segunda-feira, 6 de agosto de 2018

O sobe e desce das cotas de fundos

Os ativos negociados no mercado perderam valor diante das notícias recentes. Os preços estão baixos, e, enquanto muitos fogem em busca de mais segurança, você investe, decidido a correr o risco, acreditando na recuperação do mercado. Sua expectativa se confirma, os juros caem, a Bolsa atrai investidores e os preços sobem! Você quer dividir os lucros com quem correu menos risco e investiu quando o mercado já estava em franca recuperação? É evidente que não.

O mesmo raciocínio se aplica quando o movimento inverso acontece. Quem investe na alta, com rentabilidade passada linda, terá de arcar com eventuais prejuízos caso o pior cenário aconteça.

Assim é a vida de quem investe coletivamente, em fundos de investimento, condomínio sujeito a regras que se aplicam a todos os cotistas. O que vale para um vale para todos. Assim como acontece nos condomínios residenciais.

O patrimônio de um fundo de investimento pertence a centenas, milhares de cotistas. É representado pelos ativos financeiros que compõem a carteira do fundo, constituída pelo gestor do fundo, conforme regulamento. O gestor equivale ao síndico de um condomínio residencial, responsável pela gestão dos recursos arrecadados.

A comparação para por aqui. Em um condomínio residencial, somente as áreas comuns são compartilhadas e cada um é o único dono da sua unidade, comprada por um preço que ele negociou individualmente e que pode ser mantida ou vendida quando o proprietário quiser, pelo preço que ele conseguir. O lucro (ou prejuízo) auferido por um condômino na venda da sua unidade não é compartilhado com os demais.

Em um fundo de investimento, 100% do patrimônio pertence a todos, sua porta de entrada e de saída está sempre aberta, permitindo que cotas sejam compradas e vendidas todos os dias. Para que essa negociação seja feita pelo preço justo, cada ativo da carteira é contabilizado, diariamente, pelo valor de mercado.

Quando a "marcação a mercado" apura valorização dos ativos, o valor da cota sobe e todo o mundo fica feliz. Entretanto, quando ocorre uma desvalorização nos ativos da carteira, o valor da cota cai, o investidor não gosta e muitas vezes reage precipitadamente, resgatando cotas que pretendia manter. 

O procedimento incomoda, mas existe uma razão inquestionável para ser feito todos os dias. Quando a marcação deixa de registrar uma desvalorização, por exemplo, a cota fica falsamente elevada, prejudicando quem compra cotas naquele dia (investidor paga mais do que vale), favorecendo quem resgata e recebe mais dinheiro do que deveria.

O inverso é verdade. Quando o administrador do fundo omite uma valorização e mantém o valor da cota abaixo do verdadeiro, ganha quem compra cotas naquele dia (investidor paga menos do que vale) e perde quem resgata cotas naquele dia e recebe menos do que tem direito.

A marcação a mercado é exigida pela CVM, órgão regulador dos fundos, e deve ser feita para evitar a transferência de riqueza de um cotista para outro. Apesar do desassossego que provoca, ela assegura que os seus ganhos (ou perdas) são seus, de mais ninguém.

O mesmo conceito se aplica ao Tesouro Direto, que, embora não seja um condomínio, permite a compra e a venda diária dos títulos públicos, pelo valor de mercado. Quem se incomoda com a flutuação de preços pode esperar o vencimento do título e receber exatamente o que contratou no dia da compra, opção não disponível para cotistas de fundos, cuja cota não tem vencimento.

