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Relógio de ponto: adiar a aposentadoria e contribuir por mais tempo parece ser a solução | |
São Paulo – Gastamos menos na
aposentadoria que durante a vida ativa; quem tem um
plano de previdência complementar está com o futuro garantido; aposentados têm mais despesas com lazer do que pessoas que ainda trabalham.
Conforme pesquisa da consultoria Mercer divulgada integralmente
nesta quinta-feira, esses lugares-comuns que povoam o imaginário
coletivo brasileiro não passam de mitos, que surpreenderam até mesmo os
pesquisadores, que trabalham na área de previdência privada.
A pesquisa ouviu 1.500 aposentados em todo o Brasil que têm previdência
complementar pelo antigo empregador, dividindo-os em dois grupos para
algumas avaliações: aqueles que têm rendimentos até o teto atual do
INSS (4.160 reais) e aqueles que ganham mais do que isso.
O trabalho avaliou também todos os planos de previdência empresariais
abertos a novos participantes. Veja a seguir alguns dos mitos que a
pesquisa identificou e os resultados alarmantes do levantamento:
1 Vou ter menos despesas na aposentadoria que durante a vida ativa
Com base nessa crença, muitos especialistas e investidores calculam
quanto se deve poupar para a aposentadoria partindo do princípio de que,
naquela fase da vida, precisarão de apenas 70% a 80% do salário atual
para sobreviver.
Mas não é isso que vem sendo verificado na prática. Dos aposentados
ouvidos pela Mercer, 30% mantiveram o nível de gastos que tinham antes
de se aposentar e 33% passaram a gastar mais.
“Ou seja, verificamos que 63% das pessoas têm, no mínimo, o mesmo nível
de gastos”, ressalta Carolina Wanderley, consultora sênior de
previdência da Mercer ao apresentar os dados da pesquisa.
Ela lembra que, ao se aposentar, as pessoas não desejam recuar o padrão
de vida e querem manter inclusive benefícios antes custeados pela
empresa ou benesses que a profissão lhes rendia. Elas desejam continuar
morando da mesma forma e frequentando os mesmos restaurantes, por
exemplo.
Contudo, a pesquisa mostrou que boa parte dos aposentados teve que
cortar despesas. Metade desses 63% que gastam o mesmo ou mais do que
durante a vida ativa tiveram que fazer essa readequação do
orçamento.
2 Minha previdência será suficiente para custear a maior parte das minhas despesas
Talvez você não só gaste o mesmo ou até mais na sua aposentadoria como
também é bem possível que a soma da previdência complementar e da
previdência social não seja suficiente para chegar sequer a 80% do seu salário.
De acordo com a pesquisa, os planos de previdência complementar atuais
têm capacidade de fornecer de 48% a 52% do último salário dos seus
beneficiários, caso eles contribuam por 30 anos pelos percentuais
adequados dos seus salários.
Mas como a contribuição dos beneficiários acaba sendo inferior ao que
deveria ser, na prática os planos só são atualmente capazes de pagar, em
média, 35% do último salário de seus beneficiários, o que é considerado
muito baixo.
Veja na tabela a seguir a qual percentual do último salário da ativa
correspondem os rendimentos de previdência social e complementar juntos,
segundo os aposentados entrevistados:
Percentual do último salário a que a previdência corresponde Percentual
dos entrevistados que estão neste grupo Percentual deste grupo que
precisou cortar gastos ao se aposentar
(*) Exceto as famílias com renda inferior ao teto do INSS.
Fonte: Mercer
Tendo em vista que as pessoas que contribuem para planos de
previdência complementar empresariais atualmente o fazem de forma que
eles só sejam capazes de garantir 35% do seu salário na aposentadoria, é
bem possível que o primeiro grupo da tabela, que recebe menos de 40% do
seu salário da ativa, engorde consideravelmente no futuro.
E hoje, este grupo já não é inexpressivo. Trata-se de quase metade dos entrevistados.
Justamente por ser insuficiente, a previdência acaba não sendo a única fonte de renda de boa parte desses aposentados.
A participação de rendimentos de aluguéis e outras
aplicações financeiras corresponde a até 30% do total da
renda dessas pessoas, e 49% dos aposentados ainda trabalham, muitos por necessidade.
Além disso, após fazer os cortes orçamentários indesejáveis, optar por
continuar trabalhando e usar rendimentos provenientes de outras
aplicações para sobreviver, apenas 66% dos aposentados dizem estar sendo
capazes de viver com a renda familiar atual.
3 Na aposentadoria aumentam os gastos com lazer
Uma visão que muitos têm é de que a aposentadoria será a fase de
“aproveitar a vida”. Viajar bastante, dedicar-se a um hobby que consuma
recursos, voltar a estudar algo que goste, ir a bons restaurantes e
espetáculos e comprar alguns mimos para se divertir são alguns dos
planos quando se pensa em ter mais tempo livre e menos compromissos.
Mas também é verdade que não só a renda diminui na aposentadoria como
as despesas com saúde aumentam consideravelmente. E o lazer – por falta
de saúde, de ânimo ou por necessidade, acaba ficando em segundo,
terceiro ou quarto plano.
De acordo com o perfil de consumo dos aposentados, pesquisado pela
FGV,
lazer e educação respondem por apenas 4% do consumo dos aposentados
brasileiros. A maior fatia da renda vai para moradia e habitação (63%),
seguido de gastos com saúde (15%).
