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terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Novas faces das pirâmides financeiras no Brasil: o golpe dentro do golpe

Créditos! https://www.blancoadvocacia.com.br


São crescentes no Brasil os golpes chamados de pirâmide financeira.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) informou recentemente ter encaminhado cerca de 260 comunicados de indícios criminosos ao Ministério Público até o mês de setembro último, um recorde nos últimos cinco anos. A Comissão também aplicou R$ 926,1 milhões em multas no período. Desse total, 139 comunicados são relativos a formações de pirâmides financeiras. Apenas no terceiro trimestre, foram 36 esquemas de pirâmide detectados pela órgão regulador.

Os números refletem que, em que pese a prática de pirâmide financeira ser proibida e configurar crime, os golpistas não estão intimidados com as ações da autoridades.

Tal fato ocorre em virtude do advento das criptomoedas que, com seu crescimento exponencial e volatilidade de rendimentos, abriu um caminho fértil para golpistas “fisgar” vítimas sob a promessa de retorno expressivo de dinheiro em um curto espaço de tempo.

Com modos usuais, as pirâmides financeiras e esquemas “Ponzi” costumam ter fases comuns que iniciam com uma euforia quando o número de investidores está crescendo, e os mais antigos estão sacando, passando por uma segundo fase, onde os investimentos se estabilizam e a empresa começa a atrasar os saques. Uma terceira fase ocorre quando o golpista não consegue pagar os resgates e cria justificativas, como problemas operacionais e até ataques de hackers ou desvios de recursos.

Já numa quarta fase, o golpista vai enrolando os investidores e afirma que os valores serão pagos, mas os problemas operacionais não permitem, então ele pede mais uma semana, um mês ou alguns dias, desembocando em uma fase final. É quando existe uma admissão de quebra e o criminoso oferece um contrato de confissão de dívida para o investidor, dando a ilusão que a vítima terá uma garantia de que receberá o dinheiro de volta. Esse são os caminhos do golpe.

Porém, recentemente, foram identificados em vários esquemas fraudulentos, com uma nova fase, uma espécie de “spin off” do golpe, onde se aproveitando da possibilidade de converter milhões de reais em criptomoedas, o vigarista consegue sair do país com uma fortuna em um pendrive, deixando contas vazias para burlar execuções judiciais dos credores, que não obtêm êxito na sua pretensão.

Nessa nova etapa, ao invés de finalizar com um termo de confissão de dívidas, dando a ilusão de uma garantia de recebimentos para as vítimas que nunca receberão, os golpistas anunciam um acordo como uma forma de inibir ações judiciais. A narrativa deste acordo, geralmente, vem acompanhada de ataques aos advogados das vítimas, que são colocados como os grandes culpados pelas dificuldades de não se efetuarem os pagamentos.

A partir daí, os golpistas iniciam uma grande divulgação de pequenos pagamentos, ínfimos no montante da dívida, mas com muito marketing para demonstrar boa-fé, inclusive para as autoridades. Muitos desses pagamentos são feitos a membros da própria organização que tem como trabalho divulgar ao maior número de pessoas que a promessa esta sendo cumprida. Como uma anestesia generalizada, esse golpe dentro do golpe tem um efeito imediato nos credores que mais uma vez se tornam vulneráveis, mesmo estranhando o fato de não estarem na lista dos que tiveram a dívida liquidada.

Diante desse estado de letargia cercada por muito marketing, os golpistas se aproveitam para oferecer uma nova oportunidade de negócios, sem mesmo honrar os compromissos antigos, uma plataforma mundial que irá revolucionar o mercado e que com investimentos nesse novo negócio, os rendimentos contribuirão para a quitação total da dívida. Como um ciclo infinito que se retroalimenta, o golpe volta pra primeira fase, e tudo se reinicia numa enorme euforia coletiva até chegar novamente a fase do caos e desespero, onde famílias são devastadas pela perda de economias de toda uma vida.

É urgente a necessidade de um basta nessa situação e para a obtenção de resultados práticos devem ser adotadas medidas necessárias, tais como busca e apreensão, remoção de coisas e pessoas, perdimento do proveito do crime, impedimento de atividade, além de requisição de força policial, evitando que o ciclo se reinicie e perdure devastando economias de maneira criminosa.

