domingo, 13 de julho de 2014

Fundos de investimentos terão novas regras


ISMAR INGBER CVM/DIVULGAÇÃO/JC

Proposta de alteração deve simplificar exigências, explica Ana Novaes
Proposta de alteração deve simplificar exigências, explica Ana Novaes
Em audiência pública desde abril, a reformulação da Instrução 409 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) deve resultar em uma série de alterações substanciais para a indústria brasileira de fundos de investimentos. O período para o envio de sugestões foi ampliado e se encerra hoje, quando os comentários começam a ser analisados pela área técnica do órgão. A ideia é de que a nova resolução saia do papel ainda no decorrer de 2014. 

Após 10 anos de vigência da principal legislação de um setor responsável pela gestão de R$ 3,2 trilhões em ativos, conforme explica a diretora da CVM, Ana Novaes, o objetivo é modernizar aspectos que dizem respeito à administração, ao funcionamento e à divulgação das informações alusivas aos fundos de investimento. Neste contexto, alguns itens em análise pregam a flexibilização dos limites para aplicação em alguns produtos financeiros e a criação de um novo fundo – o chamado fundo soberano simplificado – com potencial de popularizar a modalidade de investimentos frente às tradicionais cadernetas de poupança.

Nesta entrevista, Ana Novaes explica que a ideia é privilegiar as informações comparativas entre riscos e rendimentos, alterando assim o enfoque sobre a natureza tributária dos investimentos, como ocorre atualmente. Entre os tópicos em discussão, ela destaca a dispensa da necessidade de assinatura de termo de adesão para fundos que invistam mais de 95% de seu patrimônio líquido em ativos de baixo risco e a redução das categorias existentes no mercado hoje em dia. A proposta também prega que as pessoas jurídicas sejam consideradas “investidores profissionais” quando tiverem aplicações superiores a R$ 20 milhões. Já os chamados “investidores qualificados” deverão ter aplicações superiores a R$ 1 milhão.


Jornal do Comércio – A ideia central é simplificar os investimentos para uma faixa da população que desconhece os fundos de investimento.  Qual o real potencial desta nova classe média emergente?

Ana Novaes - Hoje, na nossa classe média emergente, a maioria das pessoas só tem acesso à poupança. Buscamos, a partir de conversas com os participantes do mercado, criar uma porta de acesso ao mercado de capitais para essas pessoas. De qualquer maneira, percebemos que muitos investem em poupança por não possuírem outras opções. Procuramos oferecer uma alternativa.



JC - Quais são as vantagens em optar pelo mercado de capitais?

Ana - Se a Selic estiver mais alta e o investidor contar com uma taxa de administração compatível, mais baixa e um produto seguro e simples, é possível criar um caminho que ofereça rentabilidades maiores. Outro detalhe é que, na poupança, existe o mês de carência.  Então, em uma caderneta com vencimento no dia 30, que tenha o valor resgatado no dia 28, se perdem os dois dias de rendimento. Nos fundos, isso não ocorre.


JC - Como é possível simplificar o processo para esse perfil de investidores?

Ana - Para propor esse fundo de baixo custo, que está em audiência pública, sugerimos que a distribuição de informações seja feita apenas eletronicamente. Isso porque é preciso mandar dois extratos mensais, resultados de convocações de assembleias e outros regulamentos protocolares – o que acaba comendo a rentabilidade do fundo. Por outro lado, se os gestores tiverem muito trabalho para conseguir a assinatura do termo de adesão de risco, isso se transforma em outro problema que se reflete em novos aumentos de custos para os gestores. Por isso, os riscos propostos para esse fundo só podem ser iguais ou melhores que os do governo.



JC – Como é possível garantir as baixas volatilidades?

Ana - Os títulos públicos também podem sofrer volatilidade. Com isso, estamos dizendo que os gestores devem buscar baixar ao máximo a volatilidade destes fundos. Exemplo disso ocorreu no ano passado, quando os o FED (o banco central norte-americano) parou de dar liquidez ao mercado e alguns títulos públicos nacionais chegaram a perder 25% da rentabilidade. Isso não seria compatível ao fundo de risco soberano simplificado. A ideia é trabalhar apenas com papéis e CDBs de menor risco. Por exemplo, para uma pessoa ter acesso ao Tesouro Direto, basta se cadastrar em uma corretora, entrar no Tesouro Direto e comprar R$ 500,00 em LFTs (Letras Financeiras do Tesouro). Se considerar o custo de custódia, mais o de corretagem e uma Selic em 11%, o investidor vai ganhar cerca de 10,5%. Se ficar com esse papel por dois anos, por exemplo, será necessário pagar 15% de Imposto de Renda e mesmo assim se chega a uma rentabilidade de 9%, superior em 2,5% ao rendimento da poupança no período.  Se o mesmo investidor optar por um fundo soberano e a taxa de administração for positiva, se tem uma alternativa simples para aquelas pessoas que não irão fazer um cadastro em corretora. O patamar ideal será dado pela própria indústria. O que cabe à CVM é fazer com que a lâmina deste fundo, ou seja, o que precisa ser feito para informar o público, compare a rentabilidade do fundo com a poupança e a Selic. Neste caso, um fundo de seis meses, ou um ano, que renda 4%, ante a poupança que entrega 6,5%, não terá interessados. Estamos criando condições de competições para o mercado. Só não dará certo se a taxa de administração for muito alta. Isso não tem razões para acontecer.


JC -  E os fundos já existentes?

