segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Warren investe em diversidade no mercado

Maisonnave, Tito, Kelly, Grundig, André, sócios fundadores da Warren

Maisonnave, Tito, Kelly, Grundig, André, sócios fundadores da Warren / Warren/Divulgação/JC

A corretora Warren, fundada em Porto Alegre e com mais de R$ 3,5 bilhões captados junto a investidores, avança a passos largos na direção de iniciativas voltadas à diversidade no mercado financeiro.
 
A fintech prepara para o primeiro trimestre deste ano o lançamento do Warren Progresso, programa que vai recrutar, capacitar e inserir dentro da empresa pessoas que geralmente ficam à margem dos processos seletivos. Em janeiro, serão três profissionais transexuais. Em março, serão as mulheres negras e assim acontecerá ao longo de 2021, olhando para diversos recortes. Além disso, em uma ação conectada com a Warren Educação, vai disponibilizar 500 bolsas para educação financeira de pessoas negras.
 
"Vamos ser a maior e melhor corretora de investimentos do Brasil, mas aliando isso com diversidade", aponta Kelly Gusmão, sócia-fundadora da fintech, destacando que os negócios precisam ter um propósito, pessoas e um ambiente propício para isso acontecer.
 
Dos 380 colaboradores da Warren, 30% são mulheres, 12% pertencem ao grupo LGBTQ e 15% são pessoas não brancas. "Não acreditamos em diversidade comercial, tem que ser verdadeira. Dentro da Warren, esse é um movimento orgânico", complementa.
 
Kelly tem 39 anos, é de Uruguaiana, interior do Rio Grande do Sul, e a sua primeira experiência relacionada ao dinheiro, na verdade, teve a ver com a escassez dele, quando sua família passou por dificuldades. "Quando fui decidir a minha profissão, quis fazer algo generalista. Queria ser independente financeiramente", conta.
 
Ela se formou em Administração de Empresas na PUCRS e, depois, foi para os Estados Unidos, onde morou durante dez anos. Foi lá que ingressou a carreira no mercado financeiro, trabalhando em corretoras. Em 2016, voltou ao Brasil para ajudar a implementar a Warren, ao lado de Marcelo Maisonnave, Tito Gusmão, Rodrigo Grundig e André Gusmão. Constituiu os cinco primeiros fundos de investimentos da empresa e começou a se interessar também pela área de recursos humanos e pelo tema da diversidade.
 
Feminista ativista, como ela mesma se define, decidiu que era preciso levar mais mulheres para o mundo dos investimentos, de forma que elas pudessem ser protagonistas da sua vida e não depender de ninguém. E foi para diminuir a distância entre mulheres investidoras e o mercado financeiro que ela idealizou Warren Equals, um produto de ações que investe apenas em empresas (brasileiras e mundiais) que comprovadamente promovem ações de equidade de gênero e que possuem mulheres atuando em cargos de destaque.
 
Lançado em março de 2020, foi o primeiro do gênero lançado no País e, seis meses depois, já apresentava um retorno de 12,09%, enquanto o Ibovespa registrava 6,67% no mesmo período. Baseado no Bloomberg Gender-Equality Index (GEI), índice criado para mapear o desempenho financeiro das empresas públicas comprometidas em divulgar seus esforços para apoiar a equidade de gênero, o fundo já conta com um patrimônio líquido superior a R$ 13 milhões e cerca de 13,4 mil cotistas.
 
Fazem parte do Equals empresas que possuem políticas de promoção de igualdade, governança seguindo critérios como possuir políticas internas contra assédio, mulheres ocupando cargos de liderança e diretrizes de promoção de equidade. "Além de potencializar os investimentos, investir pelo Equals significa incentivar a busca por oportunidades e direitos iguais para todos", declara Kelly. Entre as empresas listadas estão Magazine Luiza, Novartis, Danone, Coca-Cola e Adobe.
 
Para a executiva, investir em empresas com lideranças femininas pode ser uma estratégia inteligente e rentável para os investidores. E o mesmo vale para outros temas. O Warren Green, voltado para investimentos em empresas com critérios em sustentabilidade, socioambiental e governança, foi apontado como o terceiro melhor fundo de ações do País em 2020 pelo Valor Investe.
 
