sexta-feira, 1 de maio de 2020

Reserva para uma vida melhor

Troque o medo pela esperança e adote um novo nome para a reserva de emergência

Não foram poucas as vezes em que escrevi sobre a importância de termos uma reserva de emergência para enfrentar períodos de escassez, desemprego ou doença que nos impede de trabalhar e ganhar dinheiro.

Embora importante, é fato a resistência das pessoas em adotar a prática de destinar parte da renda, do salário, para formar essa reserva.

Talvez o problema esteja na abordagem, na forma como os argumentos vêm sendo apresentados. Mudar a perspectiva, o nome, talvez ajude a alterar o comportamento das pessoas, despertar a percepção acerca da importância, do motivo pelo qual devem economizar, poupar, guardar dinheiro.

Aqui entre nós, reserva de emergência não é um bom nome. Uma situação de emergência não apenas não atrai, como nos afasta dessa prática. Embora seja importante nos prepararmos para enfrentar uma emergência, pensar nela não é uma coisa agradável. A forma mais fácil de afastar o medo, é não pensar nele, achar que não vai acontecer conosco.

Então vamos mudar a perspectiva, a maneira de refletir sobre o assunto, pensar em poupar para realizar os sonhos, o dinheiro da felicidade, da esperança, da autonomia, de fazer as coisas que queremos ou precisamos, sem depender de ajuda externa. 

Desemprego, outra situação que queremos manter longe. Ninguém quer antever a perda do contrato de trabalho, nossa única fonte de renda; dor e sofrimento só de pensar nessa possibilidade. Que tal olhar pela perspectiva de liberdade, de escolher fazer o que queremos, em vez de ficar preso a um trabalho pouco gratificante, que não nos motiva a sair de casa para o trabalho todos os dias? 

Doença? Nem preciso dizer quão negativo o impacto na nossa vida e nas nossas finanças. Mais uma vez vamos focar no outro lado da moeda, investir na saúde, no bem-estar, no conforto e segurança de termos capacidade financeira para cuidar da vida e zelar por ela.

Crise econômica, no país e no mundo, situações que não temos a menor chance de prever ou evitar, outra situação que pode prejudicar ou impossibilitar a geração de renda, especialmente a de empreendedores, formais ou informais, dependentes de uma economia pungente para manter os negócios de vento em popa.

Então vamos pensar na reserva financeira para explorar oportunidades, de abrir ou expandir o próprio negócio, de criar uma fonte de renda alternativa ao trabalho formal que não pretendemos manter. O dinheiro poupado ajuda a alçar voo, mas também pode ser a tábua de salvação para atravessar águas turbulentas. 

Encontre um novo significado e motivação para guardar dinheiro e sentir-se seguro. Dê um nome que represente o sonho que você quer realizar. Cuide desse sonho, cultive esse projeto, coloque um pouco de dinheiro nesse sonho sempre que puder. 

Ele é mais importante do que todas as contas que você paga, algumas relevantes, tão importantes quanto, mas todas tiram dinheiro do seu bolso, enquanto pagar pelo seu sonho, em parcelas, deposita esperança e dinheiro no que você deseja realizar na vida.

Pé-de-meia, tábua de salvação, meu sossego, paz de espírito, projetos de vida, cofrinho dos sonhos, chame como quiser, desde que contenha a chave, o gatilho que fará você investir em você, hoje e amanhã, priorizar o que é realmente importante na sua vida. 

A trajetória é desafiadora, haverá tropeços ao longo do caminho, e essa reserva será útil nesses momentos também. Recomponha essa reserva tão logo a condição financeira anterior seja recuperada, mantendo o conforto e o bem-estar de estar prevenido.

Fonte! Chasque (post) da educadora financeira Márcia Dessen, na sua coluna semanal "Opinião", publicada nas páginas do Jornal do Comércio de Porto Alegre (RS), na edição do dia 27 de abril de 2020.

quinta-feira, 30 de abril de 2020

Previc: Grandes fundos de pensão têm liquidez para honrar compromissos sem precisar vender ativos agora



Setor avalia adoção de medidas para minimizar os impactos da crise do coronavírus à sua base de segurados, como o saque de uma parte dos recursos
Poupar para a aposentadoria
(Shutterstock)

SÃO PAULO – O Brasil tem cerca de 250 fundos de pensão, planos fechados de previdência complementar oferecidos por algumas empresas aos seus empregados. Juntas, essas entidades somam quase R$ 1 trilhão em investimentos no mercado, e pagam anualmente aproximadamente R$ 60 bilhões em benefícios para cerca de 860 mil aposentados.

Diante da intensa e veloz realização nos mercados com a disseminação do coronavírus, a primeira preocupação do órgão regulador do sistema da previdência complementar fechada, a Previc, foi em relação à liquidez dos fundos de pensão.