Ana - A partir desta reforma, todos os novos fundos e até os já existentes poderão migrar para o processo eletrônico. O fundo soberano tem que ser todo eletrônico, os outros não são obrigados. Fica a critério do banco ou do administrador. Os já existentes terão de fazer assembleia de cotistas para decidir sobre a possibilidade de migração.



JC - Qual é a estimativa para esta redução dos custos?

Ana - A redução de custos depende da quantidade de cotistas. Um cliente que investe R$ 300,00 e fica seis meses terá de receber seis cartinhas de R$ 2,00, cada, e mais duas cartas de assembleia. Isso soma oito cartas e cerca R$ 16,00, que representam 5% do valor inicial investido. Não há como os fundos, que têm muita entrada e saída, reduzirem os custos com essas condições. Para criar um fundo sustentável, com custos de administração, custódia, auditoria, taxas da CVM e outros encargos, é preciso de pelo menos R$ 10 milhões em patrimônio inicial. Pode-se criar um fundo menor, mas dificilmente com rentabilidade alta. Por isso, a proposta eleva para R$ 1 milhão a rentabilidade, ou seja, se em seis meses não atingir esse patamar, automaticamente será cancelado.



JC - Além disso, existem alterações nas classificações de investidores?

Ana - Trata-se de uma adequação do investimento ao perfil de investidor. Ao chamado investidor qualificado passa-se a se exigir R$ 1 milhão em aplicações. Hoje, é de R$ 300 mil. O super qualificado tem tíquete mínimo estipulado em R$ 1 milhão. Ao invés disso, usaremos o patrimônio financeiro de R$ 20 milhões. Qual é a logica disso? É que aqueles que têm R$ 1 milhão para investir no exterior, por exemplo, devem ter um patrimônio maior. Pensamos nessa regra para diversificar. O nome técnico será investidor profissional. Além disso, eliminaremos o tíquete mínimo, pois isso pode induzir uma pessoa a concentrar uma parcela muito grande em apenas um determinado produto.


JC - A proposta também pretende reduzir as atuais categorias de fundos. Por quê?

Ana - Até 10 anos atrás, a classificação dos fundos refletia muito a incidência de impostos. Havia o fundo de curto-prazo referenciado que era mais tributado, por exemplo. Não se trata de diminuir o número de classes, e sim de tornar mais simples para o investidor. Isso para que a classificação retire o foco sobre a natureza fiscal e passe a exaltar os riscos que se está correndo ao optar por um determinado tipo de investimento.


JC - Existe previsão para a publicação das alterações?

Ana - A ideia é publicar a nova resolução até dezembro deste ano. No dia 10 de julho (hoje), saberemos se teremos 10 ou 200 comentários sobre o assunto.


Fonte! Chasque (matéria) publicado nas páginas do Jornal do Comércio de Porto Alegre - RS, edição do dia 10 de julho de 2014, por Rafael Vigna.

Saiba o que fazer se chegou aos 40 anos sem poupança para a aposentadoria

Chamada - "Chegou aos 40 anos e não tem nenhuma poupança? Saiba o que fazer agora"
Chegou aos 40 anos sem nenhum patrimônio ou poupança? Ainda dá tempo de mudar essa realidade, mas vai ser preciso muito esforço e disciplina.

É o que afirmam os especialistas consultados pelo UOL César Nazareno Caselani, professor de Finanças da Escola de Administração de  Empresas de São Paulo (FGV-EAESP), e Mauro Calil, educador financeiro da Academia do Dinheiro.

Segundo eles, o mínimo de patrimônio esperado ao chegar a essa idade é ter uma casa própria.
"Até os 30 anos, espera-se que a pessoa tenha juntado o suficiente para dar entrada na casa própria e, até os 40, tenha quitado ou esteja terminando de pagar o financiamento da casa. Além disso, um carro para seu conforto, pois carro não é investimento", diz Mauro Calil.

O primeiro passo para começar a poupança é entender os motivos pelos quais a situação chegou a esse ponto, afirma o professor César Caselani.

Os economistas relacionam uma série de situações que podem ter contribuído:
  • Ser de origem muito humilde e sustenta a família
  • Ser alguém que nunca trabalhou e se "encostou" nos pais
  • Ser um empresário que quebrou e perdeu tudo
  • Ser do tipo que gasta mais do que ganha.

Pare de tomar cerveja e faça alguma coisa

"De qualquer maneira, está na hora de parar de tomar cerveja, ou seja, de olhar o tempo passar", diz Mauro Calil. "A situação ainda não é desesperadora, pois em tese faltam 20 anos para a aposentadoria, mas não dá mais para ficar parado sem fazer nada."

A solução será um trabalho duro para garantir essa economia futura. 

A fórmula não tem segredos: terá de economizar parte do que ganha para formar essa poupança. Se a pessoa gasta todo o dinheiro que recebe, terá de buscar dois caminhos: cortar despesas e/ou aumentar os ganhos.

Segundo Caselaini, o primeiro passo é olhar o padrão de gastos para ver onde é possível "passar a tesoura". "É preciso focar os gastos que representam um porcentual relevante e não são essenciais."

Ele dá exemplos: fazer uma viagem mais barata de férias ou não viajar, reduzir a conta do celular contratando um plano, contratar um pacote de internet ou TV mais barato, não trocar de carro com muita frequência.

