domingo, 3 de novembro de 2019

Previdência! Sistema de previdência privada administra R$ 960 bilhões

Fundos de pensão são grandes fomentadores de proteção social e financiadores da macroeconomia nacional

Martins reforça que, apesar da solidez, mercado também teve de se reinventar
Martins reforça que, apesar da solidez, mercado também teve de se reinventar
/ABRAPP/DIVULGAÇÃO/JC
Dados recentes divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram uma nova realidade no perfil da população brasileira. De um lado, a expectativa de vida vem crescendo a cada senso realizado, e isso significa que as pessoas vão viver mais e estender o período de recebimento dos benefícios concedidos pelo regime aberto de previdência. De outro, o índice de natalidade vem diminuindo nos últimos anos, confirmando que, em pouco tempo, o Brasil terá um contingente maior de idosos recebendo benefício e menos jovens entrando no mercado de trabalho e contribuindo para a Previdência Social.
 
Diante dessa nova realidade, dois pontos ficam evidentes: primeiro, a necessidade de redução do valor do benefício pago pelo INSS e, segundo, que as pessoas terão que retardar sua entrada no processo de aposentadoria, ficando mais tempo no mercado de trabalho, teorias já confirmadas pelo texto da reforma da Previdência recém-aprovada no Congresso. "É preciso revisitar o sistema aberto, pois, como vemos, no Brasil, hoje, se gasta muito com Previdência, e esse pacto de gerações não se sustenta mais", destaca o diretor-presidente da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), Luís Ricardo Martins.
 
Nesse contexto, segundo ele, a previdência complementar ganha força, podendo ser definida como um sistema que acumula recursos para garantir uma renda adicional no futuro. Por meio desses planos, em média, o trabalhador consegue manter cerca de 60% do nível de renda que possuía até o momento da aposentadoria.
 
Os fundos de previdência complementar fechados, também conhecidos como fundos de pensão, são administrados por instituições sem fins lucrativos que mantêm planos de previdência coletivos e são acessíveis somente para grupos de trabalhadores de determinadas empresas ou entidades de classe que fazem a gestão do próprio fundo. Conforme Martins, atualmente, o sistema administra R$ 960 bilhões. São 290 fundos de pensão e 850 mil aposentados recebendo, aproximadamente, R$ 60 bilhões em benefícios, uma média de R$ 6 mil por mês. "Esses números ganham relevância, sobretudo, se considerarmos que todo o sistema de fundos de pensão fechados conta com 2,8 milhões de trabalhadores, mais 3 milhões de dependentes, poderíamos dizer que temos, aproximadamente, 7 milhões de trabalhadores dos 3% da população economicamente ativa", destaca. 
 
O dirigente explica, ainda, que há a necessidade de adoção de políticas de incentivo ao incremento da poupança a longo prazo, uma vez que os fundos de pensão são grandes fomentadores de proteção social e financiadores da macroeconomia. De acordo com o presidente, as projeções são boas para a entidade, que tem como meta fechar o ano com 50 planos família. Em outubro, já eram 40 planos concluídos. "Precisamos investir em inovação, pois, ao longo desses 42 anos, desde o surgimento dos fundos de pensão, o público mudou. Mesmo com a solidez do setor, também tivemos que nos reinventar e enxergar esse mercado digital. Nesse sentido, a Abrapp oferece aos seus associados esse plano para os familiares, mais moderno, um plano setorial para atrair o público jovem", garante. 
 
Democratização do acesso aos planos complementares


Longevidade brasileira torna o mercado cada vez mais promissor, diz Pereira
Com o aumento de expectativa de vida, Pereira considera o mercado bastante promissor
LUIZA PRADO/JC

                   
Prestes a completar 40 anos de atuação no mercado e com um patrimônio superior a R$ 7,1 bilhões, a Fundação Família Previdência, antiga Fundação CEEE, se consolida como o maior fundo de pensão do Rio Grande do Sul e um dos maiores do Brasil, ocupando o 23º lugar no ranking nacional da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), que abrange cerca de 300 entidades fechadas de previdência complementar.
 