Fonte! Chasque (post) de Jorge Calazans, publicado no sitio Empresas & Negócios em 18 de janeiro de 2021. Abra as porteiras clicando em https://jornalempresasenegocios.com.br/negocios/novas-faces-das-piramides-financeiras-no-brasil-o-golpe-dentro-do-golpe/

Jorge Calazans é advogado especialista na área criminal, é Conselheiro Estadual da Anacrim e sócio do escritório Calazans & Vieira Dias Advogados, com atuação na defesa de vítimas de fraudes financeiras.

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Se liga na fraude

Dicas para evitar cair em golpes virtuais e perguntas para proteger seu patrimônio

Créditos! https://asmetro.org.br

A Anbima lançou, em parceria com a CVM, Se Liga na Fraude, um site com informações e dicas sobre golpes virtuais financeiros, relacionados a finanças e investimentos, que cresceram ao longo dos anos, especialmente durante a pandemia.

Não pense que são poucas as armadilhas que existem por aí. Somente nos primeiros seis meses deste ano foram abertas 213 investigações, 50% a mais em relação ao mesmo período em 2019.
 
Em um ambiente como a internet, onde cada um compartilha o que quer, fica difícil saber o que é verdade ou mentira. Prato cheio para os golpistas, principalmente no que diz respeito a investimentos.
 
Confira cinco dicas para evitar cair em golpes virtuais no momento de investir.
 
1. A propaganda oferece retorno garantido, livre de risco, lucros exorbitantes em poucos dias, sugere ganhar dinheiro sem trabalhar? Fortes indícios de golpe. Lembre-se de que quando a esmola é demais, o santo desconfia.
 
2. O "investimento" exige que você indique outras pessoas para trabalhar com você? Não se trata de investimento, mas, muito provavelmente, de uma ilegal pirâmide financeira! Mantenha distância.
 
3. O "investimento" exige a aquisição de algum bem ou material para você se tornar cliente? Um bom exemplo é a obrigatória compra de um catálogo e/ou uma quantidade de produtos. Desconfie e busque informações sobre a empresa ou corretora em fontes confiáveis, como o site da CVM.
 
4. Solicitaram seus dados pessoais ou do cartão de crédito antes de qualquer coisa? Desnecessário dizer que nunca devemos informar dados pessoais e de cartões. Sinal evidente de armadilha que deve ser evitada.
 
5. Seja prudente e verifique o histórico da corretora ou empresa. Pesquise em Reclame-Aqui e verifique no site da CVM se a instituição possui autorização para comercializar produtos financeiros. Pesquisou e não se sentiu confortável em investir com as informações que encontrou?Não invista!
 
Aprenda a fazer perguntas para proteger seu patrimônio e não cair em golpes online.
 
Questione se a empresa ou corretora é licenciada pela CVM. Golpistas são experts em fazer o que é falso parecer real, portanto não se engane com um site bonito, repleto de depoimentos de pessoas que dizem ter encontrado a riqueza por meio de seus investimentos.
 
Toda oferta pública de produtos deve ser registrada para que o investidor possa consultar informações importantes sobre a gestão, os produtos, os serviços e finanças da corretora ou empresa pela qual deseja investir seu dinheiro. Consulte o site da CVM.
 
Não existe investimento sem risco e, quanto maior a possibilidade de ganhos, maiores os riscos que o investimento apresenta. Lembre-se de que quanto maior o investimento realizado, maior será o risco de perdas financeiras em cenários desfavoráveis. Desconfie e reporte à CVM oferta de lucros garantidos.
 
Investir exige tempo e paciência. Portanto, não se deixe levar por falsas promessas de ganhar dinheiro com "apenas alguns cliques". É importante que você dedique tempo para conhecer os produtos adequados aos seus objetivos e horizontes de investimento. E para o que você não conseguir entender sozinho, você deve e pode ter a ajuda de um profissional especializado.
 
Encontre informações confiáveis e orientações para não cair em golpes no Portal do Investidor: investidor.gov.br.
 
 Fonte! Chasque (post) da Planejadora Financeira Márcia Dessen, publicado nas páginas do Jornal do Comércio de Porto Alegre (RS), edição do dia 03 de novembro de 2020.