Pior cenário é falta de qualificação

O pior cenário, porém, não é esse. Segundo Mauro Calil, o problema é quando a pessoa não consegue renda suficiente. Nesse caso, terá de procurar uma qualificação para conseguir melhorar seu rendimento.
"Se falta qualificação para obter um trabalho melhor, é hora de ir atrás disso", diz Mauro Calil. Ele sugere procurar cursos gratuitos de qualificação oferecidos nas cidades. Além disso, outro caminho poderia ser buscar uma graduação numa faculdade.

"Mas a pessoa não pode entrar na faculdade aos 40 e querer disputar programa de trainee em multinacional em algum tipo de carreira", diz.

"Ela tem de ir para onde vai fazer a diferença." O educador sugere que a pessoa estude, inclusive, a possibilidade de ir para o interior, onde há escassez de profissionais.
Concurso público também seria outra opção, mas um pouco mais incerta. "Você até consegue passar, mas não sabe nem quando nem se vai ser chamado", diz.

Feito isso, é hora de decidir onde aplicar o dinheiro

O primeiro passo para começar a juntar a poupança é decidir qual a renda que necessitará ter e por quanto tempo.

O professor César Caselani calculou que uma pessoa de 40 anos que deseje ter uma renda mensal de R$ 5.000 por 10 anos terá de contribuir, mensalmente, com R$ 974,73 em uma aplicação que renda 0,5% líquidos mensalmente durante o período. Essa é a rentabilidade atual da caderneta poupança.


Objetivo: R$ 2.500 ou R$ 5.000/mês por 10 anos
  • Renda de R$ 2.500
    Contribuição mensal por 20 anos: R$ 487,37 Rentabilidade: 0,5% ao mês
  • Renda de R$ 5.000
    Contribuição mensal por 20 anos: R$ 974,73 Rentabilidade: 0,5% ao mês 
     
    Fonte: César Nazareno Caselani, professor da FGV-EAESP 
"É importante procurar bons produtos de investimento que te deem uma rentabilidade razoável a um custo baixo, fugindo das taxas de administração que cobrem mais de 1%", diz o professor de Finanças.

Valor acumulado varia de acordo com economia e rentabilidade

O educador Mauro Calil também fez uma simulação de quanto o poupador iria obter ao longo de 20 anos economizando R$ 500 por mês a uma rentabilidade mensal de 0,5%. O valor acumulado seria R$ 231.020,45.


Meio por cento ao mês é o que paga atualmente a caderneta de poupança, considerando a taxa de juros de 11% ao ano. "Se quiser aumentar a renda, vai ter de se arriscar em um pouco de renda variável", diz Calil.

Se a pessoa desejar uma renda maior, ele indica investir pelo menos uns 10 anos num fundo de ações.

Fonte! Chasque (postagem) publicado no sítio Uol Economia, por Sônia Camargo, no dia 30 de maio de 2014. Abra as porteiras clicando em http://economia.uol.com.br/financas-pessoais/noticias/redacao/2014/05/30/saiba-o-que-fazer-se-chegou-aos-40-anos-sem-poupanca-para-a-aposentadoria.htm

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Como manter, no dia-a-dia, a motivação para as metas de longo prazo envolvendo dinheiro?


Todos nós já caímos nessa “armadilha mental”: sonhamos com a independência financeira, mas temos dificuldade em fazer sobrar dinheiro no final do mês; lutamos para sair das dívidas, mas não conseguimos sair do “zero a zero” mesmo após um mês de intensos sacrifícios; sabemos que devemos forrar uma reserva de emergências bem parruda, mas caímos na tentação de gastar imediatamente em alguma bobagem o dinheiro do salário que acabou de cair na conta. Quem nunca? :-P
Metas
Créditos da imagem: Free Digital Photos
Para manter a motivação necessária para conquistarmos gradualmente as metas de longo prazo envolvendo dinheiro, vale a pena recapitular aqui algumas das excelentes dicas postadas num artigo publicado recentemente no blog norte-americano Get Rich Slowly.

1. Mantenha suas metas visíveis

Assim como tudo o que é medido é melhor controlado, nós precisamos de “âncoras mentais” bem visíveis, que nos façam literalmente “enxergar” os nossos sonhos através de uma coisa palpável e tangível.

E isso é necessário por uma razão muito simples: planejamento de longo prazo envolve explicitamente o adiamento da gratificação, de modo que você precisa saber que estará trocando alguma coisa concreta hoje, ao deixar de gastar, por alguma coisa concreta no futuro.

Tá, e como manter as metas visíveis? Instale um protetor de tela ou um papel de parede na tela do computador com uma imagem da cidade onde você queira morar no futuro. Crie uma senha que lhe faça lembrar de suas metas, por exemplo, Apos3ntAdoEmVanc0uvE#R2028. Coloque no seu chaveiro do carro uma mensagem do tipo “Livre de dívidas forever”. Cole na sua geladeira um ímã dos Alpes Suíços.

O importante é fazer com que sua meta de longo prazo seja parte de seu dia-a-dia, de modo que você faça uma conexão entre aquilo que você faz hoje com a realidade que você deseja viver para seu futuro.

2. Escreva um blog

É sério. Compartilhe com outras pessoas seus desejos de longo prazo com o dinheiro, sejam esses desejos obter uma aposentadoria financeira em 17 anos, ou simplesmente se livrar das dívidas.

E digo mais: isso funciona. Funciona porque você se compromete publicamente a vencer um desafio que só depende de você. E o mais legal é a corrente de solidariedade que se forma em torno de suas metas. As pessoas gostam de se ajudar, é da natureza do ser humano ajudar outros seres humanos que se encontram ou que passaram por situação semelhante.