Hoje, a Fundação Família Previdência conta com 17.584 participantes, atingindo um universo de, aproximadamente, 30 mil pessoas: são 8.338 profissionais que atuam nas empresas patrocinadoras, associados dos sindicatos instituidores de planos previdenciários, 6.222 aposentados, 3.024 pensionistas e dependentes. "Vale destacar que este é um produto oferecido por instituições sem fins lucrativos, ou seja, toda rentabilidade que se busca no mercado é cotizada para quem participa do plano. Se fizermos uma análise do mercado, veremos que não tem nada parecido com relação à entrega do produto", afirma o diretor-presidente Rodrigo Sisnandes Pereira.
 
Com o aumento de expectativa de vida dos brasileiros, o presidente considera o mercado da previdência privada bastante promissor; no entanto, avalia que ainda precisa ser mais conhecido, pois as pessoas têm dificuldade em saber como funciona e como fazer a melhor escolha, devido ao produto ser de longo prazo. "Estamos democratizando a previdência sem fins lucrativos. Nosso principal objetivo é que o maior número de pessoas tenham acesso e possam usufruir de uma rentabilidade que não tem comparação no mercado. Nosso acumulado dos últimos 15 anos é de 536%. Neste ano, atingimos o acumulado de 15.9%, logo, se comparado com outros indicadores, faz muita diferença", destaca.
 
Neste ano, também, a entidade inaugura uma nova fase, que começou com a mudança de nome para Fundação Família Previdência, mantendo o foco no planejamento financeiro de longo prazo, mas com um reposicionamento da entidade para mercado. "O País vai adotar um novo modelo previdenciário, no qual o sistema de capitalização de longo prazo sem fins lucrativos terá um importante papel na formação da poupança previdenciária dos trabalhadores", avalia Pereira.
 
Ele explica que, atualmente, basta um simples convênio de adesão com qualquer empresa ou entidade associativa para que possam disponibilizar o plano a seus funcionários e associados, com possibilidade, inclusive, de estendê-lo para todos os familiares. Também ressalta que há uma flexibilização nos planos, com investimento a partir de R$ 50,00 e três anos de carência. "O maior orgulho da nossa entidade é fazer essa entrega, com benefício médio de R$ 5,5 mil por mês para os mais de 9 mil aposentados. Anualmente, a entidade paga em torno de R$ 650 milhões em benefícios", frisa.
 
Pereira defende, ainda, a inclusão da educação financeira na cultura dos brasileiros. "Hoje, somos modelo no segmento de plano familiar. Quanto antes o planejamento iniciar, melhor. Não dá para criar a ilusão que a previdência pública vai garantir uma qualidade de vida depois. Estamos vivendo mais, mas isso custa caro e têm reflexos sociais. A previdência privada é um produto com alto valor social agregado", completa.
 
Fonte! Chasque (reportagem) publicado no caderno especial Seguros & Previdência, encartado na edição do Jornal do Comércio de Porto Alegre (RS), na edição do dia 31 de outubro de 2019.

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Maioria não tem preocupação com o futuro financeiro


Brasileiros tendem a comprometer a renda com despesas e nãoa conseguem poupar
 
Carreira única deixou de ser tendência, mas exige organização, diz Franco
Carreira única deixou de ser tendência, mas exige organização, diz Franco
/ZURICH BRASIL/DIVULGAÇÃO/JC

Grande parte dos brasileiros não está preocupada com as profundas mudanças sociais no mercado de trabalho, e muito menos com a segurança de ter uma renda para garantir o futuro. Essa é uma das constatações da pesquisa Agile Protection - Proteção social: do frágil ao ágil, produzida pela seguradora Zurich, em parceria com a Universidade de Oxford. O estudo apresenta as tendências de adaptações e estratégias de proteção de renda dos indivíduos e foi realizado junto a 1.145 trabalhadores brasileiros com idades entre 20 e 70 anos.
 
O levantamento também mostra que, mesmo diante das transformações no mercado de trabalho, que impactam diretamente na renda da população, é baixo o número de brasileiros que se preocupa com o futuro financeiro, principalmente entre os mais jovens. Só 23% da população de 20 a 29 anos e 30% dos que têm de 30 a 39 anos afirmaram que ter dinheiro para a aposentadoria é a maior preocupação.
De acordo com o levantamento, em todas as estratificações analisadas, considerando idade e gênero, não há uma percepção clara do poder disruptivo das tecnologias e suas consequências no tradicional modelo de trabalho.
 