"Por que não fazer investimentos que estejam alinhados com seu propósito de vida? Essa é uma demanda do consumidor e dos investidores", destaca Kelly.
 
Além do quesito social, esse também é um direcionar de negócios. Para a executiva, a diversidade traz novas perspectivas dentro das empresas. "Se colocarmos pessoas com as mesmas visões e perspectivas de vida para pensar a solução de um problema, reduzimos as chances da geração de ideias criativas. Quando uma empresa é um lugar diverso, ela tende a conseguir atender melhor também os clientes no quesito plataforma, usabilidade e produtos oferecidos", conclui ela, que é uma entusiasta desse tema.
 
Fonte! Chasque (post) de Thiago Copetti, publicado nas páginas do Jornal do Comércio de Porto Alegre (RS), na edição do dia 18 de janeiro de 2021. Também acessível nos potreiros da internet: https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/economia/2021/01/774024-corretora-warren-investe-em-diversidade-no-mercado.html

sábado, 16 de janeiro de 2021

Defasagem na tabela do Imposto de Renda alcança 113,09%

O aumento de 4,52% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2020, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na terça-feira, 12, provocou uma defasagem de 113,09% na tabela do Imposto de Renda (IR) em relação à inflação acumulada nos últimos 24 anos. O levantamento é do Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Sindifisco).

No período analisado pelo estudo, de 1996 a 2020, o IPCA acumulou alta 346,69%, o que ultrapassa os reajustes nas faixas de cobrança do IR, que ficaram em 109,63%. Em 24 anos, somente em 2002, 2005, 2006, 2007 e 2009 a correção da tabela ficou acima da inflação. A última atualização aconteceu em 2015.

O Sindifisco explicou que partiu de 1996 para elaborar o cálculo porque foi nesse ano que a tabela começou a ter os valores computados em reais. À época, a isenção do IR beneficiava quem recebia até nove salários mínimos – esse teto caiu para 1,73 salário em 2021. O estudo do Sindifisco mostra que, se a correção da tabela tivesse acompanhado o IPCA, contribuintes com renda mensal de até R$ 4.022,89 não pagariam o tributo.

De acordo com o levantamento, o número de declarantes isentos seria o dobro, chegando a mais de 21,5 milhões de pessoas. Atualmente, a faixa de isenção está limitada a R$ 1.903,98.

“É uma política tributária regressiva, que acaba penalizando, sobretudo, aqueles contribuintes de mais baixa renda, na contramão do senso de justiça fiscal, e acaba aprofundando as desigualdades distributivas do País”, criticou o presidente do Sindifisco Nacional, Kleber Cabral.

Pela tabela atual, a alíquota de 7,5% de Imposto de Renda é aplicada aos contribuintes com rendimentos entre R$ 1.903,99 e R$ 2.826,65. De acordo com o estudo do Sindifisco, a correção pelo IPCA resguardaria a alíquota de 7,5% a quem recebe entre R$ 4.022,90 e R$ 5.972,39.

Consequentemente, as demais alíquotas – 15%, 22,5% e 27,5% – também necessitariam de readequação. Por exemplo, a mais alta delas (27,5%) é hoje aplicada aos contribuintes com renda acima de R$ 4.664,68. Corrigido segundo o IPCA, esse valor saltaria para R$ 9.996,73.

Henrique Castro, professor da Escola de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), afirma que essa correção pode estar distante de ser implementada, “principalmente no momento atual”. “O governo teve gastos com a pandemia, com o auxílio (emergencial). Para corrigir a tabela, o governo perde arrecadação e, ao perder, precisa especificar uma outra fonte de recursos que vai compensar isso para os cofres públicos. Hoje, não tem”, explicou.

No entanto, Castro pontuou que a não correção pela inflação “acabou fazendo com que os mais pobres passassem a entrar na faixa de pagamento do imposto”.