3. Alterne suas estratégias

Para chegar lá, você precisa basicamente seguir duas estratégias distintas, mas complementares: gastar menos do que ganha, e/ou aumentar a renda. O artigo do GRS sugere que você fique alternando essas estratégias, de modo que, em um mês, você foque mais na contenção de gastos e enxugamento do orçamento doméstico, e, no mês seguinte, concentre esforços em maneiras criativas de aumentar a massa de ganhos, seja por meio de um segundo trabalho, seja por meio de vendas de produtos usados em sites como Mercado Livre ou Bom Negócio.

4. Celebre seu sucesso

Ou, dizendo o mesmo em bom português, “colha algumas cenouras no meio do caminho”.

Metas de longo prazo demoram muito, coisa de anos, talvez de décadas, para serem integralmente cumpridas. Mais fácil – e também mais motivador, sob o ponto-de-vista psicológico -, é decompô-las em metas de curto prazo.

Tem uma dívida monstro de R$ 50 mil para quitar? Estipule uma meta factível – digamos, pagar R$ 10 mil nos próximos 4 meses – e, cumprida essa meta de curto prazo, se dê um presente. Comemore.

Tá, ainda faltam R$ 40 mil pra vencer a bola de neve, mas pense no lado positivo: 20% da dívida já se foi! Você precisa saborear o prazer das pequenas conquistas para sentir que o trabalho feito no dia-a-dia está valendo a pena.

Por isso, não há nada de errado em comemorar vitórias parciais: elas significam que você está virando o jogo da dívida – ou o jogo dos investimentos – e merecem, sim, uma celebração especial, tais como: um par de ingressos naquele cinema 3D “caro pra chuchu” no final de semana, sábado à noite (onde os preços facilmente dobram ou triplicam); um rodízio no melhor estilo “pé na jaca” na melhor churrascaria da cidade etc.

Você se sentirá renovado, premiado e ainda mais motivado para continuar a busca de suas metas de longo prazo.

5. Dê uma pausa de vez em quando

Trabalhar para atingir nossas metas financeiras de longo prazo é importante, mas não pode virar uma obsessão! É saudável, pois, fazer uma pausa de vez em quando, “respirar” e reavaliar quão importantes são essas metas dentro de uma perspectiva mais realista.

Dentro desse período de reflexão talvez surjam outras metas financeiras de longo prazo mais importantes, e quem sabe até novas formas de se lidar com as atuais metas.

Conclusão

Adiar a gratificação e agir, no dia-a-dia, com a mente voltada para o futuro, são desafios que lutam contra nossos instintos mais primitivos de buscar a realização imediata a qualquer preço.

Daí a importância de você estabelecer elos bem firmes com o futuro a fim de se manter motivado para conquistar seus objetivos financeiros de longo prazo, sejam eles quais forem.

O auto-conhecimento aqui assume papel fundamental, e só através de reflexões profundas é que você conseguirá conquistar todos os seus sonhos de longo prazo. Boa sorte!:-D 

Fonte! Este chasque (postagem) foi publicado no dia 07 de julho de 2014 no sítio Valores Reais (Fazendo Famílias Felizes). Abra as porteiras clicando em http://www.valoresreais.com/2014/07/07/via-get-rich-slowly-como-manter-dia-dia-motivacao-para-metas-de-longo-prazo-envolvendo-dinheiro/

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Nosso comentário no sítio Valores Reais, em resposta a este chasque:

Bueno! As porteiras de educação financeira se abriram mais precisamente em 2008. Mais um menos quando começou a quebradeira e as bolsas desta terra que chamamos de mundo começaram a despencar.....

Primeiro foi via Dinastia Rede (networking). Não permaneci por muito tempo mas absorvi tudo que era apresentado nas palestras (em CDs).

Por uma obra do acaso achei o sítio Dinheirama, com a sua linguagem simples (sem economês)..... e depois muitos outros sítios de educação financeira começaram a aparecer e eu ia abrindo as suas porteiras, inclusive este (Valores Reais)....

Eu estava muito preocupado. Mesmo não gostando de parcelamentos de nada (nem novelas, series, minisséries.... carnês.... nada....), somente eu tinha um Fundo de Pensão, com participação minha e da empresa na sua capitalização.... A esposa nada tinha, nem minhas filhas.....

Começamos com o orçamento doméstico (que não tínhamos), e depois com os investimentos em produtos de previdência privada para fins de aposentadoria..... tudo isso misturado com muita empolgação....

Em 18 de dezembro de 2009 nasceu o primeiro (e o único sítio até o momento), em formato tradicionalista, que trata das finanças pessoais, onde o linguajar predominante é o gauchês (os demais tratam da tradição e da cultura regional do Rio Grande do Sul). Neste dia colocamos nesta terra que chamamos de mundo O BOLSO DA BOMBACHA, com o objetivo de irmos em busca de leituras sobre economia e finanças pessoais.

O nosso chasque (postagem) de abertura: http://www.obolsodabombacha.blogspot.com.br/2009/12/estamos-chegando-galope.html

Posteriormente, começamos a colocar a palavra "Atitude" nos chasques de nossa autoria. Eis o primeiro: http://obolsodabombacha.blogspot.com.br/2010/04/bueno-este-senhor-do-retrato-ao-lado-e.html

Eis último chasque (81º) da nossa autoria: http://obolsodabombacha.blogspot.com.br/2014/05/atitude-81-o-mais-novo-investimento.html.

