que o dinheiro vem do trabalho. As crianças aprendem como se usa, e que usar o dinheiro é uma escolha", fala Tiago.
 
Ele diz que é importante conversar sobre dinheiro com os pais e responsáveis sempre que der vontade. Não só para tirar dúvidas, mas para evitar que este tema se torne um tabu, que é como os adultos chamam os assuntos que eles acham complicado de falar com os outros.
 
Luana Borin recebe R$ 40 por mês. Ela tem 11 anos e guarda a mesada para gastar no shopping, ou com dinheiro virtual no videogame. "Eu gosto porque não tenho que ficar pedindo para a minha mãe", diz Luana. "Ela criou essa mentalidade de guardar, porém sempre tem um objetivo com o dinheiro", conta Nathalia Buscarino, mãe da menina.
 
Tiago Godoy comenta que é importante saber desde pequeno que o dinheiro é feito para atingir objetivos, e não só para ser acumulado. "Criança tem que viver vida de criança, e não pensar em investir na Bolsa", diz.
 
Outra sugestão de Godoy é que, em vez de mesada, as crianças recebam semanada, porque pode ser difícil esperar tanto tempo quando ainda se é criança. "Vamos supor que a ideia é comprar um joguinho que custa R$ 50. A criança pode anotar o objetivo, e pedir ajuda da família para uma pesquisa sobre o preço", ensina.
 
Pesquisa feita, é hora das contas. Se a semanada é de R$ 10, vai ser preciso economizar por cinco semanas tudo que entrar no cofrinho. "Se no meio do caminho der vontade de comprar uma bala, e gastarmos parte do dinheiro, vamos ter que entender que o plano inicial foi mudado. Daí volta na anotação e faz a continha de quanto gastou. Depois é preciso comemorar quando conseguir comprar o brinquedo que queria, recompensando o próprio sucesso."
 
Tiago ainda lembra: a mesada não pode ser um pagamento pelas obrigações. "Não brigar com o irmão, fazer a tarefa da escola e ajudar com as coisas em casa é o certo. E o certo não é remunerável."
 
Fonte! Chasque (reportagem) postado nas páginas do Jornal do Comércio de Porto Alegre / RS, no caderno Empresas & Negócios, do dia 8 de março de 2021. 

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Novas faces das pirâmides financeiras no Brasil: o golpe dentro do golpe

Créditos! https://www.blancoadvocacia.com.br


São crescentes no Brasil os golpes chamados de pirâmide financeira.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) informou recentemente ter encaminhado cerca de 260 comunicados de indícios criminosos ao Ministério Público até o mês de setembro último, um recorde nos últimos cinco anos. A Comissão também aplicou R$ 926,1 milhões em multas no período. Desse total, 139 comunicados são relativos a formações de pirâmides financeiras. Apenas no terceiro trimestre, foram 36 esquemas de pirâmide detectados pela órgão regulador.

Os números refletem que, em que pese a prática de pirâmide financeira ser proibida e configurar crime, os golpistas não estão intimidados com as ações da autoridades.

Tal fato ocorre em virtude do advento das criptomoedas que, com seu crescimento exponencial e volatilidade de rendimentos, abriu um caminho fértil para golpistas “fisgar” vítimas sob a promessa de retorno expressivo de dinheiro em um curto espaço de tempo.

Com modos usuais, as pirâmides financeiras e esquemas “Ponzi” costumam ter fases comuns que iniciam com uma euforia quando o número de investidores está crescendo, e os mais antigos estão sacando, passando por uma segundo fase, onde os investimentos se estabilizam e a empresa começa a atrasar os saques. Uma terceira fase ocorre quando o golpista não consegue pagar os resgates e cria justificativas, como problemas operacionais e até ataques de hackers ou desvios de recursos.

Já numa quarta fase, o golpista vai enrolando os investidores e afirma que os valores serão pagos, mas os problemas operacionais não permitem, então ele pede mais uma semana, um mês ou alguns dias, desembocando em uma fase final. É quando existe uma admissão de quebra e o criminoso oferece um contrato de confissão de dívida para o investidor, dando a ilusão que a vítima terá uma garantia de que receberá o dinheiro de volta. Esse são os caminhos do golpe.

Porém, recentemente, foram identificados em vários esquemas fraudulentos, com uma nova fase, uma espécie de “spin off” do golpe, onde se aproveitando da possibilidade de converter milhões de reais em criptomoedas, o vigarista consegue sair do país com uma fortuna em um pendrive, deixando contas vazias para burlar execuções judiciais dos credores, que não obtêm êxito na sua pretensão.

Nessa nova etapa, ao invés de finalizar com um termo de confissão de dívidas, dando a ilusão de uma garantia de recebimentos para as vítimas que nunca receberão, os golpistas anunciam um acordo como uma forma de inibir ações judiciais. A narrativa deste acordo, geralmente, vem acompanhada de ataques aos advogados das vítimas, que são colocados como os grandes culpados pelas dificuldades de não se efetuarem os pagamentos.

A partir daí, os golpistas iniciam uma grande divulgação de pequenos pagamentos, ínfimos no montante da dívida, mas com muito marketing para demonstrar boa-fé, inclusive para as autoridades. Muitos desses pagamentos são feitos a membros da própria organização que tem como trabalho divulgar ao maior número de pessoas que a promessa esta sendo cumprida. Como uma anestesia generalizada, esse golpe dentro do golpe tem um efeito imediato nos credores que mais uma vez se tornam vulneráveis, mesmo estranhando o fato de não estarem na lista dos que tiveram a dívida liquidada.

Diante desse estado de letargia cercada por muito marketing, os golpistas se aproveitam para oferecer uma nova oportunidade de negócios, sem mesmo honrar os compromissos antigos, uma plataforma mundial que irá revolucionar o mercado e que com investimentos nesse novo negócio, os rendimentos contribuirão para a quitação total da dívida. Como um ciclo infinito que se retroalimenta, o golpe volta pra primeira fase, e tudo se reinicia numa enorme euforia coletiva até chegar novamente a fase do caos e desespero, onde famílias são devastadas pela perda de economias de toda uma vida.

É urgente a necessidade de um basta nessa situação e para a obtenção de resultados práticos devem ser adotadas medidas necessárias, tais como busca e apreensão, remoção de coisas e pessoas, perdimento do proveito do crime, impedimento de atividade, além de requisição de força policial, evitando que o ciclo se reinicie e perdure devastando economias de maneira criminosa.

Fonte! Chasque (post) de Jorge Calazans, publicado no sitio Empresas & Negócios em 18 de janeiro de 2021. Abra as porteiras clicando em https://jornalempresasenegocios.com.br/negocios/novas-faces-das-piramides-financeiras-no-brasil-o-golpe-dentro-do-golpe/

Jorge Calazans é advogado especialista na área criminal, é Conselheiro Estadual da Anacrim e sócio do escritório Calazans & Vieira Dias Advogados, com atuação na defesa de vítimas de fraudes financeiras.