Planejadora financeira CFP ("Certified Financial Planner"), autora de "Finanças Pessoais: O Que Fazer com Meu Dinheiro" 

Fonte! Opinião Econômica, por Marcia Dessen, na edição do dia 30 de julho do Jornal do Comércio de Porto Alegre - RS.
Os ativos negociados no mercado perderam valor diante das notícias recentes. Os preços estão baixos, e, enquanto muitos fogem em busca de mais segurança, você investe, decidido a correr o risco, acreditando na recuperação do mercado. Sua expectativa se confirma, os juros caem, a Bolsa atrai investidores e os preços sobem! Você quer dividir os lucros com quem correu menos risco e investiu quando o mercado já estava em franca recuperação? É evidente que não. O mesmo raciocínio se aplica quando o movimento inverso acontece. Quem investe na alta, com rentabilidade passada linda, terá de arcar com eventuais prejuízos caso o pior cenário aconteça. Assim é a vida de quem investe coletivamente, em fundos de investimento, condomínio sujeito a regras que se aplicam a todos os cotistas. O que vale para um vale para todos. Assim como acontece nos condomínios residenciais. O patrimônio de um fundo de investimento pertence a centenas, milhares de cotistas. É representado pelos ativos financeiros que compõem a carteira do fundo, constituída pelo gestor do fundo, conforme regulamento. O gestor equivale ao síndico de um condomínio residencial, responsável pela gestão dos recursos arrecadados. A comparação para por aqui. Em um condomínio residencial, somente as áreas comuns são compartilhadas e cada um é o único dono da sua unidade, comprada por um preço que ele negociou individualmente e que pode ser mantida ou vendida quando o proprietário quiser, pelo preço que ele conseguir. O lucro (ou prejuízo) auferido por um condômino na venda da sua unidade não é compartilhado com os demais. Em um fundo de investimento, 100% do patrimônio pertence a todos, sua porta de entrada e de saída está sempre aberta, permitindo que cotas sejam compradas e vendidas todos os dias. Para que essa negociação seja feita pelo preço justo, cada ativo da carteira é contabilizado, diariamente, pelo valor de mercado. Quando a "marcação a mercado" apura valorização dos ativos, o valor da cota sobe e todo o mundo fica feliz. Entretanto, quando ocorre uma desvalorização nos ativos da carteira, o valor da cota cai, o investidor não gosta e muitas vezes reage precipitadamente, resgatando cotas que pretendia manter. O procedimento incomoda, mas existe uma razão inquestionável para ser feito todos os dias. Quando a marcação deixa de registrar uma desvalorização, por exemplo, a cota fica falsamente elevada, prejudicando quem compra cotas naquele dia (investidor paga mais do que vale), favorecendo quem resgata e recebe mais dinheiro do que deveria. O inverso é verdade. Quando o administrador do fundo omite uma valorização e mantém o valor da cota abaixo do verdadeiro, ganha quem compra cotas naquele dia (investidor paga menos do que vale) e perde quem resgata cotas naquele dia e recebe menos do que tem direito. A marcação a mercado é exigida pela CVM, órgão regulador dos fundos, e deve ser feita para evitar a transferência de riqueza de um cotista para outro. Apesar do desassossego que provoca, ela assegura que os seus ganhos (ou perdas) são seus, de mais ninguém. O mesmo conceito se aplica ao Tesouro Direto, que, embora não seja um condomínio, permite a compra e a venda diária dos títulos públicos, pelo valor de mercado. Quem se incomoda com a flutuação de preços pode esperar o vencimento do título e receber exatamente o que contratou no dia da compra, opção não disponível para cotistas de fundos, cuja cota não tem vencimento. Planejadora financeira CFP ("Certified Financial Planner"), autora de "Finanças Pessoais: O Que Fazer com Meu Dinheiro" - Jornal do Comércio (https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/colunas/opiniao_economica/2018/07/640851-o-sobe-e-desce-das-cotas-de-fundos.html)

domingo, 5 de agosto de 2018

Fundos Imobiliários mais atrativos

Maior controle vai possibilitar ao comprador saber se o bem
foi registrado corretamente em seu nome /
WHATWOLF/DIVULGAÇÃO/JC - Jornal do Comércio

O baque da greve dos caminhoneiros sobre a economia nacional e a volatilidade nos mercados globais colocaram em xeque a recuperação do setor de fundos de investimentos imobiliários (FIIs). Por outro lado, o cenário adverso abriu um filão para o aplicador, que consegue desembolsar menos pelo investimento, obtendo no final a mesma rentabilidade.