Tentamos, mesmo abrindo de muitos investimentos em passivos e em prazeres curtos, investir para que tenhamos um pouco menos de miséria na nossa velhice, que está se avizinhando a cada dia que passa, e tentar passar um pouco do que aprendemos, para as nossas duas filhas, que tem uma longa vida pela frente.

Baita abraço

Valdemar Engroff 

terça-feira, 8 de julho de 2014

Aposentados e futuros aposentados

Crédito: www.consultor-online.com
Os problemas da grave e prejudicial defasagem entre o valor que os aposentados recebem e o que deveriam receber, bem como o que os futuros aposentados teriam direito sem o fator previdenciário, pode ter solução na Câmara dos Deputados sim. Basta o presidente da Câmara colocar em votação imediatamente os projetos de lei dos aposentados, já aprovados pelos senadores e aguardando votação na Câmara desde 2008. É urgente que todos os aposentados pressionem, por e-mails ou ligando para a Câmara, os deputados que lhes representam, especialmente o presidente da Câmara, exigindo a colocação para votação do PL 4.434/08 – que dispõe sobre os reajustes dos benefícios; o PL 3.299/08 – que extingue o famigerado e desumano fator previdenciário que é absolutamente inconstitucional, visto que a Carta Magna não permite que uma lei retroaja ou prejudique o cidadão como ocorreu à época; e o PL 01/07, que trata da política de correção do salário-mínimo. Infelizmente, a desvinculação dos aumentos do salário-mínimo dos aumentos das aposentadorias que iniciou em 1988, por ocasião da alteração constitucional, retirou muito mais da metade do poder aquisitivo hoje, provocando graves problemas aos trabalhadores que pagaram, obrigatoriamente, para ter descanso digno no momento mais difícil da vida.

O alardeado déficit previdenciário não serve mais como desculpa para o governo se esquivar da urgente e justa restauração dos direitos dos trabalhadores aposentados e futuros aposentados, visto que se trata de uma grande mentira arquitetada, um embuste, um sofisma, claramente demonstrado e provado por muitos especialistas como, por exemplo, pela doutora em economia Denise Gentil, da UFRJ. A previdência pública é um importantíssimo pilar de sustentação socioeconômica dos cidadãos de qualquer nação civilizada e moderna. Precisamos valorizar a previdência pública, sob pena de ficarmos dependentes de caras previdências privadas que, em alguns casos, podem quebrar e deixar seus contribuintes “a ver navios”.


Fonte! Chasque (artigo) de Dalton Telli, publicado nas páginas do Jornal do Comércio de Porto Alegre (RS), edição do dia 07 de julho de 2014.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

QUERES UM MATE?

Crédito: www.metrojornal.com.br
Tenho o hábito de começar o dia tomando chimarrão. Vem desde a adolescência, quando vim estudar em Porto Alegre e ajudava a matar a saudade de casa. No interior, era uma tradição praticada por todas as famílias. Começou a se popularizar na capital mais recentemente e hoje é usual vermos pessoas carregando o kit mate nos mais variados lugares. 

Os gaúchos fazem questão também de levar o chimarrão em viagens para diferentes lugares do mundo e do país. Não se importam de carregar mais uma maleta, o que poderia ser classificada como uma tralha extra na bagagem. E aqui, em nossa casa, é um sinal de boas vindas oferecer uma cuia. Os portugueses diriam um “vaso”. Até porque cuia é um objeto gaúcho, feito do porongo. E a bomba é exclusividade nossa. Assim como a água quente. Claro, que nem todos concordam. 

Os argentinos também tomam mate. Os paraguaios tomam tererê. Todos os sistemas são semelhantes. A bebida é compartilhada. Nós, no entanto, nos apropriamos do chimarrão e o elegemos bebida símbolo do Estado. Tenho consciência de que alguns prefeririam a cerveja, o vinho ou a cachaça. Mas é o mate que abre portas para os visitantes. Só que muitos deles, não se arriscam a provar o nosso amargo-quente. E alguns torcem o nariz para a bomba que passa de boca em boca. 

Entre as tarefas que assumimos na Copa do Mundo está a de apresentar o chimarrão e a erva-mate como nossa tradição manda. A Escola do Chimarrão de Venâncio Aires mostra, a partir desta quarta-feira, no Paradouro Gaúcho montado no Cais do Porto, o costume dos riograndenses. Quem passar pelo local poderá aprender como fazer um bom chimarrão e também degustá-lo. E ainda conhecer detalhes da cadeia produtiva da erva-mate que é composta por 250 indústrias, 300 viveiros e 14 mil produtores e gera receita bruta anual de aproximadamente R$ 900 milhões. 

O Paradouro reúne lazer, gastronomia e comércio de produtos da agricultura familiar com a marca Sabor Gaúcho, artesanato típico e alambiques. Outra alternativa para conhecer nossas tradições é o projeto Turismo de Galpão, no Acampamento Farroupilha Extraordinário da Copa no Parque da Harmonia onde oficinas ensinam a preparar pratos típicos que podem ser degustados. Para atrair os visitantes, as oficinas são oferecidas também em espanhol, inglês e na linguagem de Libras. Aposto que as mais procuradas serão aquelas que ensinam a assar um churrasco, um carreteiro de charque e encilhar um cavalo. E montar um chimarrão, é claro. Afinal, ele vem antes ou junto com qualquer outra destas atividades campeiras.

Fonte! Este chasque (texto) é de autoria de Lizemara Prates, publicado no dia 11 de junho de 2014, na coluna AgroMetro, nas páginas do Jornal Metro de Porto Alegre - RS.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Prepare-se para investir muito se quiser uma aposentadoria confortável


Pagar a previdência deve ser o primeiro item das despesas mensais. Comece investindo pouco, mas não se esqueça de investir sempre.