Tabela do Imposto de Renda

Como é hoje

Até 1.903,98 isento

R$ 1.903,99 a R$ 2.826,65 7,50%

R$ 2.86,66 a R$ 3.751,05 15,00%

R$ 3.751,06 a R$ 4.664,68 22,50%

Acima de R$ 4.664,68 27,50%

Como ficaria com a correção integral

Até R$ 4.022,89 isento

R$ 4.022,90 a R$ 5.972,39 7,50%

R$ 5.972,40 a R$ 8.000,66 15,00%

R$ 8.000,67 a R$ 9.996,73 22,50%

Acima de R$ 9.996,73 27,50%

Isenção maior foi promessa de campanha de Bolsonaro

A ampliação da isenção do IR é uma promessa de campanha de Jair Bolsonaro que nunca saiu do papel. Em 2019, o presidente retomou o assunto algumas vezes ao afirmar que a ampliação estava sendo estudada pelo governo.

Ele chegou a dizer que gostaria de aumentar a isenção da tabela do IR para quem ganha até cinco salários mínimos (hoje, R$ 5,5 mil) até o final de seu mandato. A ideia, contudo, já enfrentava resistência da equipe econômica em 2019, quando as contas do governo não estavam afetadas pela crise do novo coronavírus.

Em 2021, no seu primeiro dia de trabalho, o presidente afirmou que o Brasil estava “quebrado”. Para apoiadores, ele disse que não “consegue fazer nada” e citou como exemplo as mudanças na tabela do tributo.

A equipe econômica do governo, por sua vez, estuda incluir mudanças no Imposto de Renda nas próximas etapas da reforma tributária, como o aumento no limite de isenção e a volta da tributação sobre lucros e dividendos.

De acordo com Henrique Castro, essa reforma seria a alternativa para avançar nas correções do tributo. “Equaliza, tenta penalizar menos os mais pobres, e alguém vai pagar mais, os mais ricos.”

Para tornar o imposto mais progressivo, o especialista em Finanças propõe uma revisão das regras existentes no IR: passar a tributar dividendos, mudar os abatimentos – como com educação e saúde, “que são usados mais pela classe média” -, e criar uma nova faixa de contribuição, acima dos 27,5%, seriam algumas das opções.

Fonte! Chasque (post) publicado no sítio Contabilità. Abra as porteiras clicando em https://www.contabilita.com.br/defasagem-na-tabela-do-imposto-de-renda-alcanca-11309/

domingo, 10 de janeiro de 2021

12 orientações para iniciar a virada financeira em 2021

"Quando se aprofunda nos conhecimentos de educação financeira, podemos ver que o problema não é o quanto se ganha, mas como se gasta"

Depois de um ano de 2020 totalmente atípico, todo mundo já foca a esperança em um ano de 2021 mais leve. Um dos pontos que são primordial nessa busca é o lado financeiro, que para muitos está muito fragilizado.

Importante lembrar que o próximo ano já se mostra complicado, com o fim dos benefícios governamentais e também com uma alta da inflação para itens básicos de nosso dia a dia. Ainda existe o risco do descontrole de gastos no fim de ano, com a euforia das comemorações, o desejo de presentear parentes e amigos e o sonho de viajar para o merecido descanso.

Além disso têm aquelas que já chegam com o começo do ano e complicam ainda mais as finanças - IPVA, IPTU, matrícula e material escolar, entre outras. Por isso, nesse período é fundamental promover uma "faxina" financeira no orçamento, tentar minimizar esses gastos nos orçamentos e implantar imediatamente a educação financeira, fazendo com que esse problema não se repita.

Quando se aprofunda nos conhecimentos de educação financeira, podemos ver que o problema não é o quanto se ganha, mas como se gasta. Mas vamos às primeiras orientações: 

1 - Registre mês a mês numa agenda, caderno ou de forma eletrônica os compromissos que ocorrerão em 2021 (aniversários, datas comemorativas como: Dia das Mães, Dos Namorados, Dos Pais, Das Crianças, além de compromissos como IPVA, IPTU, matrícula e material escolar etc.);  

2 - Para cada evento é preciso registrar o valor de intenção do investimento e de gasto; 

3 - Se tiver prestações já assumidas, você deverá registrar, também, nos respectivos meses; 

4 - No começo do ano faça reuniões com a família, inclusive as crianças, e converse sobre os sonhos realizados e os sonhos que querem realizar neste novo ano e nos próximos; 

5 - Para cada sonho desejado é preciso que se registre o quanto custa, o quanto será guardado e por quanto tempo será realizado; 

6 - Ter no mínimo três sonhos para cada membro da família (curto até um ano, médio até dez anos e de longo acima de dez anos). Para as crianças os sonhos possuem tempos diferentes: curto até um mês, médio até seis meses e longo até um ano; 