Além disso, de acordo com a pesquisa da Mercer, apenas 1% dos
aposentados que ganham até o teto do INSS dizem gastar mais de 25% da
renda com lazer; dentre os aposentados que ganham mais de 10 mil reais
por mês, uma renda nada desprezível, apenas 6% gastam mais de um quarto
da renda com lazer.
Veja na tabela qual o percentual de aposentados ouvidos pela Mercer que gasta mais de 25% da renda em cada item:
Percentual dos que gastam mais de 25% da renda familiar com:
Fonte: Mercer
4 Não é mito, mas pode ser pior do que você pensava: gastos com saúde pesam demais
Repare que para 30% dos mais pobres e para 12% dos mais ricos, os gastos com
saúde
respondem por mais de um quarto da renda familiar. E em média, de
acordo com a FGV, 15% da renda dos aposentados estão comprometidos com
gastos com saúde.
Entram aí não apenas as despesas com
plano de saúde, mas também com medicamentos e até mesmo com o plano de saúde de outros membros da
família, aos quais estes pais e avós continuam ajudando.
Para 40% dos entrevistados, “despesas com saúde” é o item que mais pesa
no orçamento, mesmo não respondendo por mais de um quarto da renda.
Esse percentual aumenta para 44% quando se analisa apenas o grupo de
pessoas que foi ao mercado para contratar um plano de saúde individual
após se aposentar.
Felizmente, esse percentual diminui para aqueles que tiveram apoio da empresa para contratar o plano de saúde.
Quando se olha apenas o grupo daqueles que contrataram o plano de saúde
por meio do antigo empregador, mas que pagam por ele, 37% consideram
que saúde é o item que mais pesa no orçamento.
Esse é um direito que qualquer empregado com plano de saúde pela empresa pode conquistar sob algumas condições.
Já entre aqueles que conseguiram manter o plano da antiga empresa sem
pagar por ele, 28% consideram que saúde é o item mais pesado do
orçamento.
Segundo Carolina Wanderley, isto se deve ao fato de que essas pessoas ainda têm despesas com
remédios e com o plano de saúde de outros integrantes da família, por exemplo.
“A inflação médica atualmente é de 14% ao ano e não para de crescer. Se
continuar nesse ritmo, em algum momento haverá uma ruptura, e os planos
de saúde se tornarão impagáveis para os aposentados”, disse Geraldo
Magela, líder da área de Previdência da Mercer, ao frisar a necessidade
de haver uma maior preocupação para que a previdência seja capaz de
cobrir esses gastos no futuro.
Conclusões: então estamos fritos?
Apesar dos resultados alarmantes, a pesquisa da Mercer aponta para os
mais jovens hoje alguns dos caminhos a seguir e tira algumas conclusões:
- As despesas na aposentadoria tendem a ser iguais ou maiores que as despesas durante a fase ativa;
- Famílias com renda próxima ao teto do INSS são as mais afetadas com os gastos pós-aposentadoria (pois eles pesam mais);
- Devemos planejar a renda de aposentadoria de no mínimo 80% do salário;
- Como consequência de tudo isso, as pessoas deverão sim buscar outras
fontes de renda na aposentadoria (como trabalho) ou reduzir despesas ou
poupar mais ou postergar a aposentadoria.
A Mercer calculou ainda, duas formas de tentar evitar que os
aposentados do futuro passem pelo mesmo sufoco que os aposentados que
têm previdência complementar passam hoje.
A primeira delas é um possível aumento de contribuição para o plano de previdência complementar. Veja a proposta na tabela:
Fonte: Mercer
Esses percentuais de contribuição estão muito acima do que é
praticado atualmente, e destinar 20% do salário apenas para a
aposentadoria pode parecer delirante para muita gente, especialmente
para quem está na faixa intermediária de renda.
Afinal, você terá outros objetivos e desejos hoje que podem ser muito onerosos dependendo de onde você mora.
Como esses percentuais de contribuição foram simulados em um horizonte
de 30 anos de contribuição, a solução encontrada para aqueles que não
conseguirem investir mais na aposentadoria é contribuir por mais tempo:
aderir cedo a um plano de previdência complementar e trabalhar por mais
tempo, se aposentando mais tarde.
“A pessoa pode aumentar o tempo de contribuição em dez anos. Teremos
que mudar nossa cabeça, rever esse tempo”, diz Geraldo Magela.
Fonte! Chasque (matéria) publicado no sítio Portal Exame, por Julia Wiltgen, no dia 29 de maio de 2014. Abra as porteiras clicando em http://exame.abril.com.br/seu-dinheiro/noticias/3-cliches-sobre-a-aposentadoria-que-nao-passam-de-mitos?page=1&utm_medium=twitter&utm_source=twitterfeed
Faço parte daquele pequeno universo de pessoas que não tem cartão de crédito. É como viver se ver novela….. quase todo mundo vê; quase todo mundo tem cartão.
Não vejo novela…. não tenho cartão e vivo bem sem os dois…. E o que me fez cancelar o meu cartão, depois de estar com ele mais de 15 anos foi os percentuais por faltas (pagamento de atraso, saques monetários e compras parceladas).
Não parcelo nada, então cartão pra que???? Só se for pra cair numa compra por impulso…. Não…. Não Preciso e não me faz falta.