Esqueça tudo o que você ouviu dos seus pais e avós sobre aposentadoria. No século 21, com a revolução do aumento da expectativa de vida quando chegar aos 100 anos de idade já é uma realidade, todos os conceitos antigos sobre previdência passam por uma revisão.

No passado, o planejamento dos investimentos para aposentadoria considerava que ao parar de trabalhar suas despesas iriam diminuir. Isso já não é mais uma certeza (veja vídeo). E são diversas as razões, a principal delas o aumento do custo do plano de saúde (veja coluna).

Portanto prepare-se para reforçar seus investimentos quando a meta é a aposentadoria confortável.

Mas você não consegue ter sobras no orçamento para começar a investir para a aposentadoria? Então experimente seguir estes passos:


1-      Faça deste item a primeira “despesa” de seus gastos mensais, ou seja, comece “pagando” a sua previdência e depois então faça os outros gastos;

2-      Comece investindo pouco, mas sempre. Desta forma, você não sentirá falta desses recursos ao longo do mês e não terá a tentação de resgatar a aplicação;

3-      Deixe as aplicações programadas com antecedência. É mais fácil fazer o investimento antes que o dinheiro chegue às suas mãos.

Veja mais informações sobre planos de previdência aqui.

Fonte! Chasque (postagem) de Mara Luquet, publicado no sítio do Jornal da Globo, em 27 de maio de 2014. Abra as porteiras clicando em:http://g1.globo.com/jornal-da-globo/noticia/2014/05/prepare-se-para-investir-muito-se-quiser-uma-aposentadoria-confortavel.html

Diferença de até 90% na taxa do cartão de crédito


Diferença de até 90% na taxa do cartão de crédito
Crédito: http://www.cartaodecreditoguia.com.br/

Quem usa cartão de crédito pode pagar até cinco tarifas. É o máximo permitido pelo Banco Central. Mas, entre estas operações, as taxas variam até 90%.
Quem usa a função crédito para pagar conta pode pagar de R$ 1,99 até R$ 19,90. O que muda é o banco.

Outras tarifas quer podem ser cobradas: taxa emergencial de avaliação de crédito, saque, anuidade e segunda via do cartão.

No site do Banco Central (www.bacen.gov.br), é possível consultar as taxas dos bancos. As informações ficam no link Cidadão.
Siga @GianeGuerra no Twitter.

Fonte! Chasque (postagem) de Giane Guerra, publicado no dia 10 de junho de 2014, no sítio Acerto de Contas. Abra as porteiras clicando em http://wp.clicrbs.com.br/acertodecontas/2014/06/10/diferenca-de-ate-90-na-taxa-do-cartao-de-credito/?topo=52,1,1,,171,e171 

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Abaixo, nosso comentário, deixado no chasque, na postagem publicada no sítio Acerto de Contas, por Giane Guerra: 

Comentários (1)

  • Valdemar Engroff diz: 10 de junho de 2014
     
    Bom Dia Giane

    Faço parte daquele pequeno universo de pessoas que não tem cartão de crédito. É como viver se ver novela….. quase todo mundo vê; quase todo mundo tem cartão.

    Não vejo novela…. não tenho cartão e vivo bem sem os dois…. E o que me fez cancelar o meu cartão, depois de estar com ele mais de 15 anos foi os percentuais por faltas (pagamento de atraso, saques monetários e compras parceladas). 

    Não parcelo nada, então cartão pra que???? Só se for pra cair numa compra por impulso…. Não…. Não Preciso e não me faz falta.


domingo, 8 de junho de 2014

SDR acompanha Emater em treinamento de classificação de grãos

Luciele Andretti (SDR) e o classificador Waldir Machado
A chefe de gabinete da Secretaria de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR), Luciele Andretti acompanhou, sábado (31), o classificador Waldir Machado, da unidade de Classificação da Emater/RS de Erechim. Ele ministrou um curso para empresa JBS (Frangosul) em Montenegro/RS. “O treinamento colabora na padronização dos procedimentos, na integração e desenvolvimento do senso de equipe e na troca de conhecimentos técnicos entre os participantes”, informou Machado.

Segundo ele, nas capacitações são repassadas informações sobre a metodologia de amostragem, homogeneização, preparo da amostra, classificação, secagem e armazenamento dos grãos, entre outros assuntos. A Emater/RS, através da Gerência de Classificação e Certificação – GCC, possui mais de 50 anos de experiência na prestação de serviços para determinar a qualidade de alimentos, com serviços de análises físicas e físico-químicas, inspeções, auditorias e treinamentos. Com uma equipe multidisciplinar composta por engenheiros agrônomos e técnicos classificadores credenciados pelo MAPA (Ministério da Agricultura), também está capacitada para ministrar cursos de Qualidade na Classificação de Grãos e Boas Práticas no Armazenamento de Grãos.

A certificação de um produto ou serviço é um meio de garantir junto ao mercado e aos clientes que a organização possui um sistema de produção controlado. Além disso, é verificado se a confecção dos produtos ou a execução dos serviços estão de acordo com normas específicas, promovendo uma diferenciação face aos concorrentes.

Além da JBS (Frangosul), já foram ministrados treinamentos para Cotrijal, Cotribá e a BSBios.