7 - Nas famílias brasileiras, em pesquisas já realizadas, foi constatado que existem excessos de despesas de, em média, 20% (energia elétrica, água, alimentação, telefone, etc.). É preciso realizar um diagnóstico financeiro minucioso por categoria de despesa pelo período de 30 dias, incluindo até mesmo o cafezinho e as gorjetas. É dessa forma que você descobrirá para onde está indo cada centavo do seu dinheiro; 

8 - Elabore um orçamento financeiro diferente dos últimos anos, que deverá ter a seguinte composição: Ganho (-), Sonhos e (-) Despesas, priorizar os sonhos antes das despesas é o segredo para realizá-los; 

9 - Para que a realização dos sonhos seja possível, é preciso poupar (guardar dinheiro) para cada um, respeitando o tempo estipulado; 

10 - Tenha bem claro onde investir o dinheiro para a realização dos sonhos (curto prazo - Tesouro Direto, caderneta de poupança; médio prazo - CDB, Tesouro Direto, fundos de investimentos, e longo prazo - Tesouro Direto, previdência privada e ações); 

11 - Aprenda a comprar apenas o que é realmente necessário e elimine desperdícios. O consumo consciente é importante para todos; 

12 - Ajuste sua vida financeira ao seu real padrão de vida, pois de nada adianta ter muitas coisas para ostentar se o resultado será ter dívidas e um futuro incerto. É preciso ter uma visão clara do que se pode ou não. 

Fonte! Chasque (post) do educador financeiro Reinaldo Domingos, publicado no sítio oficial Administradores, em 08 de janeiro de 2021. Abra as porteiras clicando em https://administradores.com.br/artigos/12-orienta%C3%A7%C3%B5es-para-iniciar-a-virada-financeira-em-2021

sábado, 2 de janeiro de 2021

Geração fotovoltaica dobra no RS em 2020

Investimentos gaúchos em energia solar já superam R$ 2,3 bilhões, com criação de mais de 13 mil empregos

/Banco de Imagens Solled/Divulgação/JC

Nem mesmo a pandemia do coronavírus impediu que a geração de energia solar fechasse o ano com um crescimento vertiginoso no Rio Grande do Sul. A diretora da Solled Energia e coordenadora estadual da Associação Brasileira de Energia Solar (Absolar), Mara Schwengber, informa que a capacidade instalada de sistemas fotovoltaicos gaúchos em janeiro de 2020 era de 266 MW e a potência da geração distribuída no Estado (produção de energia pelo próprio consumidor, modelo que é 97% sustentado pela fonte solar) na última semana de dezembro chegou na casa de 546 MW, conforme dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
 
O Rio Grande do Sul finaliza o ano superado apenas por Minas Gerais, com 858 MW, e São Paulo, com 551 MW. "Para 2021, e para os próximos anos, a gente ainda espera um crescimento exponencial, se tivermos uma segurança regulatória e não houver mudanças que prejudiquem o setor", adianta a diretora da Absolar. Mara destaca que a tendência é que cada vez mais o uso da energia solar seja pulverizado no Estado. Atualmente, as cidades gaúchas que mais se aproveitam desse recurso são Caxias do Sul (com 19,2 MW de capacidade instalada), Santa Cruz do Sul (16,1 MW) e Porto Alegre (14,4 W).
 
De acordo com a dirigente, a pandemia da Covid-19, no seu começo, em abril e maio, ocasionou algum impacto para as empresas que instalam sistemas fotovoltaicos, mas nos meses seguintes houve a retomada desse mercado. Mara argumenta que as pessoas ficaram mais em casa, aumentando o consumo de energia e passaram a pensar em investir na geração solar para diminuir esses gastos. Também o setor industrial, com a recuperação da economia, voltou a apostar nessa solução. Em média, a integrante da Absolar diz que o retorno do aporte feito em uma solução fotovoltaica, através do abatimento dos custos na conta de luz, ocorre em torno de quatro anos para uma residência e em aproximadamente sete anos para uma indústria.
 
