sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Propósito para poupar!


Muita gente diz que não consegue guardar dinheiro para formar a necessária reserva financeira, que permite enfrentar emergências com tranquilidade e superar períodos de renda menor ou até mesmo a falta dela. O argumento é que não sobra nada depois de pagar o aluguel, os carnês e os itens essenciais, como alimentação.

As mesmas pessoas que não conseguem guardar dinheiro consomem, e conseguem pagar, relativamente em dia, com parcelamento a perder de vista, assumindo o compromisso de quitar parcelas que acreditam serão capazes de pagar.

A compra de uma geladeira nova, por exemplo, só é possível se for parcelada. Não interessa o valor total da compra, não se curvam ao argumento de que pagarão duas ou três vezes o valor do produto.

Multiplicar a quantidade de parcelas pelo valor de cada uma delas é uma operação matemática simplesmente ignorada, não interessa, a informação não vai alterar a decisão de compra.

Qual a taxa de juros embutida no valor da parcela? Mais uma informação inútil que não altera a decisão.

Certa vez, perguntaram a uma senhora, prestes a adquirir uma lava-roupa em 24 parcelas, se ela tinha pensado na alternativa de poupar o dinheiro e comprar à vista, pagando muito menos pela máquina. "O senhor nunca encarou um tanque de roupa suja na vida, né?", respondeu a senhora.

A lavadora de roupas custa parcelas mensais de R$ 150,00 e a libertará do tanque de roupa suja. O tempo que ela despendia na árdua tarefa de lavar roupas será usado na cozinha, com o prazeroso preparo de doces e salgados, cuja venda proverá a renda extra necessária para pagar as parcelas. Quanto pagará de juros, o preço final da máquina, não importa. A libertação do tanque a move e custa apenas R$ 150,00 por mês.

Muitas pessoas que aderem a consórcios e títulos de capitalização não ganham nada pelo esforço do depósito parcelado e serão punidas se deixarem de pagar. Mas é exatamente essa obrigação que representa para elas o mecanismo de "guardar" dinheiro.

No caso dos consórcios, o consumidor que desistir do contrato terá direito à devolução dos valores pagos, descontadas as taxas e as multas previstas. E, na maioria dos casos, deverá esperar a data final do contrato, meses ou anos, para a devolução do dinheiro. Além disso, deixará de participar dos sorteios mensais, a provável razão pela qual aderiu ao consórcio.

Nos títulos de capitalização, existem períodos de carência que podem chegar a 24 meses, o que impede o resgate do valor depositado. A falta de pagamento da parcela impõe algumas punições: suspensão do título, exclusão dos sorteios, recebimento de parte do valor depositado depois de decorrido o período de carência.

Essas amarras e punições parecem funcionar para as pessoas com baixa disciplina que não conseguem guardar dinheiro.

Fazem isso porque são obrigadas. Além disso, a aversão a perda, de todo o valor depositado ou parte dele, garante o pagamento das parcelas, muitas vezes, em detrimento das reais prioridades do orçamento familiar. Para evitar perdas, continuam pagando, reféns de produtos escolhidos para "guardar" dinheiro.

Procure e descubra a chave, o gatilho, que muda sua programação mental. Sonhe e faça planos para realizar os sonhos, transformá-los em realidade. Encontre o propósito que te move para poupar e seja recompensado pelo esforço.

Feliz 2019!

Fonte! Chasque (texto) de Márcia Dessem (Planejadora financeira CFP ("Certified Financial Planner"), autora de "Finanças Pessoais: O Que Fazer com Meu Dinheiro"), publicado na edição do dia 31 de dezembro de 2018, do Jornal do Comércio de Porto Alegre (RS).

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Taxa de custódia do Tesouro Direto cai para 0,25%


A redução do custo ao investidor foi negociada com
a bolsa de valores B3 Patrícia Comunello/Especial/JC

A taxa de custódia dos títulos do Tesouro Direto cairá de 0,3% para 0,25% ao ano a partir de janeiro de 2019, informou o Tesouro Nacional nesta quinta-feira (27). A redução do custo ao investidor foi negociada com a bolsa de valores B3, responsável por operar as transações do programa. A taxa de custódia é cobrada pela B3 para armazenar os títulos.

Como o saldo total investido no programa está em R$ 53 bilhões, o Tesouro estima que a redução de 0,05% na taxa provocará um aumento total de R$ 26 milhões no ganho anual dos investidores do programa.

De acordo com o secretário adjunto do Tesouro Nacional, Otávio Ladeira, a redução pode incentivar pequenos investidores.

Em novembro, já houve recorde de participação das aplicações em valores inferiores a R$ 1.000,00 no Tesouro Direto. Esses investidores representaram 64% do total. 
Fonte! Chasque (matéria) publicado nas páginas do Jornal do Comércio de Porto Alegre (RS), na edição do dia 28, 29 e 30 de dezembro de 2018.