(Ascom/SDR)

Fonte! Chasque (matéria) publicado sítio da SDR - Secretaria de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo, no dia 02 de junho de 2014. Abra as porteiras clicando em http://www.sdr.rs.gov.br/conteudo.php?cod_conteudo=5168&cod_menu=2

sábado, 7 de junho de 2014

3 clichês sobre a aposentadoria que não passam de mitos

Creative Commons/ Flickr/ frenchfinds/
Relógio de ponto
Relógio de ponto: adiar a aposentadoria e contribuir por mais tempo parece ser a solução 

São Paulo – Gastamos menos na aposentadoria que durante a vida ativa; quem tem um plano de previdência complementar está com o futuro garantido; aposentados têm mais despesas com lazer do que pessoas que ainda trabalham.

Conforme pesquisa da consultoria Mercer divulgada integralmente nesta quinta-feira, esses lugares-comuns que povoam o imaginário coletivo brasileiro não passam de mitos, que surpreenderam até mesmo os pesquisadores, que trabalham na área de previdência privada.

A pesquisa ouviu 1.500 aposentados em todo o Brasil que têm previdência complementar pelo antigo empregador, dividindo-os em dois grupos para algumas avaliações: aqueles que têm rendimentos até o teto atual do INSS (4.160 reais) e aqueles que ganham mais do que isso.

O trabalho avaliou também todos os planos de previdência empresariais abertos a novos participantes. Veja a seguir alguns dos mitos que a pesquisa identificou e os resultados alarmantes do levantamento:

1 Vou ter menos despesas na aposentadoria que durante a vida ativa

Com base nessa crença, muitos especialistas e investidores calculam quanto se deve poupar para a aposentadoria partindo do princípio de que, naquela fase da vida, precisarão de apenas 70% a 80% do salário atual para sobreviver.

Mas não é isso que vem sendo verificado na prática. Dos aposentados ouvidos pela Mercer, 30% mantiveram o nível de gastos que tinham antes de se aposentar e 33% passaram a gastar mais.
“Ou seja, verificamos que 63% das pessoas têm, no mínimo, o mesmo nível de gastos”, ressalta Carolina Wanderley, consultora sênior de previdência da Mercer ao apresentar os dados da pesquisa.

Ela lembra que, ao se aposentar, as pessoas não desejam recuar o padrão de vida e querem manter inclusive benefícios antes custeados pela empresa ou benesses que a profissão lhes rendia. Elas desejam continuar morando da mesma forma e frequentando os mesmos restaurantes, por exemplo.

Contudo, a pesquisa mostrou que boa parte dos aposentados teve que cortar despesas. Metade desses 63% que gastam o mesmo ou mais do que durante a vida ativa tiveram que fazer essa readequação do orçamento.

2 Minha previdência será suficiente para custear a maior parte das minhas despesas

Talvez você não só gaste o mesmo ou até mais na sua aposentadoria como também é bem possível que a soma da previdência complementar e da previdência social não seja suficiente para chegar sequer a 80% do seu salário.

De acordo com a pesquisa, os planos de previdência complementar atuais têm capacidade de fornecer de 48% a 52% do último salário dos seus beneficiários, caso eles contribuam por 30 anos pelos percentuais adequados dos seus salários.

Mas como a contribuição dos beneficiários acaba sendo inferior ao que deveria ser, na prática os planos só são atualmente capazes de pagar, em média, 35% do último salário de seus beneficiários, o que é considerado muito baixo.

Veja na tabela a seguir a qual percentual do último salário da ativa correspondem os rendimentos de previdência social e complementar juntos, segundo os aposentados entrevistados:
Percentual do último salário a que a previdência corresponde Percentual dos entrevistados que estão neste grupo Percentual deste grupo que precisou cortar gastos ao se aposentar
Percentual do último salário a que a previdência corresponde Percentual dos entrevistados que estão neste grupo Percentual deste grupo que precisou cortar gastos ao se aposentar
Menos de 40% 40% 60%
De 41% a 80% 50% 55%
Mais de 80% 10% 14%*
(*) Exceto as famílias com renda inferior ao teto do INSS.
Fonte: Mercer


Tendo em vista que as pessoas que contribuem para planos de previdência complementar empresariais atualmente o fazem de forma que eles só sejam capazes de garantir 35% do seu salário na aposentadoria, é bem possível que o primeiro grupo da tabela, que recebe menos de 40% do seu salário da ativa, engorde consideravelmente no futuro.

E hoje, este grupo já não é inexpressivo. Trata-se de quase metade dos entrevistados.

Justamente por ser insuficiente, a previdência acaba não sendo a única fonte de renda de boa parte desses aposentados.

A participação de rendimentos de aluguéis e outras aplicações financeiras corresponde a até 30% do total da renda dessas pessoas, e 49% dos aposentados ainda trabalham, muitos por necessidade.

Além disso, após fazer os cortes orçamentários indesejáveis, optar por continuar trabalhando e usar rendimentos provenientes de outras aplicações para sobreviver, apenas 66% dos aposentados dizem estar sendo capazes de viver com a renda familiar atual.

3 Na aposentadoria aumentam os gastos com lazer
Uma visão que muitos têm é de que a aposentadoria será a fase de “aproveitar a vida”. Viajar bastante, dedicar-se a um hobby que consuma recursos, voltar a estudar algo que goste, ir a bons restaurantes e espetáculos e comprar alguns mimos para se divertir são alguns dos planos quando se pensa em ter mais tempo livre e menos compromissos.

Mas também é verdade que não só a renda diminui na aposentadoria como as despesas com saúde aumentam consideravelmente. E o lazer – por falta de saúde, de ânimo ou por necessidade, acaba ficando em segundo, terceiro ou quarto plano.