Os FIIs são investimentos de renda variável e negociados como ações, mas, em vez de empresas, o aporte é em imóveis. Dentro do fundo, cada investidor tem uma cota correspondente ao montante aplicado, que rende um valor todo mês, daí a semelhança com a renda fixa. Ao dividir o preço da cota pelo valor patrimonial do fundo, é possível se ter uma ideia de quanto as pessoas estão dispostas a investir.

Em maio, praticamente todos os 10 fundos mais negociados no Brasil, segundo a B3, ficaram com suas cotas em baixa. Diante de uma crise, como a da paralisação dos caminhoneiros, os cotistas que querem sair dos fundos entram em pânico e tendem a jogar para baixo o preço da cota no mercado. Mas o valor da renda mensal - obtida com os contratos que existem dentro do fundo, se mantém, já que eles são de longo prazo. "É mais ou menos como ocorre na economia real, você não vê inquilinos cancelando contratos por conta de um evento como uma greve", explica Rodrigo Cardoso, sócio fundador do Clube FII.

Outro fator que pressiona o valor das cotas dos fundos é a alta dos juros futuros, que aponta como deverá estar a taxa Selic lá na frente. A relação entre o preço das cotas dos fundos e os juros é inversa, explica Arthur Vieira, professor de finanças da Fecap. Com a tendência de juros mais altos, os títulos de renda fixa ficam mais atrativos. Como nos FIIs não é possível mexer na renda mensal, já fechada por contratos de aluguéis ou papéis atrelados ao setor, o preço das cotas tem de baixar para oferecer um prêmio melhor e atrair mais investidores. Na prática paga-se menos pelo mesmo retorno.

Com esses dois movimentos favoráveis à entrada, o número de investidores subiu mais de mais de 20% entre janeiro e maio. No primeiro mês do ano havia 125,8 mil investidores. Em maio já eram 155 mil, patamar mais alto desde 2010, segundo dados divulgados pela B3. "Mais investidores traz mais liquidez ao mercado e quem entra olha mais pra renda do que para a possibilidade de a cota diminuir. Ele quer o retorno no longo prazo e não no curto", diz Vieira, da Fecap. Vieira faz uma ressalva que o cenário incerto tanto no Brasil quanto lá fora não é tão favorável a fundos "de papel", que só possuem títulos de recebíveis e não aluguéis físicos, como CRIs e LCIs, pois o risco de calote aumenta.

Anita Scal, sócia da Rio Bravo, explica que os fundos imobiliários que aplicam diretamente em imóveis reais, os "fundos de tijolos", resistem melhor a esses períodos mais turbulentos por causa dos contratos de longo prazo. Dentro dessa categoria, os de aluguéis em agências bancárias e shoppings, que tem renda não só de lojas, mas de estacionamentos, por exemplo, tendem a se sair melhor. Já os que aplicam em lajes corporativas e galpões também estão mais vulneráveis.

O setor começou o ano em um ritmo crescente de captação e ofertas de novos fundos, mas a virada no cenário macroeconômico reduziu o apetite das novas emissões, como fez com as cotas. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) registrou 25 ofertas de novos fundos neste ano até 13 de julho - considerando novos FIIs e ofertas subsequentes -, um movimento que apontava para expansão frente aos anos de 2017 (27), 2016 (12) e 2015 (10).

As 25 ofertas buscam levantar um teto de R$ 7,8 bilhões junto aos investidores. Até aqui, 14 foram encerradas, com arrecadação de R$ 3,15 bilhões, nem metade do montante projetado. O FII XP Log (fundo de galpões logísticos da XP Gestão de Recursos) encerrou a captação em 5 de junho, em meio à crise dos caminhoneiros, e obteve R$ 366 milhões, o que corresponde a 45% do teto de R$ 805 milhões. 

Fonte! Chasque (post) publicado no caderno "Empresa s& Negócios do Jornal do Comércio de Porto Alegre, na edição do dia 30 de julho de 2018.