A autarquia buscou contato, em um primeiro momento, com as maiores fundações do país, como Previ, do Banco do Brasil, Petros, da Petrobras, e Funcef, da Caixa (que juntas somam cerca de R$ 365 bilhões em ativos), para entender se elas conseguiriam manter o fluxo de pagamento dos benefícios sem precisar vender ativos no curto prazo em um momento desfavorável do mercado, já que se tratam de investimentos com caráter de longo prazo.

“Esse não é um risco entre os fundos de pensão com que conversamos. Eles têm níveis de caixa suficientes para honrar seus compromissos”, afirmou Lucio Capeletto, superintendente da Previc, durante live promovida nesta quarta-feira (22) pela XP Investimentos.

Capeletto disse também que a Previc estuda permitir o saque de uma parte da poupança previdenciária como forma de atenuar os impactos da crise para os aposentados. Na maior parte dos casos, o participante de um plano de um fundo de pensão só pode ter acesso aos recursos quando se aposenta ou quando decide sair do fundo antes do prazo inicialmente acordado. No entanto, a capacidade de liquidez de curto prazo do sistema tem sido avaliada antes que a decisão seja tomada.

Mudanças na direção do leme
 

Ajustes em caráter extraordinário nas políticas de investimentos, que as fundações elaboram todos os anos para nortear sua atuação no mercado, também devem ser autorizados diante do novo contexto.
“Por se tratar de um desenquadramento passivo, que ocorre quando a alocação determinada pela política em uma classe fica acima ou abaixo do previsto pelas flutuações do mercado, há o prazo de 720 dias para o reenquadramento”, disse Capeletto. “Contudo, ninguém gosta da situação de ficar desenquadrado com perspectivas tão diferentes daqui para frente.”

Também presentes na live, os consultores de investimentos Everaldo França, da PPS, e Guilherme Benites, da consultoria Aditus, sugeriram aos clientes fundos de pensão uma gradual recomposição da carteira de ações, que tiveram perdas similares ao tombo do mercado em março. Ambos ressaltaram, contudo, que percalços no meio do caminho não podem ser descartados.

“Uma leva de fundos foi reaberta para captação, o que pode facilitar a vida de fundações que querem aumentar a posição em renda variável com casas já conhecidas”, disse Benites, que destacou também as oportunidades que existem em títulos públicos e privados de renda fixa.

“O que ajudou a amenizar as perdas foram as posições em fundos de participações, de baixa liquidez, e que, portanto, não têm a remarcação diária das cotas”, afirmou França. A diversificação internacional foi outra opção lembrada pelo consultor da PPS. “Todas as Bolsas caíram, mas a intensidade da queda nos mercados desenvolvidos foi menor do que a observada localmente.”

terça-feira, 28 de abril de 2020

Finanças a serviço de pessoas

Finanças pessoais dizem muito mais respeito às pessoas do que às finanças 
Em momentos como o que estamos vivendo, é muito complicado falar de ganhos e perdas em investimentos, insistir na necessidade de poupar para o futuro, recomendar que dívidas sejam evitadas.
 
Embora corretos, parecem temas absolutamente inadequados, pequenos, agora que estamos todos preocupados em preservar vidas, a nossa e a de todos. Fica evidente que tudo o que abrange e impacta as finanças pessoais diz muito mais respeito às pessoas do que às finanças.
 
Vamos aproveitar a oportunidade e refletir se estamos colocando foco em quem, de fato, importa, as pessoas, seus sonhos, suas necessidades, reduzindo a importância do dinheiro em si e do que ele é capaz de comprar. Pensar mais em ser do que em ter.
 
Tendo isso em mente, trago uma provocação para reavaliarmos as relações comerciais, em particular as que envolvem decisões de investimento. Produtos financeiros são meros instrumentos, são meios, caminhos para chegar a algum lugar, se e quando bem selecionados, para atingir as metas, as necessidades das pessoas.
 
Quando alguém tem dinheiro para investir, a tendência é a de que, aos olhos do assessor de investimento, ele seja apenas um "investidor" com certa quantidade de dinheiro para investir e, depois de cumprido o procedimento de identificar o perfil de risco, segue a recomendação de produto A, B ou C.
 
A expectativa do investidor, por sua vez, é a de que a orientação do assessor, especialista que oferece o produto, será confiável e assertiva, adequada para atingir seus objetivos, respeitados seus limites e restrições.
 
O investidor deve observar se o assessor coloca foco na sua pessoa, em quem ele é, no que ele precisa, e não no seu dinheiro. Se perguntas não forem feitas nesse sentido, se o produto em si merece mais atenção do que o investidor, evite, alguma coisa está errada. É bem provável que o assessor esteja olhando para o dinheiro a ser investido, e não para a pessoa, a quem o dinheiro pertence.
 
O assessor que conhece determinado mercado e distribui produtos de investimento será bem-sucedido se perceber que o investidor importa muito mais do que o fechamento de uma operação de investimento.
 