De acordo com o perfil de consumo dos aposentados, pesquisado pela FGV, lazer e educação respondem por apenas 4% do consumo dos aposentados brasileiros. A maior fatia da renda vai para moradia e habitação (63%), seguido de gastos com saúde (15%).

Além disso, de acordo com a pesquisa da Mercer, apenas 1% dos aposentados que ganham até o teto do INSS dizem gastar mais de 25% da renda com lazer; dentre os aposentados que ganham mais de 10 mil reais por mês, uma renda nada desprezível, apenas 6% gastam mais de um quarto da renda com lazer.

Veja na tabela qual o percentual de aposentados ouvidos pela Mercer que gasta mais de 25% da renda em cada item:

Percentual dos que gastam mais de 25% da renda familiar com:
Tipo de gasto Renda até R$ 4.160 Renda acima de R$ 10 mil
Habitação e alimentação 48% 34%
Saúde 30% 12%
Transporte 3% 1%
Educação 6% 2%
Lazer 1% 6%
Fonte: Mercer

4 Não é mito, mas pode ser pior do que você pensava: gastos com saúde pesam demais

Repare que para 30% dos mais pobres e para 12% dos mais ricos, os gastos com saúde respondem por mais de um quarto da renda familiar. E em média, de acordo com a FGV, 15% da renda dos aposentados estão comprometidos com gastos com saúde.

Entram aí não apenas as despesas com plano de saúde, mas também com medicamentos e até mesmo com o plano de saúde de outros membros da família, aos quais estes pais e avós continuam ajudando.
Para 40% dos entrevistados, “despesas com saúde” é o item que mais pesa no orçamento, mesmo não respondendo por mais de um quarto da renda.

Esse percentual aumenta para 44% quando se analisa apenas o grupo de pessoas que foi ao mercado para contratar um plano de saúde individual após se aposentar.

Felizmente, esse percentual diminui para aqueles que tiveram apoio da empresa para contratar o plano de saúde.

Quando se olha apenas o grupo daqueles que contrataram o plano de saúde por meio do antigo empregador, mas que pagam por ele, 37% consideram que saúde é o item que mais pesa no orçamento. Esse é um direito que qualquer empregado com plano de saúde pela empresa pode conquistar sob algumas condições.

Já entre aqueles que conseguiram manter o plano da antiga empresa sem pagar por ele, 28% consideram que saúde é o item mais pesado do orçamento.

Segundo Carolina Wanderley, isto se deve ao fato de que essas pessoas ainda têm despesas com remédios e com o plano de saúde de outros integrantes da família, por exemplo.

“A inflação médica atualmente é de 14% ao ano e não para de crescer. Se continuar nesse ritmo, em algum momento haverá uma ruptura, e os planos de saúde se tornarão impagáveis para os aposentados”, disse Geraldo Magela, líder da área de Previdência da Mercer, ao frisar a necessidade de haver uma maior preocupação para que a previdência seja capaz de cobrir esses gastos no futuro.

Conclusões: então estamos fritos?

Apesar dos resultados alarmantes, a pesquisa da Mercer aponta para os mais jovens hoje alguns dos caminhos a seguir e tira algumas conclusões:
- As despesas na aposentadoria tendem a ser iguais ou maiores que as despesas durante a fase ativa;
- Famílias com renda próxima ao teto do INSS são as mais afetadas com os gastos pós-aposentadoria (pois eles pesam mais);
- Devemos planejar a renda de aposentadoria de no mínimo 80% do salário;
- Como consequência de tudo isso, as pessoas deverão sim buscar outras fontes de renda na aposentadoria (como trabalho) ou reduzir despesas ou poupar mais ou postergar a aposentadoria.

A Mercer calculou ainda, duas formas de tentar evitar que os aposentados do futuro passem pelo mesmo sufoco que os aposentados que têm previdência complementar passam hoje.
A primeira delas é um possível aumento de contribuição para o plano de previdência complementar. Veja a proposta na tabela:
Salário Renda recomendável na aposentadoria Quanto contribuir para o plano
Até 4 mil reais 120% do salário atual 8% da renda atual
De 4 mil a 10 mil reais De 80% a 100% do salário atual 13% a 19% da renda atual
Mais de 10 mil reais 80% do salário atual 18% da renda atual
Fonte: Mercer

Esses percentuais de contribuição estão muito acima do que é praticado atualmente, e destinar 20% do salário apenas para a aposentadoria pode parecer delirante para muita gente, especialmente para quem está na faixa intermediária de renda.

Afinal, você terá outros objetivos e desejos hoje que podem ser muito onerosos dependendo de onde você mora.

Como esses percentuais de contribuição foram simulados em um horizonte de 30 anos de contribuição, a solução encontrada para aqueles que não conseguirem investir mais na aposentadoria é contribuir por mais tempo: aderir cedo a um plano de previdência complementar e trabalhar por mais tempo, se aposentando mais tarde.

“A pessoa pode aumentar o tempo de contribuição em dez anos. Teremos que mudar nossa cabeça, rever esse tempo”, diz Geraldo Magela.

Fonte! Chasque (matéria) publicado no sítio Portal Exame, por Julia Wiltgen, no dia 29 de maio de 2014. Abra as porteiras clicando em http://exame.abril.com.br/seu-dinheiro/noticias/3-cliches-sobre-a-aposentadoria-que-nao-passam-de-mitos?page=1&utm_medium=twitter&utm_source=twitterfeed