Para o CEO da Zurich no Brasil, Edson Franco, o modelo tradicional de se ter um único emprego ou uma única carreira por toda a vida não é mais a única possibilidade de trajetória, mas, para isso, é necessário um planejamento profissional e financeiro. "As inovações criam novos modelos de trabalho e dão mais liberdade para as pessoas. Entretanto, à medida em que a flexibilidade dos trabalhadores aumenta, eles também tornam-se mais suscetíveis a perdas em relação à estabilidade de emprego e de renda. Nesse sentido, o estudo traz uma valiosa contribuição para refletirmos sobre o futuro dos empregos e a estabilidade financeira dos trabalhadores", complementa o executivo.
 
Outro indicador mapeado foi o total de brasileiros que conseguiram guardar dinheiro no ano anterior. Dos 1.145 participantes da pesquisa, só 47% dos entrevistados de 55 anos ou mais e 41% dos jovens de 20 a 29 anos afirmaram ter conseguido constituir uma reserva financeira em 2018. O grupo de brasileiros de 40 a 54 anos poupou menos - somente 36% guardou dinheiro em 2018. "Há um sentimento geral de necessidade de um planejamento financeiro de longo prazo para se ter um complemento de renda no futuro. Mas, no curto prazo, as despesas domésticas mensais ainda comprometem grande parte da renda dos brasileiros, principalmente aqueles com salário inferior a R$ 5 mil", diz o executivo.
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Hábito de economizar dinheiro e se planejar é pouco frequente

Educação financeira é o primeiro passo para tornar as reservas um costume
Planejamento financeiro não é costume no País
JOÃO MATTOS/ARQUIVO/JC
Com o desemprego ainda elevado e o poder de compra comprometido, o brasileiro não está conseguindo guardar dinheiro, seja para realizar um sonho de consumo, preparar-se para a aposentadoria ou simplesmente para lidar com imprevistos. De acordo com levantamento realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) em 12 capitais brasileiras, incluindo Porto Alegre, 67% dos consumidores brasileiros não conseguiram guardar nenhuma parte de seus rendimentos no mês de agosto - o percentual é ainda maior considerando as pessoas das classes C, D e E (71%).
 
Já entre as pessoas de renda mais alta (classes A e B), o percentual de não poupadores é de 54%, um dado expressivo e que revela que o hábito de poupança não é frequente mesmo entre pessoas que recebem um salário maior. "A crise econômica tem seu papel no resultado da baixa poupança. Com desemprego presente em muitos lares, o orçamento familiar tornou-se mais apertado e, em alguns casos, insuficiente até para honrar compromissos já assumidos. No entanto, não se pode ignorar que muitos consumidores não dão a devida importância para a formação de uma reserva financeira. O consumidor deve ter em mente que um orçamento controlado pode fazer toda a diferença. O ideal não é poupar somente o que sobra no fim do mês, mas sempre reservar uma quantia fixa, encarando o valor destinado para a reserva como mais um compromisso mensal", afirma a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.
 
O levantamento mostra, ainda, que 66% dos poupadores colocam dinheiro na velha caderneta de poupança, principalmente pela facilidade de resgate. Somente 16% dos que poupam guardam pensando na aposentadoria e 42% tiveram de resgatar ao menos parte do dinheiro poupado.
 
Segundo a Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi), a realidade atual é bem diferente daquela que vivíamos no cenário de juros altos e se o País obtiver sucesso nas reformas estruturais necessárias, há grandes chances de viver um ciclo virtuoso de crescimento com taxa de juros baixa.
 
Para buscar remuneração melhor para o capital acumulado, o investidor terá de buscar as aplicações de maior risco. Isso acontecerá na Previdência e em outras modalidades de investimento e acumulação. "A previdência privada é um veículo extraordinário para formar reservas de longo prazo e está intimamente ligada a essa realidade. O brasileiro está pouco habituado a fazer planejamento financeiro. Isso tem que mudar, e a educação financeira é o primeiro passo para que isso ocorra. Em diversos países, o planejamento financeiro é ensinado às crianças na escola. Temos que avançar nesta direção. Precisamos aprender a poupar e fazer bom uso do dinheiro para construirmos uma sociedade mais justa e próspera", destaca o presidente da FenaPrevi, Jorge Nasser.
 
Fonte! Chasque (reportagem) publicado no caderno especial Seguros & Previdência, encartado na edição do Jornal do Comércio de Porto Alegre (RS), na edição do dia 31 de outubro de 2019.