Ao assessor recomendo que não exalte o produto, aquele que lhe parece o melhor, o que lhe pagará a maior comissão ou o produto da campanha de vendas do mês. Não pule a etapa de ouvir primeiro a pessoa, colocar-se no lugar dela, entender com clareza aquilo de que ela precisa, o que pensa, o que teme, o que espera.
 
A oportunidade para o investidor é aprender a conectar o produto com seus anseios, entender que não existe o melhor investimento, que nem sempre o produto da moda ou o mais rentável é o mais adequado.
 
Aprender a fazer perguntas, a investigar aspectos que nem sempre constam do discurso de venda, entender quais os riscos, os tais imprevistos, muitas vezes omitidos.
 
Investidor, entenda que o valor do seu dinheiro vai muito além da quantidade de moeda que você tem. Saiba refletir se o produto vai proporcionar os benefícios que você procura, se representa solução, e não um problema na sua vida.
 
Aos que assim já procedem, mantenham e aprimorem esse cuidado. Aos demais, uma oportunidade de valorizar as pessoas, o que elas são, e não o que elas têm. Não atribuam ao dinheiro importância demais, o valor não está nele, mas no que ele é capaz de fazer pelas pessoas.
 
 Fonte! Chasque (post) de Márcia Dessen, publicado nas páginas do Jornal do Comércio de Porto Alegre (RS), na edição dos dias 20 e 21 de abril de 2020, na sua coluna semanal "Opinião Econômica".

quarta-feira, 8 de abril de 2020

Livro! Os Donos do Dinheiro!

Quando se fala na crise de 1929, imediatamente lembramos dos problemas que ocorreram na bolsa de Nova York, gerados pela “exuberância irracional” e um excesso de liquidez sem precedentes. Mas focamos muito no lado Bolsa de Nova York da coisa … Sabia que esta foi uma crise mundial é apontada por muitos com um dos gatilhos da Segunda Guerra Mundial ? E que um dos motivos para ela ter ocorrido foi a Primeira Guerra Mundial ?

O livro “Os donos do dinheiro” (2010, Campus) abre mão do foco nos fatos ocorridos na bolsa e amplia “um pouco” nosso ângulo de visão. Ele nos mostra a perspectiva de 4 das figuras mais importantes (para a criação/combate da crise) da época: os presidentes dos bancos centrais da Alemanha, da Inglaterra, dos EUA e da França.

Vemos como a Primeira Guerra Mundial “deu início” à crise de 1929, através das multas aplicadas à Alemanha, após sua derrota, com valores absurdos a serem entregues aos vencedores, bem como a luta entre os aliados para quitar suas dívidas de Guerra. Um dos motivos para as multas tão elevadas foi justamente este, permitir que os aliados pudessem devolver o dinheiro (muito dinheiro) aos financiadores da guerra.

Desde o início muitos apontaram que o valor imposto à Alemanha beirava ao absurdo e que o país não teria condições de arcar com a despesa, o que, muito provavelmente, a levaria a uma crise econômica.

Lembra das aulas de história do 2º grau ?

 

Está lembrado, quando ouvimos as histórias da hiperinflação na Alemanha, pré Segunda Guerra ? Quando as pessoas precisavam levar carrinhos de mão com um montanha de dinheiro para comprar pão ? E que, em caso de assalto, o ladrão levava apenas o carrinho e não o dinheiro, pois o valor dele era corroído rapidamente. Enquanto o carrinho de mão 

Aqui no Brasil tivemos um período de inflação muito elevada, mas não chegava aos pés desta crise Alemã …

Isso tudo que ocorreu na Alemanha justamente por causa da cobrança externa. O dinheiro sumiu, as fontes de crédito secaram … e acabou abrindo espaço para que um certo Sr de bigode assumisse o poder e fizesse o que fez … 


Mas e a crise de 29 propriamente dita ?

 

Sim, é claro que falam dela. 

Mostram as idas e vindas do padrão ouro, o sobe e desce das taxas de juros, o aumento e a diminuição da oferta de crédito aos mercados e … a derrocada final. Infelizmente não é possível dizermos que uma crise do tamanho da de 29 se resume ao “otimismo exagerado que tomou conta dos mercados financeiros”. Uma crise daquela proporção é formada por muitos outros fatores e alguns foram muito bem observados e muito bem detalhados no livro.

Injeção de liquidez exagerada (e na hora errada) no mercado … Corte na oferta de capital (na hora errada) para o mercado … Ânimos se acirrando em alguns países …. Mercados se fechando … Bolsa subindo e subindo e subindo … e logo veio a Segunda Guerra Mundial.

Mas fico pensando … as características que apontei 2 parágrafos acima me parecem familiares … só não me recordo onde vi coisa parecida acontecendo.

(torço para que esteja MUITO errado …)

Em suma: leia este livro ! Uma ótima fonte de conhecimento histórico e da economia como um todo. 

Fonte! Chasque (post / artigo) publicado no sítio oficial Clube do Pai Rico em 26 de março de 2020. Abra as porteiras clicando em: https://www.clubedopairico.com.br/livros-os-donos-do-dinheiro/20543