A dirigente acrescenta que as empresas que trabalham na cadeia de instalação de equipamentos fotovoltaicos serão importantes para a recuperação da economia como um todo, pois é um segmento que propicia emprego e renda. No Estado, os investimentos em energia solar, até agora, já superaram R$ 2,3 bilhões, com mais de 13 mil novos empregos gerados e mais de R$ 619,8 milhões em arrecadação de tributos ao poder público. Uma prova do otimismo com o setor é a projeção da própria empresa de Mara, a Solled Energia, que espera um crescimento de faturamento de cerca de 30% para 2021.
 
A diretora da Absolar comenta ainda que, com o passar do tempo, foi possível verificar uma mudança quanto ao público-alvo das companhias que atuam nessa área. No início, ao se falar em energia solar, remetia-se fundamentalmente aos clientes residenciais, no entanto hoje muitas empresas estão adotando essa opção. Segundo Mara, as moradias ainda significam 69% do número de sistemas implementados, contudo se for considerada a potência instalada desses equipamentos, a classe industrial, de comércio e serviços já totaliza mais da metade da capacidade.
 
Fonte! Chasque (post) de Jefferson Klein, publicado nas páginas do Jornal do Comércio de Porto Alegre (RS), na edição do dia 30 de dezembro de 2020.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

CEEE mantém plano de sair de fundo de pensão

Para retirar o patrocínio, estatal tem que pagar quase R$ 1 bilhão

Fernando C. Vieira AC S Grupo CEEE / Divulgação / JC

Apesar do edital de privatização da distribuidora de energia CEEE-D ter sido publicado sem contemplar a retirada do patrocínio da estatal aos planos de aposentadoria de seus funcionários, geridos pela Fundação Família Previdência (ex-Fundação CEEE), a empresa não desistiu de prosseguir com essa medida. A companhia, assim como a CEEE-GT (braço que lida com os segmentos de geração e transmissão do grupo), só não foi adiante com a iniciativa porque foi impedida por determinação da 6ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado.
 
A CEEE-D e a CEEE-GT chegaram a convocar assembleias gerais extraordinárias para o dia 2 de dezembro para consolidar o fim do patrocínio do Plano Único e do Plano CeeePrev, mas a ação ajuizada pela Fundação e a decisão da justiça fizeram com que os encontros fossem suspensos. O secretário do Meio Ambiente e Infraestrutura, Artur Lemos Júnior, frisa que, mesmo com esses desdobramentos e do edital de venda da distribuidora já ter sido publicado, o governo mantém a intenção de romper com o patrocínio. "É uma discussão que está sendo conduzida em âmbito judicial", afirma o secretário. Lemos comenta que se tentou negociar uma solução administrativa, porém não foi atingido um consenso. Ele admite que é difícil estimar quanto tempo esse debate legal irá durar, entretanto salienta que a situação não deverá atrapalhar o leilão da CEEE-D, previsto para ocorrer em fevereiro do próximo ano.
 
O presidente da Fundação Família Previdência, Rodrigo Sisnandes Pereira, enfatiza que a Lei Estadual n° 12.593/2006 garante o patrocínio e custeio dos planos previdenciários por parte do Grupo CEEE. "Teria que mudar a legislação para fazer a retirada", afirma. O dirigente projeta também diz que quem adquirir a distribuidora gaúcha manterá o vínculo com a Fundação, porque seria muito oneroso tomar uma postura distinta. Ele argumenta que, para acabar com o patrocínio, a CEEE-D precisaria quitar um passivo que totalizaria um montante de aproximadamente R$ 1 bilhão.
 
Pereira adianta que os débitos que a companhia possui com a Fundação Família Previdência poderão ser parcelados com o futuro comprador da distribuidora em troca da manutenção dos planos. Quando cerca de dois terços da área de distribuição da estatal foram privatizados, em 1997, a na época Fundação CEEE ficou ainda responsável pelos planos de aposentadoria das empresas que adquiriram essa fatia: AES Sul e RGE. Anos mais tarde, a primeira companhia foi adquirida pela segunda e a Fundação mantém a administração do plano da empresa até hoje. A controladora da RGE, a CPFL, é vista atualmente como uma das fortes candidatas a assumir o controle da CEEE-D.
 
Fonte! Chasque (post) publicado nas páginas do Jornal do Comércio de Porto Alegre (RS), edição do dia 10 de dezembro de 2020, por Jefferson Klein.